Buzina, um tormento a mais...texto de Luiz Domingues.
Muito se fala sobre o caos
dos engarrafamentos gigantescos no trânsito e também sobre o impacto
ambiental negativo que a brutal emissão de poluentes causa,
inevitavelmente.
Fala-se muito também (e com toda a razão), sobre
as questões que envolvem a condução dos veículos, principalmente a
absurda quantidade de irresponsáveis que dirigem embriagados, fora os
transgressores, que não respeitam as regras básicas do trânsito.
Hoje
trago como tema, outro um transtorno pouco citado, mas tão nocivo
quanto os demais, que arrolei acima : os excessos cometidos pelo uso
equivocado da buzina...
Parece uma piada, se formos considerar
como fato isolado, mas a realidade é outra, se levarmos em conta os
milhões de neuróticos transitando por aí e fazendo o pior uso possível
do instrumento.
Numa rápida constatação, é triste verificar que
as pessoas em geral tem a ideia errônea de que a buzina tem a mesma
função de uma campainha ou telefone. Para tais pessoas que usam a buzina
com essa função, fica a advertência de que estão equivocadas, pois é
evidente que a buzina não foi instalada nos automóveis, com essa
finalidade.
Pior, é achar que ela tem o poder de intimidação,
como se fosse uma palavra de ordem e imposição de uma pessoa sobre a
outra, denotando a prepotência de quem se acha poderoso dentro de sua
"arma" ambulante.
Existe também o uso pela euforia. Usam a buzina
como se fosse a melhor maneira de extravasar momentos de alegrias
pessoais. Geralmente associa-se o uso indiscriminado da buzina, para
comemorar conquistas esportivas, notadamente de clubes de futebol, e
inevitavelmente nos vem o clichê à cabeça : imagine na Copa...
Carreatas de cunho político, religioso e de motivações menos cotadas, também colaboram bastante nessa poluição sonora.
A
buzina como instrumento de galanteio, é outra modalidade bastante
acessada. Chamar a atenção das mulheres, usando a buzina, é prática
comum.
Como instrumento de impaciência, é então uma das maneiras
mais comuns de pressionar outros motoristas. O semáforo ainda está na
cor amarela e o cidadão colocado atrás, já aperta seu instrumento com
saúde, exigindo a arrancada de quem ainda espera o sinal verde.
No
período noturno, avançando pela madrugada, a insegurança pública é a
desculpa para não se respeitar os semáforos e aí, mesmo que haja perigo
de colisão ou atropelamento, você é advertido com bastante veemência,
pelos motoristas ao seu redor, para não parar, desrespeitando os sinais.
É
o tal negócio : se para, enfrenta a fúria do motorista que acha que
você o "atrapalha", mas também corre o risco da abordagem de bandidos.
Contudo, muito provavelmente a multa chegará em sua casa pela infração,
se houver câmera...
A questão da "Lei do Silêncio" é uma regra
pouco respeitada. Buzinas usadas sem parcimônia, agressivamente, ou por
autênticos idiotas ébrios, ecoam pelas madrugadas, pouco se importando
com a perturbação do sono das pessoas e diga-se de passagem, muito pelo
contrário, o objetivo é azucrinar, mesmo...
Hospitais, casas de
repouso de idosos, clínicas, creches, velório...nada disso importa aos
energúmenos de plantão, se resolvem apertar a buzina em seus respectivos
volantes.
No texto da Lei, é clara a atribuição da buzina. Basta ler o artigo 41 do Código Brasileiro de Trânsito.
Ela
é um item de segurança, que serve para advertir outro motorista ou
pedestres, sobre a iminência de um acidente, ou para anunciar uma
ultrapassagem, no caso de um ambiente pouco sinalizado, caso de pequenas
estradas vicinais, por exemplo. Somente isso...
E mesmo assim, o
uso é recomendado com certa "suavidade", dando toques rápidos e na
menor quantidade possível, muito diferente das animalescas buzinadas com
o punho apertando o volante com bastante ênfase, como geralmente
observamos nas ruas.
Diante de tantas irregularidades, parece que
o melhor caminho é o educacional, mas receio que o trabalho só surta
efeito a médio-longo prazo, se começarmos a educar as crianças com
noções de cidadania, respeito e civilidade, pois quanto aos buzinadores
"grandinhos', parece que não tem mais jeito...
Blog com grandes especialistas escolhidos a dedo , para escrever artigos e matérias sobre os mais variados assuntos. Tudo isso feito de uma forma diferente, polêmica e inovadora. Comunidade oficial no Orkut. Debates Interessantes. http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=34302522
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
Só Bom Senso não Basta.
Só Bom Senso não Basta, texto de Luiz Domingues.
Meses atrás, o Brasil viu uma enxurrada de manifestações populares, clamando por mudanças.
A pauta nem sempre foi clara e muita manipulação foi perpetrada por oportunistas de plantão, mas no seu âmago, o clamor parecia ter uma única raiz : mudanças...
Um dos mais monolíticos setores da sociedade, é o de organizações que regem os esportes, e notadamente o futebol.
As federações estaduais e a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), são entidades que trabalham numa linha conservadora, muito parecida com a condução que o Vaticano exerce no catolicismo.
A palavra "mudança" causa calafrios nos sisudos e conservadores senhores que organizam o futebol profissional no Brasil, aliás, um microcosmo do que acontece no planeta, através da condução maior da Fifa, o orgão máximo que comanda o futebol, mundialmente falando.
Eis que na onda das manifestações da metade de 2013, finalmente a classe dos jogadores de futebol resolveu se unir e reivindicar mudanças muito importantes na regulamentação da sua profissão.
Chamado de movimento "Bom Senso", tem em seu manifesto inicial, uma pauta de reivindicações que faz jus ao nome escolhido para a sua agremiação.
O primeiro ponto, é o excesso de jogos. Ora, mesmo gostando de futebol e querendo ver vários torneios ao ano, mesmo o mais radical dos torcedores há de convir que estamos vivendo um calendário absurdo, onde o excesso está gerando a possibilidade de muitos jogadores contundirem-se.
Outro ponto, é o horário dos jogos. Não é admissível jogar em certas regiões do país onde o calor é abrasador, em horários de sol a pique.
E de outro lado, não é mais possível que uma rede de TV tenha o monopólio total das transmissões ao vivo e nos jogos das quartas, determine que as partidas comecem no insalubre horário das 22:00 h, com seu término ultrapassando a meia-noite e tudo por conta de não abrir mão de exibir o capítulo da novela das "oito", que há anos, começa as "nove"...
O fato da arbitragem ser amadora e determinante nos resultados dos jogos, é outro ponto a ser mudado urgentemente. Como podem os senhores árbitros e assistentes, errarem tanto e darem de ombros, pelo simples fato da atividade ser considerada como um "hobby" ?
É muita irresponsabilidade ter uma arbitragem amadora influindo diretamente numa engrenagem que gera milhões, quiçá bilhões de reais.
Aquele golzinho injustamente anulado, pode determinar o rebaixamento de um grande clube e o senhor árbitro, que no dia seguinte ao jogo, vai trabalhar como bancário ou dentista, não faz ideia de quantas famílias vão passar por sérios apuros, com o clube tendo um prejuízo financeiro retumbante por uma queda de divisão.
Outra coisa, se olharmos os salários astronômicos dos grandes jogadores, parece até que não existem profissionais à mingua nessa atividade.
Imagine outra realidade, muito aquém do Neymar, Ronaldinho Gaúcho e seus poucos pares. Qual é o salário de um jogador de um time do interior do Maranhão, que atua na segunda divisão daquele estado ?
Nesses termos, a realidade no futebol é muitíssimo diferente do glamour da elite, mas no imaginário popular, fica a impressão de que todos nadam em dinheiro e querem menos jogos, porque são "vagabundos"...
As condições de trabalho, também estão na pauta do dia. Ainda falando no excesso de jogos, a total impossibilidade de se realizar pré-temporada antes dos campeonatos iniciarem-se, é uma prática abominável.
É na pré-temporada, feita no prazo adequado, que os atletas se preparam físicamente para encarar os campeonatos e sem essa preparação adequada, a possibilidade de terem lesões é enorme. Portanto, não é uma "frescura", como certos dirigentes arcaicos andam dizendo por aí.
E o direito a greve ? Por que o jogador de futebol tem que tolerar os desmandos dos clubes mal organizados e que atrasam salários ?
Enfim, são muitas as reivindicações e em sua maioria, muito justas.
Mudanças são importantes na estrutura do futebol e entre tantas, a mais importante é : o jogador tem o direito a ter sua opinião ouvida, e por décadas, o principal artista desse espetáculo, esteve amordaçado, sem direito de expressar-se.
Meses atrás, o Brasil viu uma enxurrada de manifestações populares, clamando por mudanças.
A pauta nem sempre foi clara e muita manipulação foi perpetrada por oportunistas de plantão, mas no seu âmago, o clamor parecia ter uma única raiz : mudanças...
Um dos mais monolíticos setores da sociedade, é o de organizações que regem os esportes, e notadamente o futebol.
As federações estaduais e a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), são entidades que trabalham numa linha conservadora, muito parecida com a condução que o Vaticano exerce no catolicismo.
A palavra "mudança" causa calafrios nos sisudos e conservadores senhores que organizam o futebol profissional no Brasil, aliás, um microcosmo do que acontece no planeta, através da condução maior da Fifa, o orgão máximo que comanda o futebol, mundialmente falando.
Eis que na onda das manifestações da metade de 2013, finalmente a classe dos jogadores de futebol resolveu se unir e reivindicar mudanças muito importantes na regulamentação da sua profissão.
Chamado de movimento "Bom Senso", tem em seu manifesto inicial, uma pauta de reivindicações que faz jus ao nome escolhido para a sua agremiação.
O primeiro ponto, é o excesso de jogos. Ora, mesmo gostando de futebol e querendo ver vários torneios ao ano, mesmo o mais radical dos torcedores há de convir que estamos vivendo um calendário absurdo, onde o excesso está gerando a possibilidade de muitos jogadores contundirem-se.
Outro ponto, é o horário dos jogos. Não é admissível jogar em certas regiões do país onde o calor é abrasador, em horários de sol a pique.
E de outro lado, não é mais possível que uma rede de TV tenha o monopólio total das transmissões ao vivo e nos jogos das quartas, determine que as partidas comecem no insalubre horário das 22:00 h, com seu término ultrapassando a meia-noite e tudo por conta de não abrir mão de exibir o capítulo da novela das "oito", que há anos, começa as "nove"...
O fato da arbitragem ser amadora e determinante nos resultados dos jogos, é outro ponto a ser mudado urgentemente. Como podem os senhores árbitros e assistentes, errarem tanto e darem de ombros, pelo simples fato da atividade ser considerada como um "hobby" ?
É muita irresponsabilidade ter uma arbitragem amadora influindo diretamente numa engrenagem que gera milhões, quiçá bilhões de reais.
Aquele golzinho injustamente anulado, pode determinar o rebaixamento de um grande clube e o senhor árbitro, que no dia seguinte ao jogo, vai trabalhar como bancário ou dentista, não faz ideia de quantas famílias vão passar por sérios apuros, com o clube tendo um prejuízo financeiro retumbante por uma queda de divisão.
Outra coisa, se olharmos os salários astronômicos dos grandes jogadores, parece até que não existem profissionais à mingua nessa atividade.
Imagine outra realidade, muito aquém do Neymar, Ronaldinho Gaúcho e seus poucos pares. Qual é o salário de um jogador de um time do interior do Maranhão, que atua na segunda divisão daquele estado ?
Nesses termos, a realidade no futebol é muitíssimo diferente do glamour da elite, mas no imaginário popular, fica a impressão de que todos nadam em dinheiro e querem menos jogos, porque são "vagabundos"...
As condições de trabalho, também estão na pauta do dia. Ainda falando no excesso de jogos, a total impossibilidade de se realizar pré-temporada antes dos campeonatos iniciarem-se, é uma prática abominável.
É na pré-temporada, feita no prazo adequado, que os atletas se preparam físicamente para encarar os campeonatos e sem essa preparação adequada, a possibilidade de terem lesões é enorme. Portanto, não é uma "frescura", como certos dirigentes arcaicos andam dizendo por aí.
E o direito a greve ? Por que o jogador de futebol tem que tolerar os desmandos dos clubes mal organizados e que atrasam salários ?
Enfim, são muitas as reivindicações e em sua maioria, muito justas.
Mudanças são importantes na estrutura do futebol e entre tantas, a mais importante é : o jogador tem o direito a ter sua opinião ouvida, e por décadas, o principal artista desse espetáculo, esteve amordaçado, sem direito de expressar-se.
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
Mobilidade Urbana.
Mobilidade Urbana, texto de Luiz Domingues.
Muito se tem falado sobre o estrangulamento do trânsito nas megacidades, mas a verdade é que esse problema já se espalha também por cidades de menor porte.
A falta de investimentos maciços em transporte público, por parte dos governantes, aliado aos interesses da indústria automobilística, sem dúvida que são fatores que impulsionam esse colapso.
Em diversas outras matérias que escrevi, abordando nuances dessa problemática, sempre deixei cravada a opinião de que uma ação isolada não resolve um nó dessa magnitude.
O investimento maciço no metrô, parece ser a medida número um nessa equação, mas como já salientei, não é a única.
O apoio de uma integração com os trens de subúrbio, é necessário e não descarto a existência dos aerotrens, fazendo interligações inteligentes interbairros.
Nada disso basta, pois não podemos abrir mão dos ônibus tradicionais e para tanto, a experiência da abertura de corredores exclusivos, com a possibilidade de tais veículos andarem mais rapidamente, é fundamental.
Nesse quesito, a prefeitura de São Paulo tem agido corretamente em forjar tal prática, ainda que tenha gerado alguns transtornos inevitáveis no processo de implantação. Numa cidade gigantesca como São Paulo, parece inevitável que qualquer medida que se tome, pode desagradar um grupo de pessoas, mas não tenho dúvida que corredor exclusivo, é imprescindível.
A experiência de cidades como Bogotá, na Colômbia e a Cidade do México, capital do país asteca, tem que ser usada como exemplo, onde os corredores tem centenas de KMs, em apoio ao Metrô.
Sobre a questão das ciclovias, também já falei bastante e tem muito ciclista que não entende certas colocações de minha parte. Já deixei muito bem explicado, mas reitero : Acho que o incentivo à prática do ciclismo urbano, tem que ser total por parte do poder público, desde que se criem ciclovias seguras e muito bem sinalizadas.
Mas deixo a ressalva de que os ciclistas precisam urgentemente conhecer a regulamentação que lhes cabe dentro do Código Brasileiro de Trânsito. Não respeitar os sinais básicos de trânsito, como o semáforo; indicação de faixa de segurança para pedestres e circular sobre calçadas, é abominável como conduta de civilidade, cidadania e respeito ao próximo.
Outra questão que defendo com ênfase, é o incentivo ao uso dos táxis. Se a tarifa do táxi fosse mais convidativa, quantos carros particulares não sairiam das ruas ?
Em conversa com taxistas amigos, sei que a reivindicação deles por melhores condições de trabalho, passa além da redução do preço dos combustíveis para a categoria, e dos impostos na hora da aquisição do carro novo. Para poder abaixar a tarifa, defendem um programa de auxílio manutenção.
Convenhamos, o desgaste de um táxi vai muito além do carro particular de passeio e não acho absurda a reivindicação deles, pelo contrário.
O governo que mais se preocupa em arrecadar com a obrigação da inspeção veicular, poderia bem usar essa estrutura montada para arrancar dinheiro extra dos proprietários de veículos (é bem sabido que o IPVA já deveria garantir essa inspeção, não é mesmo ?), dando suporte mecânico mais em conta para os taxistas.
Outra medida que poderia funcionar, é a da proibição sumária de tráfico de veículos particulares por ruas do centro da cidade, com a volta dos bondes urbanos.
Se os bondes nunca deixaram de funcionar, e pelo contrário, são funcionais e charmosos em cidades europeias, não vejo por que não poderiam voltar a operar em percursos de pequeno porte e desafogando assim as entupidas ruas do centro, de cidades como Rio e São Paulo, só para citar duas que estão caóticas pelo acúmulo de carros nas ruas.
A verdade é uma só : Se o transporte público fosse abundante e de qualidade, muita gente deixaria o carro particular na garagem e só o usaria para passeio no final de semana.
Se não o fazem, é porque querem evitar o sufoco de serem espremidos como sardinhas dentro da lata.
Se conseguem sentar-se decentemente, com limpeza e iluminação adequada, sinalização e sobretudo com abundância de opções e tudo sem esperas descomunais, as pessoas perderiam o receio de usar o transporte público.
Mas aí...a indústria automobilística não iria gostar muito de vender menos carros, e como um efeito dominó, ameaçariam demitir funcionários das montadoras. O governo corre para socorrer a indústria e não vai querer queda da taxa de empregos e consumo. Políticos não vão gostar de ter corte de verbas para suas campanhas eleitorais...
É como a velha propaganda daquele biscoito/bolacha : "Vende mais porque é mais fresquinho, ou é mais fresquinho justamente por vender mais" ?
Muito se tem falado sobre o estrangulamento do trânsito nas megacidades, mas a verdade é que esse problema já se espalha também por cidades de menor porte.
A falta de investimentos maciços em transporte público, por parte dos governantes, aliado aos interesses da indústria automobilística, sem dúvida que são fatores que impulsionam esse colapso.
Em diversas outras matérias que escrevi, abordando nuances dessa problemática, sempre deixei cravada a opinião de que uma ação isolada não resolve um nó dessa magnitude.
O investimento maciço no metrô, parece ser a medida número um nessa equação, mas como já salientei, não é a única.
O apoio de uma integração com os trens de subúrbio, é necessário e não descarto a existência dos aerotrens, fazendo interligações inteligentes interbairros.
Nada disso basta, pois não podemos abrir mão dos ônibus tradicionais e para tanto, a experiência da abertura de corredores exclusivos, com a possibilidade de tais veículos andarem mais rapidamente, é fundamental.
Nesse quesito, a prefeitura de São Paulo tem agido corretamente em forjar tal prática, ainda que tenha gerado alguns transtornos inevitáveis no processo de implantação. Numa cidade gigantesca como São Paulo, parece inevitável que qualquer medida que se tome, pode desagradar um grupo de pessoas, mas não tenho dúvida que corredor exclusivo, é imprescindível.
A experiência de cidades como Bogotá, na Colômbia e a Cidade do México, capital do país asteca, tem que ser usada como exemplo, onde os corredores tem centenas de KMs, em apoio ao Metrô.
Sobre a questão das ciclovias, também já falei bastante e tem muito ciclista que não entende certas colocações de minha parte. Já deixei muito bem explicado, mas reitero : Acho que o incentivo à prática do ciclismo urbano, tem que ser total por parte do poder público, desde que se criem ciclovias seguras e muito bem sinalizadas.
Mas deixo a ressalva de que os ciclistas precisam urgentemente conhecer a regulamentação que lhes cabe dentro do Código Brasileiro de Trânsito. Não respeitar os sinais básicos de trânsito, como o semáforo; indicação de faixa de segurança para pedestres e circular sobre calçadas, é abominável como conduta de civilidade, cidadania e respeito ao próximo.
Outra questão que defendo com ênfase, é o incentivo ao uso dos táxis. Se a tarifa do táxi fosse mais convidativa, quantos carros particulares não sairiam das ruas ?
Em conversa com taxistas amigos, sei que a reivindicação deles por melhores condições de trabalho, passa além da redução do preço dos combustíveis para a categoria, e dos impostos na hora da aquisição do carro novo. Para poder abaixar a tarifa, defendem um programa de auxílio manutenção.
Convenhamos, o desgaste de um táxi vai muito além do carro particular de passeio e não acho absurda a reivindicação deles, pelo contrário.
O governo que mais se preocupa em arrecadar com a obrigação da inspeção veicular, poderia bem usar essa estrutura montada para arrancar dinheiro extra dos proprietários de veículos (é bem sabido que o IPVA já deveria garantir essa inspeção, não é mesmo ?), dando suporte mecânico mais em conta para os taxistas.
Outra medida que poderia funcionar, é a da proibição sumária de tráfico de veículos particulares por ruas do centro da cidade, com a volta dos bondes urbanos.
Se os bondes nunca deixaram de funcionar, e pelo contrário, são funcionais e charmosos em cidades europeias, não vejo por que não poderiam voltar a operar em percursos de pequeno porte e desafogando assim as entupidas ruas do centro, de cidades como Rio e São Paulo, só para citar duas que estão caóticas pelo acúmulo de carros nas ruas.
A verdade é uma só : Se o transporte público fosse abundante e de qualidade, muita gente deixaria o carro particular na garagem e só o usaria para passeio no final de semana.
Se não o fazem, é porque querem evitar o sufoco de serem espremidos como sardinhas dentro da lata.
Se conseguem sentar-se decentemente, com limpeza e iluminação adequada, sinalização e sobretudo com abundância de opções e tudo sem esperas descomunais, as pessoas perderiam o receio de usar o transporte público.
Mas aí...a indústria automobilística não iria gostar muito de vender menos carros, e como um efeito dominó, ameaçariam demitir funcionários das montadoras. O governo corre para socorrer a indústria e não vai querer queda da taxa de empregos e consumo. Políticos não vão gostar de ter corte de verbas para suas campanhas eleitorais...
É como a velha propaganda daquele biscoito/bolacha : "Vende mais porque é mais fresquinho, ou é mais fresquinho justamente por vender mais" ?
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
A Bolívia é Logo Aí.
A Bolívia é o país mais pobre da América do Sul, e um dos mais carentes do mundo.
Suas riquezas naturais, mal suprem as necessidades básicas de seu povo, e chega a ser engraçada a reação de algumas pessoas que esbravejaram, quando o seu atual presidente tomou medidas radicais para valorizar uma das únicas fontes de renda daquele país, o seu gás, anteriormente comercializado abaixo do "preço de banana".
Com uma população de mais de 95 % formada por etnia indígena, a Bolívia foi governada em quase toda a sua história até aqui, pela minoria caucasiana de sua população, com um tipo de domínio que acintosamente não prestigiava os interesses da sua imensa maioria da população, infelizmente.
Diante de tais circunstâncias dramáticas, era natural que sua população se tornasse migrante, buscando melhores condições de vida nos países vizinhos mais abastados.
Num primeiro instante, Argentina e Uruguai eram os destinos mais procurados pela possibilidade de uma adaptação mais amena, levando-se em consideração o uso comum da lingua castelaña, como legado da colonização espanhola, em comum entre tais nações.
Mas, aos poucos, o Brasil começou a ser uma opção melhor, por conta das oportunidades de empregos, moeda mais forte, estabilidade da democracia se consolidando, e um fator extra, a típica reação de simpatia do brasileiro para com estrangeiros, coisa que na Argentina, por exemplo, era um empecilho, muito pelo contrário.
Nos anos 1980, o fluxo de bolivianos aumentou consideravelmente, mas foi a partir dos anos noventa, que os bolivianos começaram a ficar mais visíveis na sociedade brasileira, notadamente nos estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo.
No caso da capital paulista, o fluxo foi aumentando de tal maneira, que o assentamento desse contingente passou a ocupar bairros inteiros, provocando a geração de oportunidades de trabalho para suprir as necessidades de tal comunidade.
Comércio e serviços direcionados aos bolivianos, podem ser vistos aos montes em bairros como Bom Retiro, Pari, Brás, Canindé e Belenzinho, com placas escritas em castelaño por todos os lados.
Existe inclusive a famosa feira dominical no bairro do Canindé, próximo ao estádio da Portuguesa de Desportos, que cresceu tanto, que é uma atração cultural muito legal da cultura desse povo.
Todavia, nem tudo são flores para essa população imigrante. Por muitos anos, a maioria dessas pessoas veio ao Brasil, em condições inóspitas, para submeterem-se à condições degradantes de trabalho e subsistência.
Geralmente trabalhando no ramo têxtil, a maioria trabalhou por anos a fio em regime de semi-escravidão, sem documentos oficiais de permanência e tampouco permissão de trabalho no Brasil.
E por estarem na ilegalidade, eram explorados por pessoas inescrupulosas, que os amontoavam em cubículos insalubres, trabalhando por até 16 horas por dia e lhes repassando um salário abaixo do salário mínimo, e lhes cobrando suas despesas pessoais, de maneira que num círculo vicioso, jamais conseguissem se libertar, e ter o direito de ter documentos em ordem, e consequentemente, poderem aspirar colocações melhores no mercado de trabalho, e sobretudo, uma condição de vida, digna.
Aos poucos, a pressão popular, mais os esforços da Polícia Federal, Ministério do Trabalho e das Relações Exteriores, mais Embaixada e Consulados da Bolívia no Brasil, foram desbaratando quadrilhas que exploravam esses imigrantes.
Digno de nota, também é o esforço de organizações não governamentais que atuam com bastante contundência na defesa de imigrantes com dificuldades prementes, no Brasil.
Os números oficias do IBGE e da Embaixada boliviana, não refletem a realidade da população boliviana no Brasil, justamente pelo fato da sua imensa maioria estar clandestina por aqui.
Segundo estimativas, só na cidade de São Paulo, existe uma população de cerca de 400 mil bolivianos residentes.
Ora, é quase a população de uma cidade de grande porte, como São José do Rio Preto (SP), ou Juiz de Fora (MG), para citar só dois exemplos de ótimas cidades interioranas do Brasil.
Basta ficar por alguns minutos na rodoviária da Barra Funda, em São Paulo (para quem não conhece São Paulo, esclareço que existem três rodoviárias na cidade, e esta da Barra Funda, recebe ônibus que vem de cidades do oeste do estado, e de estados do centro-oeste brasileiro), para comprovar que não param de chegar ônibus lotados de famílias bolivianas, diariamente.
Tenho muito respeito e simpatia por esses imigrantes, e indo além, sensibiliza-me a sua vontade de buscar o Brasil para ter melhores condições de vida.
Em sua esmagadora maioria, são pessoas humildes, trabalhadoras e muito pacatas. A índole do boliviano é da melhor qualidade, e acho que são merecedores do nosso apoio.
Ainda estamos longe de erradicarmos o trabalho escravo a que muitos estão submetidos, mas faço votos de que isso acabe, e esse povo possa viver em paz, trabalhando e vivendo com dignidade.
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Prazer e Dor.
Prazer e Dor, texto de Luiz Domingues.
A questão da alimentação vegetariana, versus hábitos carnívoros da maioria das pessoas, sempre gerou controvérsia.
A despeito do movimento vegetariano ter crescido vertiginosamente nos últimos anos, ainda existe um escárnio por parte de não adeptos desse tipo de alimentação.
Não faz muito tempo, havia um comercial de TV que ironizava desdenhosamente os vegetarianos, reduzindo-os à idiotas, em detrimento dos carnívoros convictos, que estes sim, tinham uma vida saudável e feliz, justamente por estarem alimentados por proteínas animais.
Um pseudo "Guru", pálido e de voz monocórdica, dizia ser feliz por alimentar-se de "brotos de bambu", contrastando com a imagem de jovens bonitos e bem vestidos, jantando numa churrascaria.
Sem dúvida, um golpe muito baixo, ou no mínimo "deselegante", como diria aquela jornalista da TV...
Bem, embora seja vegetariano, jamais fui "militante da causa".
Apenas não consumo carne na minha alimentação, abstendo-me de qualquer ação no sentido de tentar "convencer" outras pessoas de que o meu hábito é mais "saudável", mais "humano" em relação à crueldade perpetrada contra os animais etc etc.
Posto isso (tomo esse cuidado porque jamais escrevi sobre esse tema anteriormente, e tenho uma certa bronca de radicalismos por parte de adeptos do vegetarianismo), chamou-me a atenção o fato de que a Câmara Municipal de São Paulo, acaba de aprovar uma Lei que está gerando bastante polêmica, mesmo com a ressalva de que o prefeito ainda tem o poder de veto final, e convenhamos, será bastante pressionado pelo setor que será prejudicado diretamente se a Lei for sancionada.
Estará proibida a comercialização de "Foie Gras" nos restaurantes da cidade, e venda no comércio.
Ora, uma Lei radical desse porte, prejudica uma infinidade de pessoas. A começar pelos restaurantes de culinária francesa, que são inúmeros em São Paulo, amplificando-se na rede de comércio que lida com tal produto, e evidentemente, sua cadeia produtiva primordial, os criadores de patos e gansos.
Essa iguaria, o Foie Gras, é um alimento que remonta à remota antiguidade. Há registros de seu consumo, datados de 2500 anos antes de Cristo.
Os romanos, chamavam a iguaria de "iecur figatum", que significa "fígado engordado com figo". Era uma alusão ao fato de que o fígado de patos, gansos e marrecos, ao serem inchados pelo hiper consumo de figos, tornavam-se saturados de gordura natural, portanto, muito mais saborosos, e amanteigados, segundo os gourmets.
Tal hábito solidificou-se Idade Média adiante, e tornou-se um ícone da culinária francesa, portanto associado à uma aura de alimentação sofisticada.
Na prática, o Foie Gras é o fígado dessas citadas aves, adulteradas por uma hiper alimentação. Nessa disfunção hormonal advinda dessa prática cruel, o objetivo é alcançado quando o fígado satura-se de gordura, tornando-o mais "apetitoso".
Ora, para que o fígado desses animais chegue nesse estágio, a alimentação forçada a que essas aves são submetidas, não é nada agradável.
Inacreditável o mal estar que lhes é impingido nesse processo, tornando sua vida um martírio.
E sem intenção de fazer afirmações panfletárias, mas inevitavelmente o fazendo, a pergunta é : que vida ?
Se tais aves são encaradas meramente como um produto de consumo, que preocupação teriam em lhes proporcionar bem estar, e a perspectiva de uma vida feliz na natureza, com direito à uma morte natural ? O que o empresário ganha com isso ?
A discussão é ampla, eu sei. Não vou perder tempo para falar de outras práticas cruéis perpetradas contra outras espécies, para não perder o foco, embora a raiz seja a mesma...
Em 2004, o governador da California, Arnold Schwarzenegger, proibiu o consumo de Foi Gras obtido com métodos cruéis, nesse estado.
Leis semelhantes estão em vigor em 15 países, a maioria da Europa, com excessão de Argentina e Israel, signatários da mesma causa.
Os produtores alegam que é da natureza das aves, armazenarem alimentos. Outro argumento que usam para se defender, é que a elasticidade natural da garganta deles, faz com que o método de empurrarem uma carga impressionante de alimentos goela abaixo, não lhes incomoda, pois não sentem ânsia. Será ??
Bem, há muito o que evoluir nessa relação homem-animal. Reconhecer que os animais são seres vivos, e embora não tenham a sofisticação do raciocínio dos humanos, sentem dor, angústia e medo, talvez seja um primeiro passo.
Dá para viver se alimentando de outras fontes da natureza, sem ter que recorrer às visceras dos animais ? Claro que sim, e o vegetarianismo está em expansão geométrica no mundo, provando tal preceito.
Portanto, embora muita gente esteja profundamente indignada e sentindo-se prejudicada (claro que vão ser mesmo, nesses termos), parece que a Lei proposta pelos vereadores de São Paulo, tem um sentido libertário, além dos hábitos alimentares arraigados desde a antiguidade.
A questão da alimentação vegetariana, versus hábitos carnívoros da maioria das pessoas, sempre gerou controvérsia.
A despeito do movimento vegetariano ter crescido vertiginosamente nos últimos anos, ainda existe um escárnio por parte de não adeptos desse tipo de alimentação.
Não faz muito tempo, havia um comercial de TV que ironizava desdenhosamente os vegetarianos, reduzindo-os à idiotas, em detrimento dos carnívoros convictos, que estes sim, tinham uma vida saudável e feliz, justamente por estarem alimentados por proteínas animais.
Um pseudo "Guru", pálido e de voz monocórdica, dizia ser feliz por alimentar-se de "brotos de bambu", contrastando com a imagem de jovens bonitos e bem vestidos, jantando numa churrascaria.
Sem dúvida, um golpe muito baixo, ou no mínimo "deselegante", como diria aquela jornalista da TV...
Bem, embora seja vegetariano, jamais fui "militante da causa".
Apenas não consumo carne na minha alimentação, abstendo-me de qualquer ação no sentido de tentar "convencer" outras pessoas de que o meu hábito é mais "saudável", mais "humano" em relação à crueldade perpetrada contra os animais etc etc.
Posto isso (tomo esse cuidado porque jamais escrevi sobre esse tema anteriormente, e tenho uma certa bronca de radicalismos por parte de adeptos do vegetarianismo), chamou-me a atenção o fato de que a Câmara Municipal de São Paulo, acaba de aprovar uma Lei que está gerando bastante polêmica, mesmo com a ressalva de que o prefeito ainda tem o poder de veto final, e convenhamos, será bastante pressionado pelo setor que será prejudicado diretamente se a Lei for sancionada.
Estará proibida a comercialização de "Foie Gras" nos restaurantes da cidade, e venda no comércio.
Ora, uma Lei radical desse porte, prejudica uma infinidade de pessoas. A começar pelos restaurantes de culinária francesa, que são inúmeros em São Paulo, amplificando-se na rede de comércio que lida com tal produto, e evidentemente, sua cadeia produtiva primordial, os criadores de patos e gansos.
Essa iguaria, o Foie Gras, é um alimento que remonta à remota antiguidade. Há registros de seu consumo, datados de 2500 anos antes de Cristo.
Os romanos, chamavam a iguaria de "iecur figatum", que significa "fígado engordado com figo". Era uma alusão ao fato de que o fígado de patos, gansos e marrecos, ao serem inchados pelo hiper consumo de figos, tornavam-se saturados de gordura natural, portanto, muito mais saborosos, e amanteigados, segundo os gourmets.
Tal hábito solidificou-se Idade Média adiante, e tornou-se um ícone da culinária francesa, portanto associado à uma aura de alimentação sofisticada.
Na prática, o Foie Gras é o fígado dessas citadas aves, adulteradas por uma hiper alimentação. Nessa disfunção hormonal advinda dessa prática cruel, o objetivo é alcançado quando o fígado satura-se de gordura, tornando-o mais "apetitoso".
Ora, para que o fígado desses animais chegue nesse estágio, a alimentação forçada a que essas aves são submetidas, não é nada agradável.
Inacreditável o mal estar que lhes é impingido nesse processo, tornando sua vida um martírio.
E sem intenção de fazer afirmações panfletárias, mas inevitavelmente o fazendo, a pergunta é : que vida ?
Se tais aves são encaradas meramente como um produto de consumo, que preocupação teriam em lhes proporcionar bem estar, e a perspectiva de uma vida feliz na natureza, com direito à uma morte natural ? O que o empresário ganha com isso ?
A discussão é ampla, eu sei. Não vou perder tempo para falar de outras práticas cruéis perpetradas contra outras espécies, para não perder o foco, embora a raiz seja a mesma...
Em 2004, o governador da California, Arnold Schwarzenegger, proibiu o consumo de Foi Gras obtido com métodos cruéis, nesse estado.
Leis semelhantes estão em vigor em 15 países, a maioria da Europa, com excessão de Argentina e Israel, signatários da mesma causa.
Os produtores alegam que é da natureza das aves, armazenarem alimentos. Outro argumento que usam para se defender, é que a elasticidade natural da garganta deles, faz com que o método de empurrarem uma carga impressionante de alimentos goela abaixo, não lhes incomoda, pois não sentem ânsia. Será ??
Bem, há muito o que evoluir nessa relação homem-animal. Reconhecer que os animais são seres vivos, e embora não tenham a sofisticação do raciocínio dos humanos, sentem dor, angústia e medo, talvez seja um primeiro passo.
Dá para viver se alimentando de outras fontes da natureza, sem ter que recorrer às visceras dos animais ? Claro que sim, e o vegetarianismo está em expansão geométrica no mundo, provando tal preceito.
Portanto, embora muita gente esteja profundamente indignada e sentindo-se prejudicada (claro que vão ser mesmo, nesses termos), parece que a Lei proposta pelos vereadores de São Paulo, tem um sentido libertário, além dos hábitos alimentares arraigados desde a antiguidade.
sábado, 26 de outubro de 2013
Gás, Crueldade e Covardia.
Gás, Crueldade e Covardia, texto de Luiz Domingues.
Assunto controverso, é a questão da ética nas guerras.
Pois é, se existe ética dentro da insanidade que é uma guerra, é louvável que haja no mínimo esse esforço humanitário para estabelecer regras de conduta, minimizando assim os abusos.
Contudo, é quase impossível coibir tais abusos, tendo em conta que em conflitos dramáticos desse porte, não há tempo para focar em tais atos, arrolar provas, sensibilizar a opinião pública etc.
Com mortes, mutilações por todos os lados, como fazer para reparar as atrocidades cometidas no calor dos embates ?
Já na Idade Média, São Tomás de Aquino dizia que uma guerra só é válida se o motivo for muito justo. Sim, parece óbvio, mas no seu significado filosófico, existe uma profundidade nessa colocação.
Mais próximo de nós, um suiço chamado Henri Dunant, criou a Primeira Convenção de Genebra, em 1863, estabelecendo regras para os conflitos bélicos.
Seguiu-se à esse documento, outras Convenções de Genebra, até a última, de 1977, com regras para a conduta militar; trato com prisioneiros; ações da cruz vermelha, e principalmente no resguardo das populações civis, durante conflitos militares.
Um baita avanço da civilização, não vou negar, mas olhando pelo viés da realidade nua e crua, o ideal é que não existam conflitos, simples assim...
No início do século XIX, foi criado em laboratório, o chamado "Gás Iperita", ou "Gás de Mostarda".
Sua ação devastadora, provoca queimaduras terríveis na pele, e causa asfixia letal, "só isso"...
Alguns anos depois, no calor da I Guerra Guerra Mundial, o Gás de Mostarda dizimou milhares de soldados nas trincheiras daquele conflito, que se arvorava de ser "a guerra que acabaria com todas as "guerras"...
Proibido pela Convenção de Genebra, não eliminou a possibilidade no entanto, de outros gases serem usados na II Guerra Mundial.
O exército japonês, por exemplo, mantinha o terrível laboratório denominado "731", onde seus cientistas trabalhavam a todo vapor, na criação de outras modalidades gasosas, e de poder letal ainda maior.
Infelizmente, a nobre Convenção de Genebra não evitou que os americanos usassem o terrível agente laranja, um herbicida letal e devastador, sobre a população do Vietnam, no conflito dos anos sessenta e setenta.
Na terrível guerra Irã-Iraque, em 1980, armas químicas foram usadas com profusão, numa desumanidade sem tamanho.
A onda de terrorismo criou o medo bacteriológico do agente Antraz. Você recebe uma cartinha pelo correio, abre, e se contamina com uma guarnição paramilitar de micróbios ultra violentos...legal, não é ?
Israel vive em alerta sobre ataques desse porte, e a população é treinada desde a tenra infância, para se proteger com o uso de máscaras etc.
Recentemente, vimos cenas dramáticas no jornalismo, mostrando crianças estrebuchando, literalmente, em plena agonia de morte, após um ataque de Gás Sarin, na Síria.
Confesso, foi uma das coisas mais cruéis e comoventes que vi na vida, tal cena inacreditável de crianças de cinco, seis anos de idade, morrendo daquela forma, só porque cometeram o deslize de acordar naquela manhã e irem para a escola.
Conflitos envolvem ações radicais de quem se sente prejudicado e ofendido; Se o conflito militar é inevitável, existem regras, tentando garantir um mínimo de resguardo para a população civil, e a dignidade dos soldados.
E dentro dessa tentativa de minimizar o horror, onde fica a ética na questão do uso de gases letais ?
Qual a justificativa para lançar gás Sarin sobre uma escola, e matar dezenas de crianças pequenas ?
É de uma canalhice sem precedentes, sem maiores comentários.
Assunto controverso, é a questão da ética nas guerras.
Pois é, se existe ética dentro da insanidade que é uma guerra, é louvável que haja no mínimo esse esforço humanitário para estabelecer regras de conduta, minimizando assim os abusos.
Contudo, é quase impossível coibir tais abusos, tendo em conta que em conflitos dramáticos desse porte, não há tempo para focar em tais atos, arrolar provas, sensibilizar a opinião pública etc.
Com mortes, mutilações por todos os lados, como fazer para reparar as atrocidades cometidas no calor dos embates ?
Já na Idade Média, São Tomás de Aquino dizia que uma guerra só é válida se o motivo for muito justo. Sim, parece óbvio, mas no seu significado filosófico, existe uma profundidade nessa colocação.
Mais próximo de nós, um suiço chamado Henri Dunant, criou a Primeira Convenção de Genebra, em 1863, estabelecendo regras para os conflitos bélicos.
Seguiu-se à esse documento, outras Convenções de Genebra, até a última, de 1977, com regras para a conduta militar; trato com prisioneiros; ações da cruz vermelha, e principalmente no resguardo das populações civis, durante conflitos militares.
Um baita avanço da civilização, não vou negar, mas olhando pelo viés da realidade nua e crua, o ideal é que não existam conflitos, simples assim...
No início do século XIX, foi criado em laboratório, o chamado "Gás Iperita", ou "Gás de Mostarda".
Sua ação devastadora, provoca queimaduras terríveis na pele, e causa asfixia letal, "só isso"...
Alguns anos depois, no calor da I Guerra Guerra Mundial, o Gás de Mostarda dizimou milhares de soldados nas trincheiras daquele conflito, que se arvorava de ser "a guerra que acabaria com todas as "guerras"...
Proibido pela Convenção de Genebra, não eliminou a possibilidade no entanto, de outros gases serem usados na II Guerra Mundial.
O exército japonês, por exemplo, mantinha o terrível laboratório denominado "731", onde seus cientistas trabalhavam a todo vapor, na criação de outras modalidades gasosas, e de poder letal ainda maior.
Infelizmente, a nobre Convenção de Genebra não evitou que os americanos usassem o terrível agente laranja, um herbicida letal e devastador, sobre a população do Vietnam, no conflito dos anos sessenta e setenta.
Na terrível guerra Irã-Iraque, em 1980, armas químicas foram usadas com profusão, numa desumanidade sem tamanho.
A onda de terrorismo criou o medo bacteriológico do agente Antraz. Você recebe uma cartinha pelo correio, abre, e se contamina com uma guarnição paramilitar de micróbios ultra violentos...legal, não é ?
Israel vive em alerta sobre ataques desse porte, e a população é treinada desde a tenra infância, para se proteger com o uso de máscaras etc.
Recentemente, vimos cenas dramáticas no jornalismo, mostrando crianças estrebuchando, literalmente, em plena agonia de morte, após um ataque de Gás Sarin, na Síria.
Confesso, foi uma das coisas mais cruéis e comoventes que vi na vida, tal cena inacreditável de crianças de cinco, seis anos de idade, morrendo daquela forma, só porque cometeram o deslize de acordar naquela manhã e irem para a escola.
Conflitos envolvem ações radicais de quem se sente prejudicado e ofendido; Se o conflito militar é inevitável, existem regras, tentando garantir um mínimo de resguardo para a população civil, e a dignidade dos soldados.
E dentro dessa tentativa de minimizar o horror, onde fica a ética na questão do uso de gases letais ?
Qual a justificativa para lançar gás Sarin sobre uma escola, e matar dezenas de crianças pequenas ?
É de uma canalhice sem precedentes, sem maiores comentários.
terça-feira, 8 de outubro de 2013
O Motor de Detroit Pifou.
O Motor de Detroit Pifou, texto de Luiz Domingues.
Entre tantos ícones culturais americanos, sem dúvida que o automóvel ocupa um lugar de alto destaque.
E nessa iconografia, a cidade de Detroit teve papel importante, por concentrar a maior parte da produção nacional, algo parecido com o que a região do ABC paulista já representou para o Brasil, nesse quesito, mas numa proporção muitíssimo maior.
Fundada pelos franceses no início do século XVIII, tem no seu nome, uma adaptação para o inglês, de seu nome original : "Fort Ponchartrain du D'Etroit", onde se entende "Etroit", em francês, como "estreito".
Era uma cidade comum, do estado do Michigan, fazendo fronteira com o Canadá, até que no avançar do século XX, a indústria automobilística se tornasse gigantesca, ali.
Nesses anos de ouro, principalmente nas décadas de cinquenta e sessenta, a cidade observou um fenômeno interessante.
Por conta desse volume de recursos advindos dessa bonança da indústria, houve um boom imobiliário na direção de subúrbios próximos, e dessa forma, o centro da cidade, foi se tornando inóspito e sombrio.
Enquanto o subúrbio tinha ares de Beverly Hills, a cidade foi se tornando cinzenta, e dando margem assim, ao aumento de violência urbana, formação de gangs de vândalos etc.
Por outro lado, Detroit teve na música, momentos de prosperidade e qualidade artística, memoráveis.
A gravadora Motown, ali estabelecida, tinha no seu cast, a fina flor da Black Music, com grandes artistas da cena do Rhythm and Blues; Soul e Funk.
Aliás, o nome "Motown", era um neologismo de "Mo", de motor (uma alusão à vocação da cidade de Detroit), e "Town", literalmente, "cidade".
No campo do Rock, Detroit também foi berço de muitos artistas que se tornariam mundialmente conhecidos. Alice Cooper, Ted Nugent, The Stooges e MC5, estão entre os mais significativos, além do próprio Grand Funk Railroad, que era de uma cidade próxima, Flint.
No caso do MC5, muitas das letras de suas canções, refletiam claramente o ambiente de Detroit, com seu cinza e as multidões de operários.
Mas veio a crise do petróleo em 1973, e ainda que imperceptível naquele momento, Detroit começava um sutil processo de decadência, que ficou acentuado, só na segunda metade daquela década, quando começaram a entrar mo mercado americano, os carros japoneses, com muita força e preços imbatíveis.
Arrastando-se nessa perspectiva, a cidade foi decaindo e quando a grande crise de 2008, instaurou-se com força, Detroit que já agonizava, entrou num colapso.
Recentemente, a cidade decretou a sua falência. Um duro golpe para os habitantes da cidade dos motores, foi anunciado que sua dívida pública alcançara a cifra impagável de U$ 20 bilhões de dólares, e a prefeitura pediu a toalha para o governo estadual do Michigan.
Índices assustadores mostram que os subúrbios no entorno da cidade, estão em clima de desolação. Casarões decadentes estão sendo abandonados, caindo aos pedaços, mais parecendo cenário de filmes hollywoodianos sobre o fim do mundo.
Detroit, no auge da indústria, chegou a ter 1.8 milhões de habitantes. Hoje, não passam de 700 mil, refletindo a debandada da população, num rítmo de migração interna, em busca de melhores oportunidades de subsistência.
Uma pena para quem já chegou a ser a terceira maior cidade americana, e berço do maior parque automobilístico do mundo.
Entre tantos ícones culturais americanos, sem dúvida que o automóvel ocupa um lugar de alto destaque.
E nessa iconografia, a cidade de Detroit teve papel importante, por concentrar a maior parte da produção nacional, algo parecido com o que a região do ABC paulista já representou para o Brasil, nesse quesito, mas numa proporção muitíssimo maior.
Fundada pelos franceses no início do século XVIII, tem no seu nome, uma adaptação para o inglês, de seu nome original : "Fort Ponchartrain du D'Etroit", onde se entende "Etroit", em francês, como "estreito".
Era uma cidade comum, do estado do Michigan, fazendo fronteira com o Canadá, até que no avançar do século XX, a indústria automobilística se tornasse gigantesca, ali.
Nesses anos de ouro, principalmente nas décadas de cinquenta e sessenta, a cidade observou um fenômeno interessante.
Por conta desse volume de recursos advindos dessa bonança da indústria, houve um boom imobiliário na direção de subúrbios próximos, e dessa forma, o centro da cidade, foi se tornando inóspito e sombrio.
Enquanto o subúrbio tinha ares de Beverly Hills, a cidade foi se tornando cinzenta, e dando margem assim, ao aumento de violência urbana, formação de gangs de vândalos etc.
Por outro lado, Detroit teve na música, momentos de prosperidade e qualidade artística, memoráveis.
A gravadora Motown, ali estabelecida, tinha no seu cast, a fina flor da Black Music, com grandes artistas da cena do Rhythm and Blues; Soul e Funk.
Aliás, o nome "Motown", era um neologismo de "Mo", de motor (uma alusão à vocação da cidade de Detroit), e "Town", literalmente, "cidade".
No campo do Rock, Detroit também foi berço de muitos artistas que se tornariam mundialmente conhecidos. Alice Cooper, Ted Nugent, The Stooges e MC5, estão entre os mais significativos, além do próprio Grand Funk Railroad, que era de uma cidade próxima, Flint.
No caso do MC5, muitas das letras de suas canções, refletiam claramente o ambiente de Detroit, com seu cinza e as multidões de operários.
Mas veio a crise do petróleo em 1973, e ainda que imperceptível naquele momento, Detroit começava um sutil processo de decadência, que ficou acentuado, só na segunda metade daquela década, quando começaram a entrar mo mercado americano, os carros japoneses, com muita força e preços imbatíveis.
Arrastando-se nessa perspectiva, a cidade foi decaindo e quando a grande crise de 2008, instaurou-se com força, Detroit que já agonizava, entrou num colapso.
Recentemente, a cidade decretou a sua falência. Um duro golpe para os habitantes da cidade dos motores, foi anunciado que sua dívida pública alcançara a cifra impagável de U$ 20 bilhões de dólares, e a prefeitura pediu a toalha para o governo estadual do Michigan.
Índices assustadores mostram que os subúrbios no entorno da cidade, estão em clima de desolação. Casarões decadentes estão sendo abandonados, caindo aos pedaços, mais parecendo cenário de filmes hollywoodianos sobre o fim do mundo.
Detroit, no auge da indústria, chegou a ter 1.8 milhões de habitantes. Hoje, não passam de 700 mil, refletindo a debandada da população, num rítmo de migração interna, em busca de melhores oportunidades de subsistência.
Uma pena para quem já chegou a ser a terceira maior cidade americana, e berço do maior parque automobilístico do mundo.
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