Blog com grandes especialistas escolhidos a dedo , para escrever artigos e matérias sobre os mais variados assuntos. Tudo isso feito de uma forma diferente, polêmica e inovadora. Comunidade oficial no Orkut. Debates Interessantes. http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=34302522
terça-feira, 24 de setembro de 2013
Cassinos, Por que Não ?
Cassinos, Por que não ? , texto de Luiz Domingues.
Houve época no Brasil, onde haviam mais de 70 grandes cassinos em plena atividade.
Alguns, extremamente glamourosos, como o histórico Cassino da Urca, no Rio de Janeiro, e o Quitandinha, em Petrópolis, no mesmo estado do Rio.
A existência de shows musicais, era um grande mote adicional ao óbvio interesse pelas roletas, e outros jogos ali existentes, e nesse sentido, muitos artistas fizeram história, como por exemplo, Carmem Miranda, que causava furor nas noites do Cassino da Urca.
Mas um dia, o presidente Eurico Gaspar Dutra, baixou decreto extinguindo-os, causando assim a bancarrota de vários empresários, fora o desemprego de milhares de trabalhadores que deles dependiam, e num efeito cascata, prejudicando a classe artística, fornecedores, e serviços indiretos relacionados.
Motivo da proibição : Os cassinos seriam "antros de perdição", atentando aos "bons costumes" da sociedade brasileira.
À boca pequena, dizia-se que tal determinação de Dutra, teria sido pressão de sua esposa, uma senhora extremente religiosa, e que se incomodava muito com a existência de cassinos no Brasil.
Paralelamente à essa proibição de 30 de abril de 1946, o jogo do bicho seguia proibido, mas incólume à vigilância da Lei, fora a loteria federal, administrada pela Caixa Econômica Federal, provando que tal medida de Dutra, era uma tremenda de uma hipocrisia.
Outro argumento forte, era o óbvio : Se em países europeus e nos Estados Unidos, os cassinos seguiam a todo vapor, sem questionamentos pseudo-moralistas e/ou religiosos a lhes impingir restrições, por que no Brasil isso estaria acontecendo ?
Mas por aqui, a despeito do glamour de Mônaco, Estoril ou de Las Vegas, a Lei tornou-se imutável, atravessando décadas, apesar das pressões de empresários interessados em retomar a sua exploração. Por que ?
No final dos anos sessenta, a Caixa Econômica Federal lançou um novo jogo, chamado "Loteria Esportiva", baseado nos resultados dos jogos de futebol. Virou uma febre, que movimentou o país por pelo menos dez anos, até que foi lançando outros jogos oficiais, estes baseados em sorteio de números.
Por conseguinte, deduz-se que a existência de tantos "jogos de azar" oficializados, e controlados por um banco estatal, não traz prejuízos morais à sociedade moderna, certo ?
Nos anos noventa, houve um "boom" de aberturas de casas de bingo oficializadas, mas em algum momento posterior, falcatruas perpetradas por maus empresários, fizeram com que o governo tivesse a providência de fechá-los, portanto, era uma perspectiva muito diferente das razões que levaram Dutra a proibir os cassinos em 1946.
Agora, em plena segunda década do século XXI, parece incrível que tal proibição continue em vigor.
A argumentação de que o jogo vicia, e pode destruir uma pessoa e por tabela, desmantelar famílias, é válida até certo ponto.
Não obstante o fato de eu concordar que exista essa possibilidade, acho que vivemos uma fase da civilização, onde não há nenhum cabimento em vivermos sob a tutela de um estado autoritário, que diga o que as pessoas podem ou não fazer de suas próprias vidas.
Cabe ao governo, isso sim, prover a saúde pública de uma estrutura que possa sim, ajudar pessoas que não conseguim controlar-se a contento, e portanto, tenham prejuízos psíquicos, com a sua inabilidade de lidar com a tentação dos jogos.
Proibir a existência de cassinos, parece ser tão prosaico, quanto um marido inseguro mandar queimar o sofá de casa, como forma de coibir que a esposa o traia...
Num país de dimensões continentais como o Brasil é, e apresentando uma costa exuberante de mais de 8 mil Km de extensão, retomar a história dos cassinos, seria um impulso enorme ao turismo.
Empregos diretos e indiretos seriam criados, com uma rede de serviços; hotelaria de alto nível; atrações musicais e shows de stand-up comedy, abririam novos espaços para artistas e técnicos.
Agregariam-se lojas de souvenirs, restaurantes e lanchonetes. Passeios e atividades poliesportivas poderiam ser agregadas, em pacotes turísticos.
Enfim, seria um fomento ao turismo, com incalculável fonte de arrecadação, atraindo mais turistas estrangeiros, e portanto, despejando dólares e euros, na nossa economia.
Quanto à possibilidade de viciar uma pessoa, sim, é possível. Mas a cada esquina tem uma agência lotérica oficial, e não vejo ninguém reclamando disso...
Está mais do que na hora de abolirmos a hipocrisia na sociedade.
Vai quem quer, e nenhum governo deve determinar se isso é certo ou errado, tratando o cidadão como uma criança pequena, e incapaz de fazer suas próprias escolhas.
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Eu (ainda) Tenho um Sonho.
Eu (ainda) Tenho um Sonho, texto de Luiz Domingues.
Em 1963, cerca de 250 mil pessoas se acotovelaram em frente ao Memorial Lincoln, em Washington, D.C., para ouvir um discurso que entraria para a História.
O pastor Batista, e ativista político, Martin Luther King Jr. falou com muita propriedade sobre a necessidade premente de se estabelecer a igualdade racial na América, e dessa forma, com a conquista dos Direitos Civis plenos, à todos os cidadãos, independente de sua origem racial.
O discurso "Eu Tenho um Sonho", foi apenas um ato dessa grande luta, mas ganhou uma dimensão enorme pela repercussão midiática inédita em torno dessa discussão, e consequentemente, tornou-se emblemático.
Mas na verdade, a luta de Martin iniciara-se alguns antes antes, quando liderou um protesto contra a segregação, na cidade de Montgomery, Alabama.
Em 1955, uma mulher negra recusara-se a ceder o assento à uma mulher branca, dentro de um ônibus urbano dessa cidade, e uma revolta eclodiu contra essa Lei absurda, arcaica e desumana.
Outro fato posterior, e pertinente, ocorreu em 1957, quando cinco estudantes negros são impedidos de frequentar as aulas numa escola, em Little Rock, capital do Arkansas, provocando outra onda de protestos, pró e contra.
Martin Luther King Jr. teve papel decisivo nesses protestos, levando a Suprema Corte Americana a revogar tal Lei, tornando proibida a discriminação racial no transporte público.
Esse era apenas um ponto, faltavam muitas coisas essenciais na América, para que os Direitos Civis fossem de fato assegurados para todas as pessoas, e nesse interim, Martin foi tendo a sua voz cada dia mais amplificada.
Admirador confesso do lider indiano Mohandas Gandhi (a palavra "Mahatma", geralmente usada para designá-lo, é na verdade um "título" honorário, e muito respeitoso na cultura indiana), Martin adotou na sua postura, a não-violência, tal como o lider indiano.
Em sua visão, sabia que possivelmente haveriam retaliações violentas por parte de forças racistas, principalmente nos estados do sul do país, portanto, apesar de doloroso, se os negros não reagissem, tal postura ganharia a opinião pública, via mídia.
As reivindicações básicas eram : fim da discriminação racial na sociedade, direito ao voto, igualdade de condições de trabalho para os negros, enfim, a igualdade.
Em 1964, uma nova lei foi promulgada, como adendo à Constituição. Com a nova Lei dos Direitos Civis, uma grande vitória. No ano seguinte, outra conquista importante, o direito ao voto, com a nova Lei eleitoral aprovada.
Nesse ano de 1964, Martin ganhou o prêmio Nobel da Paz, tendo sido reconhecidos os seus esforços.
A partir de 1965, começou a centrar suas baterias contra a Guerra do Vietnã, quando notou que aquilo nada tinha de patriótico, como o governo tentava passar essa ideia ao povo, e dessa forma ganhou a simpatia da juventude branca anti-Vietnã, notadamente os Hippies.
Claro, amealhou ainda mais antipatia dos oponentes desses ideais, e convenhamos, em seu bojo, eram os mesmos reacionários pró-segregação...
Em 4 de abril de 1968, preparava-se para liderar mais uma marcha, em Memphis, no Tennessee, quando foi assassinado nas dependências do hotal onde se hospedara.
Um sujeito chamado James Earl Ray confessou o crime, mas anos depois, declarou ter sido usado como bode expiatório. Bem, fatos assim não eram novidade na América, vide Lee Harvey Oswald...
Lamentamos a perda de um ativista de fibra, e orador brilhante como Martin Luther King Jr., é claro.
Contudo, seu discurso proferido na escadaria do Memorial Lincoln, em 28 de agosto de 1963, tornou-se eterno.
Passados cinquenta anos dessa manifestação histórica, muitas coisas mudaram para melhor na América e por extensão, em todo o mundo.
Mas há muita coisa ainda a ser melhorada, portanto, podemos afirmar que "ainda" temos um sonho, de ver um mundo fraternal.
Cabe a nós colocar em prática, propostas que nos levem à essa harmonia, seguindo os passos de ativistas pacíficos como Mahatma Gandhi e Martin Luther King Jr.
Em 1963, cerca de 250 mil pessoas se acotovelaram em frente ao Memorial Lincoln, em Washington, D.C., para ouvir um discurso que entraria para a História.
O pastor Batista, e ativista político, Martin Luther King Jr. falou com muita propriedade sobre a necessidade premente de se estabelecer a igualdade racial na América, e dessa forma, com a conquista dos Direitos Civis plenos, à todos os cidadãos, independente de sua origem racial.
O discurso "Eu Tenho um Sonho", foi apenas um ato dessa grande luta, mas ganhou uma dimensão enorme pela repercussão midiática inédita em torno dessa discussão, e consequentemente, tornou-se emblemático.
Mas na verdade, a luta de Martin iniciara-se alguns antes antes, quando liderou um protesto contra a segregação, na cidade de Montgomery, Alabama.
Em 1955, uma mulher negra recusara-se a ceder o assento à uma mulher branca, dentro de um ônibus urbano dessa cidade, e uma revolta eclodiu contra essa Lei absurda, arcaica e desumana.
Outro fato posterior, e pertinente, ocorreu em 1957, quando cinco estudantes negros são impedidos de frequentar as aulas numa escola, em Little Rock, capital do Arkansas, provocando outra onda de protestos, pró e contra.
Martin Luther King Jr. teve papel decisivo nesses protestos, levando a Suprema Corte Americana a revogar tal Lei, tornando proibida a discriminação racial no transporte público.
Esse era apenas um ponto, faltavam muitas coisas essenciais na América, para que os Direitos Civis fossem de fato assegurados para todas as pessoas, e nesse interim, Martin foi tendo a sua voz cada dia mais amplificada.
Admirador confesso do lider indiano Mohandas Gandhi (a palavra "Mahatma", geralmente usada para designá-lo, é na verdade um "título" honorário, e muito respeitoso na cultura indiana), Martin adotou na sua postura, a não-violência, tal como o lider indiano.
Em sua visão, sabia que possivelmente haveriam retaliações violentas por parte de forças racistas, principalmente nos estados do sul do país, portanto, apesar de doloroso, se os negros não reagissem, tal postura ganharia a opinião pública, via mídia.
As reivindicações básicas eram : fim da discriminação racial na sociedade, direito ao voto, igualdade de condições de trabalho para os negros, enfim, a igualdade.
Em 1964, uma nova lei foi promulgada, como adendo à Constituição. Com a nova Lei dos Direitos Civis, uma grande vitória. No ano seguinte, outra conquista importante, o direito ao voto, com a nova Lei eleitoral aprovada.
Nesse ano de 1964, Martin ganhou o prêmio Nobel da Paz, tendo sido reconhecidos os seus esforços.
A partir de 1965, começou a centrar suas baterias contra a Guerra do Vietnã, quando notou que aquilo nada tinha de patriótico, como o governo tentava passar essa ideia ao povo, e dessa forma ganhou a simpatia da juventude branca anti-Vietnã, notadamente os Hippies.
Claro, amealhou ainda mais antipatia dos oponentes desses ideais, e convenhamos, em seu bojo, eram os mesmos reacionários pró-segregação...
Em 4 de abril de 1968, preparava-se para liderar mais uma marcha, em Memphis, no Tennessee, quando foi assassinado nas dependências do hotal onde se hospedara.
Um sujeito chamado James Earl Ray confessou o crime, mas anos depois, declarou ter sido usado como bode expiatório. Bem, fatos assim não eram novidade na América, vide Lee Harvey Oswald...
Lamentamos a perda de um ativista de fibra, e orador brilhante como Martin Luther King Jr., é claro.
Contudo, seu discurso proferido na escadaria do Memorial Lincoln, em 28 de agosto de 1963, tornou-se eterno.
Passados cinquenta anos dessa manifestação histórica, muitas coisas mudaram para melhor na América e por extensão, em todo o mundo.
Mas há muita coisa ainda a ser melhorada, portanto, podemos afirmar que "ainda" temos um sonho, de ver um mundo fraternal.
Cabe a nós colocar em prática, propostas que nos levem à essa harmonia, seguindo os passos de ativistas pacíficos como Mahatma Gandhi e Martin Luther King Jr.
terça-feira, 27 de agosto de 2013
A Mais Secreta das Fórmulas.
A Mais Secreta das Fórmulas
Quando se pensa em segredos estratégicos e/ou espionagem, geralmente pensamos em questões da geopolítica, e suas implicações militares inerentes.
Contudo, a espionagem industrial movimenta o mundo de uma forma tão ou mais contundente, requerendo verdadeiros exércitos formados por profissionais, especialistas em segurança.
Isso sem contar os milhões gastos em recursos jurídicos, tentando ao máximo coibir os trantôrnos decorrentes de patentes sendo quebradas diariamente, com produtos sendo copiados, sem nenhum pudor.
No caso das fórmulas de produtos alimentícios e farmacêuticos, todo o cuidado é pouco, e os industriais gastam milhões em dispositivos de segurança para preservarem as fórmulas que lhes garantem a exclusividade em produtos campeões de vendas.
Pensando nesses termos, entre inúmeros produtos tradicionalíssimos do mercado, é difícil não imaginar que um entre todos, seja o mais famoso, e claro, refiro-me ao refrigerante conhecido como "Coca-Cola".
Oficialmente, a fórmula do refrigerante foi atribuída à um farmacêutico norte-americano, chamado John Pemberton, em 8 de maio de 1886, como remédio, e com a posologia de atuar no cérebro e sistema nervoso.
Somente em 1893, outro americano, Frank Mason Robinson, adaptou o remédio para o consuno como refrigerante, patenteando-o e criando o seu histórico logotipo.
Em franca expansão, tornou-se um produto de alcance mundial, até que em 1919, a fábrica foi vendida para o magnata Ernest Woodruff, que tratou de guardar a fórmula no cofre do Guaranty Bank, de Nova York.
Algum tempo depois, mudou de banco, indo submeter-se às sete chaves do banco SunTrust, de Atlanta.
Sedimentado como o refrigerante mais famoso e vendido do mundo, a preservação de sua fórmula tornou-se uma lenda.
Inúmeros boatos se espalharam, e povoaram o imaginário popular.
Boatos pró e contra, naturalmente...
A questão de ser um refrigerante viciante, logicamente foi atribuído à existência de cafeína e cocaína em sua fórmula.
Claro, se há um fundamento técnico, e portanto, plausível em tal afirmativa, por outro lado, há de se considerar que a existência de tais substâncias na fórmula, são evidentemente em escala ínfima, portanto, para prejudicar uma pessoa, seria preciso a ingestão de uma quantidade tão absurda do líquido, que nem o mais contumaz consumidor do mesmo, suportaria, e outra, seria mais provável que o consumidor morresse por afogamento...
Em 2011, a fórmula foi parar no seu lugar definitivo, acredita-se, o "World of Coca-Cola", um Museu particular da própria companhia, em Atlanta.
Outra lenda que corre solta, por décadas, é a de que ao contrário do famoso segredo de sua fórmula, motivado pelo medo de não ser copiado, a origem de tal formulação foi na verdade obtida mediante o uso de fórmulas alheias.
Uma curiosa história nesse sentido, vem da Espanha, onde uma pequena fabriquinha artesanal, no vilarejo de Aielo de Malferit, na província de Valencia, tem o refrigerante "Nuez de Kola-Coca", e segundo seu atual dono, a fraca legislação de décadas atrás, no tocante à patentes, permitiu que os norte-americanos roubassem sua fórmula, sem nenhuma dificuldade.
Num segundo instante, em 1953, temendo uma contestação na justiça espanhola, os executivos da Coca-Cola procuraram a pequena fábrica de Aielo de Malferit, e mediante o pagamento de 30 mil pesetas, selaram acordo, dando a questão como encerrada.
Enfim, apesar de inúmeras especulações, a fórmula oficial da Coca-Cola permanece como o maior segredo industrial da história, apesar da polêmica publicação num jornal de Atlanta, de uma anotação de John Pemberton, em 1979, onde o suposto original manuscrito teria sido revelado, mas nunca admitido como fidedigno pela companhia. Texto by Luiz Domingues.
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
Um Talento na U.T.I.
Um Talento na U.T.I. , texto de Luiz Domingues.
Houve uma época no Brasil, onde a poliomielite (popular "paralisia infantil"), era epidêmica.
Doença perigosa, que paralisa membros e tende a ser muito dura com as crianças, foi aos poucos sendo erradicada, graças aos esforços dos orgãos de saúde pública, promovendo ações de vacinação em massa.
Infelizmente, alheio à esse esforço, um garotinho chamado Paulo Henrique Machado, não teve a sorte de escapar de tal flagelo.
Sua mãe morreu apenas dois dias depois de seu nascimento e com um ano e meio, teve a infelicidade de contrair a doença.
Dessa forma, foi internado no Hospital das Clínicas de São Paulo, pois além de ter perdido o movimento de pernas e braços, precisava de cuidados respiratórios, pois seu pulmão também estava comprometido.
Dessa forma, o pequeno Paulo foi ficando na U.T.I. do Hospital das Clínicas, pois não havia meios de ter tais cuidados em sua casa.
Crescer dentro de um ambiente de U.T.I., tendo sérias dificuldades de locomoção e respiração, não foi fácil para o pequeno Paulo Henrique, todavia, o menino apresentava uma incomum disposição e alegria.
Mesmo com as dificuldades inerentes às consequências da doença, Paulo não se furtava de brincar e interagir com as demais crianças internadas e sua inteligência desde sempre, era fora do comum.
Uma de suas mais remotas lembranças, vinha de uma TV em preto e branco, onde assistira com vívido interesse, a chegada do homem à Lua, em 1969.
Desse estopim remoto, nasceu seu interesse pela tecnologia, Sci-Fi e ciência em geral.
O tempo foi passando e Paulo tornou-se adulto, mas sua vida não mudou, precisando dos cuidados do Hospital das Clínicas, que efetivamente estabeleceu-se como o seu Lar.
Com a popularização da tecnologia, Paulo adaptou-se rapidamente ao uso da informática e dessa forma, tornou-se um Web designer muito eficiente.
Ganhou seu primeiro PC, em 1994, mas era um modelo rudimentar e limitado.
Dessa maneira, tratou de montar um novo PC, sozinho, só indicando as peças que visualisava para tal montagem.
Hoje em dia, cada vez mais embrenhado nas possibilidades do mundo virtual, Paulo Henrique está com um projeto ambicioso, neste momento.
Está criando uma animação em 3D, cujos personagens são deficientes físicos.
Claro, precisa de recursos financeiros para tal empreitada e daí, fica a inevitável pergunta : Será que nossos governantes não poderiam dar uma ajuda para um projeto desses ?
Não quero ser oportunista, mas acho um pouco injusto um talento como o de Paulo Henrique Machado ficar obscurecido, enquanto bilhões de reais são gastos na construção/reforma de estádios de futebol.
Aos que poderiam contra-argumentar que uma coisa não tem nada a ver com a outra, eu pontuo a questão da falta de planejamento e nesse caso, a inexistência de prioridade para a cultura, educação e ciência.
Finalizando, Paulo Henrique Machado é mais um caso de talento desperdiçado e sendo assim, numa época onde o povo clama por mudanças, entra fácil para o rol das novas prioridades de um Brasil diferente, e que precisa valorizar seus melhores cérebros.
Houve uma época no Brasil, onde a poliomielite (popular "paralisia infantil"), era epidêmica.
Doença perigosa, que paralisa membros e tende a ser muito dura com as crianças, foi aos poucos sendo erradicada, graças aos esforços dos orgãos de saúde pública, promovendo ações de vacinação em massa.
Infelizmente, alheio à esse esforço, um garotinho chamado Paulo Henrique Machado, não teve a sorte de escapar de tal flagelo.
Sua mãe morreu apenas dois dias depois de seu nascimento e com um ano e meio, teve a infelicidade de contrair a doença.
Dessa forma, foi internado no Hospital das Clínicas de São Paulo, pois além de ter perdido o movimento de pernas e braços, precisava de cuidados respiratórios, pois seu pulmão também estava comprometido.
Dessa forma, o pequeno Paulo foi ficando na U.T.I. do Hospital das Clínicas, pois não havia meios de ter tais cuidados em sua casa.
Crescer dentro de um ambiente de U.T.I., tendo sérias dificuldades de locomoção e respiração, não foi fácil para o pequeno Paulo Henrique, todavia, o menino apresentava uma incomum disposição e alegria.
Mesmo com as dificuldades inerentes às consequências da doença, Paulo não se furtava de brincar e interagir com as demais crianças internadas e sua inteligência desde sempre, era fora do comum.
Uma de suas mais remotas lembranças, vinha de uma TV em preto e branco, onde assistira com vívido interesse, a chegada do homem à Lua, em 1969.
Desse estopim remoto, nasceu seu interesse pela tecnologia, Sci-Fi e ciência em geral.
O tempo foi passando e Paulo tornou-se adulto, mas sua vida não mudou, precisando dos cuidados do Hospital das Clínicas, que efetivamente estabeleceu-se como o seu Lar.
Com a popularização da tecnologia, Paulo adaptou-se rapidamente ao uso da informática e dessa forma, tornou-se um Web designer muito eficiente.
Ganhou seu primeiro PC, em 1994, mas era um modelo rudimentar e limitado.
Dessa maneira, tratou de montar um novo PC, sozinho, só indicando as peças que visualisava para tal montagem.
Hoje em dia, cada vez mais embrenhado nas possibilidades do mundo virtual, Paulo Henrique está com um projeto ambicioso, neste momento.
Está criando uma animação em 3D, cujos personagens são deficientes físicos.
Claro, precisa de recursos financeiros para tal empreitada e daí, fica a inevitável pergunta : Será que nossos governantes não poderiam dar uma ajuda para um projeto desses ?
Não quero ser oportunista, mas acho um pouco injusto um talento como o de Paulo Henrique Machado ficar obscurecido, enquanto bilhões de reais são gastos na construção/reforma de estádios de futebol.
Aos que poderiam contra-argumentar que uma coisa não tem nada a ver com a outra, eu pontuo a questão da falta de planejamento e nesse caso, a inexistência de prioridade para a cultura, educação e ciência.
Finalizando, Paulo Henrique Machado é mais um caso de talento desperdiçado e sendo assim, numa época onde o povo clama por mudanças, entra fácil para o rol das novas prioridades de um Brasil diferente, e que precisa valorizar seus melhores cérebros.
terça-feira, 30 de julho de 2013
Cidade Dormitório.
Cidade Dormitório , texto de Luiz Domingues.
Vivemos tempos difíceis no quesito mobilidade urbana. Com as cidades cada vez mais inchadas, o trânsito caótico piora, transformando a rotina dos trabalhadores, um inferno cotidiano.
Ações são discutidas por técnicos para melhorar o deslocamento das pessoas nas cidades, mas a complexidade de tal engenharia de trânsito, torna-se muito difícil de ser equalizada, quando a realidade nos mostra que na cidade de São Paulo, por exemplo, cerca de 800 novos carros são emplacados pelo Detran, diariamente...
Vi uma estatística dando conta de que uma cidade do porte de Araçatuba (cerca de 300 mil habitantes), se desloca diariamente para São Paulo, vindo de cidades vizinhas, para trabalhar na capital.
No Estado do Rio, é clássico o exemplo da cidade de Duque de Caxias, onde quase 90 % de sua população precisa trabalhar na cidade do Rio, por falta de melhores opções de empregos.
Como se não bastassem todos os problemas, a questão política é um fator desanimador para quem sonha com dias melhores no trânsito.
Interesses obscuros fazem com que as ações dos governantes não afunilem-se em torno de uma meta, e isso só gera mais frustração.
Claro que o ideal é que cidades de mais de 500 mil habitantes tenham uma rede de metrô eficiente. Mas o que observamos é uma ação de tartarugas para construir metrô em poucas cidades e para piorar, de forma totalmente insatisfatória.
Corredor exclusivo para ônibus, é um outro exemplo de necessidade para lá de urgente, com a possibilidade desses coletivos andarem mais rápido, deslocando um número maior de pessoas, e tirando carros particulares das ruas.
Intregração con trens de subúrbio e incentivo ao uso de bicicletas, também são importantes, com a ressalva de que no caso das bicicletas, a criação de ciclovias seguras, se faz mister.
Repensar a questão tributária dos taxistas, dando-lhes a oportunidade de minimizar custos e por conseguinte, trabalhar com uma tarifa reduzida ao passageiro, é outra medida importante. Nesse caso, até a criação de uma tarifa especial de combustíveis, seria bem vinda e com a perspectiva do Pré-Sal, por que não ?
Tudo isso é discutido em profusão por vários setores da sociedade civil, ainda que o governo muitas vezes desconverse...
Mas existe um outro elemento nessa equação, que seria vital para desatar esse nó cruel que atormenta milhões de pessoas : a questão da cidade dormitório.
A vida é cara e para poder arcar com a despesa de moradia, muitas vezes as pessoas precisam submeter-se à morar muito longe de seus locais de trabalho.
Qual a lógica de se morar num determinado bairro e ter que deslocar-se com enorme sacrifício, para trabalhar num outro bairro longínquo ?
E o caso de pessoas que trabalham diariamente em outras cidades ?
Numa estrutura social caótica como a do Brasil, tudo parece responder à fatores aleatórios.
A pessoa mora longe, por que não tem como manter-se num bairro mais próximo do centro de sua cidade, e a questão do emprego é vista como um eterno "pegar ou largar", sem dar opção de escolha ao cidadão.
Dessa forma, criou-se essa caótica forma de deslocamentos, onde o que deveria ser o padrão, é tido como um golpe de sorte, para poucos e equivalente a tirar a sorte grande de um jogo de loteria.
Trabalhar e morar no mesmo bairro, passou a ser um privilégio de afortunados.
Pois os governantes deveriam consultar os urbanistas com maior atenção e repensar.
A geração de empregos privilegiando trabalhadores do mesmo bairro, deveria ser plano de governo, como prioridade.
Deveria ser tratada como meta de incentivo às indústrias, comércio, rede de serviços e outros empreendedores, no sentido de priorizarem a contratação de profissionais do mesmo bairro de suas sedes.
Se muitas pessoas passarem a trabalhar perto de suas residências, não é só o trânsito que melhora.
É óbvio o benefício humano, com o aumento significativo da qualidade de vida.
Tirando as pessoas do sufoco da "hora do rush", sobra tempo para lazer, cultura, tempo com suas famílias, prática de esportes etc.
Não consigo imaginar o caos do trânsito melhorar, sem que os governantes trabalhem todas essas ações conjuntamente.
Todavia, uma das mais importantes sem dúvida, é acabar com esse conceito de "cidade dormitório", onde o cidadão é massacrado por uma rotina de deslocamentos que lhe antecipa a velhice em muitos anos, numa subtração desumana.
Vivemos tempos difíceis no quesito mobilidade urbana. Com as cidades cada vez mais inchadas, o trânsito caótico piora, transformando a rotina dos trabalhadores, um inferno cotidiano.
Ações são discutidas por técnicos para melhorar o deslocamento das pessoas nas cidades, mas a complexidade de tal engenharia de trânsito, torna-se muito difícil de ser equalizada, quando a realidade nos mostra que na cidade de São Paulo, por exemplo, cerca de 800 novos carros são emplacados pelo Detran, diariamente...
Vi uma estatística dando conta de que uma cidade do porte de Araçatuba (cerca de 300 mil habitantes), se desloca diariamente para São Paulo, vindo de cidades vizinhas, para trabalhar na capital.
No Estado do Rio, é clássico o exemplo da cidade de Duque de Caxias, onde quase 90 % de sua população precisa trabalhar na cidade do Rio, por falta de melhores opções de empregos.
Como se não bastassem todos os problemas, a questão política é um fator desanimador para quem sonha com dias melhores no trânsito.
Interesses obscuros fazem com que as ações dos governantes não afunilem-se em torno de uma meta, e isso só gera mais frustração.
Claro que o ideal é que cidades de mais de 500 mil habitantes tenham uma rede de metrô eficiente. Mas o que observamos é uma ação de tartarugas para construir metrô em poucas cidades e para piorar, de forma totalmente insatisfatória.
Corredor exclusivo para ônibus, é um outro exemplo de necessidade para lá de urgente, com a possibilidade desses coletivos andarem mais rápido, deslocando um número maior de pessoas, e tirando carros particulares das ruas.
Intregração con trens de subúrbio e incentivo ao uso de bicicletas, também são importantes, com a ressalva de que no caso das bicicletas, a criação de ciclovias seguras, se faz mister.
Repensar a questão tributária dos taxistas, dando-lhes a oportunidade de minimizar custos e por conseguinte, trabalhar com uma tarifa reduzida ao passageiro, é outra medida importante. Nesse caso, até a criação de uma tarifa especial de combustíveis, seria bem vinda e com a perspectiva do Pré-Sal, por que não ?
Tudo isso é discutido em profusão por vários setores da sociedade civil, ainda que o governo muitas vezes desconverse...
Mas existe um outro elemento nessa equação, que seria vital para desatar esse nó cruel que atormenta milhões de pessoas : a questão da cidade dormitório.
A vida é cara e para poder arcar com a despesa de moradia, muitas vezes as pessoas precisam submeter-se à morar muito longe de seus locais de trabalho.
Qual a lógica de se morar num determinado bairro e ter que deslocar-se com enorme sacrifício, para trabalhar num outro bairro longínquo ?
E o caso de pessoas que trabalham diariamente em outras cidades ?
Numa estrutura social caótica como a do Brasil, tudo parece responder à fatores aleatórios.
A pessoa mora longe, por que não tem como manter-se num bairro mais próximo do centro de sua cidade, e a questão do emprego é vista como um eterno "pegar ou largar", sem dar opção de escolha ao cidadão.
Dessa forma, criou-se essa caótica forma de deslocamentos, onde o que deveria ser o padrão, é tido como um golpe de sorte, para poucos e equivalente a tirar a sorte grande de um jogo de loteria.
Trabalhar e morar no mesmo bairro, passou a ser um privilégio de afortunados.
Pois os governantes deveriam consultar os urbanistas com maior atenção e repensar.
A geração de empregos privilegiando trabalhadores do mesmo bairro, deveria ser plano de governo, como prioridade.
Deveria ser tratada como meta de incentivo às indústrias, comércio, rede de serviços e outros empreendedores, no sentido de priorizarem a contratação de profissionais do mesmo bairro de suas sedes.
Se muitas pessoas passarem a trabalhar perto de suas residências, não é só o trânsito que melhora.
É óbvio o benefício humano, com o aumento significativo da qualidade de vida.
Tirando as pessoas do sufoco da "hora do rush", sobra tempo para lazer, cultura, tempo com suas famílias, prática de esportes etc.
Não consigo imaginar o caos do trânsito melhorar, sem que os governantes trabalhem todas essas ações conjuntamente.
Todavia, uma das mais importantes sem dúvida, é acabar com esse conceito de "cidade dormitório", onde o cidadão é massacrado por uma rotina de deslocamentos que lhe antecipa a velhice em muitos anos, numa subtração desumana.
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Greves, Protestos & Manifestações.
Greves, Protestos & Manifestações, um texto de Luiz Domingues.
Parto do pressuposto de que não existe um regime sócio-político perfeito e que portanto, atenda à todas as necessidades, desejos e interesses de todos os cidadãos, simultaneamente.
E isso é óbvio sinal de que a diversidade humana é enorme, e nessa complexidade, é praticamente impossível haver um modo de gerenciamento público, que contente a todos os interesses.
Posta essa colocação, que soa óbvia, mas nem todo mundo leva em consideração quando quer expôr seus motivos pessoais, sigo em frente, para falar sobre algo que reputo um direito sagrado do cidadão : reivindicar.
É muito natural e salutar dentro de um regime democrático de direito, que o cidadão seja ouvido em suas reivindicações.
Onde o poder público pode gerenciar, e isso interfere na vida do cidadão comum, é claro que se trata de um direito deste, reclamar de algo que o afeta negativamente, e reivindicar melhorias e providências sobre aspectos que estão ruins e carecem de melhorias.
Portanto, o cidadão tem o direito de reclamar, de querer ser ouvido, de reivindicar.
Disso não tenho dúvida e de forma alguma quero ser mal interpretado, deixando claro que sou absolutamente contra medidas proibitivas de tais manifestações populares; contra o cerceamento do livre arbítrio; dos abusos contra os direitos civis e sendo assim, denotando atitudes ditatoriais abomináveis da parte de quem detém o poder público.
Contudo, na questão das greves, passeatas, manifestações e protestos públicos, por exemplo, temos observado uma profusão de equívocos, nesse sentido.
No caso das greves de categorias profissionais, por exemplo, é inacreditável que em pleno século XXI, tenhamos práticas truculentas e muito equivocadas, no sentido de não exercer pressão à quem deveria ser exercida.
Um exemplo ?
Se funcionários do transporte público, entram em greve, o objetivo é pressionar o prefeito e/ou o governador, mandatários responsáveis por tal serviço público.
Porém, quem na prática, é que se prejudica, quando ônibus, trens de subúrbio ou metrô paralisam, por seus funcionários cruzarem os braços ?
O transtôrno causado quando uma só categoria dessas para, é enorme e muitas vezes, tais greves se multiplicam, numa ação viral que estrangula as cidades, notadamente os grandes centros, causando um sofrimento gigantesco para milhões de pessoas.
Nesse caso, a pergunta é : Não existe uma maneira mais civilizada de se pressionar quem de fato querem pressionar, para que atendam suas reivindicações ?
É necessário prejudicar milhões de pessoas para de uma forma muito indireta, isso gere um certo prejuízo à imagem de tal mandatário ?
A existência da "greve branca", onde por exemplo se abririam as catracas sem cobrança de bilhetes, daria um efeito forte sobre o governo, sem no entanto prejudicar as pessoas comuns. O transporte seria feito normalmente, sem incomodar ninguém, a não ser os políticos governantes.
Sei que nesse caso, existem mecanismos jurídicos e marotos (ah...as brechas da Lei..."), onde esse tipo de greve é coibida com a ameaça de exoneração sumária, daí o medo de fazer tal tipo de protesto.
Nesse caso, onde está a visão dessa gente, que não briga por mudanças jurídicas ? Infelizmente, optam por fazer greves antipáticas, que mais atingem o cidadão comum.
Em relação à passeatas, tornou-se lugar comum tomar as pistas da Av. Paulista, em São Paulo (uso São Paulo como exemplo, por ser minha cidade, mas vale para qualquer cidade, incluso interioranas).
Se toda a categoria profissional e defensores de causas, as mais diversas, se sentem no direito de paralisar a avenida todo dia, pergunto-me : e o meu direito de ir e vir?
Devo agrupar pessoas incomodadas com as passeatas diárias, que fecham o caminho, e organizar uma passeata para protestar contra as passeatas ?
Fico pensando em como se sente uma pessoa infartada dentro de uma ambulância, a caminho de um hospital (e na região da Av. Paulista existem mais de dez, importantes e enormes), quando a ambulância para, porque os defensores de uma causa qualquer, estão bloqueando-a.
Não dá para fazer a manifestação numa pista só, deixando as demais para o trânsito fluir, ainda que já prejudicado ? É tudo ou nada para essa gente ?
Outra questão : Muitas vezes, independente do protesto ser válido ou não (acredite, tem muita gente que se engaja em causas não fidedignas, sem checar fontes e comprando ideologias vazias como uma bexiga furada), existem as inevitáveis infiltrações.
Vamos supor que a causa seja nobre e o comando da organização do protesto esteja imbuído dos mais sérios propósitos nesse sentido. Eles mobilizam os militantes da causa, preparam seus cartazes, faixas, flyers, levam megafone e instrumentos de percussão, ensaiam palavras de ordem e instruem os participantes a não provocarem pessoas comuns, não causarem nenhum ato de vandalismo etc etc.
Mas aí, tudo sai de controle, quando um bando de maus intencionados se infiltra e começam a vandalizar, arrumarem brigas, provocar pessoas comuns, praticarem saques no comércio e afrontar autoridades.
Para onde vai a imagem do seu protesto, outrora autodenominado "pacífico" ?
Tudo foge ao controle e nossa polícia, que ainda tem fortes ranços da ditadura militar (até quando, hein ??), reage com a sua costumeira truculência e prepotência.
É o que temos observado nessa recente onda de protestos que tem acontecido em diversas cidades, com São Paulo e Rio, chamando mais a atenção da mídia pelo seu gigantismo (mas não se enganem, pois tem acontecido em cidades interioranas e com grande truculência).
Reinvindicar melhores condições de transporte e tarifas mais baixas, acho legítimo, mas nesse caso, todo esse barulho com muita gente ferida gravemente, fora as depredações inadmissíveis, perde muito de seu sentido cívico, quando é manipulado por forças obscuras que só querem "causar" ou desgastar a imagem do partido A ou B.
Não seria o caso de promover um protesto branco, sem truculência, mas contundente, agindo fortemente nas redes sociais e por exemplo, confrontando os números apresentados pelos governantes e empresários do setor de transportes ?
Algum desses vândalos que vão às ruas munidos de coquetéis Molotov e usam máscaras para não serem reconhecidos, teve acesso às planilhas de custos do transporte público ?
Mas mesmo assim, salta-me aos olhos o oportunismo dessas manifestações truculentas, deixando claro que são motivadas por outros interesses e com o objetivo de "causar", para usar uma gíria moderna.
O mesmo em relação aos protestos contra as falcatruas perpetradas por governantes em relação à realização da Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil.
Ora, claro que os absurdos cometidos com o dinheiro público e ações correlatas, prejudicando pessoas humildes (recomendo assistir o documentário "A Caminho da Copa", disponível no You Tube), são abomináveis e precisam ser denunciados com veemência, mas fica a pergunta : desde 2007, sabemos que o Brasil sediaria a Copa e que falcatruas seriam cometidas, portanto, qual o sentido de promover uma manifestação na porta do Estádio Mané Garrincha, em Brasília, no dia do jogo inaugural da Copa das Confederações, em pleno 2013 ??
Ora, que adianta apavorar pessoas inocentes que estavam ali para assistir a cerimônia e o jogo da seleção brasileira ?
Isso é forma inteligente de protestar ?
E outra, agora ? Esperaram sete anos para reagir contra a roubalheira que esses eventos propiciam nos cofres públicos ?
Sei que não é só pelos 20 centavos, como virou moda dizer. O saco do povo estourou e revelou a insatisfação acumulada por décadas e por inúmeras razões, mas ainda penso que a mobilização para reivindicar tem que ter inteligência, foco e logística.
Sou totalmente favorável à uma reforma ampla. Urge a reforma tributária, que é a meu ver, o foco número um na pauta.
Acabar com esse vilipêndio à carne do povo, que é cruelmente esfacelada por impostos insuportáveis e com a infame contrapartida do retorno insignificante de benefícios públicos, se faz mister.
A vergonhosa política oficial de não investimentos em transportes públicos de qualidade, para satisfazer a sanha da indústria automobilística e petrolífera, é outra prioridade urgentíssima.
A radical mudança do planejamento, onde saúde, infraestrutura e educação, sejam prioritárias, como única maneira de catalputar o país ao primeiro mundo, sem dúvida.
A reforma política coibindo a infame mordomia que os parlamentares e membros do executivo gozam, ás custas do cofre público.
Sou a favor da extinção da "Voz do Brasil" obrigatória nas estações de rádio.
Qual o sentido de ser obrigatório em pleno século XXI, com internet, TV a cabo e telefonia móvel ?
Quem quiser acompanhar os trabalhos do executivo, legislativo e judiciário, tem plenos canais para fazê-lo, sem a necessidade desse antipático e ditatorial programinha dos anos trinta.
Pela ampla reforma da Lei eleitoral, com a extinção do voto obrigatório.
Pelo fim do serviço militar obrigatório, imediatamente, pois servir as forças armadas tem que ser um direito e nunca uma obrigação.
Pela reforma do código civil e criminal, acabando com as abomináveis "brechas jurídicas".
Reforma total do sistema penitenciário, uma falida e insalubre forma de lidar com os condenados da justiça, onde não se recupera ninguém para a sociedade.
Fim da militarização da polícia. A polícia tem que ser o braço amigo da sociedade e este modelo que temos é de uma polícia mal preparada, carrancuda e com ranços da ditadura, insuportáveis.
Pelo investimento maciço na infraestrutura, acabando com o atraso colonial que ainda persiste.
Pela simplificação total da burocracia, que esmaga o cidadão comum e inibe o empreendedorismo dos empresários, do micro ao mega empresário.
Pela sustentabilidade, pela ecologia, pela cidadania...
Pela limpeza, pelo respeito mútuo, pela pacificação no trânsito...
Pela cultura, pela arte...
Enfim, sou a favor da reforma total do país, mas ainda assim, penso que há maneiras e maneiras de se protestar.
Em suma : Protestar, reivindicar e reclamar, são direitos do cidadão, mas há formas de se fazer ouvir, sem prejudicar as pessoas erradas, que invariavelmente pagam o pato...
Parto do pressuposto de que não existe um regime sócio-político perfeito e que portanto, atenda à todas as necessidades, desejos e interesses de todos os cidadãos, simultaneamente.
E isso é óbvio sinal de que a diversidade humana é enorme, e nessa complexidade, é praticamente impossível haver um modo de gerenciamento público, que contente a todos os interesses.
Posta essa colocação, que soa óbvia, mas nem todo mundo leva em consideração quando quer expôr seus motivos pessoais, sigo em frente, para falar sobre algo que reputo um direito sagrado do cidadão : reivindicar.
É muito natural e salutar dentro de um regime democrático de direito, que o cidadão seja ouvido em suas reivindicações.
Onde o poder público pode gerenciar, e isso interfere na vida do cidadão comum, é claro que se trata de um direito deste, reclamar de algo que o afeta negativamente, e reivindicar melhorias e providências sobre aspectos que estão ruins e carecem de melhorias.
Portanto, o cidadão tem o direito de reclamar, de querer ser ouvido, de reivindicar.
Disso não tenho dúvida e de forma alguma quero ser mal interpretado, deixando claro que sou absolutamente contra medidas proibitivas de tais manifestações populares; contra o cerceamento do livre arbítrio; dos abusos contra os direitos civis e sendo assim, denotando atitudes ditatoriais abomináveis da parte de quem detém o poder público.
Contudo, na questão das greves, passeatas, manifestações e protestos públicos, por exemplo, temos observado uma profusão de equívocos, nesse sentido.
No caso das greves de categorias profissionais, por exemplo, é inacreditável que em pleno século XXI, tenhamos práticas truculentas e muito equivocadas, no sentido de não exercer pressão à quem deveria ser exercida.
Um exemplo ?
Se funcionários do transporte público, entram em greve, o objetivo é pressionar o prefeito e/ou o governador, mandatários responsáveis por tal serviço público.
Porém, quem na prática, é que se prejudica, quando ônibus, trens de subúrbio ou metrô paralisam, por seus funcionários cruzarem os braços ?
O transtôrno causado quando uma só categoria dessas para, é enorme e muitas vezes, tais greves se multiplicam, numa ação viral que estrangula as cidades, notadamente os grandes centros, causando um sofrimento gigantesco para milhões de pessoas.
Nesse caso, a pergunta é : Não existe uma maneira mais civilizada de se pressionar quem de fato querem pressionar, para que atendam suas reivindicações ?
É necessário prejudicar milhões de pessoas para de uma forma muito indireta, isso gere um certo prejuízo à imagem de tal mandatário ?
A existência da "greve branca", onde por exemplo se abririam as catracas sem cobrança de bilhetes, daria um efeito forte sobre o governo, sem no entanto prejudicar as pessoas comuns. O transporte seria feito normalmente, sem incomodar ninguém, a não ser os políticos governantes.
Sei que nesse caso, existem mecanismos jurídicos e marotos (ah...as brechas da Lei..."), onde esse tipo de greve é coibida com a ameaça de exoneração sumária, daí o medo de fazer tal tipo de protesto.
Nesse caso, onde está a visão dessa gente, que não briga por mudanças jurídicas ? Infelizmente, optam por fazer greves antipáticas, que mais atingem o cidadão comum.
Em relação à passeatas, tornou-se lugar comum tomar as pistas da Av. Paulista, em São Paulo (uso São Paulo como exemplo, por ser minha cidade, mas vale para qualquer cidade, incluso interioranas).
Se toda a categoria profissional e defensores de causas, as mais diversas, se sentem no direito de paralisar a avenida todo dia, pergunto-me : e o meu direito de ir e vir?
Devo agrupar pessoas incomodadas com as passeatas diárias, que fecham o caminho, e organizar uma passeata para protestar contra as passeatas ?
Fico pensando em como se sente uma pessoa infartada dentro de uma ambulância, a caminho de um hospital (e na região da Av. Paulista existem mais de dez, importantes e enormes), quando a ambulância para, porque os defensores de uma causa qualquer, estão bloqueando-a.
Não dá para fazer a manifestação numa pista só, deixando as demais para o trânsito fluir, ainda que já prejudicado ? É tudo ou nada para essa gente ?
Outra questão : Muitas vezes, independente do protesto ser válido ou não (acredite, tem muita gente que se engaja em causas não fidedignas, sem checar fontes e comprando ideologias vazias como uma bexiga furada), existem as inevitáveis infiltrações.
Vamos supor que a causa seja nobre e o comando da organização do protesto esteja imbuído dos mais sérios propósitos nesse sentido. Eles mobilizam os militantes da causa, preparam seus cartazes, faixas, flyers, levam megafone e instrumentos de percussão, ensaiam palavras de ordem e instruem os participantes a não provocarem pessoas comuns, não causarem nenhum ato de vandalismo etc etc.
Mas aí, tudo sai de controle, quando um bando de maus intencionados se infiltra e começam a vandalizar, arrumarem brigas, provocar pessoas comuns, praticarem saques no comércio e afrontar autoridades.
Para onde vai a imagem do seu protesto, outrora autodenominado "pacífico" ?
Tudo foge ao controle e nossa polícia, que ainda tem fortes ranços da ditadura militar (até quando, hein ??), reage com a sua costumeira truculência e prepotência.
É o que temos observado nessa recente onda de protestos que tem acontecido em diversas cidades, com São Paulo e Rio, chamando mais a atenção da mídia pelo seu gigantismo (mas não se enganem, pois tem acontecido em cidades interioranas e com grande truculência).
Reinvindicar melhores condições de transporte e tarifas mais baixas, acho legítimo, mas nesse caso, todo esse barulho com muita gente ferida gravemente, fora as depredações inadmissíveis, perde muito de seu sentido cívico, quando é manipulado por forças obscuras que só querem "causar" ou desgastar a imagem do partido A ou B.
Não seria o caso de promover um protesto branco, sem truculência, mas contundente, agindo fortemente nas redes sociais e por exemplo, confrontando os números apresentados pelos governantes e empresários do setor de transportes ?
Algum desses vândalos que vão às ruas munidos de coquetéis Molotov e usam máscaras para não serem reconhecidos, teve acesso às planilhas de custos do transporte público ?
Mas mesmo assim, salta-me aos olhos o oportunismo dessas manifestações truculentas, deixando claro que são motivadas por outros interesses e com o objetivo de "causar", para usar uma gíria moderna.
O mesmo em relação aos protestos contra as falcatruas perpetradas por governantes em relação à realização da Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil.
Ora, claro que os absurdos cometidos com o dinheiro público e ações correlatas, prejudicando pessoas humildes (recomendo assistir o documentário "A Caminho da Copa", disponível no You Tube), são abomináveis e precisam ser denunciados com veemência, mas fica a pergunta : desde 2007, sabemos que o Brasil sediaria a Copa e que falcatruas seriam cometidas, portanto, qual o sentido de promover uma manifestação na porta do Estádio Mané Garrincha, em Brasília, no dia do jogo inaugural da Copa das Confederações, em pleno 2013 ??
Ora, que adianta apavorar pessoas inocentes que estavam ali para assistir a cerimônia e o jogo da seleção brasileira ?
Isso é forma inteligente de protestar ?
E outra, agora ? Esperaram sete anos para reagir contra a roubalheira que esses eventos propiciam nos cofres públicos ?
Sei que não é só pelos 20 centavos, como virou moda dizer. O saco do povo estourou e revelou a insatisfação acumulada por décadas e por inúmeras razões, mas ainda penso que a mobilização para reivindicar tem que ter inteligência, foco e logística.
Sou totalmente favorável à uma reforma ampla. Urge a reforma tributária, que é a meu ver, o foco número um na pauta.
Acabar com esse vilipêndio à carne do povo, que é cruelmente esfacelada por impostos insuportáveis e com a infame contrapartida do retorno insignificante de benefícios públicos, se faz mister.
A vergonhosa política oficial de não investimentos em transportes públicos de qualidade, para satisfazer a sanha da indústria automobilística e petrolífera, é outra prioridade urgentíssima.
A radical mudança do planejamento, onde saúde, infraestrutura e educação, sejam prioritárias, como única maneira de catalputar o país ao primeiro mundo, sem dúvida.
A reforma política coibindo a infame mordomia que os parlamentares e membros do executivo gozam, ás custas do cofre público.
Sou a favor da extinção da "Voz do Brasil" obrigatória nas estações de rádio.
Qual o sentido de ser obrigatório em pleno século XXI, com internet, TV a cabo e telefonia móvel ?
Quem quiser acompanhar os trabalhos do executivo, legislativo e judiciário, tem plenos canais para fazê-lo, sem a necessidade desse antipático e ditatorial programinha dos anos trinta.
Pela ampla reforma da Lei eleitoral, com a extinção do voto obrigatório.
Pelo fim do serviço militar obrigatório, imediatamente, pois servir as forças armadas tem que ser um direito e nunca uma obrigação.
Pela reforma do código civil e criminal, acabando com as abomináveis "brechas jurídicas".
Reforma total do sistema penitenciário, uma falida e insalubre forma de lidar com os condenados da justiça, onde não se recupera ninguém para a sociedade.
Fim da militarização da polícia. A polícia tem que ser o braço amigo da sociedade e este modelo que temos é de uma polícia mal preparada, carrancuda e com ranços da ditadura, insuportáveis.
Pelo investimento maciço na infraestrutura, acabando com o atraso colonial que ainda persiste.
Pela simplificação total da burocracia, que esmaga o cidadão comum e inibe o empreendedorismo dos empresários, do micro ao mega empresário.
Pela sustentabilidade, pela ecologia, pela cidadania...
Pela limpeza, pelo respeito mútuo, pela pacificação no trânsito...
Pela cultura, pela arte...
Enfim, sou a favor da reforma total do país, mas ainda assim, penso que há maneiras e maneiras de se protestar.
Em suma : Protestar, reivindicar e reclamar, são direitos do cidadão, mas há formas de se fazer ouvir, sem prejudicar as pessoas erradas, que invariavelmente pagam o pato...
terça-feira, 2 de julho de 2013
Caos Portuário.
Caos Portuário, texto de Luiz Domingues.
O Brasil entrou numa fase de prosperidade sem precedentes em sua história, quando deu seu primeiro passo nesse sentido ainda nos anos noventa, controlando a infame inflação que o assolava há décadas.
Claro, não podemos deixar de considerar que aspectos políticos contribuiram nesse sentido. O simples fato de voltar a promover eleições presidenciais livres, fora importante cinco anos antes, apesar do povo ter se deixado levar por falsa propaganda e ter eleito um candidato inadequado.
Ok, democracia é assim mesmo, demora muito para maturar e segue a toada da tentativa e erro.
Mas sem dúvida que esses fatores foram importantes para que já na segunda metade dos anos 2000, sinais animadores deixassem o país visível aos olhos do mundo.
Atravessando a grande crise de 2008, "quase" incólume, o Brasil virou a "bola da vez" em muitos aspectos, da política sócio-financeira aos índices de progresso, em vários níveis.
Só que nos seus meandros, o Brasil progressista que passou a encantar o mundo pelo seu salto rumo ao primeiro mundo, escondia de si mesmo, outra realidade.
A absoluta falta de infraestrutura em setores vitais da economia, revelava-se diametralmente oposta à euforia gerada pelos observadores internacionais.
Só quando a proximidade de grandes eventos de âmbito mundiais avistaram-se, foi que perceberam que portos e aeroportos brasileiros, são de quinta categoria, entre outras coisas.
No tocante aos portos em específico, a situação é dramática e faz tempo.
O assunto só veio à baila neste momento, por dois motivos :
1) A proximidade da Copa do Mundo e Olimpíadas e;
2) A visão estarrecedora da gigantesca fila de caminhões parados no porto de Santos, revelando a falta de organização e por conseguinte, a enorme quantidade de dinheiro jogado no lixo, e outra montanha que se deixa de ganhar, por tal ineficiência.
Qual a razão, ou razões para essa situação ter chegado nesse ponto vergonhoso ?
Bem, são muitas as razões, mas o fator burocrático, é um dos maiores vilões nesse sentido.
Um exemplo ?
Quando um contêiner chega ao porto para exportação, contendo commodities, por exemplo, não consegue embarcar rumo ao seu destino, em menos de 13 dias.
O motivo ? Burocracia massacrante, onde é preciso apresentar cerca de 200 documentos (pasmem !!), para a liberação e alguns desses, são conflitantes entre si, deixando o exportador completamente louco.
Em Cingapura, esse trâmite burocrático leva um dia e nos Estados Unidos, dois...
Então, some-se à esse fato, que o processo inverso também é infernal, ou seja, navios estrangeiros que aqui chegam, podem ficar até 15 dias esperando autorização para atracar...
Isso espelha bem o caos que essa logística ou antilogística, causa ao país.
Fora essa questão, observa-se também a falta de investimentos na modernização dos portos. Com espaço físico reduzido, ineficiente conexão ferroviária e páteos de estacionamentos minúsculos, não é de se estranhar que filas inacreditáveis de caminhões fechem, literalmente, as estradas que dão acesso ao cais.
Outro fator surpreendente e inadmissível num mundo moderno e informatizado, é que 90% dessa burocracia ou "burrocracia", como queiram, esbarra na falta de comunicação "on line" entre orgãos reguladores e fiscalizadores.
Como aspirar estar no primeiro mundo, sem repartições públicas 100% informatizadas e com funcionários bem treinados e motivados ?
Não é óbvio que a morosidade seja medieval, sem tais providências ?
A lição é muito clara : Estar entre as maiores potências econômicas do planeta é motivo de orgulho, mas investir em infraestrutura é vital para que de fato possamos ser considerados um país de 1° Mundo.
E por enquanto, o Brasil parece ainda estar no tempo do Império, em muitos aspectos.
O Brasil entrou numa fase de prosperidade sem precedentes em sua história, quando deu seu primeiro passo nesse sentido ainda nos anos noventa, controlando a infame inflação que o assolava há décadas.
Claro, não podemos deixar de considerar que aspectos políticos contribuiram nesse sentido. O simples fato de voltar a promover eleições presidenciais livres, fora importante cinco anos antes, apesar do povo ter se deixado levar por falsa propaganda e ter eleito um candidato inadequado.
Ok, democracia é assim mesmo, demora muito para maturar e segue a toada da tentativa e erro.
Mas sem dúvida que esses fatores foram importantes para que já na segunda metade dos anos 2000, sinais animadores deixassem o país visível aos olhos do mundo.
Atravessando a grande crise de 2008, "quase" incólume, o Brasil virou a "bola da vez" em muitos aspectos, da política sócio-financeira aos índices de progresso, em vários níveis.
Só que nos seus meandros, o Brasil progressista que passou a encantar o mundo pelo seu salto rumo ao primeiro mundo, escondia de si mesmo, outra realidade.
A absoluta falta de infraestrutura em setores vitais da economia, revelava-se diametralmente oposta à euforia gerada pelos observadores internacionais.
Só quando a proximidade de grandes eventos de âmbito mundiais avistaram-se, foi que perceberam que portos e aeroportos brasileiros, são de quinta categoria, entre outras coisas.
No tocante aos portos em específico, a situação é dramática e faz tempo.
O assunto só veio à baila neste momento, por dois motivos :
1) A proximidade da Copa do Mundo e Olimpíadas e;
2) A visão estarrecedora da gigantesca fila de caminhões parados no porto de Santos, revelando a falta de organização e por conseguinte, a enorme quantidade de dinheiro jogado no lixo, e outra montanha que se deixa de ganhar, por tal ineficiência.
Qual a razão, ou razões para essa situação ter chegado nesse ponto vergonhoso ?
Bem, são muitas as razões, mas o fator burocrático, é um dos maiores vilões nesse sentido.
Um exemplo ?
Quando um contêiner chega ao porto para exportação, contendo commodities, por exemplo, não consegue embarcar rumo ao seu destino, em menos de 13 dias.
O motivo ? Burocracia massacrante, onde é preciso apresentar cerca de 200 documentos (pasmem !!), para a liberação e alguns desses, são conflitantes entre si, deixando o exportador completamente louco.
Em Cingapura, esse trâmite burocrático leva um dia e nos Estados Unidos, dois...
Então, some-se à esse fato, que o processo inverso também é infernal, ou seja, navios estrangeiros que aqui chegam, podem ficar até 15 dias esperando autorização para atracar...
Isso espelha bem o caos que essa logística ou antilogística, causa ao país.
Fora essa questão, observa-se também a falta de investimentos na modernização dos portos. Com espaço físico reduzido, ineficiente conexão ferroviária e páteos de estacionamentos minúsculos, não é de se estranhar que filas inacreditáveis de caminhões fechem, literalmente, as estradas que dão acesso ao cais.
Outro fator surpreendente e inadmissível num mundo moderno e informatizado, é que 90% dessa burocracia ou "burrocracia", como queiram, esbarra na falta de comunicação "on line" entre orgãos reguladores e fiscalizadores.
Como aspirar estar no primeiro mundo, sem repartições públicas 100% informatizadas e com funcionários bem treinados e motivados ?
Não é óbvio que a morosidade seja medieval, sem tais providências ?
A lição é muito clara : Estar entre as maiores potências econômicas do planeta é motivo de orgulho, mas investir em infraestrutura é vital para que de fato possamos ser considerados um país de 1° Mundo.
E por enquanto, o Brasil parece ainda estar no tempo do Império, em muitos aspectos.
Assinar:
Postagens (Atom)