terça-feira, 18 de junho de 2013

Campeão Mundial do Improviso.

Campeão Mundial do Improviso, texto de Luiz Domingues.
Quando o Brasil foi escolhido pela FIFA, como o país sede da Copa do Mundo de 2014, tal data parecia longínqua na ocasião.

Era o ano de 2007, e sete anos parecia ser uma eternidade para promover tantas mudanças estruturais necessárias para cumprir o exigente caderno de adequações da FIFA.

E já naquele ano, o Brasil despontava como emergente "bola da vez", recebendo elogios da mídia internacional e sendo enfim notado pelas nações do 1° mundo, coisa rara até então.

Mas os problemas que se sucederiam, eram absolutamente previsíveis...

Enraizado na alma do Brasil, existem signos absolutamente vergonhosos que enquanto não forem erradicados do imaginário popular, difícilmente farão com que a riqueza material conquistada pela economia do país, reflitam-se como real grandeza digna de nos colocar de fato, no 1° mundo.

Por exemplo, a vergonhosa mania de se orgulhar de ser um povo que dá "jeitinho" em tudo.

Esse estigma é terrível, pois nos leva a crer que fazer as coisas de qualquer maneira, sem critério de qualidade, é uma virtude, quando na verdade, é uma prática lamentável.

Ligado intimamente à esse fator, existe outro estigma horrível, que é o do atraso.

Brasileiro acha bonito atrasar-se, entregar coisas ou tomar providências no último momento possível e muitas vezes, além do prazo final estipulado.

A questão do "jeitinho", tem a conotação do improviso, da "gambiarra", do "gato". Nessa mentalidade, nada é seguro, pois do pequeno reparo caseiro com a fita isolante, aos grandes empreendimentos arquitetônicos, paira no ar esse artíficio que a qualquer momento se descortina, algumas vezes em tragédias.

Outro estigma horrível e típico do Brasil é o orgulho da "malandragem". Se desde crianças, somos bombardeados com esse conceito, realmente fica muito difícil ter outra visão.

Se somos todos "malandros" e sempre dispostos a levar vantagem em tudo (certo ? ), chocamos os estrangeiros do 1° mundo, não habituados à tal prática abusiva/extorsiva inaceitável, e faz de nós, estelionatários em potencial.

Quando Mário de Andrade criou o personagem "Macunaíma" e Monteiro Lobato criou o "Jeca Tatu", os criaram a ambos, com a característica da "preguiça', como traço de personalidade dominante.

Ora, se ambos são personificações típicas do brasileiro, obviamente que os respectivos autores os criaram com forte fator de denúncia sóciocultural, mas parece que o povo absorveu a ideia de preguiça, como algo para se orgulhar...

Outro aspecto lamentável e típico do Brasil é a exaltação da sensualidade. Após décadas de propaganda maciça nesse sentido para atrair turistas, não é contraditório que o brasileiro sinta-se ofendido quando vê estrangeiros referindo-se às nossas mulheres de forma desrespeitosa ?

Sete anos se passaram e nada foi feito para atenuar essas questões. E como poderia mudar algo formatado há séculos, e com a agravante de ninguém nem discutir o assunto ?

A preocupação foi apenas construir novas "arenas", mas deixando em segundo plano uma série de outros fatores estruturais.

Arenas estão sendo inauguradas, todas embonecadas de cair o queixo, mas o entorno ainda é caótico; os meios de transporte, precários.

Aeroportos, portos, estações rodoviárias de terceira categoria; nenhum preparo para atender e informar bem os turistas...

Nem vou falar sobre segurança pública, para não fazer ninguém perder o sono.

E vou falar mais uma : disse acima que as arenas estão deslumbrantes. Isso é verdade, mas problemas estruturais inadmissíveis estão acontecendo em tempo recorde.

Na Fonte Nova, por exemplo, logo no primeiro dia da inauguração, verificava-se que a distância entre uma cadeira e outra, era inadequada para uma pessoa acomodar-se; no Castelão, há relatos de pessoas que demoraram horas (eu disse horas !) para sair do centro de Fortaleza e chegarem ao estádio, para o show do Paul McCartney.

O entorno do Maracanã está impraticável por conta das obras viárias. No Mineirão, logo nos primeiros jogos pós-inauguração, foi um horror a venda de ingressos, com uma bagunça generalizada.

Outra Arena que nem revelarei o nome, tinha um "probleminha" no dia da inauguração : jornalistas atônitos, descobriram não haver tomadas nas cabines de imprensa..."só" isso...

Isso sem contar toda a manobra política para tirar o Morumbi do evento.

Ora, está na ponta do lápis : Seria necessário uma rápida reforma para adequar o Morumbi às exigências da FIFA.

Isso custaria cerca de 350 milhões de reais, nos quais o São Paulo Futebol Clube pagaria quase toda a despesa, de seus cofres.

Mas "curiosamente", a FIFA criou todo tipo de empecilhos, preferindo ameaçar a cidade de São Paulo, de ficar fora do evento.

Daí, surgiu a "oportunidade" de construir o estádio do Corinthians, numa previsão inicial de "apenas" 800 milhões de reais, mas que agora já passou de 1 bilhão, é claro.

E o Maracanã ? Acaba de ser reformado, mas o governo anunciou que o reformará novamente para as Olimpíadas de 2016. Brasileiro adora reforma, licitação, concorrência pública...

Na ponta do lápis, parece coisa de louco, é o é, certamente. Mas aqui é o país do "jeitinho", da "malandragem", não é mesmo ?

Em tempo : recomendo assistir o seguinte documentário postado no You Tube : "A Caminho da Copa".

http://www.youtube.com/watch?v=nFcA2PKIcfQ

terça-feira, 4 de junho de 2013

Monteiro Lobato Preocupado com o Petróleo.

Monteiro Lobato Preocupado com o Petróleo, Luiz Domingues "ruleiando" no blog. Vivemos uma Era de euforia em decorrência da descoberta do Pré-Sal.

Segundo estimativas, o Brasil entrará para a OPEP (Organização Mundial dos Países Produtores de Petróleo), superando a perspectiva da autosuficiência (que por si só, já seria excelente), para alçar-se à condição de exportador.

Porém, até chegarmos nesse ponto, muitas coisas ocorreram antes e a questão petrolífera no Brasil gerou muita controvérsia.

Os primeiros registros de exploração por aqui, datam do século XIX. O Marquês de Olinda autorizou um pequeno empreendedor chamado José Barros de Pimentel, a fazer pequenas prospecções às margens do rio Marau, na Bahia.

Nas três primeiras décadas do século XX, os registros oficiais dão conta de que pessoas comuns do povo, exploravam essa extração de forma precária, sem nenhuma regulamentação oficial ou ação empresarial constituída.

Foi então que o governo Vargas, na década de trinta, entrou de sola nessa questão, criando restrições oficiais à essa prática, mas ao mesmo tempo não criando mecanismos claros sobre a exploração, gerando assim, muita insatisfação por parte de muitas pessoas politizadas, sobretudo.

E um desses intelectuais insatisfeitos, e que mais bateu públicamente no governo Vargas, foi o escritor Monteiro Lobato.

Lobato era muito famoso por ter criado o personagem Jeca Tatu, onde criticava o atraso do país, e veladamente o atribuía (também, mas não tão somente, pois deixou claro que Jeca Tatu não era assim, mas "estava assim", cutucando o governo), à preguiça como marca registrada da índole do povo brasileiro (há certamente uma similaridade entre Jeca Tatu e o Macunaíma de Mário de Andrade, nesse aspecto).

Lobato também era famoso por ter criado o "Sítio do Pica-Pau Amarelo", sua literatura infantil que atravessaria décadas, mas havia um lado seu sóciopolítico que era forte e expressou-se em vários livros.

No caso da exploração do petróleo no Brasil, a questão principal que o indignou, residia no fato de que o governo Vargas criara restrições, mas não apontava soluções.

Se a riqueza natural era de todos, ou o governo criava mecanismos para a exploração, repassando os lucros à população, ou permitia a livre exploração por parte de qualquer interessado, ainda que tributando os lucros, logicamente.

Nesse impasse, Lobato passou a protestar públicamente através de artigos na imprensa, mas foi em 1936, que sua contundência chegou ao clímax, quando lançou o livro : "O Escândalo do Petróleo".

O livro esgotou sua primeira edição muito rapidamente e incomodou o poder ditatorial de Vargas.

Tornou-se um slogan a expressão "não perfurar, nem deixar que se perfure", uma clara alusão à inércia de Vargas nessa questão.

Em 1937, a repressão oficial censurou o livro e mandou recolher suas cópias disponíveis nas livrarias. Mas no mesmo ano, Lobato lançou mais um livro do seu "Sítio" e usou o seu fantástico personagem, o "Visconde de Sabugosa", uma espiga de milho humanizada e intelectual, para dar mais pauladas no governo Vargas.

No livro "O Poço do Visconde", Lobato usou a voz do simpático Visconde de Sabugosa para ser veemente : "Ninguém acreditava na existência de petróleo nesta enorme área de 8.5 milhões de KM quadrados, toda ela circundada pelos poços de petróleo das repúblicas vizinhas..."

Duas correntes políticas se posicionaram frontalmente nessa questão, a partir daí. Os nacionalistas queriam a criação de uma empresa estatal para monopolizar o controle da extração e os chamados "entreguistas" (pejorativamente assim conhecidos, é claro), que defendiam a tese da exploração ser aberta também à empresas estrangeiras estatais ou particulares.

Em 1941, Lobato foi preso por um general do exército, que curiosamente envolvería-se anos depois, com a campanha "O Petróleo é nosso", nos anos quarenta.

Foi criada a Petrobrás em 1953 e só recentemente o governo mudou as regras e abriu espaço para empresas estrangeiras particulares atuarem em parceria.

Qual seria a opinião de Monteiro Lobato sobre o atual panorama petrolífero do Brasil ?

Se por um lado, possivelmente estaria feliz por constatar esse potencial produtor, que na sua época era inimaginável, por outro, estaria perplexo por constatar que tal riqueza não se reflete na economia popular como era de se esperar.

Os economistas, tributaristas e técnicos do governo falam, falam, mas não explicam com clareza o porque do preço dos combustíveis ao consumidor final, serem tão tão caros.

E numa economia onde esse fator é o principal motivador da alta de todos os produtos e serviços possíveis e imagináveis, realmente causa espanto que uma riqueza assim não seja distribuída equânimamente para o seu verdadeiro dono, o povo.

Vai demorar um pouco, mas quando os primeiros barris extraídos da safra do Pré-Sal começarem a render lucros, qual vai ser a desculpa governamental ?

Tomara que não, mas se essa riqueza não for repassada corretamente, só nos restará torcer para que o Visconde de Sabugosa use de sua sabedoria enciclopédica e seja o nosso porta-voz indignado.

terça-feira, 21 de maio de 2013

História Reescrita.


História Reescrita
Os fenícios realmente chegaram ao continente americano antes dos colonizadores portugueses e espanhóis ?

Uma esquadra chinesa deu a volta ao mundo e pisou no solo sul americano em 1421 ?

O massacre de um milhão de armênios, no início do século passado, é uma fantasia ?

Não foi golpe, mas sim "revolução", o que ocorreu no Brasil em 1964...

São inúmeros os erros registrados em livros de história e muito deles por pura manipulação e atendendo a interesses escusos de poderosos.

Stalin e Hitler mandaram adulterar fotos, excluindo desafetos e apagando o nome de várias pessoas dos registros oficiais.

Páginas vergonhosas da verdadeira História foram adocicadas e papéis invertidos em muitas circunstâncias.

Heróis transformados em bandidos, e vice-versa.

Nos livros didáticos, por gerações, a História oficial foi ensinada nesses parâmetros repletos de distorções.

Os historiadadores frustram-se com seu trabalho sendo constantemente pressionado pelos poderosos e seus interesses.

De fato, grande parte do material do qual dispõem para elaborar o seu trabalho, é oriundo de documentação oficial fornecida.

E com esse tipo de fonte não confiável, ficava difícil a precisão histórica.

Na atualidade, existem movimentos concretos entre historiadores, dispostos a reescrever tudo, apurando ao máximo a verdade e colocando "os pingos nos i's".

Na França, por exemplo, historiadores trabalham nesse sentido e questões pertinentes ao período revolucionário de 1789 e posterior Era napoleônica, passarão por rigorosa revisão, mediante documentação e descoberta de fatos novos.

Há de se observar contudo, que numa época onde a mentalidade do "políticamente correto" passou dos limites, tal parâmetro não pode contaminar tal movimento de reestruturação da História.

Usar de eufemismos tolos para não "chocar", é irrelevante. É preciso encarar a História com veracidade, mostrando a verdade, doa a quem doer.

Encarar o fato de que a jornada da humanidade em seu processo civilizatório, teve etapas tristíssimas, faz parte do aprendizado, e deixar de contar tais passagens, é um atentado à verdade.

E convenhamos, segunda década do século XXI em curso, não cabe mais manipular a História oficial, para privilegiar interesses particulares. 


Texto de Luiz "Show" Domingues.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Celulares, Tablets & Afins : As Estrelas do Show.

Celulares, Tablets & Afins : As estrelas do Show, texto de Luiz Domingues.   À medida que os telefones celulares foram sofisticando-se, funções extras e agregadas, passaram a fascinar os seus usuários. Jogos em primeira instância, mas logo a seguir a possibilidade de fotografar, filmar e interagir com a internet, transformaram tais aparelhos em peças indispensáveis no cotidiano de quase todo mundo. Então, tornou-se rotina fotografar e filmar shows musicais; peças teatrais; palestras; exposições & vernissages; tarde de autógrafos de escritores, jogos de futebol e outros esportes etc etc. Até aí, não haveria nada a reclamar. Qual o mal dessa moderna forma de registrar momentos agradáveis em tais eventos ? Mas o tempo passou e a febre por essa mania só aumentou, protagonizando exageros, naturalmente. Com a chegada dos tablets, isso exacerbou-se ainda mais. E o que verificamos hoje em dia ? Apagam-se as luzes num show de Rock, por exemplo, e ao contrário de épocas passadas, o frenesi pela entrada em cena de seu artista predileto, é atenuado pela excessiva preocupação em filmar. Ninguém mais presta atenção no espetáculo, parecendo que todo mundo virou documentarista, tamanha a profusão de aparelhos mirados para o palco. Na perspectiva do artista em cima do palco, tornou-se algo até bizarro notar que a maioria das pessoas se preocupam mais com isso, fazendo com que a emoção de ver/ouvir o artista ao vivo, se dilua, pois o vê numa telinha, na maior parte da duração do show. Vi recentemente uma reportagem no jornal Folha de São Paulo, falando sobre isso e impressionei-me com o depoimento de diversos atores. No caso dos espetáculos teatrais, tal hábito é mais deselegante por parte das pessoas, é evidente. Alguns atores reclamam (com razão), que tal ocorrência os desconcentra do texto e marcações. Fora o fato desagradável que muitos não estão filmando, mas muito pior, checando e-mails ou postando asneiras nas redes sociais... Coibir tal prática parece medida arbitrária, coisa de fascista demodèe que adora controlar a vida das pessoas. Deixar do jeito que está, provoca mal estar, principalmente para os artistas em cena. O que fazer ? Se por um lado, um espetáculo acaba sendo incensado por tal prática espontânea do público, que gera videos no You Tube; fotos no Instagram e postagens nas redes sociais, por outro, denota mais o modismo da tecnologia em si e a consequente mania do ser humano, de exibir-se. Vi na reportagem que os artistas se dividem nessa questão. Um dono de um pocket-teatro, disse que expulsa sumáriamente quem usa um aparelho desses dentro de um espetáculo. Outro, de um outro espaço teatral, incentiva o uso, apostando na propaganda espontânea das pessoas como chamariz de suas temporadas. Como músico, eu tenho também observado o crescente número de pessoas que filmam/fotografam todos os shows. É engraçado ver um monte de gente com a face azulada, olhando para seus aparelhos fixamente e vendo o show nessas telinhas. Mas particularmente, não vejo mal algum e pelo contrário, nos meus shows, estão todos autorizados a filmarem e fotografarem à vontade. Conheço até algumas pessoas que filmam com sofisticação e são verdadeiros documentaristas. Nesse caso, com apuro e bom propósito, eu acho positiva tal ação, pois mal chego em casa e na madrugada pós-show, já vejo fotos e filmagens na internet, sem dúvida um apoio importante para o trabalho. E você ? O que pensa sobre isso ?

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Ciclistas x Bicicleteiros.

Ciclistas x Bicicleteiros, texto de Luiz Domingues. Sei que já abordei esse tema anteriormente e particularmente não gosto de voltar ao mesmo assunto nas minhas matérias, privilegiando sempre temas novos. Todavia, sou obrigado a voltar neste assunto, pois está ficando muito mais perigosa a vida do mais desprestigiado elemento dentro do universo do trânsito: o pedestre... A mídia já vem há meses enaltecendo a bicicleta como a alternativa mais festejada para combater o caos no trânsito. Não tenho nada contra a bicicleta, e certamente que reconheço a sua viabilidade no processo, embora ainda ache que não seja o principal agente a ser incentivado. Ou seja, acredito que a solução para uma melhora significativa, passa por um conjunto de ações integradas. É bastante ingênuo, a meu ver, achar que incentivar só o uso de bicicletas, resolverá o problema do trânsito. Eu prefiro pensar que a bicicleta só funcionará adequadamente em paralelo com investimentos pesados na ampliação do Metrô, trens de subúrbio, corredores expressos para ônibus, subsídios para os taxis terem uma tarifa mais razoável e incentivo à criação de empregos para pessoas que morem no mesmo bairro, evitando assim que se desloquem de forma insana, diariamente. Posto isso, é claro que acho um absurdo o perigo que os ciclistas passam com a selvageria do trânsito. Como não se revoltar com o caso da moça barbaramente assassinada no Rio de Janeiro, ou o rapaz que teve um braço decepado por um playboy arrogante em São Paulo, e que além de não socorrê-lo, teve a crueldade de jogar o braço do rapaz num córrego, Kms distante do acidente (e o braço poderia ser enxertado, segundo os médicos...) ? A mídia bate firme nessas tragédias e enaltece a "causa" dos ciclistas, sem levar em conta o incrível contraponto que eu não vejo ninguém citar... Responda-me sem pensar : Quem tem a estrutura mais frágil dentro do trânsito ? Pois é...o ser humano e seu corpinho de carne e ossos, só tem a calçada para se locomover e ter um mínimo de segurança dentro desse esquema selvagem. Contudo, ignorando o fato de que a bicicleta é um veículo como outro qualquer e portanto a sua condução adequada requer respeito às Leis do trânsito, ciclistas, ou melhor, "bicicleteiros" irresponsáveis, trafegam pelas calçadas em alta velocidade, tirando "finas" das pessoas, o tempo todo. Está cada vez mais difícil atravessar uma rua, pois esses energúmenos simplesmente não obedecem o sinal vermelho dos semáforos, ignoram a faixa de segurança, trafegam na contramão, dobram esquinas sobre as calçadas em alta velocidade, enfim... Não vejo na mídia ou nas redes sociais ninguém condenando tal selvageria, pelo contrário, a bicicleta é a bola da vez e os ciclistas gozam do "hype" midiático, que os enaltece, glamouriza, torna-os "cool". Nas ruas, os atropelamentos são constantes, as brigas perpetradas por jovens impetuosos e arrogantes contra idosos, viraram rotina, porque além de cometerem tal arbitrariedade, arvoram-se de estarem "certos" e consideram os pedestres como empecilhos ás suas manobras radicais pelas calçadas... Não tem um dia que não flagro uma barbaridade dessas pelas ruas do meu bairro. Se eu me sinto inseguro andando pelas calçadas, o que dizer dos idosos, deficientes físicos, crianças, bebês em carrinhos e gestantes ? Está cada dia mais difícil ser pedestre. A bicicleta parece ter mais valor que o ser humano...será esse o conceito de ecologia sustentável que pretende nos dar mais "qualidade de vida" ? Socorro !! Prefiro morrer asfixiado pela poluição a ser atropelado por esses moleques irresponsáveis ! É preciso disciplinar o uso de tal veículo, urgentemente. Não falo sobre criação de Leis, pois os direitos e deveres dos ciclistas estão muito claros no Código Brasileiro de Trânsito. Falo sobre uma campanha de educação maciça, com o apoio da mídia. E está mais do que na hora da mídia acordar para essa realidade e parar de empurrar a sujeira para debaixo do tapete. No afã de glorificar o ciclismo, estão ignorando os abusos perpetrados pelos maus ciclistas. Acho oportuno que você leia esses tópicos do Código Brasileiro de Trânsito :   Bicicleta na calçada, só com autorização da autoridade de trânsito e sinalização adequada na calçada: Art. 59. Desde que autorizado e devidamente sinalizado pelo órgão ou entidade com circunscrição sobre a via, será permitida a circulação de bicicletas nos passeios. Calçada é para pedestres, bicicleta só circula nela em casos excepcionais: PASSEIO – parte da calçada ou da pista de rolamento, neste último caso, separada por pintura ou elemento físico separador, livre de interferências, destinada à circulação exclusiva de pedestres e, excepcionalmente, de ciclistas. Quer passar pela calçada ou atravessar com a bike na faixa? O CTB manda desmontar: Art. 68. É assegurada ao pedestre a utilização dos passeios (…) § 1º O ciclista desmontado empurrando a bicicleta equipara-se ao pedestre em direitos e deveres.   Acrescento que bicicleta tem que parar no semáforo vermelho, sim senhor ! O pedestre tem o direito de atravessar a via em segurança e não ser ameaçado por um atropelamento !!   Espero que os verdadeiros ciclistas me entendam e se solidarizem com esta matéria. Fora da bike, você é um ser humano também e da mesma maneira que teme a selvageria dos veículos motorizados nas ruas, pense que andar sobre a calçada é uma barbaridade igual ou pior, em relação ao pedestre.   E o apêlo óbvio : Ninguém nasce de geração espontânea, portanto, sua querida mãezinha; seu adorável vovô velhinho e frágil; aquele seu amigo deficiente físico; ou sua esposinha grávida, são pedestres, também. E você não aceitaria que um moleque irresponsável viesse voando sobre a calçada com uma bike, arriscando a integridade física desses seus entes queridos, não é ?

terça-feira, 9 de abril de 2013

Escuridão Vergonhosa.

Escuridão Vergonhosa, texto de Luiz Domingues.   Sabemos que um dos fatores básicos da cidadania, é a iluminação pública de qualidade. Fator primordial de segurança, uma boa iluminação inibe as ações de criminosos; propicia melhor orientação no trânsito; auxilia pessoas a buscarem endereços com clareza e dá aspecto de ordem à urbe. Num país de dimensões continentais como é o Brasil, considerando o potencial energético natural, via hidroelétricas ou pela captação por fontes mais modernas e ecológicas, tais como energia solar e eólica, é inadmissível que hajam "apagões" por via de regra. Fora esses Black-outs, é notória a precariedade do serviço de iluminação pública adequada nas cidades brasileiras. Se olharmos o mapa mundi noturno pelo Google, verificamos que nos Estados Unidos, a visão noturna vista do espaço, mostra um país quase completamente inteiro iluminado, com um brilho incrível. Na Europa, o mesmo fenômeno ocorre nos países do oeste, com diferença significativa em relação aos países do leste. Na Ásia, o Japão impressiona pelo brilho intenso enquanto China e Coréia do Sul começam a ter o mesmo padrão, diferenciando-se de outros países mais pobres. No Oriente Médio, dá para ver um ponto de luz mais forte, onde supõe-se ser Dubai e outros , demonstrando outras cidades ricas, fora Israel , naturalmente. Na Oceania, a Austrália destaca-se, certamente. Na África, e nas Américas Central e do Sul, infelizmente o panorama é inverso. São pequenos pontos de luz, em meio às trevas quase predominantes... No caso específico do Brasil, somente São Paulo e Rio de Janeiro apresentam manchas iluminadas significativas. Em segunda instância, vê-se claramente as principais capitais estaduais, mas bem mais apagadas e no continente, só Buenos Aires tem aspecto semelhante, fora a Cidade do México (embora na América do Norte), e vizinha do super iluminado Estados Unidos da América. São Paulo é considerada uma das maiores manchas de luz do planeta, mais pelo seu tamanho descomunal, fazendo com que essa extensão territorial urbana imensa, gere luz suficiente para ser vista do espaço. Contudo, fora os bairros nobres e as grandes avenidas que os servem, a iluminação paulistana deixa muito a desejar. Se na Av. Paulista, verifica-se iluminação de primeiro mundo e isso ocorra em outras avenidas tais como a Rebouças, Faria Lima, Luiz Carlos Berrini e outras poucas, na periferia, a situação é muito diferente, com absoluta precariedade. O mesmo ocorre no Rio, com poucas vias realmente iluminadas, como deve ser, relegando os bairros suburbanos, à escuridão. Infelizmente, o mesmo padrão segue nas outras capitais e cidades interioranas de grande, médio e pequeno porte. Descaso, má vontade política, corrupção...bem, estamos cansados de saber as razões. Tornar esse serviço público essencial, padronizado, é viável, técnicamente falando. Colocar toda a fiação no subterrâneo, é caro, mas o custo-benefício dessa operação vale a pena, na ponta do lápis. Trocar as velhas lâmpadas de vapor de mercúrio, pelas de sódio ou mesmo de vapor metálico, em toda a parte e não só nos bairros nobres, se faz mister. Um serviço rápido de manutenção, não deixando pontos escuros por mais de um dia, quando danificadas, é obviamente um direito do cidadão e obrigação do estado. O uso de baterias nos semáforos, evitando o caos no trânsito em momentos de interrupção de energia, é uma medida óbvia. Enfim, investir em iluminação pública de alto padrão, é muito importante para o crescimento da qualidade de vida do cidadão. Está na hora dos senhores prefeitos (iluminação pública é atribuição municipal, portanto, cobre de seu prefeito !), mudarem seu discurso carcomido e apresentarem metas nesse setor. E também não adianta ficar com raiva dos argentinos, quando ironizam nossas cidades, apelidando-as de "boites", de tão escuras que são, pois eles falam mal com razão, infelizmente...

sábado, 30 de março de 2013

Paul Robeson, um Homem Notável, Todavia Esquecido.

Paul Robeson, um Homem Notável, Todavia Esquecido   Texto de Luiz Domingues. Não resta dúvida de que na cultura norte-americana dos anos cinquenta e sessenta, surgiram grandes ícones negros, principalmente nos esportes e nas artes. Para que houvesse um Cassius Clay, muitos pugilistas brilharam antes e na mesma proporção, quando talentos dramatúrgicos como Harry Belafonte e Sidney Poitier explodiram nas telas de cinema, certamente foi fundamental que houvesse existido antes, Paul Robeson. Quem ? Pois é, se nem na América, onde a cultura popular costuma preservar seus ídolos, ele é muito lembrado, imagine se no Brasil alguém ouviu falar desse cidadão ? Quem foi Paul Robeson , afinal de contas ? Nascido em 1898, Paul LeRoy Bustill Robeson era descendente de Igbos, uma tribo nigeriana. Sim, seus antepassados chegaram na América como escravos. Seu pai, era um pastor presbiteriano e sua mãe falecera quando ele tinha apenas seis anos de idade. Contrariando o script social de extremo segregacionismo desses primeiros anos de século XX, Paul conseguiu concluir seu estudos da High Scholl (o ensino médio, no padrão americano) e foi aceito numa grande universidade, sendo registrado como o terceiro negro na história a frequentar e concluir um curso universitário. Formou-se advogado pela Universidade de Columbia, uma das maiores universidades americanas e do mundo. Paralelamente, destacava-se também nos esportes e rapidamente tornou-se o destaque do time de futebol americano da Universidade. Esse destaque foi tão grande que após formado, tornou-se um jogador de futebol americano profissional, disputando a principal liga do país, e com o destaque de ser um grande craque nesse esporte. Jogou nas equipes do Akron Pros e Milwaukee Badgers. Não satisfeito em ser craque no futebol americano profissional, também jogou basquete e foi técnico desse esporte... Mas havia também a verve artística dentro dele... Cantor, ator e escritor de enorme talento nas três atividades, Paul Robeson destacou-se por ser um ator extraordinário que rapidamente saltou das montagens amadoras para os palcos da Broadway. Atuando em diversas montagens, chamou a atenção a sua interpretação de Otelo, de Shakespeare. Com atuação muito elogiada, foi parar na Inglaterra onde impressionou nos palcos de Londres, interpretando Shakespeare para o público da terra desse autor genial. E logo a sua voz extraordinária foi explorada e atuando em montagens musicais, seu potencial vocal foi exaltado. Com voz de barítono, afinação perfeita e emissão estrondosa, Paul Robeson brilhou em musicais como por exemlpo, Porgy e Bess, de Ira Gershwin. Não demorou e o cinema o convocou, primeiramente atuando em "O Imperador Jones", onde gerou muita polêmica o fato de seu personagem matar um homem branco na história. Já em "Magnolia - Barco das Ilusões", uma adaptação do musical encenado com sucesso nos palcos da Broadway, sua interpretação visceral do clássico do Blues, "Old Man River", arrebatou multidões nas salas de cinema. Voltando à Inglaterra, viveu por lá alguns anos e protagonizou mais de 10 filmes de produção britânica. Voltando aos Estados Unidos, aproveitando sua fama como artista e ex-atleta bem sucedido, percebeu que poderia ser mais incisivo ao expressar suas opiniões políticas e protestar contra o vergonhoso segregacionismo contra os negros na sociedade. Contudo, num ambiente de final de anos quarenta e início dos cinquenta, ainda não havia nenhum indício de que as coisas mudariam no país, trazendo o fim de tais diferenças sociais, tornando igualitários os direitos civis para as pessoas negras. Concomitantemente, foi nessa época que floresceu o famigerado "Macartismo", liderado pelo reacionário e arbitrário senador Joseph McCarthy. Com métodos inspirados certamente em seus ídolos do Tribunal da Inquisição e da SS Nazista, McCarthy passava por cima ds direitos civis, ignorando a constituição e dessa forma, exercendo toda a pressão para forjar falsas confissões e afins. Perseguindo artistas e intelectuais, principalmente, McCarthy viu em Paul Robeson, um prato suculento para a sua voracidade brutal. Homem negro, artista e intelectualizado, culto e cultuado, falando em direitos iguais entre brancos e negros, virou um dos alvos de sua particular caça às bruxas. Bastante atacado e perseguido, Paul Robeson viu sua carreira declinar, graças à perseguição e num momento onde a carreira musical havia virado o carro chefe de suas atividades, emendando sucessos e grande vendagem de discos. Contudo, só em 1958 pode retomar sua carreira, livrando-se da perseguição do reacionário Mccarthy, mas nessa altura, havia perdido terreno artístico e já estava em fase de debilidade devido à problemas de saúde. Sua última aparição pública ocorreu em 1965 e nos seus últimos tempos, preferiu aposentar-se, vindo a falecer em 1976. Paul Robeson foi um artista de uma versatilidade incrível; atleta profissional de alto nível; um advogado culto e um ativista político de muita coragem, numa época onde defender ideais de igualdade, era muito perigoso na América. Abriu caminho para que muitos outros talentos pudessem brilhar depois dele e caiu num inacreditável esquecimento, descabido a meu ver.