terça-feira, 1 de abril de 2014

Manipulação da Boa Fé Publica.



        Manipulação da Boa Fé Pública, texto de Luiz Domingues.


Não é de hoje que os espertalhões de plantão usam e abusam da boa fé das pessoas para aplicar golpes.

Desde as cavernas, esse tipo de artifício é usado pelos inescrupulosos que com esse tipo de ação, são duplamente execráveis, pois além do golpe em si, existe a agravante da humilhação alheia como alavanca para tais ações.

Com o advento da Internet, isso só multiplicou-se, na triste proporção de que a humanidade dá saltos geométricos nos avanços tecnológicos, mas permanece estagnada nos padrões morais, e muitos (pasmem), retroagem...

O uso da máquina da Internet, potencializada pela febre da interação nas redes sociais, só fez crescer esse tipo de ação criminosa.

Há uma extensa lista de E-mails falsos contendo vírus, que a polícia federal recomenda que não cliquemos e basta ter um mínimo de experiência como usuário para decorar a máxima de que não se deve abrir E-mails suspeitos.

Mas existem outros tipos de golpes, tão sujos quanto, e se não estão ligados diretamente à práticas criminosas perpetradas por bandidos, são tão perniciosas quanto.

Refiro-me à enorme quantidade de postagens falsas que comovem as pessoas e rapidamente se tornam virais, gerando milhares de compartilhamentos e comentários de apoio.

Subitamente aparece no mural da sua rede social predileta uma foto montada, dando conta que um determinado alimento muito popular, é acusado de ser cancerígeno e na postagem, constam nomes de "cientistas" de universidades famosas que concluíram tal pesquisa bla bla bla.

Não passa nem um segundo e milhares de pessoas já estão tratando de espalhar a nova, com a convicção de que estão "contribuindo" ao alertar seus amigos e parentes e isso vira uma corrente de proporção incalculável.

Só que a postagem era falsa. Muito provavelmente era uma brincadeira de algum desocupado que regozija-se com seu vandalismo virtual ou , pior ainda, é fruto de uma sabotagem industrial por parte de alguém que quer prejudicar a empresa responsável pela industrialização de tal alimento.

Já vi acontecer isso com remédios, produtos de limpeza, cosméticos, brinquedos, roupas, sapatos e diversos outros objetos.

Calúnia, difamação e sabotagem ?

Claro que sim, e pelo que sei, fica por isso mesmo, pois desconheço que as autoridades tenham localizado, indiciado e levado a julgamento, tais pessoas autoras dessas ações.

Mas é no campo político que temos mais observado esse tipo de ação escusa, abominável e digna de asco por parte de qualquer cidadão de bem.

O uso desse expediente para provocar formação de opinião, tomada de posição e possível revolta, é criminoso, no mínimo.

Nenhum partido político jamais admitirá ter participação nesse tipo de estratégia, e certamente sempre usarão laranjas se "a casa cair", mas o fato é que a rede de boatarias está solta no ar e tal prática é absolutamente nojenta, caracterizando um golpe baixo na democracia e sobretudo na boa fé da população.

Em época de campanhas políticas, o bicho come solto na internet. Todo dia as redes sociais lotam de postagens absurdas, fazendo afirmações falsas, induzindo à não reflexão mais apurada e à comoção e nesse instante, no impulso, é que fazem uso da "idiotia servil", um prática detestável, que ofende a inteligência das pessoas de bem.

Com milhares, milhões de idiotas úteis trabalhando a seu favor, cegamente, fica mais fácil formatar um conceito, um paradigma que ganha contorno de verdade absoluta.

Isso não é nenhuma novidade criada junto à moderna tecnologia. Na verdade, a tecnologia do século XXI que avança, só tratou de potencializar tal expediente.

Esse tipo de uso de informação manipulada, que comove as pessoas e as faz aderirem sem pensar, é mais antiga que a civilização, e nos anos quarenta da década passada, ganhou contornos dramáticos quando usada por um homem chamado Joseph Goebbels.

Esse cidadão foi um mestre nesse tipo de artimanha, não podemos negar sua genialidade, mas, claro que a usou com motivações muito equivocadas e deu no que deu.

Infelizmente, mesmo com o rescaldo do que esse tipo de prática causou naquela ocasião, ainda existem muitos entusiastas desse tipo de ação e tem em Goebbels, um ídolo, praticamente.

Dessa forma, não passa um dia sem que ao abrirmos E-mails, não vejamos pessoas amigas e de ótima índole, lhe "repassando" recados criados com objetivos políticos claramente sabotadores, como se fossem verdades absolutas e no afã de "ajudar", as pessoas só trabalham como idiotas úteis desses crápulas.

Como máxima do jornalismo, uma notícia só pode ser publicada mediante confirmação de uma fonte fidedigna. Jornalistas costumam checar na verdade, muitas fontes, antes de assinarem uma matéria.

Portanto, caro leitor, é bom seguir esse preceito, mesmo nós que não somos jornalistas e sendo assim, jamais repassar um E-mail com "notícias bombásticas", sem checar a fonte de tal novidade.

Principalmente nas redes sociais, onde a tentação de se sentir popular é enorme (pelo caráter instantâneo das postagens e sua repercussão), por favor, tenha muito cuidado antes de compartilhar, pois muitas vezes aquelas coisas "revoltantes" ou "comoventes", tem uma procedência manipulada e você será mais um idiota útil, por parte de pessoas que tem muito interesse em ver o circo pegar fogo.

terça-feira, 18 de março de 2014

Escolas Vocacionais, uma Experiência Incrível Jogada no Lixo.





Escolas Vocacionais, uma experiência incrível jogada no lixo
Que o Brasil está melhorando sob o ponto de vista econômico, não resta dúvida, apesar das panes de má administração pública e do câncer crônico da corrupção vergonhosa.

Mas mesmo analisando apenas os aspectos positivos do crescimento do país, sempre esbarramos em algumas questões básicas que atravancam o progresso e o deslanchar do país para o 1º mundo, enfim.

Um é a falta de investimentos pesados e concretos em infraestrutura. Por décadas, isso foi sendo empurrado para debaixo do tapete, mas como éramos conformados com a eterna situação de subdesenvolvimento, vivíamos resignados com essa situação terceiro mundista de atraso vergonhoso.

Agora que o país parece estar ganhando visibilidade, bateu a vergonha, por termos os piores aeroportos, portos, estradas, logística e tudo amarrado com o mais horripilante esquema burocrático do planeta, onde nada funciona.

O outro ponto crucial desse gargalo do Brasil é o educacional.

Com baixos investimentos na infraestrutura escolar, como pleitear um real crescimento ?

Se os professores não tem incentivo algum para exercer a sua profissão, não há idealismo que segure. E o professor geralmente é um abnegado, que enxerga a profissão com paixão, e normalmente recebe em troca, uma remuneração vergonhosa, péssimas condições de trabalho, instalações caindo aos pedaços, material sucateado e nenhuma segurança no trabalho, aliás, cada vez mais insalubre por motivos amplamente conhecidos de todos e fartamente reportado pela mídia.

Então, sempre a conversa nas rodinhas acaba com um consenso : o Brasil só vai melhorar quando houver investimento maciço na educação. Fato...

Mas não podemos deixar de enaltecer a ação de muita gente que já contribuiu decisivamente para a questão educacional no Brasil. Gilberto Freyre é uma lembrança óbvia, mas pode-se arrolar diversos nomes de pessoas de enorme valor, que a despeito da má vontade oficial, deram seu sangue para melhorar tal panorama.

Uma experiência fantástica foi feita no Brasil, nos anos sessenta, por exemplo.

Era uma linha pedagógica progressista, milhas além da educação oficial e antiquada que era praticada no país até então.

Essa pedagogia fora desenvolvida por uma professora chamada Maria Nilde Mascellani, que a colocou em prática, de forma experimental numa escola estadual na cidade de Socorro, no interior de São Paulo, em 1959.

Tal metodologia impressionou o secretário de educação estadual à época, que autorizou a extensão da experiência à outras escolas em outras cidades interioranas e na capital.

Dessa maneira, foi implementada de forma experimental em algumas escolas no estado de São Paulo, a partir de 1962.

Eram alunos do antigo curso ginasial (hoje corresponde ao "fundamental II"), de escolas estaduais de São Paulo. Uma era na capital (o famoso Oswaldo Aranha, no bairro do Brooklin, zona sul da capital paulista), e outras nas cidades interioranas de Batatais, Americana, Barretos, Rio Claro e em São Caetano do Sul, na região do ABC.

Como eram os ginásios vocacionais ?

Em primeiro lugar, acabou com o regime de separação por gênero. Meninos e meninas passaram a estudar em classes mistas, quebrando um padrão pseudomoral idiotizante, que ainda remetia ao século dezenove, e seu código de conduta vitoriano de recato massacrante.

Outro aspecto libertário, era o de não ensinar matérias tradicionais com maçante teoria pesada. Todo o conteúdo técnico que deveriam absorver era proposto como um consenso comunitário. Os alunos escolhiam os temas ligados à matemática, geografia, história, português e ciências, de uma forma livre.

Os professores não adotavam a postura sisuda de mestres inquestionáveis e severos, mas a de mestres dispostos a passar seus conhecimentos para pupilos queridos, numa troca prazerosa e não ditatorial de cima para baixo.

Há relatos de ex-alunos das escolas vocacionais dando conta da clima de amizade e admiração que fora criado entre professores e alunos. Estudavam juntos e brincavam também, participando das oficinas artísticas propostas e das práticas esportivas.

A ideia era fazer uma educação onde a capacidade de criação do aluno fosse estimulada ao máximo. Mais que fazê-los decorar fórmulas e nomes de personagens históricos só para "passar nas provas", como era (é) o método tradicional, o objetivo era estimular o aluno a ser livre, crítico e criativo.

Para tanto, todo o enfoque era nos estudos sociais e as especializações saiam desse tronco comum.

Fazia sentido, pois onde vivemos ?

Não é uma sociedade ?

Pois era a maneira mais inteligente de educar as crianças e adolescentes, fazendo-os se sentir parte desse núcleo e portanto responsáveis pela manutenção e melhoria de tal estrutura, construindo o futuro cada vez melhor.

Nessa dinâmica, estudavam psicologia, antropologia, história, geografia, sociologia, como ramos da vida em sociedade, e entendimento do homem e de seu meio.

Grupos eram organizados pelos professores, mas com total autonomia dos alunos para escolher suas pesquisas. Há relatos de saírem a campo, observando a vida no entorno da escola, nos bairros, mapeando tudo o que achassem interessante e discutindo isso na sala de aulas.

Onde vivemos ?

Não é em cidades ?

Como funcionam, como é a vida pelos bairros ? O que produzem, o que reivindicam os seus moradores ? O que pode fazer o poder público para melhorar o pequeno problema localizado no bairro ? Qual o papel do cidadão comum, nessa equação ?

Como é a gestão pública, como é usado o dinheiro dos impostos cobrados, como é a logística da "rés pública" ?

Tudo o que observavam nesses estudos de campo, era objeto de discussão na sala de aulas e daí saíam estudos por escrito, com o status de verdadeiros ensaios e não os maçantes trabalhos escolares de cópia de livros em bibliotecas, como era de praxe no sistema educacional antiquado. 

Pois é...na escola vocacional, os alunos eram estimulados a notar que a sociedade, quem constrói, somos nós. Para fazer uma Brasil pujante e tão bom quanto qualquer nação civilizada de 1º mundo, a atitude e o senso crítico individual faz a diferença.

Os alunos controlavam a cantina da escola. Eles mesmo cuidavam de sua administração e isso fazia parte de seus estudos de matemática, finanças e administração. O dinheiro arrecadado era usado para financiar os projetos de campo.

Essa era a proposta da escola vocacional, mas forças retrogadas não pensavam assim.

Quando a ditadura apertou de vez, a partir da instauração do AI-5, em dezembro de 1968, a mordaça apertou e em 1969 as escolas vocacionais foram extintas pelo governo estadual, subserviente ao regime ditatorial.

A experiência avant-garde dessa pedagogia, foi execrada. Não era surpreendente, aliás era esperado, tanto quanto os nazistas quando fecharam a escola Bauhaus, assim que tomaram o poder na Alemanha em 1933.

Gente que pensa incomoda ditadores, que tem no controle absoluto, sua maior arma de domínio.

Alguns professores foram perseguidos pela ditadura. A própria professora Maria Nilde Mascellani foi presa sob alegação de "sovietizar a juventude, usando métodos pedagógicos suspeitos".

As escolas vocacionais foram consideradas "subversivas" pela ditadura.

Há uma informação de que professores da unidade de Americana denunciaram a escola ao exército, alegando que ali formavam "comunistas".

Houve uma intervenção truculenta até, com professores sendo presos na cozinha da escola.

De nada adiantou os protestos veementes de pais de alunos querendo a normalização da escola vocacional, não só da cidade de Americana, mas de todas as outras que sucumbiram ao cassetete burro da ditadura.

Extintas portanto, em 1969, as escolas vocacionais deixaram uma lacuna na história pedagógica brasileira.

Recentemente, um ex-aluno que tornou-se profissional de audiovisuais, produziu um documentário belíssimo, resgatando essa história, inclusive com raras imagens captadas na época, ali no calor dos anos sessenta, mostrando um pouco como era estimulante ter um sistema educacional que respeitava o aluno e o estimulava a ser criativo, crítico, pensante...

O cineasta Toni Ventura lançou "Vocacional, Uma Aventura Humana", que é um documento muito sensível, mostrando o que foi essa experiência educacional belíssima.

Eis o link de um trailer no You Tube, pois infelizmente por motivos de direito autoral da produtora da peça audiovisual, sua postagem completa não foi autorizada.

http://www.youtube.com/watch?v=gO-y-kwYhfE

Mas o documentário já foi exibido em vários canais educacionais de TV a cabo, e sempre está sendo exibido em mostras por aí, basta ficar de olho...

Encerrando, devo observar que o Brasil tem jeito sim. Um dia nos libertaremos das garras das pessoas que não tem interesse que a educação seja melhorada e priorizada. Quem são eles, se aparentemente não vivemos mais massacrados por uma ditadura de gente burra e armada ?

Façamos como os professores da escola vocacional estimulavam seus alunos, e nesse caso, pensemos...

E outra coisa...quando se deu essa experiência ? Entre 1962 e 1969 ?

Já pensou estar na escola vocacional nessa época, tendo essa experiência educacional incrível e com Beatles soando no ar ? Era a década da libertação, sem dúvida...

De fato, eu morava no bairro vizinho ao Brooklin em 1967, estudava no ensino primário de uma escola estadual tradicional naquela época, mas ouvia as conversas dos adolescentes mais velhos e o sonho de todo mundo era cursar o ginasial no Oswaldo Aranha, que vivia essa experiência.

Privilegiados esses que passaram por lá, até o sonho acabar, esmagado por forças retrogadas que preferem impingir pesadelos à sociedade...

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Buzina, um Tormento a Mais.

    Buzina, um tormento a mais...texto de Luiz Domingues.


Muito se fala sobre o caos dos engarrafamentos gigantescos no trânsito e também sobre o impacto ambiental negativo que a brutal emissão de poluentes causa, inevitavelmente.

Fala-se muito também (e com toda a razão), sobre as questões que envolvem a condução dos veículos, principalmente a absurda quantidade de irresponsáveis que dirigem embriagados, fora os transgressores, que não respeitam as regras básicas do trânsito.

Hoje trago como tema, outro um transtorno pouco citado, mas tão nocivo quanto os demais, que arrolei acima : os excessos cometidos pelo uso equivocado da buzina...

Parece uma piada, se formos considerar como fato isolado, mas a realidade é outra, se levarmos em conta os milhões de neuróticos transitando por aí e fazendo o pior uso possível do instrumento.

Numa rápida constatação, é triste verificar que as pessoas em geral tem a ideia errônea de que a buzina tem a mesma função de uma campainha ou telefone. Para tais pessoas que usam a buzina com essa função, fica a advertência de que estão equivocadas, pois é evidente que a buzina não foi instalada nos automóveis, com essa finalidade.

Pior, é achar que ela tem o poder de intimidação, como se fosse uma palavra de ordem e imposição de uma pessoa sobre a outra, denotando a prepotência de quem se acha poderoso dentro de sua "arma" ambulante.

Existe também o uso pela euforia. Usam a buzina como se fosse a melhor maneira de extravasar momentos de alegrias pessoais. Geralmente associa-se o uso indiscriminado da buzina, para comemorar conquistas esportivas, notadamente de clubes de futebol, e inevitavelmente nos vem o clichê à cabeça : imagine na Copa...

Carreatas de cunho político, religioso e de motivações menos cotadas, também colaboram bastante nessa poluição sonora.

A buzina como instrumento de galanteio, é outra modalidade bastante acessada. Chamar a atenção das mulheres, usando a buzina, é prática comum.

Como instrumento de impaciência, é então uma das maneiras mais comuns de pressionar outros motoristas. O semáforo ainda está na cor amarela e o cidadão colocado atrás, já aperta seu instrumento com saúde, exigindo a arrancada de quem ainda espera o sinal verde.

No período noturno, avançando pela madrugada, a insegurança pública é a desculpa para não se respeitar os semáforos e aí, mesmo que haja perigo de colisão ou atropelamento, você é advertido com bastante veemência, pelos motoristas ao seu redor, para não parar, desrespeitando os sinais.

É o tal negócio : se para, enfrenta a fúria do motorista que acha que você o "atrapalha", mas também corre o risco da abordagem de bandidos. Contudo, muito provavelmente a multa chegará em sua casa pela infração, se houver câmera...
 
A questão da "Lei do Silêncio" é uma regra pouco respeitada. Buzinas usadas sem parcimônia, agressivamente, ou por autênticos idiotas ébrios, ecoam pelas madrugadas, pouco se importando com a perturbação do sono das pessoas e diga-se de passagem, muito pelo contrário, o objetivo é azucrinar, mesmo...

Hospitais, casas de repouso de idosos, clínicas, creches, velório...nada disso importa aos energúmenos de plantão, se resolvem apertar a buzina em seus respectivos volantes.

No texto da Lei, é clara a atribuição da buzina. Basta ler o artigo 41 do Código Brasileiro de Trânsito.

Ela é um item de segurança, que serve para advertir outro motorista ou pedestres, sobre  a iminência de um acidente, ou para anunciar uma ultrapassagem, no caso de um ambiente pouco sinalizado, caso de pequenas estradas vicinais, por exemplo. Somente isso...

E mesmo assim, o uso é recomendado com certa "suavidade", dando toques rápidos e na menor quantidade possível, muito diferente das animalescas buzinadas com o punho apertando o volante com bastante ênfase, como geralmente observamos nas ruas.

Diante de tantas irregularidades, parece que o melhor caminho é o educacional, mas receio que o trabalho só surta efeito a médio-longo prazo, se começarmos a educar as crianças com noções de cidadania, respeito e civilidade, pois quanto aos buzinadores "grandinhos', parece que não tem mais jeito...

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Só Bom Senso não Basta.

  Só Bom Senso não Basta, texto de Luiz Domingues.

Meses atrás, o Brasil viu uma enxurrada de manifestações populares, clamando por mudanças.

A pauta nem sempre foi clara e muita manipulação foi perpetrada por oportunistas de plantão, mas no seu âmago, o clamor parecia ter uma única raiz : mudanças...

Um dos mais monolíticos setores da sociedade, é o de organizações que regem os esportes, e notadamente o futebol.

As federações estaduais e a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), são entidades que trabalham numa linha conservadora, muito parecida com a condução que o Vaticano exerce no catolicismo.

A palavra "mudança" causa calafrios nos sisudos e conservadores senhores que organizam o futebol profissional no Brasil, aliás, um microcosmo do que acontece no planeta, através da condução maior da Fifa, o orgão máximo que comanda o futebol, mundialmente falando.

Eis que na onda das manifestações da metade de 2013, finalmente a classe dos jogadores de futebol resolveu se unir e reivindicar mudanças muito importantes na regulamentação da sua profissão.

Chamado de movimento "Bom Senso", tem em seu manifesto inicial, uma pauta de reivindicações que faz jus ao nome escolhido para a sua agremiação.

O primeiro ponto, é o excesso de jogos. Ora, mesmo gostando de futebol e querendo ver vários torneios ao ano, mesmo o mais radical dos torcedores há de convir que estamos vivendo um calendário absurdo, onde o excesso está gerando a possibilidade de muitos jogadores contundirem-se.

Outro ponto, é o horário dos jogos. Não é admissível jogar em certas regiões do país onde o calor é abrasador, em horários de sol a pique.

E de outro lado, não é mais possível que uma rede de TV tenha o monopólio total das transmissões ao vivo e nos jogos das quartas, determine que as partidas comecem no insalubre horário das 22:00 h, com seu término ultrapassando a meia-noite e tudo por conta de não abrir mão de exibir o capítulo da novela das "oito", que há anos, começa as "nove"...

O fato da arbitragem ser amadora e determinante nos resultados dos jogos, é outro ponto a ser mudado urgentemente. Como podem os senhores árbitros e assistentes, errarem tanto e darem de ombros, pelo simples fato da atividade ser considerada como um "hobby" ?

É muita irresponsabilidade ter uma arbitragem amadora influindo diretamente numa engrenagem que gera milhões, quiçá bilhões de reais.

Aquele golzinho injustamente anulado, pode determinar o rebaixamento de um grande clube e o senhor árbitro, que no dia seguinte ao jogo, vai trabalhar como bancário ou dentista, não faz ideia de quantas famílias vão passar por sérios apuros, com o clube tendo um prejuízo financeiro retumbante por uma queda de divisão.

Outra coisa, se olharmos os salários astronômicos dos grandes jogadores, parece até que não existem profissionais à mingua nessa atividade.

Imagine outra realidade, muito aquém do Neymar, Ronaldinho Gaúcho e seus poucos pares. Qual é o salário de um jogador de um time do interior do Maranhão, que atua na segunda divisão daquele estado ?

Nesses termos, a realidade no futebol é muitíssimo diferente do glamour da elite, mas no imaginário popular, fica a impressão de que todos nadam em dinheiro e querem menos jogos, porque são "vagabundos"...

As condições de trabalho, também estão na pauta do dia. Ainda falando no excesso de jogos, a total impossibilidade de se realizar pré-temporada antes dos campeonatos iniciarem-se, é uma prática abominável.

É na pré-temporada, feita no prazo adequado, que os atletas se preparam físicamente para encarar os campeonatos e sem essa preparação adequada, a possibilidade de terem lesões é enorme. Portanto, não é uma "frescura", como certos dirigentes arcaicos andam dizendo por aí.

E o direito a greve ? Por que o jogador de futebol tem que tolerar os desmandos dos clubes mal organizados e que atrasam salários ?

Enfim, são muitas as reivindicações e em sua maioria, muito justas.

Mudanças são importantes na estrutura do futebol e entre tantas, a mais importante é : o jogador tem o direito a ter sua opinião ouvida, e por décadas, o principal artista desse espetáculo, esteve amordaçado, sem direito de expressar-se.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Mobilidade Urbana.

  Mobilidade Urbana, texto de Luiz Domingues.


Muito se tem falado sobre o estrangulamento do trânsito nas megacidades, mas a verdade é que esse problema já se espalha também por cidades de menor porte.

A falta de investimentos maciços em transporte público, por parte dos governantes, aliado aos interesses da indústria automobilística, sem dúvida que são fatores que impulsionam esse colapso.

Em diversas outras matérias que escrevi, abordando nuances dessa problemática, sempre deixei cravada a opinião de que uma ação isolada não resolve um nó dessa magnitude.

O investimento maciço no metrô, parece ser a medida número um nessa equação, mas como já salientei, não é a única.

O apoio de uma integração com os trens de subúrbio, é necessário e não descarto a existência dos aerotrens, fazendo interligações inteligentes interbairros.

Nada disso basta, pois não podemos abrir mão dos ônibus tradicionais e para tanto, a experiência da abertura de corredores exclusivos, com a possibilidade de tais veículos andarem mais rapidamente, é fundamental.

Nesse quesito, a prefeitura de São Paulo tem agido corretamente em forjar tal prática, ainda que tenha gerado alguns transtornos inevitáveis no processo de implantação. Numa cidade gigantesca como São Paulo, parece inevitável que qualquer medida que se tome, pode desagradar um grupo de pessoas, mas não tenho dúvida que corredor exclusivo, é imprescindível.

A experiência de cidades como Bogotá, na Colômbia e a Cidade do México, capital do país asteca, tem que ser usada como exemplo, onde os corredores tem centenas de KMs, em apoio ao Metrô.

Sobre a questão das ciclovias, também já falei bastante e tem muito ciclista que não entende certas colocações de minha parte. Já deixei muito bem explicado, mas reitero : Acho que o incentivo à prática do ciclismo urbano, tem que ser total por parte do poder público, desde que se criem ciclovias seguras e muito bem sinalizadas.

Mas deixo a ressalva de que os ciclistas precisam urgentemente conhecer a regulamentação que lhes cabe dentro do Código Brasileiro de Trânsito. Não respeitar os sinais básicos de trânsito, como o semáforo; indicação de faixa de segurança para pedestres e circular sobre calçadas, é abominável como conduta de civilidade, cidadania e respeito ao próximo.

Outra questão que defendo com ênfase, é o incentivo ao uso dos táxis. Se a tarifa do táxi fosse mais convidativa, quantos carros particulares não sairiam das ruas ?

Em conversa com taxistas amigos, sei que a reivindicação deles por melhores condições de trabalho, passa além da redução do preço dos combustíveis para a categoria, e dos impostos na hora da aquisição do carro novo. Para poder abaixar a tarifa, defendem um programa de auxílio manutenção.

Convenhamos, o desgaste de um táxi vai muito além do carro particular de passeio e não acho absurda a reivindicação deles, pelo contrário.

O governo que mais se preocupa em arrecadar com a obrigação da inspeção veicular, poderia bem usar essa estrutura montada para arrancar dinheiro extra dos proprietários de veículos (é bem sabido que o IPVA já deveria garantir essa inspeção, não é mesmo ?), dando suporte mecânico mais em conta para os taxistas.

Outra medida que poderia funcionar, é a da proibição sumária de tráfico de veículos particulares por ruas do centro da cidade, com a volta dos bondes urbanos.

Se os bondes nunca deixaram de funcionar, e pelo contrário, são funcionais e charmosos em cidades europeias, não vejo por que não poderiam voltar a operar em percursos de pequeno porte e desafogando assim as entupidas ruas do centro, de cidades como Rio e São Paulo, só para citar duas que estão caóticas pelo acúmulo de carros nas ruas.

A verdade é uma só : Se o transporte público fosse abundante e de qualidade, muita gente deixaria o carro particular na garagem e só o usaria para passeio no final de semana.

Se não o fazem, é porque querem evitar o sufoco de serem espremidos como sardinhas dentro da lata.

Se conseguem sentar-se decentemente, com limpeza e iluminação adequada, sinalização e sobretudo com abundância de opções e tudo sem esperas descomunais, as pessoas perderiam o receio de usar o transporte público.

Mas aí...a indústria automobilística não iria gostar muito de vender menos carros, e como um efeito dominó, ameaçariam demitir funcionários das montadoras. O governo corre para socorrer a indústria e não vai querer queda da taxa de empregos e consumo. Políticos não vão gostar de ter corte de verbas para suas campanhas eleitorais...

É como a velha propaganda daquele biscoito/bolacha : "Vende mais porque é mais fresquinho, ou é mais fresquinho justamente por vender mais" ?

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

A Bolívia é Logo Aí.

  
  A Bolívia é logo aí.  Luiz Domingues ruleiando no blog...

A Bolívia é o país mais pobre da América do Sul, e um dos mais carentes do mundo.

Suas riquezas naturais, mal suprem as necessidades básicas de seu povo, e chega a ser engraçada a reação de algumas pessoas que esbravejaram, quando o seu atual presidente tomou medidas radicais para valorizar uma das únicas fontes de renda daquele país, o seu gás, anteriormente comercializado abaixo do "preço de banana".

Com uma população de mais de 95 % formada por etnia indígena, a Bolívia foi governada em quase toda a sua história até aqui, pela minoria caucasiana de sua população, com um tipo de domínio que acintosamente não prestigiava os interesses da sua imensa maioria da população, infelizmente.

Diante de tais circunstâncias dramáticas, era natural que sua população se tornasse migrante, buscando melhores condições de vida nos países vizinhos mais abastados.

Num primeiro instante, Argentina e Uruguai eram os destinos mais procurados pela possibilidade de uma adaptação mais amena, levando-se em consideração o uso comum da lingua castelaña, como legado da colonização espanhola, em comum entre tais nações.

Mas, aos poucos, o Brasil começou a ser uma opção melhor, por conta das oportunidades de empregos, moeda mais forte, estabilidade da democracia se consolidando, e um fator extra, a típica reação de simpatia do brasileiro para com estrangeiros, coisa que na Argentina, por exemplo, era um empecilho, muito pelo contrário.

Nos anos 1980, o fluxo de bolivianos aumentou consideravelmente, mas foi a partir dos anos noventa, que os bolivianos começaram a ficar mais visíveis na sociedade brasileira, notadamente nos estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo.

No caso da capital paulista, o fluxo foi aumentando de tal maneira, que o assentamento desse contingente passou a ocupar bairros inteiros, provocando a geração de oportunidades de trabalho para suprir as necessidades de tal comunidade.

Comércio e serviços direcionados aos bolivianos, podem ser vistos aos montes em bairros como Bom Retiro, Pari, Brás, Canindé e Belenzinho, com placas escritas em castelaño por todos os lados.

Existe inclusive a famosa feira dominical no bairro do Canindé, próximo ao estádio da Portuguesa de Desportos, que cresceu tanto, que é uma atração cultural muito legal da cultura desse povo.

Todavia, nem tudo são flores para essa população imigrante. Por muitos anos, a maioria dessas pessoas veio ao Brasil, em condições inóspitas, para submeterem-se à condições degradantes de trabalho e subsistência.

Geralmente trabalhando no ramo têxtil, a maioria trabalhou por anos a fio em regime de semi-escravidão, sem documentos oficiais de permanência e tampouco permissão de trabalho no Brasil.

E por estarem na ilegalidade, eram explorados por pessoas inescrupulosas, que os amontoavam em cubículos insalubres, trabalhando por até 16 horas por dia e lhes repassando um salário abaixo do salário mínimo, e lhes cobrando suas despesas pessoais, de maneira que num círculo vicioso, jamais conseguissem se libertar, e ter o direito de ter documentos em ordem, e consequentemente, poderem aspirar colocações melhores no mercado de trabalho, e sobretudo, uma condição de vida, digna.

Aos poucos, a pressão popular, mais os esforços da Polícia Federal, Ministério do Trabalho e das Relações Exteriores, mais Embaixada e Consulados da Bolívia no Brasil, foram desbaratando quadrilhas que exploravam esses imigrantes.

Digno de nota, também é o esforço de organizações não governamentais que atuam com bastante contundência na defesa de imigrantes com dificuldades prementes, no Brasil.

Os números oficias do IBGE e da Embaixada boliviana, não refletem a realidade da população boliviana no Brasil, justamente pelo fato da sua imensa maioria estar clandestina por aqui.

Segundo estimativas, só na cidade de São Paulo, existe uma população de cerca de 400 mil bolivianos residentes.

Ora, é quase a população de uma cidade de grande porte, como São José do Rio Preto (SP), ou Juiz de Fora (MG), para citar só dois exemplos de ótimas cidades interioranas do Brasil.

Basta ficar por alguns minutos na rodoviária da Barra Funda, em São Paulo (para quem não conhece São Paulo, esclareço que existem três rodoviárias na cidade, e esta da Barra Funda, recebe ônibus que vem de cidades do oeste do estado, e de estados do centro-oeste brasileiro), para comprovar que não param de chegar ônibus lotados de famílias bolivianas, diariamente.

Tenho muito respeito e simpatia por esses imigrantes, e indo além, sensibiliza-me a sua vontade de buscar o Brasil para ter melhores condições de vida.

Em sua esmagadora maioria, são pessoas humildes, trabalhadoras e muito pacatas. A índole do boliviano é da melhor qualidade, e acho que são merecedores do nosso apoio.

Ainda estamos longe de erradicarmos o trabalho escravo a que muitos estão submetidos, mas faço votos de que isso acabe, e esse povo possa viver em paz, trabalhando e vivendo com dignidade.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Prazer e Dor.

  Prazer e Dor, texto de Luiz Domingues.


A questão da alimentação vegetariana, versus hábitos carnívoros da maioria das pessoas, sempre gerou controvérsia.

A despeito do movimento vegetariano ter crescido vertiginosamente nos últimos anos, ainda existe um escárnio por parte de não adeptos desse tipo de alimentação.

Não faz muito tempo, havia um comercial de TV que ironizava desdenhosamente os vegetarianos, reduzindo-os à idiotas, em detrimento dos carnívoros convictos, que estes sim, tinham uma vida saudável e feliz, justamente por estarem alimentados por proteínas animais.

Um pseudo "Guru", pálido e de voz monocórdica, dizia ser feliz por alimentar-se de "brotos de bambu", contrastando com a imagem de jovens bonitos e bem vestidos, jantando numa churrascaria.

Sem dúvida, um golpe muito baixo, ou no mínimo "deselegante", como diria aquela jornalista da TV...

Bem, embora seja vegetariano, jamais fui "militante da causa".

Apenas não consumo carne na minha alimentação, abstendo-me de qualquer ação no sentido de tentar "convencer" outras pessoas de que o meu hábito é mais "saudável", mais "humano" em relação à crueldade perpetrada contra os animais etc etc.

Posto isso (tomo esse cuidado porque jamais escrevi sobre esse tema anteriormente, e tenho uma certa bronca de radicalismos por parte de adeptos do vegetarianismo), chamou-me a atenção o fato de que a Câmara Municipal de São Paulo, acaba de aprovar uma Lei que está gerando bastante polêmica, mesmo com a ressalva de que o prefeito ainda tem o poder de veto final, e convenhamos, será bastante pressionado pelo setor que será prejudicado diretamente se a Lei for sancionada.

Estará proibida a comercialização de "Foie Gras" nos restaurantes da cidade, e venda no comércio.

Ora, uma Lei radical desse porte, prejudica uma infinidade de pessoas. A começar pelos restaurantes de culinária francesa, que são inúmeros em São Paulo, amplificando-se na rede de comércio que lida com tal produto, e evidentemente, sua cadeia produtiva primordial, os criadores de patos e gansos.

Essa iguaria, o Foie Gras, é um alimento que remonta à remota antiguidade. Há registros de seu consumo, datados de 2500 anos antes de Cristo.

Os romanos, chamavam a iguaria de "iecur figatum", que significa "fígado engordado com figo". Era uma alusão ao fato de que o fígado de patos, gansos e marrecos, ao serem inchados pelo hiper consumo de figos, tornavam-se saturados de gordura natural, portanto, muito mais saborosos, e amanteigados, segundo os gourmets.

Tal hábito solidificou-se Idade Média adiante, e tornou-se um ícone da culinária francesa, portanto associado à uma aura de alimentação sofisticada.

Na prática, o Foie Gras é o fígado dessas citadas aves, adulteradas por uma hiper alimentação. Nessa disfunção hormonal advinda dessa prática cruel, o objetivo é alcançado quando o fígado satura-se de gordura, tornando-o mais "apetitoso".

Ora, para que o fígado desses animais chegue nesse estágio, a alimentação forçada a que essas aves são submetidas, não é nada agradável.

Inacreditável o mal estar que lhes é impingido nesse processo, tornando sua vida um martírio.

E sem intenção de fazer afirmações panfletárias, mas inevitavelmente o fazendo, a pergunta é : que vida ?

Se tais aves são encaradas meramente como um produto de consumo, que preocupação teriam em lhes proporcionar bem estar, e a perspectiva de uma vida feliz na natureza, com direito à uma morte natural ? O que o empresário ganha com isso ?

A discussão é ampla, eu sei. Não vou perder tempo para falar de outras práticas cruéis perpetradas contra outras espécies, para não perder o foco, embora a raiz seja a mesma...

Em 2004, o governador da California, Arnold Schwarzenegger, proibiu o consumo de Foi Gras obtido com métodos cruéis, nesse estado.

Leis semelhantes estão em vigor em 15 países, a maioria da Europa, com excessão de Argentina e Israel, signatários da mesma causa.

Os produtores alegam que é da natureza das aves, armazenarem alimentos. Outro argumento que usam para se defender, é que a elasticidade natural da garganta deles, faz com que o método de empurrarem uma carga impressionante de alimentos goela abaixo, não lhes incomoda, pois não sentem ânsia. Será ??

Bem, há muito o que evoluir nessa relação homem-animal. Reconhecer que os animais são seres vivos, e embora não tenham a sofisticação do raciocínio dos humanos, sentem dor, angústia e medo, talvez seja um primeiro passo.

Dá para viver se alimentando de outras fontes da natureza, sem ter que recorrer às visceras dos animais ? Claro que sim, e o vegetarianismo está em expansão geométrica no mundo, provando tal preceito.

Portanto, embora muita gente esteja profundamente indignada e sentindo-se prejudicada (claro que vão ser mesmo, nesses termos), parece que a Lei proposta pelos vereadores de São Paulo, tem um sentido libertário, além dos hábitos alimentares arraigados desde a antiguidade.