segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Não Precisamos de Fogos de Artifício

Não Precisamos de Fogos de Artifício,

texto de Luiz Domingues.

Passado o Reveillon, a reflexão é inevitável sobre o foguetório que encanta tanto as pessoas.
Milhões  de pessoas se aglomeram na Praia de Copacabana; na Avenida Paulista, e em todas as cidades brasileiras para comemorar a chegada do Ano Novo, e a pirotecnia parece indispensável para todos, como a justificar a sua permanência na rua para celebrar coletivamente a data.

Não só o Reveillon, mas várias datas ao longo do ano são comemoradas ao som e visual dos fogos de artifício, incluso comemorações de torcidas de times de futebol; manifestações políticas; reivindicações e protestos os mais variados, pequenas comemorações privadas, e até por razões nada nobres, como criminosos anunciando a chegada de suas mercadorias ilícitas...

Diante de tanta necessidade de extravasar sentimentos através de estampidos e luzinhas coloridas no céu, a pergunta é : não conseguimos  viver sem tal artifício ?

A julgar pela história, parece que o vício vem de longe, pois os registros sobre as tentativas de se manipular o fogo, remontam à era pré-histórica.

Oficialmente mesmo, a pirotecnia nasceu na China, cerca de dois mil anos atrás. Um experimento perpetrado por um alquimista chinês e completamente maluco, misturou salitre; enxofre e carvão, para em seguida aquecê-los.  

Isso resultou num pó preto que descobriu, era explosivo e recebeu o nome de “pólvora”. Através de inúmeros experimentos, constataram que poderia ser manipulado para gerar efeitos sonoros e visuais os mais diversos, alegrando as festividades, mas além disso, abriu caminho para um sem número de ramificações maléficas, dando origem às armas de fogo.

Nos tempos modernos, observamos que os fogos de artifício podem ser muito perigosos em muitos aspectos, infelizmente.

Mutilações terríveis; mortes; incêndios, e outras ocorrências decorrentes de seu mau uso, e que são condenadas amplamente pelo Corpo de Bombeiros, mas que ninguém dá ouvidos, a não ser depois que a tragédia acontece, estão no noticiário cotidiano.

Uma reclamação a mais, e que parece ser mais moderna a ser acrescentada nesse rol de malefícios, é o trauma gerado em animais domésticos pela incidência do barulho.

Parecendo um ataque nuclear, dependendo do local, é de se imaginar o quanto os animais sofrem sentindo um medo incomensurável.

Há relatos de muitas ocorrências de animais que não suportam o foguetório e infartam, apavorados pelo medo incompreensível que sentem diante de tal artilharia.

Vendo reportagens na TV sobre o colapso da saúde pública no Brasil, foi impossível não traçar um paralelo com os shows pirotécnicos do Reveillon.

Vendo pessoas com apêndice supurando sendo mandadas de volta para as suas casas; pessoas com AVC; aneurismas e infarto; gestantes dando a luz nas calçadas, gente com fraturas expostas chorando na rua pela falta de atendimento, entre outras barbaridades que vi num hospital de Realengo, no Rio de Janeiro, como não pensar no dinheiro que foi literalmente queimado em milhares de fogos que foram deflagrados para alegrar uma festa que tem lá seu simbolismo psicológico para a maioria das pessoas, admito, mas que na prática, é só um rito social, portanto, o que acontece não passa de um dia que acaba e começa outro ?

Antes que me acusem de ser piegas ou “ecochato” militante, alegando que uma coisa não tem nada a ver com a outra, e o dinheiro arrecadado com o turismo faz valer todo o esforço para que existam os shows de Reveillon, realmente não dá para não pensar que um gesto de boa vontade poderia ser dado pelos governantes, e creio que o povo entenderia, pois estamos todos vivendo um momento de crise.

Diante dessa draga em que estamos, será que o dinheiro gasto com essas festas de rua não teria sido melhor aproveitado para socorrer os hospitais públicos que estão à míngua ?

Sei que existe uma burocracia institucional entre as três instâncias do poder público, e claro que o dinheiro de uma prefeitura não pode passar assim, sem mais nem menos para socorrer um órgão federal etc  etc. Mas será que não poderia suprir emergencialmente em forma de espécie, como uma doação pura e simplesmente ?

Não ajudaria pegar o dinheiro desses fogos de artifício e comprar um lote de seringas descartáveis; luvas; algodão; bandagens, álcool; material de higiene, e outros tantos produtos de necessidade básica, e que faltam vergonhosamente no atendimento dos hospitais públicos ?

Quantas macas dá para comprar ? Quantos cobertores e lençóis ?

Enfim, não daria para não ter festa pirotécnica, e mesmo assim as pessoas não poderiam comemorar saindo às ruas para brindar o ano novo sem essa “perfumaria” cara ?

Hora de pensar no quanto o estampido e as luzinhas  são reais necessidades que temos para ornamentar nossas comemorações, extravasar ou reclamar de alguma coisa etc etc...    

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Gang 90 e as Absurdettes : O "Marco Zero" do BRock Oitentista !

Gang 90 e as Absurdettes : O "Marco Zero" do BRock Oitentista !

Texto de Fernando Becker.

Desde os sucessos de Celly Campello que o rock vem marcando presença no cenário cultural brasileiro , influenciando principalmente os hábitos e os costumes da camada jovem da população . Como qualquer outro bom movimento cultural cosmopolita , o rock transcendeu suas origens culturais ( norte-americanas , no caso ) para ganhar o mundo , mesclando-se com os mais variados elementos culturais de nosso planeta . 

Celly Campello , como já foi frisado , foi a feliz responsável pela introdução desse gênero musical cosmopolita em nosso país , junto com seu ilustre irmão Tony Campello . Nessa época ( fins da década de 50 ) o rock era visto como uma manifestação iconoclasta simplesmente por seu ritmo e pela influência dele no corpo dos jovens que requebravam nas reuniões dançantes do período , mesmo sem ostentar nenhuma conotação ideológica em suas composições : era música pra dançar , e ponto final . Esse panorama ganhou força na década seguinte , com os sucessos estrondosos da Jovem Guarda , mas acabou sofrendo uma mutação no final da década : com a eclosão doTropicalismo , a cultura rock passou a ser associada à arte devanguarda , carregando em si os mais variados vieses ideológicos ; o rock já não servia apenas pra dançar , mas também pra ser um catalisador de ideias sobre o mundo .

Seguindo esse processo cultural , o rock brasileiro entra na década de 70 representado por inúmeras bandas que mesclavam a estética do rock internacional da época ( hard rock , heavy metal , progressivo , glam ) com os elementos culturais genuínos de nosso país , sempre ostentando tanto um alto potencial dançante como uma alta riqueza de ideias . O rock já não era mais inocente como nos tempos de Celly Campello e início da Jovem Guarda ; junto com a questão puramente rítmica estava toda uma ânsia de expressar uma visão de mundo , visão essa que era absolutamente libertária , principalmente se levarmos em conta o panorama político da época : auge do Regime Militar Brasileiro . Como exemplo de bandas brasileiras do período , podemos destacar nomes comoSecos e Molhados , Casa das Máquinas , Made in Brazil ,Vímana .

Porém havia um problema que travava a plena disseminação do rock entre os jovens brasileiros da época : não havia ainda um cenário adequado para o pleno desenvolvimento desse gênero musical no Brasil ; o governo militar via com maus olhos os roqueiros ( eram tidos como um mau exemplo para os jovens da nação ) , e isso acabava respingando nas rádios e gravadoras , que nunca concediam o devido espaço ao gênero , mesmo ele sendo amado e idolatrado pelos jovens . Esse panorama só iria começar a mudar no final da década , com o advento da Abertura Política do General João Figueiredo : a partir de então , a liberdade de expressão estava ( quase ) vigorando novamente , e o universo das artes e espetáculos perderiam um pouco de suas mordaças .

E por fim chegamos à década de 80 , a Década da Abertura ; toda uma ânsia de liberdade até então represada passava a fluir de forma espontânea . O universo das artes e espetáculos entra em ebulição , com inúmeros livros , filmes , discos e peças teatrais ( até então barrados pela censura ) vindo ao conhecimento do grande público . As liberdades de expressão e de comportamento passam a ser a ordem do dia , e tudo isso mexe principalmente com os jovens , que já não podiam mais sopitar sua ânsia libertária . O grito de liberdade pedia espaço pra ecoar em toda a nação , e seu principal porta-voz seria ele mesmo : o bom e velho rock'n'roll , porém dentro de uma nova roupagem .

Essa nova roupagem seria a New Wave , movimento pop que já vinha ganhando espaço nos cenários cosmopolitas europeus e norte-americanos , representados por nomes como Blondie ,B-52's , Gary Numan , Elvis Costello . O caminho estava aberto para a eclosão de um movimento musical que seria popularmente conhecido como BRock . Era a cultura rock finalmente ganhando todos os holofotes dos meios de comunicação brasileiros , aderindo totalmente às ânsias dos jovens e da população em geral da nação . Esse movimento costuma ser lembrado como tendo sido deflagrado no ano de1982 , através do sucesso estrondoso do conjunto Blitz , sendo seu apogeu o Festival Rock in Rio , em 1985 . Os nomes mais lembrados do movimento são Cazuza , Lobão , Legião Urbana ,Paralamas do Sucesso , Blitz , porém quase ninguém lembra da banda que realmente preparou o terreno para que todas as demais brilhassem : trata-se da injustamente esquecida Gang 90 e as Absurdettes , liderada pelo jornalista multimídia Julio Barroso . Toda a estética New Wave do movimento fora introduzida pelo Gang 90 .

O criativo e inquieto Julio Barroso , que havia trabalhado como DJ e jornalista em Nova York , ficara absolutamente fascinado pela eclosão do New Wave na grande metrópole norte-americana , e voltou de lá iluminado por uma ideia : "É possível mesclar os elementos cosmopolitas da música pop internacional com os elementos culturais genuinamente brasileiros" . Barroso chegou a chamar essa nova estética deNew Brega , e ela se tornou a fórmula do sucesso para todas as bandas de renome do período . Após conhecer o talentoso compositor e arranjador Herman Torres , e as belas e carismáticas cantoras May East , Alice Pink Pank e Lonita Renaux , Barroso forma a Gang 90 , mesclando de forma brilhante os mais variados elementos da cultura pop internacional ( New Wave , Música Eletrônica , literatura beatnik ) com elementos tipicamente brasileiros . A banda tem enorme destaque no Festival MPB Shell de 1981 , brilhando com a música Convite ao Prazer , e no mesmo ano lança noFantástico o hit Perdidos na Selva , atingindo assim uma considerável popularidade . Em 1983 vem o auge da banda , quando a música Nosso Louco Amor passa a ser o tema de abertura da novela homônima da Globo , sendo que no mesmo ano há o lançamento do primeiro LP : Essa tal de Gang 90 e as Absurdettes . O sucesso parecia consolidado , até que uma tragédia inusitada veio para abortar a ascensão do grupo : Julio Barroso morre em circunstâncias até hoje mal explicadas , em junho de 1984 , ao cair da janela do prédio em que morava ( uns falam em acidente , outros em suicídio ) . Era o fim da carreira de um artista que havia encarnado o espírito do Brasil da década de 80 , e de sua promissora banda ( os demais integrantes lançaram mais dois discos , em 1987 e 1990 , mas sem a presença de Barroso eles não tiveram quase nenhum brilho ) .

Podemos dizer que Evandro Mesquita e sua banda Blitzdeflagraram o movimento do BRock oitentista , no importante ano de 1982 , porém o que pouca gente sabe é que ele sugou vários elementos estéticos da Gang 90 , dando a eles apenas um ar mais adolescente e comercial . Julio Barroso e sua banda prepararam o terreno para o movimento , e é por isso que podemos dizer sem titubear : Gang 90 e as Absurdettes foram o marco zero do BRock oitentista !                          

                          

                              

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

O Homem que Queria Iluminar o Mundo!

O Homem que queria iluminar o mundo!

Primeiro texto da nova colaboradora Jani Santana Morales.

Com tanto avanço tecnológico, não é possível

que não tenham desenvolvidos maneiras

alternativas concretas de gerar eletricidade,

limpa sem combustão.

Nosso sistema atual de geração de energia é

uma realidade culturalmente retrógada.

Sendo a Terra um imenso organismo vivo é

óbvio que pode gerar e armazenar qualquer tipo

de energia.

Só que o setor energético gera trilhões  por ano

e os governos e magnatas não querem perder

essa “boquinha”.

Bom, leitores, essa tecnologia já existe e não é de

hoje. Apresento-lhes um dos maiores gênios de

todo o Universo: Nikola Tesla, o inventor da

corrente alternada e da energia livre, onde é

possível transformar e armazenar energia e

transmitir a população.

Se temos todo o conforto que proporciona a

energia elétrica  é graças a sua invenção. Do

contrário o mundo já teria entrado em colapso

com o crescimento da humanidade, tentando

utilizar apenas a corrente contínua.

Tesla nasceu na passagem do dia 09 para o dia

10 de Julho de 1856, na vila de Smijan, na

Cróacia, a meia noite em plena tempestade com

inúmeros raios, como se previssem  sua

importância nas ciências físicas.

Sua parteira comentou à sua mãe: Esse menino

será das trevas. Sua mãe retrucou: Não, ele trará

a luz. Dito e feito.

Em 1884 mudou-se para os Estados Unidos,

estabelecendo-se em Nova York e se torna

assistente de Thomas Edison.

Tesla foi um gênio inigualável e defensor da

energia livre e gratuita para todos.

Devido a sua filosofia de vida e seus inventos em

prol da humanidade ele foi perseguido durante

toda sua vida científica.

Seu primeiro perseguidor oficial foi Thomas

Edison, que fez o impossível para desacreditá-lo

no meio científico, tentando evitar que o projeto

da corrente alternada chegasse a público.

Há de convir que, transformar qualquer tipo de

energia em outro é um trabalho árduo e muito

lucrativo. Assim sendo, uma invenção de um

aparato que quebrasse o moto- perpétuos,

produzindo energia capaz  de colocar máquinas

em funcionamento, em grandes quantidades e

em custo baixo, ou mesmo gratuito, seria uma

ameaça a economia mundial.

Tesla foi considerado uma ameaça para o

governo, também pela sua filosofia, ele sempre

buscou a  Ciência como uma forma de evoluir o

pensamento humano, desprezando todo  o

retorno financeiro.

Seu laboratório e residência eram

constantemente saqueados e destruídos.

Tesla não desistiu. Continuou criando e

inventando. Chamou a atenção do Governo que

passou a vigiá-lo de perto e também destruindo

seu laboratório. Como não podiam pará-lo sem

mata-lo, resolveram denegrir sua imagem ao

público. Fizeram com que Tesla fosse

considerado louco e lunático e assim a

comunidade científica não o reconhecia mais

como um membro. Ele, sem financiamento ficou

sem condições de aperfeiçoar suas invenções e

criar mais.

Acabou falecendo empobrecido em 1943, aos 86

anos de idade. Teve projetos confiscados e

destruídos pelo F.B.I., outros foram comprados

pela empresa JP Morgan que hoje, segundo a

Forbes,  é uma das maiores empresas do mundo.

Tudo o que existe hoje, tecnologicamente

falando, sem as descobertas de Tesla não seriam

possíveis.

Se for possível que a energia livre pode ser

aperfeiçoada, o resultado é que todo o planeta

poderá ser alimentado por uma única fonte de

energia. Uma fonte infinita de energia ao nosso

alcance.

 Ninguém teria que depender mais dos

combustíveis fósseis. Desde  a eletricidade

necessária para alimentar uma lâmpada até a

construção de motores para viagens

interestelares, anti gravidade, etc, tudo seria

feito de forma gratuita com a energia livre.

Será que um dia será permitido que isso

aconteça?

“Um mundo novo deve nascer, um mundo que

justifique os sacrifícios oferecidos pela

humanidade. Este novo mundo deve ser um

mundo onde não haverá exploração do fraco

pelo forte, do bom pelo mau; onde não haverá

humilhação do pobre pela violência do rico;

onde produtos do intelecto, da ciência e da arte

servirão à sociedade pelo embelezamento da

vida, e não para indivíduos adquirirem riqueza.

Este novo mundo não será um mundo de

oprimidos e humilhados, mas de homens livres e

nações livres, iguais em respeito e dignidade”.

                                                       NIKOLA TESLA

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Entre o Medo e a Petulância.

Entre o Medo e a Petulância.
Texto de Luiz Domingues.

Vivemos tempos difíceis em termos de educação; cultura e cidadania, e seus múltiplos desdobramentos.
As razões para que tenhamos chegado nesse estágio triste, são muitas.
Superpopulação gerando desafios incalculáveis para a sociedade gerir infraestrutura,  explica de forma generalizada a questão, e tal repercussão chega na óbvia conclusão de que a educação não consegue dar conta, tanto em termos de pedagogia escolar, quanto na educação familiar.
Com o colapso que presenciamos, fica inevitável a comparação com tempos remotos, onde o grau de educação, e tolerância social, eram maiores.
De fato, basta andarmos nas ruas; lermos as notícias na mídia; ou vermos o bombardeio no jornalismo televisivo / radiofônico e pela Internet, para verificarmos que vivemos tempos de uma inversão total de valores.
É impressionante observarmos que a truculência atual dos jovens, mesmo em tenra idade, vem a reboque do desrespeito absoluto às pessoas mais velhas; seja dentro do seio familiar, sejam nas relações educacionais formais, e no âmbito geral da sociedade, esbarrando na absoluta falta de comprometimento com regras básicas de convívio social.
A absoluta decadência da educação formal pública, acompanha a escalada da invasão da subcultura e da anticultura, perpetrada por marqueteiros que defendem interesses escusos no amplo domínio da difusão cultural, isso é um fato, portanto, anexa-se como adendo triste, certamente.
Agora, se o panorama é tétrico e qualquer pessoa de bem não pode compactuar com a ideia de jovens agredindo; humilhando e ameaçando professores em sala de aula, muitas vezes armados dentro do ambiente escolar, por outro lado, penso que radicalismos de extrema direita, clamando por volta de opressão de cunho medieval, não é o melhor caminho para colocar o mundo em “ordem”.
Devemos caminhar para a frente e não para trás, a grosso modo.
Trazer de volta uma educação espartana, baseada no medo; na ameaça de punição; na aniquilação absoluta do senso crítico, gerando cidadãos meramente obedientes e facilmente manipulados pelos poderosos de plantão, para lhes servirem como funcionários operacionais e consumidores a lhes dar dinheiro, sistematicamente, não é aceitável.
Não quero viver na Idade Média, tampouco na Antiguidade, quero um mundo contemporâneo, do século XXI, vivendo a revolução tecnológica total e pensando na construção de um mundo que equalize suas demandas por sustentabilidade.
Portanto, penso que devemos pensar num ponto de equilíbrio na questão educacional onde possamos estancar a decadência total perpetrada pela mentalidade imposta da anticultura, porém, sem necessariamente trazer valores antiquados e decorrentes de metodologia baseada na extinção do senso crítico do ser humano, condicionando-o à um ser apático e bovino.
Entre o petulante maloqueiro que ameaça o professor com uma faca na sala de aulas, e o professor carrasco que impõe respeito pela tortura psicológica e/ou física propriamente dita, nossa obrigação é buscar um ponto de equilíbrio na pedagogia moderna.
A resposta é a confiança mútua sendo estabelecida.
E nesse contexto, todos temos  que colaborar. O governo, com a boa vontade política de investir maciçamente na educação; os difusores culturais no sentido de reverem a sua estratégia vergonhosa de manter monopólio e pior que isso, incentivar a anticultura visando apenas o seu lucro fácil, sem medir o estrago educacional que estão gerando com tal atitude; e a sociedade em geral, buscando dias melhores, amenizando a convivência social que nesse caos, tende a explodir, tamanha a pressão crescente que faz com a situação atual seja semelhante à uma ampola de nitroglicerina sendo colocada na boca acesa de um fogão.




domingo, 6 de dezembro de 2015

Pornochanchada : A Forma Mais Viável de se Fazer Cinema Durante o Regime Militar Brasileiro.

Pornochanchada : a forma mais viável de se fazer cinema durante o regime militar brasileiro.

Texto do colaborador Fernando Becker.
 
O período da Ditadura Militar ( 1964 - 1985 ) notabilizou-se por uma série de graves prejuízos para a população brasileira ( restrições nos direitos políticos e liberdade de expressão ; amordaçamento dos sindicatos e dos direitos trabalhistas ; disseminação da prática da tortura por parte dos militares , etc. ) , e isso também atingiu o universo das artes e espetáculos : inúmeros livros , peças teatrais , discos e filmes foram banidos ou severamente mutilados pelo aparato de censura do regime , infligindo sérios danos à vida cultural brasileira do período . Toda manifestação artística que pudesse apresentar algum cunho contestatório aos valores ideológicos dos militares era severamente rechaçada pelos órgãos de censura do governo .

No universo cinematográfico , a década de 60 apresentou dois movimentos decinema de vanguarda que assumiram um importante papel de oposição aos valores do regime : o Cinema Novo e o Cinema Marginal . Ambos os movimentos destilaram uma estética revolucionária , nunca antes vista na história do cinema brasileiro : filmes com uma narrativa fragmentada , explorando as mais inovadoras soluções estéticas dos filmes de vanguarda europeus , buscando expressar as idiossincrasias culturais e sociais do povo brasileiro . Porém ambos os movimentos - mesmo sendo irmãos e com inúmeros pontos de convergência -  apresentavam suas diferenças e peculiaridades : o Cinema Novo ostentava um discursoessencialmente marxista ; praticamente todos os cineastas do movimento ( com especial destaque para Glauber Rocha ) pretendiam esquematizar em seus filmes conceitos ideológicos retirados de manuais de sociologia , buscando expressar  ( ao lado de elementos culturais essencialmente brasileiros ) as lutas de classe que estariam assolando a população brasileira . O Cinema Marginal , por sua vez , tentava enfrentar os valores repressivos do regime com as armas da contraculturaque vinha revolucionando os meios artísticos europeus e norte-americanos da época : ao invés de enveredar por um caminho ostensivamente político e pautado pelo genuíno folclore brasileiro - tal como faziam os cineastas do Cinema Novo - , preferiam fazer resistência com os valores do indefectível "tríptico"  "sexo , drogas e rock'n'roll" . Merecem destaque especial os filmes de Julio Bressane Rogério Sganzerla .

Porém havia um amontoado de problemas para a exibição dessas obras de vanguarda : os órgãos repressores do regime não permitiam que boa parte delas viesse a público , sendo que em muitos casos elas eram impiedosamente cortadas e descaracterizadas , perdendo sua força e identidade originais . Os cineastas passaram a ter de abarrotar os filmes com alegorias herméticas para poder driblar a censura , porém desta forma o diálogo com o grande público ( que já era difícil e limitado ) passou a ser praticamente inexistente à medida que o regime militar ia ganhando contornos cada vez  mais totalitários ( o período de vigência do AI-5 , principalmente sob o Governo Médici , foi o mais difícil de todos ) . Filmes comoPindorama , de Arnaldo Jabor , são exemplos claros disso . O público , desta forma , praticamente não conhecia os filmes do Cinema Novo e do Cinema Marginal , fazendo com que os cineastas de ambos os movimentos ficassem na triste condição daquele que fala sozinho .

Diante deste triste panorama , uma coisa era certa : todo profissional de cinema ( incluindo aí diretores , roteiristas , produtores e atores ) que realmente quisesseganhar a vida fazendo filmes , durante a vigência do AI-5 , deveria optar pela senda do filme despolitizado e meramente de entretenimento , sem discursos ideológicos ostensivos . Caso contrário , morreria de fome ou ficaria apenas falando sozinho . E é justamente nesse "vácuo cultural" aberto pelos militares que entra em cena o principal gênero cinematográfico brasileiro da década de 70 ( e um dos mais emblemáticos de todos os tempos , responsável pelo estigma que o cinema nacional passou a ter de ser representado essencialmente por filmes abarrotados de palavrões e mulheres nuas ) : a pornochanchada , um gênero essencialmente lúdico e de entretenimento , que buscava apenas atiçar o que havia de mais primário no universo dos espetadores : seus instintos sexuais . Era o gênero perfeito para o grande público que queria apenas desanuviar a mente em relação aos problemas cotidianos , e também aos profissionais de cinema que realmente queriam sobreviver fazendo filmes .

 O termo pornochanchada era uma simbiose entre os termos pornografia ( apenas uma tímida alusão , pois nunca houve sexo explícito nas produções ) echanchada ( o gênero cinematográfico mais popular de toda a história do cinema brasileiro , baseado no teatro de revista e nos filmes de Hollywood ) . As produções eram extremamente baratas ( e em muitos casos extremamente mal feitas ) , e o universo ficcional girava apenas em torno de temas que abordassem aspectos da sexualidade humana , sempre em tom jocoso e escrachado . Os filmes eram produzidos em sua grande maioria por produtoras sediadas na região paulista daBoca do Lixo , e entre os principais diretores do gênero destacam-se nomes comoCarlos Reichenbach , Ody Fraga Fauzi Mansur . Dentre os atores e atrizes que brilharam no gênero , merecem destaque nomes ilustres como David Cardoso ,Nuno Leal Maia Vera Fisher Matilde Mastrangi Selma Egrei .

O sucesso estrondoso das pornochanchadas tem explicações precisas : as temáticas de cunho sexual e cômico , de fácil assimilação por parte do público ; esquema de produção simples e barato , onde a bilheteria dos filmes pagava com sobras os custos de produção ; uma boa aceitação por parte do governo militar em relação aos filmes : até aconteceu de muitos filmes serem censurados ou mutilados , mas de uma forma geral eram bem aceitos pelos militares , pois funcionavam como a velha "Política do Pão e Circo" do antigo Império Romano , onde as diversões populares serviam essencialmente para manter o povo alienado em relação aos problemas políticos e sociais que o cercavam . Desta forma , pensar em mulher pelada poderia ser uma forma de se desviar o pensamento de temas políticos .

Os filmes que compõem o universo das pornochanchadas não são todos iguais , como muita gente pensa . Ao lado de produções pobres e medíocres existem produções inteligentes e criativas , tais como o filme O Doce Esporte do Sexo , rodado em 1972 por Zelito Viana ( e estrelado por seu ilustre irmão Chico Anysio ) . Eles formam um belo painel da sociedade de classe média brasileira da década de 70 ( que pretendia , em sua grande maioria , apenas curtir as benesses do"Milagre Econômico" , sem refletir sobre os aspectos políticos que o sustentavam ) , e também deixam claro que era possível sobreviver fazendo cinema no auge dos"Anos de Chumbo" . Com sua leveza e irreverência , foram uma espécie de"sopro de ar fresco" na pesada conjuntura do período do AI-5 , e hoje compõem a galeria dos grandes clássicos da história do cinema brasileiro 

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Sociedade Brasileira e Globalização

Sociedade Brasileira e Globalização.

Texto do novo colaborador William Wagner Guarda.

Hoje podemos observar o fenômeno crescente dos Bailes Funk na Sociedade Carioca, cuja frequência de público, perde apenas para a das praias cariocas.
O público predominante integra as camadas mais pobres da população. O ritmo naturalmente não é nativo, sendo de origem americana. O movimento em termos de cultura traz apenas alienação e degradação moral. Então de onde vem tamanho sucesso?
Infelizmente, nosso País, vive uma inversão de valores morais já de longa data. O famoso “jeitinho brasileiro”. E nossos problemas de infraestrutura, são históricos e não notamos melhorias que possam reverter este quadro. Ou seja, vivemos em um País extremamente rico, porém, inviável. Não existe esperança.
Todos comentam da corrupção instalada na política, porém, a corrupção e desonestidade é aceita em nossa sociedade e inclusive valorizada. Aceitamos pequenos furtos em supermercados, entre compradores de empresas públicas e privadas o termo ICMS (Incentivo ao Comprador Moderno e Sofisticado) é a norma reinante. O corruptor não é visto como criminoso, mas sim, como experto. Se meu carro é uma verdadeira “Nave” e eu moro em uma mansão e uso roupas caras. Todos querem ser meus amigos independentemente da origem de minha riqueza aparente. 
Ou seja, o homem simples trabalhador, estudioso, esforçado e honesto que não possui riqueza é tido como “otário”. As mulheres não precisam ser fieis, terem cultura, dignidade se forem “Gostosas”.
Na verdade, sob o meu ponto de vista, vivemos em uma ditadura velada. O Governo é fantoche dos verdadeiros Governantes Invisíveis. Nos tempos da Ditadura Militar eram os Americanos que ditavam nossa política. Hoje os Governantes Invisíveis não podem mais controlar a informação assim sendo, manipulam as massas de tal forma que, estas permaneçam alienadas da realidade, distanciadas da cultura pois assim eles podem usurpar os recursos naturais remanescentes. Sem que aja riscos de uma revolução popular.
Mesmo nos anos 60/70 onde inexplicavelmente surgia um movimento cultural que desejava mudar o mundo (A Contracultura), a Cultura reinante procurava enaltecer o outro lado, realçando a liberdade sexual, no sentido de amor livre, sem vínculos. Drogas Sexo e Rock & Roll. Perdia-se a beleza real do movimento e pregava-se a degradação da família. A família estruturada é a maior ameaça contra os Governantes Invisíveis. Famílias estruturadas podem difundir valores morais que se fixem às populações o que pode acabar constituindo uma Nação.
Uma Nação poderosa se constrói com costumes. E bons costumes superam as leis do Estado. Tomem como exemplo o Povo Judeu. Em Teoria Geral do Estado, vemos que os elementos constituintes do estado são: Nação, Território e Governo. A Nação Judaica sobreviveu por milênios sem território ou governo. Nós por outro lado sempre tivemos Território e Governo. Só nos falta a Nação. Aqui é cada um por si. O que importa é o indivíduo. Não existe coletivismo e por isso não existe futuro para o País.
Infelizmente esta realidade vai além do Brasil. Os verdadeiros dominantes usam da Globalização para desestruturarem as Nações. E essa tendência já é antiga. Veja que pensadores como Abraham Lincoln, John F. Kennedy e mesmo Lennon acabam assassinados pois este tipo de pessoas que pregam valores são extremamente perigosas. Ninguém quer outro Gandhi. O que O Governo Invisível precisa é de gente drogada alienada buscando viver o agora. Melhor manter o Povo nos Bailes Funk da vida do que em Universidades fazendo pesquisas que poderiam alterar o equilíbrio econômico mundial.  Não é mesmo?

domingo, 22 de novembro de 2015

Chico Anysio : O Maior Ator Brasileiro de Todos os Tempos !

Chico Anysio : o maior ator brasileiro de todos os tempos !

Um texto do novo colaborados FERNANDO BECKER.

Qual a definição mais justa para um grande ator ? Pra mim essa questão sempre teve uma resposta certeira : versatilidade . Grande ator é aquele que consegue encarnar QUALQUER TIPO HUMANO , em qualquer circunstância imaginável : um magnata , um mendigo , um velho , um adolescente , um bandido perigoso , um santo , um machão , um travesti . Não há barreiras para o grande ator ; ele está sempre apto a encarnar qualquer triste representante da fauna humana .

Entre os diversos atores que permeiam o universo das artes e espetáculos no Brasil , podemos destacar aqueles que atingem esse patamar de excelência , e também aqueles que são "instrumentistas de uma nota só" ( encarnam sempre o mesmo papel , com os mesmos trejeitos e entonações ) . No PRIMEIRO ESCALÃO , cito nomes como Ney Latorraca , Marco Nannini , Miguel Fallabella , Pedro Paulo Rangel , Matheus Nachtegaele : pra eles não há limites no universo da representação ; qualquer tipo humano é encarnado de forma visceral e apaixonada , sem preconceitos ou barreiras morais . No SEGUNDO ESCALÃO cito nomes como Lima Duarte , Tarcísio Meira , José Mayer e Paulo Autran ( esse já falecido , e estranhamente ENDEUSADO pela crítica especializada ) : encarnam sempre o mesmo papel , o DELES MESMOS ; tudo é sempre igual na atuação deles : o mesmo tom de voz ; os mesmos maneirismos ; a mesma linguagem corporal .

Porém a história da dramaturgia brasileira ( incluindo aí TODAS AS SUAS FORMAS DE REPRESENTAÇÃO : teatro , cinema , televisão ) tem um nome que está em um patamar isolado , merece um destaque especial dentre todos os demais : Chico Anysio . Ele mesmo , o grande humorista que por mais de meio século povoou o imaginário popular brasileiro com o mais rico painel de tipos humanos possíveis e imagináveis . Para Chico o ato de representar era praticamente umaCATARSE MEDIÚNICA : cada personagem tem sua própria voz e dicção ; cada um tem seu singular universo gestual ; é impossível confundir uns com os outros , e mais ainda identificá-los com a persona de seu genial criador . Durante muito tempo , não foram poucas as pessoas que pensavam que o Chico Anysio Show era representado por diversos atores distintos , sendo Chico Anysio apenas o  "mestre de cerimônias" que introduzia os telespectadores aos quadros de personagens que iriam começar ( prova viva da simbiose absoluta entre criador e criaturas , jamais alcançada por nenhum outro ator brasileiro , e provavelmente nem mesmo no resto do mundo ) .

Chico Anysio é GÊNIO ABSOLUTO pelo simples fato de ser impossível confundir suas criações umas com as outras ; cada tipo representa um universo único , umaENTIDADE VIVA ; personas como Painho Popó , Azambuja Alberto Roberto ,Roberval Taylor Qüem Qüem ,  Urubulino Canavieira Gastão ( dentre centenas de outras ! ) TÊM SUA VIDA PRÓPRIA , transcendem em muito as particularidades individuais do homem que as criou . Além disso , formam um rico painel humano da IDENTIDADE CULTURAL BRASILEIRA , e como já disse o cartunista Ziraldo em um artigo de alguns anos atrás , "fazem de Chico Anysio um dos maiores ficcionistas brasileiros de todos os tempos" 

Chico Anysio foi um talento único e irrepetível . Jamais teremos novamente um gênio de sua estatura no universo da dramaturgia e do humor . Doravante , sua obra será cada vez mais estudada e valorizada .