terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Prós e Contras do Bom Velhinho.

Prós e Contras do Bom Velhinho, texto de Luiz Domingues.

Entre tantas simbologias que se espalham pelo imaginário do povo, sem dúvida que uma das mais fortes é o do Papai Noel.

Sua figura espalhafatosa, aliado ao fato de ser um bonachão, são apenas fatores superficiais, pois o que realmente encanta na sua figura são outros elementos.

O primeiro fato e sem dúvida o mais marcante, é o da sua predisposição contumaz para agradar as pessoas, distribuindo presentes e realizando sonhos.

Essa vocação para a bondade, é por si só algo extraordinário se pensado como ação utópica, em meio à uma realidade tão áspera em que vivemos, e por conta da luta pela sobrevivência, abre campo para todo tipo de adversidade.

A formação do seu mito remonta ao paganismo pré-cristão na Idade Média.

A sua mais remota raiz era o “Velho Inverno”, um ser que simbolizava o inverno enquanto personificação da natureza e que mediante invocações pagãs, realizava pequenas ações bondosas para amenizar os efeitos da estação entre os mais necessitados no duro frio europeu.

Alguns séculos se passaram até que o mito do velho inverno fundiu-se à história de um homem chamado Nicolau e que viveu na Turquia. Sua fama de ajudar pessoas carentes, inclusive custeando a resolução de suas necessidades o tornou objeto de santificação pela Igreja católica.

São Nicolau entrou para a história como um homem bondoso que presenteava as pessoas com enorme compaixão.

Chegando à idade contemporânea, São Nicolau abriu caminho para que Santa Claus, ganhasse o contorno com o qual mais nos familiarizamos na atualidade, e foi através de um desenhista alemão chamado Thomas Nast, que o estilizou como à um velho gnomo de floresta, que o personagem ganhou a aura mais fantasiosa e remetendo ao imaginário infantil das histórias da carochinha, numa publicação do final do século XIX.

Mas o toque comercial e capitalista pós Revolução Industrial veio mesmo quando a Coca-Cola contratou o publicitário Haddom Sundblom em 1931, e o bom velhinho ganhou a roupa vermelha que o tornaria famoso mundialmente, associando-o às cores do dito refrigerante e criando o mito subliminar de que sua simpática figura tem o espírito da companhia e vice-versa.

Cabem várias visões sobre esse ato de bondade desinteressada de um ser mitológico que tem como ocupação, apenas agradar as pessoas.

Evidentemente que o imaginário humano se agarrou à essa ideia como uma boia salvadora, em meio ao mar revolto da vida real.
Como uma ferramenta psicológica a lhe dar esperança de dias melhores, tem sua validade, é claro.

Pelo lado oposto, detratores do mito o acusam de ser mera ferramenta mercadológica do capitalismo selvagem.

Não deixa de ser verdade que tal artifício é usado ad nauseaum pelo mundo corporativo, comércio, indústria & afins.
Não é culpa da personagem, mas o fato é que o “bom velhinho” é usado e abusado em campanhas publicitárias extremamente apelativas, e que chegam a enojar pelo excesso de pieguice inerente.

Outro aspecto nocivo que se criou com essa manifestação folclórica, é o efeito depressivo que alavanca, para quem está em situação difícil sob qualquer aspecto.

Mais uma vez não é culpa da personagem, mas para quem está doente; encarcerado; com dificuldades financeiras ou de qualquer outra razão; se perdeu um ente querido recentemente; sem perspectivas ou qualquer outra (des)motivação de baixo astral, a figura do velhinho bonzinho e otimista e que não conseguirá resolver seus problemas imediatos, só potencializa sua baixa autoestima.

Mas claro, é nas crianças que o efeito do mito é mais forte, naturalmente.

A manipulação adulta em lhes imputar a contrapartida de ser um bom menino / menina, para que seja merecedor do sonhado presente que o velhinho vai lhe trazer no final do ano, é um ranço moralista, com implicações religiosas, não resta dúvida.

Mesmo com boa intenção em estabelecer limites e o conceito de direito e deveres para as crianças, os pais usam tal ferramenta com uma carga negativa, que a meu ver tem uma carga de chantagem, coação e indo além, sutilmente estabelece um sistema opressivo de dominação ditatorial, abominável.

Poucos dias atrás conversei com um conhecido meu que tem formação acadêmica de psicologia, e é também pedagogo e bastante envolvido com militância em ações de cidadania e sustentabilidade ecológica.

Dono de um charmoso Café no bairro do Belém, na zona leste de São Paulo, enquanto me servia um café daqueles bem caprichados, coisa de barista experiente, contou-me como faz para manter intacto o Papai Noel em tamanho natural que orna seu Café nessa época do ano, e que encanta as crianças, mas provoca a vontade quase inevitável nos adolescentes, de o vandalizarem gratuitamente.

Com metodologia e paciência zen, domou o instinto normal dessa molecada oriunda de uma escola particular e cara, que fica há dois quarteirões de seu estabelecimento. E seu Papai Noel em tamanho natural e que fala e canta em inglês, graças aos recursos eletrônicos dos quais dispõem, não corre mais riscos...

Nesse momento, percebi que a visão lúdica do Papai Noel tem sim uma função benéfica.
Meu amigo falando que a magia é fundamental para o desenvolvimento cognitivo das crianças e que sem o lúdico, não tem como construir as bases da criatividade, fez todo o sentido naquele instante, pois ativou em mim uma ligação pessoal com o conceito.

Mesmo sabendo disso ao ler artigos e ouvir gente entendida em psicologia / psicanálise e demais profissionais que estudam a psique humana, eu tinha apenas a compreensão intelectual de tal ditame.

Mas ali, em meio aos goles do café, ouvindo meu amigo explicando com bastante embasamento, e vendo o boneco cantando Jingle Bell em meio aos indefectíveis “ho ho ho”, fui além da racionalização meramente intelectual e entendi a argumentação sob outro viés.
Estabelecendo uma percepção muito pessoal, mas que ajudou-me a compreender muito melhor a argumentação, de fato, a magia do Papai Noel tem muita importância como ferramenta lúdica para os pequenos.

Se houver a possibilidade de não haver coação, manipulação, e domínio sob a égide do medo, sem barganhas e sem a ideia de que deva existir contrapartida obrigatória, acreditar na bondade como ferramenta para disseminar ideais de fraternidade entre os homens, é certamente uma forma de contribuição inestimável para melhorar este planeta.
Tal gesto pode ser a alavanca para uma nova consciência de que a fraternidade deva ser exercida nos 365 dias do ano, e não só motivada pelo chamado espírito natalino.

Tal consciência deve assumir tom de naturalidade e não estar associada à compaixão tão somente, e sobretudo, desassociada de qualquer fundamentação religiosa, filosófica ou institucional.

Ser fraterno naturalmente, de forma anônima, sem fazer disso um acontecimento que deva angariar simpatia pessoal e que reverta em popularidade, que invariavelmente é interpretada como uma oportunidade política, e entenda-se política não como a nobre ciência social, mas a política rasteira de cunho partidário e eleitoreiro.

Talvez aí esteja a verdadeira essência do Papai Noel, ou seja, o papel de nos fazer enxergar que devemos ser fraternais naturalmente, pois isso nos faz bem interiormente.

Como personagem, ele é imaginário, mas em termos sutis, o Papai Noel pode ser a metáfora dessa nova ordem fraternal onde presentear as pessoas se torne algo normal e não me refiro a presentes materiais, evidentemente.  

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Nossos Melhores Cérebros, a Serviço dos Outros...

Nossos melhores cérebros, a serviço dos outros..., um texto de Luiz Domingues.

A expressão “Brain Drain”, criada pelos americanos, reflete e explica muito de sua grandeza como potência, ou melhor, maior potência do Planeta.

O que faz com que um país, seja considerado do seleto rol do “Primeiro Mundo” ?

São muitos os indicadores, naturalmente. Os óbvios (economia & lastro; instituições fortes; poderio bélico; organização social; tecnologia; educação; setores produtivos etc), e também os mais sutis, que ficam na retaguarda de toda a sociedade, caso dos ditos “melhores cérebros”, ou trocando em miúdos, profissionais altamente gabaritados sob o ponto de vista intelectual e consequentemente, com o melhor nível de capacitação, prontos, portanto para dar o melhor de si para a cadeia produtiva pública ou privada.

Essa é uma das chaves para o sucesso de uma nação e o óbvio investimento em educação de máxima qualidade é um caminho para chegar nesse ponto.

Mas o outro lado, o “Dark Side” (não o do Pink Floyd, que mediante um prisma vira multifacetado), mas um dispositivo bastante comum e aceitável dentro dos parâmetros do megacapitalismo : Não basta formar grandes cérebros, mas cooptar os cérebros brilhantes alheios, também.

Não acho isso um demérito, que fique claro. Quem reúne as melhores condições, tem mais é que contratar os melhores profissionais.

Quando éramos crianças, escolhíamos nossos times de futebol nas aulas de educação física, mediante o sorteio de par e ímpar, e a cada escolha do adversário, escolhíamos o próximo jogador para o nosso time, baseado no critério evidente de buscarmos a melhor qualificação possível, reforçando nosso time com os melhores jogadores. 

Nesse caso, o padrão de equilíbrio, era o sorteio promovido pelo professor, evitando que um time ficasse absurdamente mais forte que o outro, fazendo com que o jogo perdesse o poder de disputa, e abrindo caminho para o estímulo ao Bullying, por outro lado.

Mas na vida comum, esse fator de equilíbrio não existe e na selva de pedra, vence o instinto de sobrevivência.

Nessa linha de raciocínio, não enxergo como antiética a postura de atrair os melhores cérebros do planeta para reforçar os quadros da pesquisa tecnológica de ponta, e com tal contingente de gênios trabalhando em equipe, não há como uma nação não impor-se no cenário mundial, com postura de liderança.

O grande dilema para os países mais debilitados é criar mecanismos para que seus melhores cérebros fiquem e trabalhem em seus respectivos países.
Falando especificamente do Brasil, é histórica a relação de descaso com a educação, ao longo da história.

É importante ter em mente que os grandes cérebros a serem trabalhados, começam na tenra infância, e não apenas na graduação final nas universidades.

A base, na cadeia educacional, começa pela pré-escola, com uma capacitação excelente no desenvolvimento cognitivo das crianças, desde o berço, mentalidade que é comum num país de alto grau de desenvolvimento, como o Japão, por exemplo.

O ensino fundamental tem que receber uma profunda reformulação pedagógica, passando pela reformulação da didática; conteúdo; estímulo à capacidade criativa e reflexiva das crianças e adolescentes etc.

Nas universidades, o estreitamento da relação entre elas, instituições de ensino, com a sociedade, tem que ser total.

De forma tímida, existe tal conexão, via associações de indústria e comércio, como Fiesp e Fierj, por exemplo, mas isso deveria ser multiplicado à décima potência.

O governo precisa dar mais ouvidos aos Think Tanks, buscando essa inteligência sociológica e logística, na condução de sua política estratégica.

Já temos ótimos exemplos de polos de tecnologia de ponta, em que gente brilhante vem trabalhando e agregando, caso de cidades como Recife e Campinas, mas num país das dimensões e potencialidades do Brasil, isso precisa se multiplicar de forma epidêmica, espalhando-se por todos os quadrantes, do Oiapoque ao Chuí, literalmente.

Formar, capacitar e estimular os melhores cérebros a ficar no país e usar sua capacidade dentro de nossa economia e não a serviço de nações estrangeiras, se faz mister.

E tudo começa e acaba na grande chave do desenvolvimento de uma nação : Educação.

O restante, vem por dedução óbvia, com indústria; comércio e agricultura de ponta; instituições fortes; economia sólida; democracia inabalável e blindada contra radicalismos atrasados, sejam de extrema direita ou esquerda; investimento maciço em cultura; ações concretas de cidadania, ecologia e sustentabilidade; forças armadas bem equipadas, com o máximo de inteligência tecnológica e motivadas para trabalhar pela nação e jamais serem usadas para manobras políticas golpistas perpetradas por radicais infiltrados em suas fileiras; reforma fiscal, política, do código criminal;  etc etc.

Essa é a cartilha que impulsionou a grandeza das nações de primeiro mundo, e antes que me chamem de ingênuo, pois é óbvio que existe também o “Dark Side”(aí sim, o lado obscuro, mesmo), com corporativismos; intervenções invasivas na autonomia dos países pobres via belicismo; reserva de mercado; sanções econômicas e pressão política de toda sorte e geralmente antiética, é fato que tudo isso foi gerado graças aos cérebros privilegiados.

Um exemplo clássico, se deu no término da Segunda Guerra Mundial, quando os melhores quadros da inteligência que servia ao nazismo, foram convidados a trabalhar para os americanos, vide Van Braun e outros tantos.

Cérebro privilegiado move o mundo para frente, portanto, o desafio é não deixar que nossos melhores saiam, para trabalhar a favor dos outros.   

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Por que se paga muito mais para ver um artista estrangeiro ?

Por que se paga muito mais para ver um artista estrangeiro ?, texto de Luiz Domingues.

Juízo de valor é um conceito subjetivo, isso é evidente.

Desde que o mundo existe, as sociedades mais primitivas trataram de precificar tudo, e assim o mundo foi sendo regido, sem perspectiva de uma mudança radical que não baseie a vida em torno de tal paradigma.

O assunto é imensamente amplo e portanto, vou direto ao ponto que quero enfatizar nesta crônica.

No caso específico do Brasil, o estigma de ter sido uma ex-colônia de um país europeu, causou um prejuízo emocional, que na psiquê de nações com história geopolítica igual à nossa, não necessariamente ocorreu também.

Refiro-me à completa baixa autoestima que norteou a alma brasuca, e que por séculos, tem nos aprisionado no paradigma da inferioridade.

Esse complexo terrível que o brasileiro médio tem em relação às outras nações do planeta, incluso países semelhantes, ou em condições socioeconômicas ainda piores do que as nossas, resulta numa subserviência patética e patológica, que gera um sem número de situações vexatórias.

O brasileiro passa muito além do comportamento de simpatia para com estrangeiros, exagerando na dose em demasia, e fazendo com que o tal “calor humano” seja na verdade um ato de absoluto entreguismo, em muitos aspectos.

O cronista/dramaturgo e crítico esportivo, Nelson Rodrigues, cunhou a famosa expressão “Síndrome de Vira-Lata” para designar esse desvio de conduta, alimentada pelo patológico complexo de inferioridade arraigado em nosso povo.

Indo ainda mais direto ao ponto, pois tal tema gera muitos desdobramentos, quero observar uma questão específica com a qual estou acostumado, pois é do meu métier como músico : o show business.

O valor de um cachet é naturalmente proporcional à fama que cada artista consegue adquirir, isso não se discute.

É uma questão óbvia e que demanda a conquista da sua popularidade, mediante sua exposição midiática e é natural que ganhe cada vez mais, conforme cresce seu portfólio, em todos os sentidos.

Mas aí o brasileiro entra com sua famosa síndrome, e distorções ocorrem a todo momento.

O critério para precificar ingressos de shows internacionais, em relação aos espetáculos de artistas nacionais, é de uma discrepância assustadora.

Por que ?

As desculpas são muitas e quase nenhuma é convincente o suficiente.

Vejo pessoas falando que o valor exorbitante se justifica pelo fato do artista estrangeiro não vir com regularidade ao nosso país.

Isso era um argumento relativamente válido até trinta anos atrás, pois faz tempo, o Brasil entrou na rota internacional das turnês dos grandes artistas.

E pelo contrário, nos últimos anos, pelo fato do Brasil ter sido um dos raros países do mundo a não entrar em recessão profunda pela turbulência da crise mundial de 2008, nosso país virou um porto seguro para muitos artistas que estreitaram o espaço entre suas visitas.

Muitos se aproveitaram dessa oportunidade e incluíram mais cidades brasileiras nas suas tours, saindo da obviedade de fazer shows apenas em São Paulo e Rio de Janeiro.

Pelo contrário, tornou-se comum artistas internacionais fazerem shows até em cidades interioranas, o que é ótimo, é claro.

Artistas de médio e até pequeno porte, afinaram seu faro e o Brasil virou um país apto a receber shows para todos os gostos, com bastante profusão.

Outra desculpa comum, é a de que a cada vinda do artista, é melhor não perder a oportunidade de vê-lo ao vivo, pois ele pode demorar a voltar, e falecer, não havendo outra chance.

Ora, ao que me consta, artistas brasileiros também estão sujeitos à morte física, e se em tese, deixo de assistir um show deles, também abro a possibilidade de não haver outra chance na prática, caso ele “parta desta para a melhor”...

E convenhamos : tem artista estrangeiro que tem vindo com tanta frequência ao Brasil, que praticamente já fala português com certa desenvoltura...

Indo além, são inúmeros os casos de artistas internacionais que até tem residência temporária ou fixa no país.

Apesar dessa frequência cada vez maior, velhos hábitos brasucas não mudam.

Um exemplo disso é a famosa “Síndrome de Vira Lata”, típica e de certa forma, crônica (espero que não !!)...

O artista estrangeiro, independente de sua qualidade, e aqui não cabe esse julgamento técnico, embora em muitos casos isso deva ser levado em consideração, só por ser estrangeiro nem precisa cobrar demais, pois o próprio brasileiro fará questão de lhe pagar um cachet astronômico.

Está impregnado na nossa alma, que o sujeito é “superior” a nós, só por ser estrangeiro e se for anglo-saxão então, o encantamento é ainda maior. Basta falar inglês e já entra em campo ganhando o jogo de 10 x 0, ou 7 x 1 , que é um placar na moda...

Em detrimento disso, para convencer o público a pagar ingresso até dez vezes mais barato do que pagariam aos “gringos”, para ver um artista brasuca, é uma luta quase inglória e quem for do meio e estiver lendo esta crônica, certamente haverá de concordar comigo.

Resumo : Para quem achava que o fato do Brasil ter entrado há muito tempo na rota do circuito de shows do planeta, isso seria uma porta aberta para o fomento da cultura e de seus artistas locais, houve um ledo engano.

De fato, a infraestrutura para fazer shows melhorou muito, com equipamento de som e luz compatíveis com o padrão de primeiro mundo; existem muitas casas de espetáculos com essa infra e logística; estádios e arenas surgindo principalmente no pós-Copa, em condições tão boas ou até melhores que estádios americanos e europeus; temos tecnologia etc etc.

Contudo, a patologia brasuca não foi curada...esqueceram de contratar um mutirão de psicólogos, psicanalistas e terapeutas holísticos para promover essa cura da alma mater tupiniquim...

E nesses termos, enquanto não mudarmos essa mentalidade de inferioridade atroz que nos corrói, seremos por muito tempo um povo que sempre estenderá tapetes vermelhos aos estrangeiros, não por sermos calorosos e bons anfitriões, mas por acharmos que eles são “superiores” e merecem por isso, sempre serem tratados com o exagero e a vergonhosa subserviência.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Por que Tiram a Camiseta na Hora do Gol ?

Por que Tiram a Camiseta na Hora do Gol ?, texto de Luiz Domingues.

Existe um sem número de coisas abomináveis no futebol profissional e que atrapalham a condução do referido esporte, enquanto atração de massa e em relação à sua credibilidade.

Uma delas é a mania de vários jogadores em arrancarem suas camisetas para comemorar gols. E porque isso é inaceitável ?

Desde o início dos anos oitenta, os clubes começaram a alugar seus respectivos uniformes para empresas, gerando uma renda extra que os auxilia a manter as contas em dia, visto que anteriormente só contavam com a renda das bilheterias dos jogos, basicamente (em tempos antigos, havia a questão do passe dos jogadores, também, e o merchandising era super mal explorado).

Dessa forma, os patrocinadores ganhariam muito com a exposição de suas marcas por conta da exibição dos jogos na TV, e muitas fotos nos jornais e revistas.

Mas aí começou uma “moda” entre os boleiros : O sujeito faz o gol e para extravasar sua alegria, comemora tirando sua camiseta. Ora, no momento máximo da partida, onde a exposição da marca que ajuda a bancar os salários astrômicos de alguns desses jogadores, deveria ser exaltada, eles simplesmente jogam fora essa possibilidade, deixando o clube em maus lençóis com o patrocinador.

A FIFA lançou então uma recomendação, orientando os árbitros a punirem tal procedimento com o cartão amarelo, mas isso parece ter criado outra situação entre os boleiros. Não é de hoje que sabemos que existe uma malandragem implícita entre eles, jogadores, e a questão dos cartões amarelos acumulados que revertem em suspensão automática é manipulada a seu bel prazer.

Portanto, mesmo advertidos por seus técnicos e dirigentes para não fazer isso de forma alguma, também por esse aspecto da suspensão, não tomam conhecimento e parecem não se importar com a punição, o que convenhamos, lhes é interessante para eles poderem exercer uma oportunidade de vagabundagem clara, desfalcando o time num momento em que deveriam estar em campo.

E mais uma coisa : um cidadão comum arruma emprego numa empresa, e tomando conhecimento do regimento interno, é avisado que em hipótese alguma pode trabalhar sem usar um uniforme com o emblema da instituição.

Aí, ele senta-se na sua mesa de trabalho e a primeira coisa que faz é tirar o uniforme...

Claro que recebe a advertência de um superior, mas reincide.

Aí repete, repete e repete a insubordinação. O que fazer com um sujeito desses ?

E aqui não cabe nenhuma contra-argumentação sobre a validade moral da norma. Não é o caso, pois não fere nenhuma questão ética, tampouco é algo invasivo que ofenda a dignidade do funcionário, portanto, se não gosta de usar uniforme, basta buscar outro tipo de colocação no mercado...

Como torcedor e espectador de futebol, fico inconsolável quando vejo o gol sair, e o energúmeno sai correndo jogando a camiseta no chão, mesmo sabendo amplamente que será punido com um cartão amarelo.

Ainda bem que não sou técnico de futebol, pois seria um sofrimento lidar com esse tipo de gente. 

Na hora de renovar um contrato, querem se valorizar ao máximo como profissionais, fazendo pedidas estratosféricas, que chegam a humilhar a grande massa que os idolatra, mas dentro das suas atribuições, agem como amadores da pior espécie, nessa e em inúmeras outras questões.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Ebola, a Bola da Vez.

Ebola, a Bola da Vez.

Texto de Luiz Domingues.

Talvez a maioria da população brasileira não esteja prestando atenção devidamente ao problema, inebriada por outras questões, como a disputa eleitoral, escândalos de corrupção e o mundo cão do cotidiano que é explorado ad nauseam nos programas sensacionalistas da TV aberta, disfarçados de jornalismo.

Mas o fato é que a epidemia de Ebola, está gravíssima na África e o perigo de se espalhar de forma incontrolável para todo o planeta, existe, ainda que as autoridades se esforcem para não deixar transparecer tal possibilidade e dissemine-se assim o pânico total.

Segundo a literatura da medicina, a doença foi detectada nos anos setenta, no Sudão e no Congo, recebendo o nome de um Rio do Congo, chamado Ebola.
Nessa primeira abordagem, em 1976, a projeção era de que tal vírus era transmitido por morcegos e rapidamente infectando primatas, e claro, chegando aos humanos.

A transmissão da doença é extremamente agressiva, sendo feita por diversos fluídos corporais e abrindo o campo para a contaminação pelo ar.

Cientistas trabalham com afinco para criar uma vacina definitiva, mas ainda no campo das experimentações, não existe algo absolutamente definitivo que erradique a epidemia e salve a vida dos infectados.
O caso do médico norte-americano que salvou-se e está com a saúde 100 % revitalizada, é ainda um caso isolado e sujeito a estudos, não caracterizando se tratar de uma solução final para o caso.
As autoridades movimentam-se para evitar o contágio, com medidas profiláticas básicas, mas longe de algo realmente que assegure o bem estar de suas respectivas populações.

O básico do básico é fechar fronteiras e vigiar com rigor a entrada de pessoas que venham desses países onde o surto está muito intenso. E isso está sendo feito por todos os países.

Agora, o que chama a atenção, é que se medidas de prevenção são necessárias, na mais prosaica, porém válida ação de proteger a própria prole em sua casinha, por outro lado, não se nota nenhuma ação pesada por parte das nações desenvolvidas para ajudar de forma contundente, os países assolados pela doença.
A ação dos países do primeiro mundo, parece tímida, em proporção à gravidade da situação e pior ainda, apontam para medidas mais preocupadas em não deixar o vírus se espalhar, do que efetivamente auxiliar a população dos países afetados.

Fora ações de ONG’s abnegadas, como o “Médico sem Fronteiras” e a “Cruz Vermelha”, não existe um aparato portentoso da parte de países europeus, Estados Unidos e Japão, para ajudar países como a Libéria, Serra Leoa, Guiné e Nigéria, onde a situação é desesperadora.

Claro que o conflito Ucrânia-Russia preocupa; lógico que a Guerra sangrenta na faixa de Gaza está dramática e deixa o mundo em alerta vermelho máximo, na iminência do estouro de uma III Guerra Mundial, mas não consigo pensar nesse surto de uma doença terrível e letal, possa ficar à margem da preocupação das nações desenvolvidas.
A única nova vinda das nações de primeiro mundo, é a proposta de criar um isolamento na Libéria. Lembra o Gueto de Varsóvia que os Nazistas criaram, infelizmente.
Outro aspecto desse surto, que normalmente não gosto de alimentar, mas que é uma possibilidade, é o de que tal vírus possa ser obra de inúmeras contaminações feitas através de ações militares.
Fato, depois do uso e abuso de gases na I Guerra Mundial, toda possibilidade de contágio se abriu e são inevitáveis as especulações sobre mutações genéticas decorrentes das conseqüências do uso de armas químicas.
Faz cem anos que o gás de pimenta foi usado de forma cruel na I Guerra Mundial, mas depois disso, quantas outras ações desse porte ou piores, não foram deflagradas ?
Se o gás de pimenta era algo terrível, o que dizer do poder de uma bomba atômica e sua radiação a reboque ?
E as experiências com doenças sexualmente transmissíveis, feitas em cobaias humanas incautas na Guatemala ?
Esqueceram do “Agente Laranja” que os americanos cansaram de jogar na cabeça da população vietnamita ?
Enfim, sem fomentar “Teorias da Conspiração”, mas será que o Ebola, assim como a Aids e outras moléstias agressivas, não são frutos de ações químicas usadas em conflitos bélicos ?
Isso sem ir adiante e conjecturar que tais vírus possam ser criações propositais, geradas em laboratórios a serviço de forças secretas etc etc. Mas convenhamos, não se pode descartar essa hipótese, também.
Aproveitando, nada a ver com o assunto Ebola, mas tratando de outra doença, digo que obviamente que sou a favor da causa a favor de arrecadação de fundos para a pesquisa em prol de avanços para o tratamento da Esclerose Lateral Amiotrófica, uma doença muito dramática e que acomete muitas pessoas. Torço para que as pessoas e as autoridades se sensibilizem e lhe prestem apoio para que se busquem tratamentos e cura definitiva, contudo, não vou postar vídeo nas redes sociais jogando um balde de gelo ou água gelada sobre o corpo para demonstrar apoio à causa, pois isso é absolutamente ridículo e denota um modismo perpetrado por marketeiros, e se tem uma coisa que abomino é armação de “formadores de opinião”, esses verdadeiros “Goelbbelzinhos” de araque.
Além do mais, que coisa mais infeliz incentivar o desperdício de água, num momento dramático onde o planeta está vendo suas reservas de água se esvaindo...parece que eu sou um ecochato por falar isso, pois o que representa um mero “baldinho” nesse contexto, não é mesmo ?
Aí eu vejo a notícia que estima-se que 16 milhões de metros cúbicos de água foram para o ralo por conta dessa asneira e aí, fico com mais bronca ainda do marketeiro que deve se achar um gênio por isso ter “virado”.  
Encerrando com o Ebola, toda a atenção é pouca para uma doença devastadora como essa.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Repórter Esso, Testemunha Ocular da História.

Repórter Esso, Testemunha Ocular da História, texto de Luiz Domingues.

Nos primórdios da história do Rádio, o tratamento com o qual o jornalismo era exercido, não tinha um formato específico e adequado à esse novo veículo.

Portanto, no início, o noticiário radiofônico era uma mera leitura de notícias publicadas nos jornais tradicionais, como uma espécie de mural enfadonho e muitas vezes não levando em conta que certas particularidades da notícia lida dessa forma, causava alguma confusão ao ouvinte.

Demorou um tempo para que os radialistas notassem que era preciso inventar um formato radiofônico específico para tal veículo.

Foi com esse propósito que em 1935, surgiu nos Estados Unidos, o “Reporter Esso”, um noticiário criado especialmente para o Rádio e patrocinado por uma companhia petrolífera (Standart Oil Company), daí esse nome personalizado.

O lado obscuro dessa iniciativa, era que tinha um objetivo claro em sua linha editorial, sua prerrogativa, mas obviamente questionável enquanto jornalismo livre e ético, pois acintosamente noticiava os fatos conforme o ponto de vista americano, realçando suas virtudes, omitindo os defeitos e enxergando o mundo pelo seus interesses, de forma parcial.

Dessa forma, não demorou e o grande foco do Reporter Esso foi a II Guerra Mundial, naturalmente.

Acompanhando o plano expansionista da política de boa vizinhança do governo Roosevelt, o Repórter Esso criou franquias (foram quinze ao longo do mundo, segundo consta na sua história), e chegou ao Brasil de Getúlio Vargas.

Em 28 de agosto de 1941, estreou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro e desde o seu início, era subordinado ao DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), com a mão de ferro de Vargas a lhe conduzir o editorial.
No início, eram programas curtos de apenas cinco minutos de duração, e na maior parte do tempo ocupados com a reprodução do programa americano e as notícias dos militares americanos no conflito.

E mesmo com Vargas voltando ao poder em pleito democrático, anos depois, a atuação do Repórter Esso continuou na sua predisposição de noticiar sob o prisma americano.

Com o passar do tempo, o noticiário estava tão sedimentado no imaginário do cidadão brasileiro, que seus slogans e jingle, faziam parte do cotidiano do país, talvez numa proporção maior do que veio a representar o Jornal Nacional da TV Globo, anos depois.

Havia até um ditado popular, que dizia que se uma notícia surgia, só era considerada verdadeira se fosse noticiada no Repórter Esso.

O programa migrou para outras estações de Rádio, e chegou à TV, onde também fez grande sucesso.

Jornalistas como Heron Domingues, Luis Jatobá, Roberto Figueiredo e Gontijo Teodoro, passaram por ele e certamente que influenciaram outros programas que surgiram depois, incluso o Jornal Nacional da TV Globo, onde aliás, o próprio Heron Domingues fez parte no seu começo.

As trombetas estridentes que anunciavam a entrada do noticiário no ar, tinham um ar solene, parecendo que sempre a notícia a ser dada era bombástica, embora raramente isso ocorresse, dentro da rotina do jornalismo.

A contribuição que o Repórter Esso deu para o radialismo foi imensa, contribuição que estendeu-se ao jornalismo televisivo, posteriormente.

Segundo consta na história do radialismo, graças ao Repórter Esso, criou-se enfim o formato adequado para o veículo, com notícias curtas, de forma muito objetiva e expressas com frases ágeis, usando não só o poder da síntese, como a preocupação na escolha de palavras fortes para dar a ênfase necessária.

A última edição radiofônica ocorreu na noite de 31 de dezembro de 1968. O radialista Guilherme de Sousa falou sobre alguns decretos de ordem econômica assinados pelo presidente Costa e Silva, desdobramentos do AI-5, então recentemente promulgado e notas sobre o Reveillon.

À medida que falava, foi embargando a voz e nitidamente emocionado, não conseguiu encerrar a sua locução, chorando copiosamente e assim fazendo com que o locutor reserva entrasse às pressas na sala da técnica, e assumindo o microfone, encerrou a transmissão desejando um “feliz 1969 à todos”.

Na Televisão, o noticiário sobreviveu mais um pouco, mas também teve uma última edição no Reveillon, desta feita, na noite de 31 de dezembro de 1970, nas TV’s Record e Tupi.

Fim de uma Era no radialismo e calava-se para sempre a “Testemunha Ocular da História”.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Hinos Manchados de Sangue.

Hinos Manchados de Sangue, texto de Luiz Domingues.

Somos educados desde a tenra idade, a decorar o hino nacional e mesmo sem entender a maioria das palavras ali contidas, tendemos a não nos preocuparmos com a interpretação de seu significado, metáforas, analogias e outras figuras de linguagem implícitas em sua verborragia.

A maioria dos hinos nacionais dos países,  é antigo e isso explica muito o porquê do uso de palavras pouco usuais ao coloquial moderno, não só da nossa compreensão em português, mas valendo para todas as línguas, praticamente.

A exaltação das respectivas belezas e recursos naturais de cada país,  são costumeiras, assim como o enaltecimento de características humanas de seus povos, mas existe um dado além, que chama a atenção pela grande profusão, e se trata do caráter bélico, na maioria dos hinos nacionais ao redor do planeta.

Isso é compreensível, na medida em que por serem antigos, geralmente, trazem carga em anexo de uma mentalidade arcaica e arraigada em valores norteados por disputas territoriais que remontam à Idade Média e em alguns casos, até à Antiguidade.

Fala-se muito no conceito da vida e morte; luta, defesa da honra e da fronteira, como o mais alto valor a ser defendido.
Não é incomum ver nas letras dos hinos, citações de batalhas; guerras & revoluções;, sangue derramado; dor e sofrimento de seu povo; restrições & penúria material etc etc.

Geralmente ninguém se dá conta de que a mentalidade generalizada em tais composições, perpetua valores segregacionistas, com todo mundo defendendo com unhas e dentes seu pedacinho de chão, sua língua e cultura particular, em detrimento de uma visão mais macro do planeta, como casa de toda a humanidade, sem fronteiras como dizia o brother Lennon na sua canção, Imagine.

Em época de Copa do Mundo e Olimpíadas é que a mídia dá mais ênfase na execução dos hinos das nações participantes de tais jogos e aí, escancara-se toda essa constatação que venho fazendo.

A começar pelo hino brasileiro, onde se observa algumas colocações que corroboram tal tese. Por exemplo :
“Verás que um filho teu não foge à luta”, nem teme, quem te adora a própria morte”...

No da Itália, era natural que exaltassem as glórias do Império Romano, mas convenhamos, sob o fio afiado das espadas ou gládios, para sermos precisos :

“Com o Elmo de Scipio, cingiu sua cabeça, onde está a vitória, lhe estenda a coma, que escrava de Roma, Deus a criou...estamos prontos para a morte, a Itália chamou...estamos prontos para a morte”...   
No de Portugal, é natural que se exaltasse a coragem dos descobridores, via tradição marítima, mas tem truculência, também :

“Ás armas, às armas, sobre a terra e sobre o mar...contra os canhões, marchar, marchar”...


Não tenho dúvida que o hino da França é um dos mais belos, senão o mais belo do planeta. Mesmo não sendo francês e não tendo nenhuma identificação com tal nação, quase todo mundo se arrepia quando ouve a Marselhesa, todavia, já parou para analisar que tal hino foi criado no calor de uma revolução sangrenta e retrata na sua letra, ipsis literis, um banho de sangue, ainda que lutando por nobres ideais de liberdade ?

Nem reproduzirei trechos da letra, porque nesse caso, a letra inteira exalta os cidadãos a marchar, lutar e derramar seu sangue...

O hino inglês exalta a monarquia e isso não surpreende em nada, levando-se em conta o tradicional espírito conservador britânico. Mesmo ameno e formal, tem lá seu lado  raivoso :
“Ó senhor nosso Deus, venha dispersar seus inimigos...e fazê-los cair...confunda sua política, frustre seus truques fraudulentos”...

O México expressou no seu hino, o trauma da dizimação dos povos pré-colombianos pelos colonizadores espanhóis, pois fala em defesa do solo, que cada cidadão é um soldado em potencial e a espada dos arcanjos está ao seu lado para a eventualidade...caso parecido como hino da França, abstenho-me de reproduzir frases, pois é inteiro calcado nesses valores de belicismo.

De nosso vizinhos argentinos, o espírito libertador do jugo colonialista europeu, espírito comum em todos os países latinoamericanos , nos traz a frase emblemática : “Coroados de glória vivamos, ou juramos com glória morrer”...

A Argélia mostra também seu lado de exaltação da força em se defender : “Juramos, pelo raio que destrói, pelos rios de generoso sangue derramado...somos soldados em revolta, pela verdade”...

A Grécia traz seu passado da antiguidade tal como a Itália que cita Roma, mas ao invés de exaltar a sua cultura privilegiada de outrora, via filosofia e artes, fala do belicismo : “Reconheço-te pelo gume do teu terrível gládio”...

Enfim, para não tornar esta matéria gigantesca, foco por aqui, mas acredite amigo leitor, os hinos nacionais, salvo honrosas exceções, ainda trazem como teor de suas exaltações, o espírito bélico em seu bojo, numa visão nada amistosa da convivência entre os povos e considerando que na verdade, a casa onde moramos, o planeta Terra, pertence a todos e a divisão com arame farpado, de pequenos terrenos, é mera invenção sociopolítica e ultrapassada.