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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Impondo Seu Gosto Musical.
Impondo seu gosto musical, texto de Luiz Domingues.
Sempre existiu gente que exagerou no volume do Hi-Fi caseiro, causando incômodo na vizinhança.
Claro, não era uma regra geral, mas mesmo em proporção muito menor, sempre houve a figura do vizinho petulante que pouco se importando com os demais, gostava de colocar o volume num patamar acima do aceitável e obrigar todos a ouvir suas músicas prediletas.
Numa segunda fase dessa mobilidade de tecnologia de audio, virou febre entre os norte-americanos, andar com rádio-gravadores mastodônticos alojados nos ombros, cena usual em filmes americanos policiais da década de setenta, principalmente os da onda do "Bloxpoitation".
Na década de oitenta, o Walk-Man virou companheiro dos yuppies e cocotas em geral, durante as caminhadas pelas ruas, porém com a devida discreção de serem usados com fones e não incomodarem ninguém.
Com a entrada da telefonia celular e consequente e rápida sofisticação de tais aparelhos, outra possibilidade abriu-se, com o advento dos aplicativos e daí, começou a Era de fotografar, filmar e ouvir música, o tempo todo pelas ruas.
O que era para ser uma distração bacana, acabou se tornando um tormento generalizado em lugares públicos.
Em lugares públicos fechados, meios de transporte e praticamente em toda a parte, o silêncio tornou-se raro e a mistura de sons e essa zoeira provocada por muitas pessoas abusarem do volume, tornaram o ato de sair às ruas, um momento neurotizante a mais, no ambiente urbano já para lá de poluido e tenso.
Em recente pesquisa realizada pelo Metrô de São Paulo, os números são alarmantes, pois a somatória de centenas de pessoas ouvindo música alto, chega num patamar de decibéis absurdo, causando danos à audição, fora o elemento psicológico altamente nocivo.
Segundo relatos, há ocorrências de discussões entre passageiros, por conta do volume abusivo e até "batalhas sonoras", perpetradas por gangues, pasmem...
O que há de concreto, é que o Metrô abriu marcação pesada sobre pessoas que abusam desse artifício, o mesmo acontecendo em diversos estabelecimentos comerciais, que buscam coibir tal abuso.
Uma coisa é certa : Numa sociedade plural como a que vivemos, existem pessoas de diversas camadas sociais e com estrato cultural diferenciado, vivendo juntas.
Nesse caso, o bom senso aconselha a observar a regra de estabelecermos nossa liberdade, até o limite onde começa a do vizinho.
Isso vale para todas as circunstâncias da vida, não só para a emissão de ruídos.
Portanto, para quem não abre mão de ouvir sua música predileta num volume ensurdecedor, é de bom alvitre, que se use o bom e velho fone de ouvido...
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Kircher, o Inquieto Experimentador.
Kircher, o inquieto experimentador
Acaba de ser lançado um interessante livro chamado : "A Man of Misconceptions : The Life of an eccentric in an age of change" ("Um homem de equívocos : A vida de um excêntrico em uma Era de mudanças").
Trata-se da biografia de um homem chamado Athanasius Kircher, um padre jesuita de origem alemã, que viveu no século XVII.
Desde criança, Athanasius Kircher demonstrava ter interesse por diversos assuntos e assim enveredou por estudos sobre matemática, filosofia, biologia, acústica, magnetismo, astronomia e outras matérias.
Mesmo depois de ordenado padre, seus estudos prosseguiram com muito entusiasmo e ainda muito jovem, já tinha diversos trabalhos concluídos sobre assuntos variados e mais que isso, revelando-se um autêntico cientista, fazia experimentos e criava inventos.
Nessa biografia, são inúmeras as curiosidades por ele inventadas.
Muitas são absolutamente geniais; outras são surpreendentes pois anteciparam os rudimentos de outras que seriam inventadas definitivamente depois, por outros inventores e algumas são exóticas ao extremo.
Por conta das invenções absurdas, Kircher acabou sendo injustiçado por muito tempo, porque foi ridicularizado e claro, ganhou fama de lunático incorrigível.
Kircher fez muitos estudos por exemplo, sobre o aperfeiçoamento de microscópios e telescópios, que influenciaram outros pesquisadores, decisivamente.
Nesse campo, criou um objeto que denominou como "lanterna mágica". Nele, conseguia de forma ainda que primitiva, criar a ilusão de movimentos em ilustrações.
Esse invento rudimentar foi sem dúvida o precursor remoto do projetor cinematográfico que só viria a ser criado no final do século XIX, de fato.
Portanto, é inacreditável que Kircher tenha pensado em algo assim, em pleno século XVII.
No campo do magnetismo, Kircher fez muitos estudos. Obcecado por conhecer a fonte de magnetismo do planeta, chegou a aventurar-se num perigosíssimo rapel, dentro do vulcão Vesúvio.
Um invento seu entrou para o anedotário e hoje em dia causa repulsa aos defensores de animais (aliás, com toda a razão) : Kircher concebeu um piano que não possuia cordas. O músico usaria um teclado normalmente, mas o som obtido pelo bater das teclas, seria produzido pelo gemido de gatos vivos, cujos respectivos rabos eram puxados, conforme a tecla acionada.
Mas não só com excentricidades Kircher contribuiu com a música. Ele fez também estudos de acústica e amplificação de sons, que muito ajudaram a desenvolver a engenharia, desenvolvendo e muito a música, naturalmente.
No campo da biologia, fez inúmeros estudos e relacionou a peste bubônica à micro-organismos encontrados em cadáveres.
Estudou linguas do extremo oriente, fazendo estudos morfológicos comparativos.
Segundo consta em sua biografia, Kircher teria deixado 44 livros com seus estudos.
No livro recém lançado, com sua biografia, uma observação final chamou-me a atenção : o autor, John Glassie, declarou que a despeito dos acertos, as inúmeras experiências fracassadas, também deram enorme contribuição à ciência.
Sim, grande verdade da ciência, o princípio de tentativa e erro é ainda o melhor método, desde o tempo da invenção da roda.
Admirável a vida e obra de Athanasius Kircher, apesar da pisada de bola que deu com os amigos felinos...
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
O País do Futuro, Segundo Stefan Zweig.
O País do Futuro, Segundo Stefan Zweig, texto de "Mr". Luiz Domingues.
A expressão : "O Brasil é o país do futuro", vem sido usada há décadas.
Usada de todas as formas e sob todas as circunstâncias, pode ser encarada de várias formas, num enorme leque de conotações, que vão da ironia ao extremo otimismo.
Atribui-se a criação dessa expressão à um intelectual austríaco de origem judaica, chamado Stefan Zweig, que passou seus últimos dias aqui, encantado com o potencial que enxergou, há mais de 70 anos atrás.
Stefan Zweig nasceu em Viena, no ano de 1881, filho e neto de ricos banqueiros da Boêmia. Nesses termos, teve uma educação refinada e desde cedo foi preparado para assumir as instituiçõs financeiras da família ao lado de seu irmão, mas a vida intelectual o cooptou antes.
Mesmo sendo uma família judia, segundo Zweig, a religião não era seguida à risca das tradições e ele mesmo chegou a afirmar que ser judeu era algo meramente ocasional em seu Lar.
Estudou filosofia na Universidade de Viena e obteve seu doutorado em 1904, defendo a tese "A Filosofia de Hyppolyte Taine".
Mas mesmo antes da graduação e doutorado, já havia publicado seu primeiro livro de poemas ("Silbern Saiten", "Cordas de Prata" em português), em 1902.
Especializando-se em literatura inglesa e francesa, traduziu vários autores para o alemão (Keats, Baudelaire, Morris, Yeats, Verlaine, entre outros).
Era amigo pessoal de artistas e intelectuais tais como Rimbaud, Romain Rolland, Rainer Maria Rilke, Thomas Mann e Sigmund Freud, entre outros.
Em 1912, duas peças teatrais de sua autoria fizerem sucesso ("A Metamorfose da Comédia" e "A Mansão à Beira-Mar"), com encenações concorridas em Viena.
Começa então a se interessar pelo cinema com muito entusiasmo, também. Chega a escrever muitos roteiros e até Roberto Rossellini chegou a filmar um roteiro seu ("O Medo", de 1954, anos após sua morte).
Começa a primeira guerra mundial e inflamado pelo sentimento nacionalista que assolou a Alemanha e a Austria, apoiou o estado germânico, mas logo a seguir passou a ter outra visão da guerra, tornando-se um pacifista ferrenho, doravante.
Casou-se em 1915 com a escritora Friderick Von Winsternitz a após o término da I Guerra, viveu momento de intensa produção literária, lançando livros de poesias, traduções de outros autores e muitas biografias de personalidades como Maria Antonieta, Fouché, Dostoievski, Dickens, Balzac, Nietzsche, Tolstoi, Stendhal etc.
Passa a lançar também romances e ensaios, a partir dos anos vinte. São famosas as obras como : "Amok" (1922), "Angústia" (1925) e "Confusão de Sentimentos" (1927), influenciadas pela psicanálise, que seu amigo Sigmund Freud, tanto conversou a respeito, certamente.
Separado de sua primeira esposa, une-se desta feita com sua secretária, Charlotte Elizabeth Altmann, apelidada de "Lotte" entre seus familiares.
Com a ascensão do partido nacional socialista ao poder na Alemanha, Zweig sentiu-se inseguro para continuar vivendo na Austria e às pressas, mesmo antes das primeiras hostilidades antissemitas terem início, mudou-se com "Lotte" para a Inglaterra, no ano de 1934.
Sua ideia era viver numa pacata cidadezinha medieval, chamada Bath, mas suas atividades intelectuais faziam com que passasse o maior tempo em Londres.
Quando a II Guerra eclodiu, percebeu que mesmo tendo a Inglaterra, a mais poderosa força armada para enfrentar os nazistas na Europa, havia perigo iminente e dessa maneira, fogem para Nova York, onde sentiriam-se mais seguros.
Em 1940, vem pela primeira vez ao Brasil. Sua visita é para palestar em universidades. Fica encantado com a Bahia, onde vislumbra um paraíso alheio à guerra e lhe impressiona como as pessoas nativas são felizes com tão poucos recursos.
E nessa primeira viagem, conclui com entusiasmo um ensaio, onde coloca o título de "Brasil, o País do Futuro".
Sua presença é celebrada pelos intelectuais brasileiros, mas setores do governo mal disfarçam a insatisfação pela presença de um intelectual judeu e antinazista.
Fato, o governo Vargas flertava com simpatia pelo Eixo e só mudou a orientação por outros fatores e interesses, unindo-se aos Aliados nos estertores do conflito.
Cada vez mais impressionado com os avanços dos nazistas, inflamava-se em discursos antinazistas, onde questionava abertamente as intenções racistas de Hitler e fazendo o contraponto, achava que o Brasil era o exemplo da nova civilização a ser seguido, via miscigenação total de raças e não a aniquilação de raças ditas inferiores, num falso esforço de apuro genético, que era a proposta dos nazistas.
Encantado com essa perspectiva, resolve estabelecer residência no Brasil, comprando uma casa na cidade de Petrópolis, região serrana do estado do Rio.
Morando em Petrópolis, Stefan Zweig escreve mais algumas obras ("O Jogador de Xadrez"; "O Mundo de Ontem", que ficou inacabado e "O Mundo que eu Vivi", onde descreve suas impressões sobre a I Guerra Mundial).
Mas as notícias vindas da Europa não eram nada boas em 1942, e Zweig entrou num processo de depressão acentuado, perdendo as esperanças diante dos avanços nazi-fascistas.
E sendo assim, decide dar cabo à própria vida, de comum acordo com sua companheira, "Lotte".
Deixa uma carta explicando os seus motivos :
Antes de deixar a vida por vontade própria e livre, com minha mente lúcida, imponho-me última obrigação; dar um carinhoso agradecimento a este maravilhoso país que é o Brasil, que me propiciou, a mim e a meu trabalho, tão gentil e hospitaleira guarida. A cada dia aprendi a amar este país mais e mais e em parte alguma poderia eu reconstruir minha vida, agora que o mundo de minha língua está perdido e o meu lar espiritual, a Europa, autodestruído. Depois de 60 anos são necessárias forças incomuns para começar tudo de novo. Aquelas que possuo foram exauridas nestes longos anos de desamparadas peregrinações. Assim, em boa hora e conduta ereta, achei melhor concluir uma vida na qual o labor intelectual foi a mais pura alegria e a liberdade pessoal o mais precioso bem sobre a Terra. Saúdo todos os meus amigos. Que lhes seja dado ver a aurora desta longa noite.
Eu, demasiadamente impaciente, vou-me antes.
Stefan Zweig
O casal foi enterrado no cemitério Municipal de Petrópolis e sua residência hoje em dia é um Centro Cultural com seu nome, Stefan Zweig.
Décadas após, em 2002, o cineasta paranaense, Sylvio Back, realizou um filme, chamado "Lost Zweig", baseado na biografia de Stefan Zweig, escrita por Alberto Dines, denominada "A Morte no Paraíso".
O próprio Sylvio Back já havia lançado um documentário sobre o casal Zweig anteriormente e que lhe serviu de base, além do livro de Alberto Dines, naturalmente.
Uso político à parte, a expressão cunhada por Stefan Zweig, "O Brasil é o País do Futuro", finalmente mostra-se como uma perspectiva concreta nos dias atuais e não como uma utopia e alvo de escárnio para os pessimistas de plantão.
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Aproveitando o Lixo.
Aproveitando o Lixo, Texto de Luiz Domingues.
Vivemos uma época onde cada vez mais pessoas se conscientizam de que num planeta de mais de sete bilhões de pessoas, é inviável conviver com o desperdício.
Novas formas de reciclagem, obtenção de energia e economia dos recursos naturais surgem a cada dia, dando-nos novas perspectivas aceitáveis de sustentabilidade.
E uma que vem chamando a atenção pela criatividade e sobretudo pela simplicidade, veio do interior de São Paulo, específicamente Barretos, no norte do estado.
Um pequeno empresário local, chamado Flaustino de Paula, criou um método eficiente de utilizar o lixo orgânico doméstico e proveniente de bares, restaurantes e lanchonetes, transformando-o em tijolos e/ou fertilizantes agrícolas.
Nesse método, todo o lixo coletado é esmagado numa espécie de reator até virar uma massa. Após ser secado, é triturada e vira pó.
Após esse processo, toma um banho com dois reagentes químicos que lhes eliminam todos os agentes contaminadores, bactérias etc.
Esses reagentes tem fórmulas registradas e atestadas em sua eficácia pela UNESP, Universidade estadual de São Paulo. Flaustino as mantém secretas, por segurança contra a espionagem industrial.
Usado para a agricultura, o pó tem cálcio e também um corretivo para controlar a acidez do solo, comprovada por estudos agrônomos.
E como tijolo, tem a consistência necessária para formar tijolos mais firmes do que os tradicionais, segundo estudos realizados.
Por enquanto, a empresa está atendendo particulares, mas a meta de Flaustino é ter como clientela, o maior número de prefeituras, interessadas em estabelecer parcerias no processo de coleta de lixo, com seu método de reciclagem.
Essa ideia é sensacional, pois abre um caminho para resolver a questão dos aterros sanitários, verdadeiros depósitos de lixo insalubres, como criadouro de insetos, ratos e urubús, fora a contaminação do lençol freatico, contaminação do solo, vegetação e proliferação de doenças.
Com um pouco de vontade política, essa importante parceria pode revolucionar a questão da coleta e destinação do lixo orgânico, promovendo higiene, bem-estar e gerando lucros, fora a eliminação do desperdício
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
O Comprimido do Vestibular.
O Comprimido do Vestibular, texto de Luiz Domingues.
Uma lenda urbana começa geralmente de forma sorrateira. Nem todas vingam, mas uma ou outra acaba espalhando-se e ganhando notoriedade.
Não se sabe quem foi o autor, mas o fato é que espalhou-se o boato de que um medicamento vendido normalmente em farmácias, embora tenha função medicinal completamente diferente, auxiliava na concentração mental, estimulando o foco e a memória e indo além, potencializava a inteligência.
Dessa forma, virou coqueluche entre vestibulandos e concurseiros, o seu uso indiscriminado, sem critério científico e evidentemente assumindo-se os riscos de efeitos colaterais indesejáveis.
O Metilfenidato, cuja finalidade medicinal é coibir o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, nada ajuda pessoas a terem desempenhos melhor nos estudos.
Mas como tal prática começou a sair do controle, as autoridades de saúde preocuparam-se e assim, um estudo mais aprofundado precisou ser feito.
Para comprovar ou não, essa lenda urbana, a psicóloga Silmara Batistela da Universidade Federal de São Paulo, empreendeu uma série de experiências e chegou à conclusão de que o medicamento não promove nenhuma melhora cognitiva.
A questão do foco, relatado por estudantes impressionados com seus supostos resultados, segundo os estudos, era pela coibição do sono.
Efeito esse evidentemente promovido pela anfetamina e não muito diferente dos efeitos de drogas usadas com objetivos recreativos.
Claro, o perigo assumido pelo consumidor é grande, pois o medicamento pode desencadear problemas cardíacos graves, arritmia, por exemplo.
Por ser um medicamento de uso psiquiátrico, faz-se necessária a apresentação de uma receita.
Fora o famoso e execrável "jeitinho brasileiro", tem se ouvido relatos de jovens procurando consultas psiquiátricas e simulando sintomas de TDAH ( Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade), perante os doutores, com o objetivo torpe de obter uma receita. Nesse caso, não dá para deixar de lamentar que tenha gente com talento para a dramaturgia, desperdiçando sua vocação por uma causa tão pobre...
Também é alarmante como saúde pública, quando dados revelados pelo sindicato das indústrias farmacêuticas, indicam que tal medicamento teve acréscimo de 50% em sua vendagem, nos últimos quatro anos.
Encerrando, não existe remédio para aumentar a inteligência...o jeito é estudar mais...
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Orelhões Revigorados pela Internet.
Orelhões Revigorados pela Internet, texto de Luiz Domingues.
Uma grande ideia já está sendo viabilizada para salvar um ícone urbano das cidades brasileiras.
Já em testes avançados na cidade do Rio de Janeiro, os antigos orelhões, cabines telefônicas típicas do Brasil, poderão ter sobrevida, modernizando-se.
A ideia é que sejam agora postos de acesso à internet wireless, deixando de lado a velha função da telefonia que entrou em franca decadência, com a mega popularização dos telefones celulares.
Claro que ainda tem pessoas que utilizam as velhas e combalidas cabines de telefonia pública, mas numa conta generalizada, esse número de usuários caiu drásticamente nos últimos anos e as operadoras de telefonia só as mantém nas ruas por respeito às decisões governamentais.
Mesmo assim, com uma fonte de prejuízo gigantesco pelo pouco uso e também pelos problemas decorrentes do contumaz vandalismo perpetrado pelo povo brasileiro (lamentável isso...), as operadoras pressionavam o governo para aliviar as sanções e retirar os orelhões das ruas.
Agora, não só ganham sobrevida, como adequam-se aos novos tempos, ganhando outra utilidade.
A ideia seria o usuário comprar um cartão contendo uma senha e determinando um tempo de uso, parecido com o dos cartões telefônicos atuais, netos das velhas fichas de antigamente (a super usada expressão "caiu a ficha" para designar uma lembrança de algum fato ou tomada de posição, veio daí).
Lembrando um pouco a história, os primeiros telefones públicos surgiram no Brasil nos anos vinte do século passado.
Os primeiros foram instalados na cidade de Santos, no litoral paulista.
Em princípio eram instalados em repartições públicas, e a seguir aparecerem em restaurantes, bares, farmácias, padarias etc.
Por incrível que pareça, só no início dos anos setenta, é que as autoridades passaram a instalar cabines nas ruas, como já era comum há décadas nos países europeus e nos Estados Unidos.
A ideia original foi a de instalar cabines semelhantes às de Londres, nas calçadas do São Paulo e do Rio, mas a incrível falta de educação do povo, inviabilizou o projeto, devido às depredações e também pelo uso das cabines para atos obscenos e esconderijo de bandidos.
Dessa forma, por volta de 1972, surgiu a ideia da cabine oval e aberta, criada por uma engenheira sino-brasileira, chamada Chu Ming Silveira, que era funcionária da CTB, a velha Companhia Telefônica Brasileira.
Segundo a criadora, a cabine aberta ocupava menos espaço nas calçadas e por ser aberta, inibia atos de vandalismo ou ações obscuras feitas por pessoas mal intencionadas.
Logo o formato ovalado caiu nas graças do povo e recebeu o apelido de "orelhão", uma alusão ao seu formato e sua função de servir à telefonia.
Em São Paulo, havia também um outro tipo de orelhão, de mesmo formato, porém menor e feito de acrílico cor de abóbora transparente, que era usado em terminais de ônibus e na antiga rodoviária da estação da Luz. Era chamado "orelhinha" e também era outra criação de Chu Ming Silveira.
Mas ela teve problemas com a patente de seu invento, culminando em processo na justiça que levou anos para reconhecer sua invenção e a devida protocolação no INPI.
E um fato curiosíssimo ocorreu que se o dramaturgo Dias Gomes soubesse, renderia uma novela tão surreal como "O Bem Amado" e "Saramandaia", suas geniais criações de realismo fantástico.
Foi o seguinte : Numa declaração da engenheira Chu Ming Silveira publicada num jornal, ela afirmou que "inspirou-se na forma ovalada, por ser um círculo e essa forma era perfeita".
Uma juíza indignou-se com tal declaração e processou Chu Ming Silveira, afirmando que só Deus era perfeito.
Nos autos, questionava-se se a engenheira com tal pensamento teria tido a ousadia de querer ter "inventado" Deus, entre outras asneiras.
E como suposto argumento "sério", alegava que os orelhões seriam máquinas de engolir fichas, lesando os consumidores.
Pasmem, tamanha discussão durou 20 longos anos nos tribunais, entrando para o rol do folclore jurídico brasileiro.
Mesmo sendo duramente maltratado pelos vândalos, os orelhões salvaram vidas, chamando ambulâncias, bombeiros e polícia nas situações de emergência.
Ajudaram milhões de pessoas nas mais diversas situações e agora ganham a sobrevida pós-massificação dos celulares.
E fora a nova função como ponto de inclusão digital, os orelhões ganharam recentemente o caráter de tornarem-se verdadeiras instalações de artes plásticas.
Aqui em São Paulo e já espalhando-se por diversas outras cidades, os orelhões tornaram-se atrativo para turistas, graças às intervenções criativas de diversos artistas plásticos.
É muito comum ver turistas filmando-os e fotografando-os devido à essa repaginação criativa, que os tornou objetos de arte.
E que assim permaneçam, como simpáticos e úteis equipamentos urbanos.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Energia Eólica, Outra Alternativa.
Energia Eólica, Outra Alternativa, texto de Luiz Domingues.
A mitologia grega é uma das mais ricas, sem dúvida alguma, por trazer no seu bojo, todas as explicações da cosmogênese que a rica imaginação de seu povo pôde conceber.
E nessa disposição, o seu panteismo explicava a ação dos ventos, como a vontade de um Deus específico dessa manifestação da natureza, que era conhecido pelo nome de Éolo.
Entendida a morfologia da palavra, sabemos que a energia eólica é uma das mais importantes neste momento no planeta, por todas as razões ambientalistas que nem cabem mais serem repetidas.
E não se trata de nada moderno que tenha surgido graças aos avanços da tecnologia, como muitos podem pensar.
Basta pensar que a impulsão mediante velas, é usada desde a antiguidade, nas navegações.
E no campo da agricultura, os moinhos de vento fazem esse trabalho com eficácia e economia, desde a Idade Média, certamente.
No mundo moderno, o princípio dos moinhos continua valendo e os campos eólicos trabalham nesse sentido, gerando energia elétrica limpa, de alta ou baixa tensão.
O Brasil vem empreendendo esforços de ampliação desse tipo de geração de energia, contudo, ainda tímidamente. Em 2008, por exemplo, produziu 341 MGW.
Vem aumentando o desempenho ano a ano, mas ainda aquém de seu potencial, com a geografia privilegiada que possui.
Para se ter uma ideia, o consumo interno de energia elétrica do país, beira a casa dos 70 gigawatts.
A China é atualmente o país que mais investe nesse tipo de geração de energia, seguido da Alemanha. Dinamarca e Portugal também vem crescendo nesse setor.
Mesmo ainda insuficiente, a produção brasileira responde por mais da metade da soma de nossos vizinhos sulamericanos, que apresentam resultado insignificante nesse sentido.
Está construído o complexo de Caetité, no interior da Bahia, que será o maior da América Latina. Contudo, por questões burocráticas de editais e quetais, está parada neste instante, sem gerar energia nem para alimentar um liquidificador doméstico, em busca de uma vitamina matinal...
Já falei sobre o monstro burocrático e o quanto ele nos atrasa, mas parece que as autoridades não pensam como nós, pobres mortais...
Segundo o governo federal, a usina deverá começar a produzir em julho de 2013 e assim esperamos que se cumpra.
E acreditando nessa perspectiva, uma fábrica de componentes para usinas eólicas, funciona a todo vapor em Pernambuco. Tomara que arrebentem de tanto trabalhar e lucrar, alimentando outras tantas usinas espalhadas por todo o país.
E outra alternativa muito interessante está em curso, prometendo gerar energia limpa e barata, igualmente.
Trata-se do uso da força das ondas do mar, como impulso para gerar energia.
Ainda em caráter experimental, esse tipo de geração de energia está instalado no porto de Pecém, a 60 KM de Fortaleza, no Ceará.
Em princípio, essa mini usina alimentará de energia o porto e as residências de 60 famílias de funcionários que lá trabalham. Mas os engenheiros estão muito otimistas em relação ao sucesso desse tipo de geração de energia, abrindo possibilidade para a larga escala, num futuro não muito distante.
E convenhamos, com 8 milhões de KM quadrados, o Brasil tem um potencial inacreditável para tal perspectiva de geração de energia limpa.
O que não falta aqui é solo, vento e costa marítima com ondas abundantes.
E voltando à mitologia grega, como poderíamos nos referir à essa energia gerada pelas ondas do mar ?
Talvez "poseidônica", em referência ao Deus dos mares, Poseidon ?
Irrelevante questão...o importante é que funcione, sendo barata e limpa para o ecossistema.
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