terça-feira, 25 de setembro de 2012

Gore Vidal, Polêmico Até o Fim.

Gore Vidal, Polêmico Até o Fim, texto de Luiz Domingues. Gore Vidal partiu no último dia 31 de julho de 2012, deixando um legado e tanto no campo da literatura. Seus romances, ensaios, peças de teatro e roteiros para o cinema, tiveram significante importância para a cultura norte-americana, sem dúvida, mas foi como ativista político de lingua muito afiada que ele incomodou para valer. Para início de conversa, desconfiava da democracia e sobretudo do sistema eleitoral que teoricamente a sustenta e justifica. Uma vez disse : " Parece que um país democratico é um lugar onde são realizadas muitas eleições, a um custo alto, sem discutir questões substantivas e com candidatos intercambiáveis". E indo além : " De quatro em quatro anos, a metade ingênua da população que vota é incentivada a acreditar que, se pudermos eleger alguém simpático, tudo ficará bem. Mas não ficará" (alguma semelhança com o nosso Brasil-sil-sil ?). Candidatou-se contudo, duas vezes, em 1960 concorrendo como Deputado Federal pelo Estado de Nova York e em1982, ao Senado pela California. Perdeu em ambas, mas ainda assim, sendo o candidato democrata mais votado. Sobre George W. Bush, a quem naturalmente detestava, fez duras críticas à época dos ataques de 11 de setembro. Um artigo seu no jornal britânico, "The Independent", gerou enorme polêmica, pois Vidal afirmou com todas as letras que Bush sabia dos ataques antecipadamente e traçando um paralelo com Roosevelt,que supostamente também sabia de antemão que os japoneses atacariam Pearl Harbour em 1941. E claro, que ambos tiveram vantagem política em cima da vitimização e comoção pública em torno dessas ocorrências. Alfinetando como sempre, disse uma vez que: "A América fora inventada por homens inteligentes que nunca mais foram vistos depois de Kennedy..." Tinha seus desafetos também no mundo literário. Brigava constantemente com Truman Capote, que supostamente provocou-o primeiro ao declarar que Vidal tinha sido expulso da Casa Branca por estar embriagado e ter insultado a mãe de Jackie Kennedy. Retrucando, Vidal disse : " Capote elevou a mentira à condição de arte, uma arte menor..." Suas brigas acabaram no tribunal onde chegaram a se agredir e após muita discussão de advogados, fecharam acordo de não agressão. Contudo, quando Capote faleceu, Vidal ironizou, dizendo : "Uma boa iniciativa profissional..." Com Norman Mailer, foi ainda pior, pois trocaram socos numa festa. A reação de Vidal foi dizer que "faltavam palavras a Mailer..." É histórica também a cabeçada que Mailer desferiu em Vidal nos bastidores de um programa de TV onde se encontraram. Será que foi daí que Zinedine Zidane tirou a ideia ? E o motivo da cabeçada teria sido o fato de Vidal ter comparado Mailer a Charles Manson !! Sobre Jack Kerouac, foi cáustico ao afirmar : "Isso não é escrever, é datilografar..." Convidado a contribuir na roteirização do filme épico "Ben Hur", teria declarado que insinuou nas entrelinhas que os personagens Ben Hur e Messala tinham tido uma relação homossexual no passado, o que justificava a animosidade entre os personagens, culminando na famosa cena de luta em bigas. O ator Charlton Heston que interpretou Ben Hur, negou veementemente que tenha construído seu personagem baseado nessa premissa. Suas brigas com jornalistas também entraram para a história. Com William F. Bucley, o embate pegou fogo quando este o chamou de "veado" ao vivo na TV , com Vidal retrucando que Bucley era um "criptonazista". Com o bate-boca esquentando, chamaram os comerciais... O crítico Harold Bloom certa vez declarou : "A imaginação de Vidal sobre a política americana é tão poderosa que produz reverência..." Viveu mais calmo na Itália, por muitos anos, onde foi amigo pessoal do filósofo Ítalo Calvino e Federico Fellini (Vidal fez uma ponta como figurante no filme "Roma" ) e gerou polêmica só quando mandou retirar seu nome como roteirista dos créditos do filme "Calígula" , quando percebeu que o polêmico diretor Tinto Brass, com a concordância do ator britânico Malcolm McDowell, tencionava inserir cenas de sexo explícito na edição final. E assim foi embora Gore Vidal, reconhecidamente um bom escritor, mas que notabilizou-se muito mais por suas provocações incisivas.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Celular e Volante Não Combinam!

Celular e Volante não Combinam ! Texto de Luiz Domingues.   Basta sair de sua casa e logo que vai atravessar a primeira rua, passa um carro à sua frente, com o motorista dirigindo afoitamente com uma só mão, preocupado em segurar um indefectível telefone celular. Anda mais um pouco e passa outro e depois outro, outro... Basta observar nos cruzamentos das grandes avenidas e o fenômeno se repete, aliás , multiplica-se. Essa compulsão em falar o tempo todo ao celular parece não passar de um impulso. O argumento de que importantes recados não podem esperar de forma alguma, é estapafúrdio no sentido simples de que a humanidade viveu sem esse recurso, por milhares de anos e por que só a partir dos anos noventa, isso se tornaria uma necessidade premente ? Com a sofisticação cada vez maior dos celulares, o rol de distrações aumentou muito. Agora é comum ver motoristas participando de chats na internet, disparando torpedos, consultando o Google ou procurando videos no You Tube...em suma : Fazem tudo, menos prestar atenção no trânsito e sobretudo na condução de seu veículo. Vamos aos fatos : As informações que você processa ao dirigir e usar o celular, vão simultaneamente ao tálamo para serem processadas. O próximo passo é serem filtradas no lobo frontal onde uma das duas será priorizada. A seguir, o córtex cerebral vai decidir só por uma e a outra ação é relegada a segundo plano. Se a prioridade é o que faz ao celular, sua percepção ao dirigir, é reduzida drásticamente. Isso sem contar certas nuances de cunho psicológico, que muito contribuem como agravantes. Não é raro ver pessoas enfurecidas ao volante, por estarem brigando com alguém ao telefone. Imagine você recebendo uma bronca de seu chefe, brigando com sua mulher ou recebendo uma notícia de falecimento de um ente querido. Isso altera sua pressão sanguínea ou não ? Sei que falei de situações extremas, mas mesmo se estiver numa conversa amena sobre a última rodada do brasileirão ou criticando a última medida do ministro da fazenda, esse uso de celular ao volante é inconveniente. Estou cansado de ver motoristas conduzindo o veículo em zigue-zague, não usando a seta para conversões e o pior, desrespeitando a mais básica das regras de trânsito, ao não parar nos semáforos vermelhos. Pobres pedestres que já sofrem para atravessar as ruas, com o costumeiro desrespeito de motociclistas e ciclistas nesse quesito. O assunto é preocupante e ganha ares epidêmicos no sentido de que o Hospital das Clínicas de São Paulo está abrindo um departamento especial para tratar desse novo distúrbio, a compulsão em dirigir e usar o celular simultaneamente. Uma frase dita pelo jornalista norte-americano William Powers sobre esse assunto, cabe bem para fazer o leitor pensar : "Sacrificar a vida para ler uma mensagem, vale a pena" ?

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Trotes Estudantis, Até Quando ?

Trotes Estudantis, Até Quando ? Na sociedade em que vivemos, a obsessão pelo dinheiro é o normal. Esse paradigma está tão solidificado, que todo o sistema educacional é centrado nesse valor básico. Dessa forma, a pressão para que se tenha a melhor educação, tem como objetivo primordial a preparação para o mercado de trabalho e numa segunda ou terceira instância, o saber, razão nobre pela qual surgiram as academias na antiguidade e as universidades na idade média. Posto isso, traço o paralelo dessa pressão por melhores colocações e certamente seria um dos fatores que explicam o porque da existência desse jogo de dominação, subjugação, sadismo, arrogância, prepotência etc etc. Segundo dizem, a palavra "trote" seria mesmo uma alusão à relação homem-eqüino e nesse caso denotaria o "montar em cima", literalmente, como exercício de humilhação e dominação. Alguns estudiosos sustentam a tese de que a palavra "Bixo", escrito com o "X" propositalmente, teria uma dupla função depreciativa : 1) Chamar alguém de bicho, animal, como forma de depreciação e 2) O "X" revelaria o estigma com o qual marcam os novatos para persegui-los até que uma nova turma entre na universidade e o ciclo se repita. A manutenção desse status quo de bullying socialmente aceito, se perpetua, pois o oprimido de hoje, sente-se compelido a repetir o padrão, "descontando" no próximo novato e não passa na cabeça de ninguém, quebrar esse padrão idiota que ninguém nem sabe onde começou. O circo romano de gladiadores um dia acabou, as rinhas de galos e as touradas hão de acabar um dia e por que essa imbecilidade do trote estudantil precisa existir ainda ? Vejo defesa inflamada por parte de entusiastas dessa prática e a argumentação parece pífia, esbarrando no surrado argumento de que tal prática "integra" o novato à instituição e principalmente ao convívio com os veteranos. Desculpe, mas não aceito tal argumentação pois mais parece uma mera manutenção de um padrão adquirido sem que haja nenhum sentido prático realmente plausível. Por que ? Ora, não é possível receber a nova turma com um padrão diferente, com gentileza, respeito, boa educação ? Se uma pessoa vem pela primeira vez à minha casa, devo-lhe aplicar um trote, com práticas humilhantes e quiçá sádicas, para que ela se sinta bem recebida, "integrada" ? O que se vê na maioria dos casos, não tem nada de "integração". Vemos apenas cenas de extremo sadismo, humilhação, exploração etc. Isso sem contar as oportunidades que se abrem para constrangimentos de conotação sexual, principalmente com as meninas. Acho desnecessário arrolar casos extremos de tragédias perpetradas pelos famigerados trotes. São públicos e notórios e estão nos noticiários policiais. Só acrescento que há maneiras mais civilizadas de se recepcionar os calouros. Ou podem ser recebidos com festas e atividades culturais, ou mesmo com um caderno de encargos sociais a serem cumpridos, tais como, ajudar na limpeza pública, auxiliar pessoas carentes, doar sangue em hospitais etc. E quem sabe, as duas coisas, numa semana inicial de atividades edificantes, coordenadas pelos veteranos. Em suma, é um andar para a frente e deixar as práticas medievais para trás... Texto de Luiz Domingues.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

O Paradoxo do Desperdício.

O Paradoxo do Desperdício O Planeta Terra ultrapassou a marca de sete bilhões de seres humanos e um dos maiores desafios das autoridades de todos os governos é sem dúvida alimentar e hidratar todas essas pessoas. Considerando que o número de animais e vegetais que também precisam de víveres é igual ou maior, pode-se afirmar que o desafio é dobrado ou mais que isso. Por desequilíbrios da economia, políticas equivocadas e completa desarmonia social, o fato é que muitas nações passam por situação de penúria, com fome absoluta. Claro, recebem muita ajuda internacional, Ong's abnegadas trabalham com afinco e sempre artistas com sensibilidade aguçada, estão promovendo campanhas beneficentes para minimizar tais efeitos etc e tal. Contudo, mesmo com esses esforços, vemos pessoas morrendo dramáticamente por falta de alimentos e água. Portanto, alguém poderia me dar alguma explicação plausível para o desperdício colossal de alimentos que existe no Brasil ? Questão de meses atrás, tive um problema sério de doença em minha família e por cerca de 20 dias, frequentei diáriamente um hospital. Não pude deixar de reparar no desperdício inacreditável de comida que havia ali. Refeições intactas recusadas pelos enfermos, eram jogadas literalmente no lixo, mesmo embaladas herméticamente por empresas terceirizadas de fornecimento de alimentação. Isso é apenas a ponta do iceberg. Basta você ir à feira livre de qualquer cidade brasileira e verificar a quantidade absurda de frutas e verduras descartadas e jogadas no chão. Outro dia vi um documentário de um canal de notícias da TV a cabo, onde um repórter levou um imigrante angolano radicado em São Paulo para um passeio numa feira livre. O rapaz ficou atônito com a quantidade de comida descartada e não parava de dizer que não se conformava com a fartura e o descaso que via por aqui, acostumado à escassez de recursos em seu país de origem. Numa rápida pesquisa de internet, os dados são alarmantes ! Segundo dados da Embrapa, o Brasil é o quarto maior produtor de alimentos do mundo. Acrescento que tem potencial para ser o número um, se tantas distorções não ocorressem na nossa legislação rural, com normas de cultivo e posse de terra, muito falhas; reservas indígenas absurdas; latifúndios improdutivos etc etc. Nesse contexto, cerca de 26,3 milhões de toneladas de alimentos são desperdiçados por ano, o que resulta numa média diária de 39 mil toneladas. Segundo vi numa pesquisa do Instituto Akatu, aproximadamente 64% do que se planta no Brasil, é jogado no lixo. 20% estraga na própria colheita; 8% no transporte e armazenamento; 15% na indústria de processamento; 1% no varejo e 20% no processo culinário e por maus hábitos culturais. Isso daria para alimentar 500 mil famílias. Preciso falar mais ? Texto de Luiz Domingues.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Carro Elétrico, Falta Interesse.

Carro Elétrico, Falta Interesse Popularizando-se em muitos países, os carros elétricos tem enfrentado barreiras para entrarem com força no Brasil. Na ponta do lápis, parece ser o advento ideal para o atual panorama de preocupação com os aspectos sustentáveis do planeta, como um pilar ao lado do investimento em Metrô & trens de subúbrio e o incentivo maciço ao uso de bicicletas. Em números, não há contra-argumentação para desabonar o incremento dos carros elétricos. Rodar 160 KM no trânsito de São Paulo, por exemplo, custaria ao consumidor, a quantia de R$ 5,28. A mesma kilometragem num carro a álcool, sairia por R$ 28,80. No quesito ecologia então, não tem como um detrator argumentar, pois a não existência de monóxido de carbono, dióxido de carbono e óxido de nitrogênio, três dos piores gases poluentes que os carros comuns produzem, simplesmente não existirem num carro elétrico, desarma qualquer contrariador. Um dia a injeção eletrônica acabou com o carburador e dessa forma, pode-se contar os dias para a extinção do escapamento, pelo menos em tese. Outro aspecto incontestável é o da completa ausência de ruídos. Sem o método tradicional de combustão, são carros silenciosos ao extremo. No tocante à rede de abastecimento, começam os problemas, lógicamente relacionados à questão do choque de interesses. Isso porque em teoria, qualquer tomada caseira pode reabastecer as baterias do carro. Sendo assim, como fica a colossal indústria petrolífera e suas inúmeras ramificações ? O uso do combustível, seja fóssil, seja de outra fonte, é o primeiro empecilho mas a seguir nessa pirâmide de interesses, vem as distribuidoras, as redes de postos, indústria de óleos, tudo o que é relacionado à retífica etc. Já vi pessoas falando que se criaria outro gargalo de consumo, tão nocivo quanto, pois só no Brasil, estima-se que precisaríamos de uma nova Usina de Itaipu, só para suprir o consumo dos carros elétricos. Será ? Reclamações corporativistas sempre existiram ao longo da história. Quando os carros começaram a se popularizar na América, houve manifestações organizadas por ferreiros, antevendo a decadência de seu ofício, com cada vez menos pessoas usando cavalos, carroças e carruagens no seu cotidiano. A maior barreira no Brasil é teoricamente a altíssima taxação imposta pelo governo. Não é preciso fazer uma complexa elocubração para descobrirmos qual o motivo dessa taxação absurda. Desde o governo JK, sabemos que o governo brasileiro e a indústria automobilística vivem um casamento praticamente indissolúvel. E no bojo dessa relação, tem toda uma gama de interesses análogos, onde a indústria petrolífera tem seu peso e interesse, sempre levado em conta. Portanto, enquanto os tubarões desse mar revolto não adequarem-se para não deixar de explorar esse mercado com a mesma volúpia de sempre, só veremos dificuldades criadas para os carros elétricos popularizarem-se. Texto de Luiz Domingues.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Torcidas Uniformizadas vs Violência.

Torcidas Uniformizadas x Violência Logo que começaram a surgir, a ideia da existência das torcidas uniformizadas não era má. Pelo contrário, ajudavam imensamente a colorir o espetáculo, com suas batucadas, bandinhas, charangas e aquele mar de bandeiras gigantescas com as cores de seus clubes. Pouco a pouco, contudo, esse panorama ingênuamente festivo foi mudando de figura. Brigas dentro dos estádios foram acontecendo e piorando cada vez mais. Já nos anos oitenta, ganhando ares de guerrilha urbana, passou a ser comum, as apreensões de armas (de fogo e brancas), artefatos explosivos e todo o tipo de material bélico, formando verdadeiros arsenais. Saindo do âmbito dos estádios, as estações de Metrô, trens de subúrbio e terminais de ônibus, passaram a ser locais de alta periculosidade, com hordas ensandecidas se degladiando e claro, gente inocente e alheia ao futebol, podendo ser vítima a qualquer instante, também. A primeira pergunta é : Será que esse ódio todo é decorrente de um suposto fanatismo só pelo futebol em si ? Pessoas se agridem e se matam pelo simples fato de não suportarem a existência de outras pessoas que torcem para times rivais do seu ? Se fosse assim, não existiria o futebol, pois pressupõe-se que para que possa existir, tem de haver adversário e no caso, mais de um para se ter um campeonato, torneio, copa ou seja que disputa for. Claro que acreditar só nesse fator, seria extremamente ingênuo. A análise tem de enveredar por outro caminho. Numa torcida uniformizada de um clube grande, existem milhares de sócios. Qual o critério para adesão ? Quando vão entrar, não preenchem uma ficha cadastral ? Ora, nome; endereço; identidade e CPF, seria o mínimo. Recomendável a existência de fotos recentes e datadas, quiçá a impressão digital, certo ? E quando surgem os distúrbios, cada cidadão detido não é enquadrado na delegacia ? Mediante essa responsabilização civil, em tese, o que tem a ver a torcida enquanto pessoa jurídica, com isso ? A não ser que se prove de forma contundente, que ações criminosas foram determinadas pela direção (caracterizando então a formação de quadrilha), parece mero foguetório das autoridades, as medidas sensacionalistas tomadas a cada tragédia, visando banir tais organizações. Curiosamente, tais medidas pirotécnicas são anunciadas geralmente em programas dominicais noturnos, as chamadas "mesas redondas", onde o público consumidor de futebol, assiste com grande interesse. São muitos murros na mesa, caras & bocas e também não é incomum que essas autoridades indignadas nunca cheguem ao cerne da questão, preferindo propor paliativos de impacto meramente demagógicos. De prático, as medidas adotadas são pouco eficientes. Banir uma torcida dos estádios, significa que não usarão a faixa de identificação, bandeiras, instrumentos de percussão e cada cidadão-membro é proibido de usar o "uniforme"da torcida. Então vão vestidos com a camisa do clube para quem torcem ou simplesmente à paisana, mas entrarão da mesma forma e sentarão nos mesmos lugares. O que mudou para a "segurança" ? O estado faz o mise-en-scené de que está tomando providências, dando uma resposta à sociedade, quando na verdade, é só um varrer de lixo para debaixo do tapete. O que precisaria ser feito, de fato ? Se cada bandido desses, que infiltra-se nas torcidas para aí sim, formar suas quadrilhas, for responsabilizado pessoalmente, não se apanharia as maçãs podres ao invés de querer banir os caixotes inteiros ? Outro ponto importante diz respeito ao estado enquanto mantenedor das funções básicas de uma sociedade realmente justa. Se trabalhar forte com o fomento à educação, saúde e cultura, não minimizaria os efeitos do descaso com as camadas mais simples da população, de onde sai a maioria desses torcedores uniformizados ? Uma tentativa dessas se deu com as "Cieps" no governo Brizola, no início dos anos 1980, no Estado do Rio de Janeiro. Esse conceito foi ampliado e muito melhorado com a criação dos "Céus", pela prefeitura de São Paulo, no início dos anos 2000. Com educação de qualidade e acesso à arte, cultura, esportes e lazer, os ânimos desarmam-se. Jovens sem perspectivas passam a cultivar outros valores. O futebol volta a ser lúdico e o adversário nunca mais seria encarado como inimigo. Por outro lado, torcidas uniformizadas formadas por pessoas interessadas apenas em futebol e não em praticar crimes, vandalismo e guerras campais, voltariam a colorir os estádios, sendo um ingrediente a mais para o engrandecimento do espetáculo, aliás, como era antigamente. Brigas e desentendimentos seriam tratados como meras manifestações isoladas e as pessoas detidas, enquadradas e punidas severamente com penas exemplares, desestimulando a proliferação de distúrbios dessa monta. Parece utópico, mas é perfeitamente possível, desde que o governo invista em inteligência policial e haja uma reforma do judiciário, com informatização total do sistema, inclusive penitenciário. Impossível ? Ora...não vão organizar uma Copa do Mundo daqui há dois anos ? Pensar nisso é tão vital quanto construir estádios, não é ? Caso contrário, ficaremos na mesma, com as autoridades tentando coibir a violência por atacado ou como se diz naquela velha piada popular : "O cara flagra a esposa com o seu melhor amigo no sofá e ao invés de separar-se da mulher e romper com o amigo, manda queimar o sofá"... Logo que começaram a surgir, a ideia da existência das torcidas uniformizadas não era má. Pelo contrário, ajudavam imensamente a colorir o espetáculo, com suas batucadas, bandinhas, charangas e aquele mar de bandeiras gigantescas com as cores de seus clubes. Pouco a pouco, contudo, esse panorama ingênuamente festivo foi mudando de figura. Brigas dentro dos estádios foram acontecendo e piorando cada vez mais. Já nos anos oitenta, ganhando ares de guerrilha urbana, passou a ser comum, as apreensões de armas (de fogo e brancas), artefatos explosivos e todo o tipo de material bélico, formando verdadeiros arsenais. Saindo do âmbito dos estádios, as estações de Metrô, trens de subúrbio e terminais de ônibus, passaram a ser locais de alta periculosidade, com hordas ensandecidas se degladiando e claro, gente inocente e alheia ao futebol, podendo ser vítima a qualquer instante, também. A primeira pergunta é : Será que esse ódio todo é decorrente de um suposto fanatismo só pelo futebol em si ? Pessoas se agridem e se matam pelo simples fato de não suportarem a existência de outras pessoas que torcem para times rivais do seu ? Se fosse assim, não existiria o futebol, pois pressupõe-se que para que possa existir, tem de haver adversário e no caso, mais de um para se ter um campeonato, torneio, copa ou seja que disputa for. Claro que acreditar só nesse fator, seria extremamente ingênuo. A análise tem de enveredar por outro caminho. Numa torcida uniformizada de um clube grande, existem milhares de sócios. Qual o critério para adesão ? Quando vão entrar, não preenchem uma ficha cadastral ? Ora, nome; endereço; identidade e CPF, seria o mínimo. Recomendável a existência de fotos recentes e datadas, quiçá a impressão digital, certo ? E quando surgem os distúrbios, cada cidadão detido não é enquadrado na delegacia ? Mediante essa responsabilização civil, em tese, o que tem a ver a torcida enquanto pessoa jurídica, com isso ? A não ser que se prove de forma contundente, que ações criminosas foram determinadas pela direção (caracterizando então a formação de quadrilha), parece mero foguetório das autoridades, as medidas sensacionalistas tomadas a cada tragédia, visando banir tais organizações. Curiosamente, tais medidas pirotécnicas são anunciadas geralmente em programas dominicais noturnos, as chamadas "mesas redondas", onde o público consumidor de futebol, assiste com grande interesse. São muitos murros na mesa, caras & bocas e também não é incomum que essas autoridades indignadas nunca cheguem ao cerne da questão, preferindo propor paliativos de impacto meramente demagógicos. De prático, as medidas adotadas são pouco eficientes. Banir uma torcida dos estádios, significa que não usarão a faixa de identificação, bandeiras, instrumentos de percussão e cada cidadão-membro é proibido de usar o "uniforme"da torcida. Então vão vestidos com a camisa do clube para quem torcem ou simplesmente à paisana, mas entrarão da mesma forma e sentarão nos mesmos lugares. O que mudou para a "segurança" ? O estado faz o mise-en-scené de que está tomando providências, dando uma resposta à sociedade, quando na verdade, é só um varrer de lixo para debaixo do tapete. O que precisaria ser feito, de fato ? Se cada bandido desses, que infiltra-se nas torcidas para aí sim, formar suas quadrilhas, for responsabilizado pessoalmente, não se apanharia as maçãs podres ao invés de querer banir os caixotes inteiros ? Outro ponto importante diz respeito ao estado enquanto mantenedor das funções básicas de uma sociedade realmente justa. Se trabalhar forte com o fomento à educação, saúde e cultura, não minimizaria os efeitos do descaso com as camadas mais simples da população, de onde sai a maioria desses torcedores uniformizados ? Uma tentativa dessas se deu com as "Cieps" no governo Brizola, no início dos anos 1980, no Estado do Rio de Janeiro. Esse conceito foi ampliado e muito melhorado com a criação dos "Céus", pela prefeitura de São Paulo, no início dos anos 2000. Com educação de qualidade e acesso à arte, cultura, esportes e lazer, os ânimos desarmam-se. Jovens sem perspectivas passam a cultivar outros valores. O futebol volta a ser lúdico e o adversário nunca mais seria encarado como inimigo. Por outro lado, torcidas uniformizadas formadas por pessoas interessadas apenas em futebol e não em praticar crimes, vandalismo e guerras campais, voltariam a colorir os estádios, sendo um ingrediente a mais para o engrandecimento do espetáculo, aliás, como era antigamente. Brigas e desentendimentos seriam tratados como meras manifestações isoladas e as pessoas detidas, enquadradas e punidas severamente com penas exemplares, desestimulando a proliferação de distúrbios dessa monta. Parece utópico, mas é perfeitamente possível, desde que o governo invista em inteligência policial e haja uma reforma do judiciário, com informatização total do sistema, inclusive penitenciário. Impossível ? Ora...não vão organizar uma Copa do Mundo daqui há dois anos ? Pensar nisso é tão vital quanto construir estádios, não é ? Caso contrário, ficaremos na mesma, com as autoridades tentando coibir a violência por atacado ou como se diz naquela velha piada popular : "O cara flagra a esposa com o seu melhor amigo no sofá e ao invés de separar-se da mulher e romper com o amigo, manda queimar o sofá"... Texto de Luiz Domingues.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Burocracia - O Balde de Água Fria.

Burocracia : O Balde D'água Fria Texto de Luiz Domingues. Comemoramos o fato do Brasil estar ascendendo econômicamente, sendo visto pelo mundo como algo além de emergente e de fato caminhando para fazer parte do seleto grupo de países desenvolvidos, o cobiçado "1° Mundo". Todavia, existem diversos gargalos a serem resolvidos ainda, para que possamos enfim ter a infraestrutura adequada para de fato estarmos nesse patamar. Obviamente que o vergonhoso posto que o Brasil ocupa no IDH é a preocupação principal. Mas não menos importante, é a falta absoluta de prioridade na educação; infra-estrutura de transportes (parece que só agora às vésperas de uma Copa do Mundo, perceberam que nossos aeroportos são ridículos em se comparando ao de nações desenvolvidas, por exemplo); habitação; saúde pública etc etc. E entre tantos problemas cruciais a serem resolvidos, existe também uma questão emblemática em nossa cultura : O excesso de burocracia. Em qualquer compêndio básico de sociologia, a burocracia é descrita como um triunfo da civilização. E no âmbito geral, é mesmo um sistema regulamentar onde normas sociais são garantidas, visando dar padrão às relações sociais e econômicas, evidentemente coadunadas com as necessárias questões fiscais da res pública. Mas convenhamos, no Brasil, essa questão extrapola o bom senso em diversos aspectos e dessa forma torna-se um verdadeiro monstrengo com a irritante missão de dificultar ao máximo a resolução dessas relações, trazendo atraso, desânimo e irritação. Em recente dossiê publicado na Revista "SãoPaulo" , suplemento dominical do jornal "Folha de São Paulo", a reportagem mostrou passo-a-passo o "Calvário" de um pretendente a abrir um restaurante na cidade de São Paulo. A quantidade de exigências é tão grande (e às vezes contraditórias entre si), que o empreendedor acaba desistindo de seu intento, irritado com a morosidade e o trabalho insano que é visitar repartições públicas em busca desses documentos. Segundo li, escritórios contábeis costumam orientar seus clientes a abrir o negócio com alvarás provisórios, pois se ficarem esperando o definitivo, correm o risco de passar meses, quiçá anos, aguardando para conseguirem abrir seus estabelecimentos e enfim, trabalhar. Quem aguenta uma estrutura dessas, que só atrapalha o empreendedorismo ? Sem esmiuçar muito, acrescento que em países como os Estados Unidos, por exemplo, a mentalidade é oposta. Se você tem um dinheiro para investir num negócio, o governo apoia com a contrapartida da minimização da burocracia e diminuição do pagamento de taxas, pois tem interesse em que você produza, ganhe, invista, faça circular o dinheiro, gere empregos, trabalhe com fornecedores, faça propaganda de seu negócio, enfim, faça o capitalismo girar em torno de si próprio. Isso não é o óbvio ? Então por que o Brasil ainda não promoveu a sua reforma burocrática ? Há muitos anos atrás, houve até a criação de um "Ministério da Desburocratização" , cujo Ministro era Hélio Beltrão. A iniciativa era ótima, mas por que não foi até o fim ? Por que não extinguiu a burocracia massacrante brasileira ? A única explicação plausível é : Porque talvez a complicação interesse a alguém... Mas aí é um terreno arenoso, movediço até e qualquer tentativa de explicar o fenômeno, esbarraria na reles "teoria da conspiração" e não se chega a nenhuma conclusão definitiva, apenas patinação no campo das especulações. Alguém aí se habilita a me responder ?