Um Talento na U.T.I. , texto de Luiz Domingues.
Houve uma época no Brasil, onde a poliomielite (popular "paralisia infantil"), era epidêmica.
Doença
perigosa, que paralisa membros e tende a ser muito dura com as
crianças, foi aos poucos sendo erradicada, graças aos esforços dos
orgãos de saúde pública, promovendo ações de vacinação em massa.
Infelizmente, alheio à esse esforço, um garotinho chamado Paulo Henrique Machado, não teve a sorte de escapar de tal flagelo.
Sua mãe morreu apenas dois dias depois de seu nascimento e com um ano e meio, teve a infelicidade de contrair a doença.
Dessa
forma, foi internado no Hospital das Clínicas de São Paulo, pois além
de ter perdido o movimento de pernas e braços, precisava de cuidados
respiratórios, pois seu pulmão também estava comprometido.
Dessa
forma, o pequeno Paulo foi ficando na U.T.I. do Hospital das Clínicas,
pois não havia meios de ter tais cuidados em sua casa.
Crescer
dentro de um ambiente de U.T.I., tendo sérias dificuldades de locomoção e
respiração, não foi fácil para o pequeno Paulo Henrique, todavia, o
menino apresentava uma incomum disposição e alegria.
Mesmo com as
dificuldades inerentes às consequências da doença, Paulo não se furtava
de brincar e interagir com as demais crianças internadas e sua
inteligência desde sempre, era fora do comum.
Uma de suas mais
remotas lembranças, vinha de uma TV em preto e branco, onde assistira
com vívido interesse, a chegada do homem à Lua, em 1969.
Desse estopim remoto, nasceu seu interesse pela tecnologia, Sci-Fi e ciência em geral.
O
tempo foi passando e Paulo tornou-se adulto, mas sua vida não mudou,
precisando dos cuidados do Hospital das Clínicas, que efetivamente
estabeleceu-se como o seu Lar.
Com a popularização da tecnologia,
Paulo adaptou-se rapidamente ao uso da informática e dessa forma,
tornou-se um Web designer muito eficiente.
Ganhou seu primeiro PC, em 1994, mas era um modelo rudimentar e limitado.
Dessa maneira, tratou de montar um novo PC, sozinho, só indicando as peças que visualisava para tal montagem.
Hoje
em dia, cada vez mais embrenhado nas possibilidades do mundo virtual,
Paulo Henrique está com um projeto ambicioso, neste momento.
Está criando uma animação em 3D, cujos personagens são deficientes físicos.
Claro,
precisa de recursos financeiros para tal empreitada e daí, fica a
inevitável pergunta : Será que nossos governantes não poderiam dar uma
ajuda para um projeto desses ?
Não quero ser oportunista, mas
acho um pouco injusto um talento como o de Paulo Henrique Machado ficar
obscurecido, enquanto bilhões de reais são gastos na construção/reforma
de estádios de futebol.
Aos que poderiam contra-argumentar que
uma coisa não tem nada a ver com a outra, eu pontuo a questão da falta
de planejamento e nesse caso, a inexistência de prioridade para a
cultura, educação e ciência.
Finalizando, Paulo Henrique Machado é
mais um caso de talento desperdiçado e sendo assim, numa época onde o
povo clama por mudanças, entra fácil para o rol das novas prioridades de
um Brasil diferente, e que precisa valorizar seus melhores cérebros.
Blog com grandes especialistas escolhidos a dedo , para escrever artigos e matérias sobre os mais variados assuntos. Tudo isso feito de uma forma diferente, polêmica e inovadora. Comunidade oficial no Orkut. Debates Interessantes. http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=34302522
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
terça-feira, 30 de julho de 2013
Cidade Dormitório.
Cidade Dormitório , texto de Luiz Domingues.
Vivemos tempos difíceis no quesito mobilidade urbana. Com as cidades cada vez mais inchadas, o trânsito caótico piora, transformando a rotina dos trabalhadores, um inferno cotidiano.
Ações são discutidas por técnicos para melhorar o deslocamento das pessoas nas cidades, mas a complexidade de tal engenharia de trânsito, torna-se muito difícil de ser equalizada, quando a realidade nos mostra que na cidade de São Paulo, por exemplo, cerca de 800 novos carros são emplacados pelo Detran, diariamente...
Vi uma estatística dando conta de que uma cidade do porte de Araçatuba (cerca de 300 mil habitantes), se desloca diariamente para São Paulo, vindo de cidades vizinhas, para trabalhar na capital.
No Estado do Rio, é clássico o exemplo da cidade de Duque de Caxias, onde quase 90 % de sua população precisa trabalhar na cidade do Rio, por falta de melhores opções de empregos.
Como se não bastassem todos os problemas, a questão política é um fator desanimador para quem sonha com dias melhores no trânsito.
Interesses obscuros fazem com que as ações dos governantes não afunilem-se em torno de uma meta, e isso só gera mais frustração.
Claro que o ideal é que cidades de mais de 500 mil habitantes tenham uma rede de metrô eficiente. Mas o que observamos é uma ação de tartarugas para construir metrô em poucas cidades e para piorar, de forma totalmente insatisfatória.
Corredor exclusivo para ônibus, é um outro exemplo de necessidade para lá de urgente, com a possibilidade desses coletivos andarem mais rápido, deslocando um número maior de pessoas, e tirando carros particulares das ruas.
Intregração con trens de subúrbio e incentivo ao uso de bicicletas, também são importantes, com a ressalva de que no caso das bicicletas, a criação de ciclovias seguras, se faz mister.
Repensar a questão tributária dos taxistas, dando-lhes a oportunidade de minimizar custos e por conseguinte, trabalhar com uma tarifa reduzida ao passageiro, é outra medida importante. Nesse caso, até a criação de uma tarifa especial de combustíveis, seria bem vinda e com a perspectiva do Pré-Sal, por que não ?
Tudo isso é discutido em profusão por vários setores da sociedade civil, ainda que o governo muitas vezes desconverse...
Mas existe um outro elemento nessa equação, que seria vital para desatar esse nó cruel que atormenta milhões de pessoas : a questão da cidade dormitório.
A vida é cara e para poder arcar com a despesa de moradia, muitas vezes as pessoas precisam submeter-se à morar muito longe de seus locais de trabalho.
Qual a lógica de se morar num determinado bairro e ter que deslocar-se com enorme sacrifício, para trabalhar num outro bairro longínquo ?
E o caso de pessoas que trabalham diariamente em outras cidades ?
Numa estrutura social caótica como a do Brasil, tudo parece responder à fatores aleatórios.
A pessoa mora longe, por que não tem como manter-se num bairro mais próximo do centro de sua cidade, e a questão do emprego é vista como um eterno "pegar ou largar", sem dar opção de escolha ao cidadão.
Dessa forma, criou-se essa caótica forma de deslocamentos, onde o que deveria ser o padrão, é tido como um golpe de sorte, para poucos e equivalente a tirar a sorte grande de um jogo de loteria.
Trabalhar e morar no mesmo bairro, passou a ser um privilégio de afortunados.
Pois os governantes deveriam consultar os urbanistas com maior atenção e repensar.
A geração de empregos privilegiando trabalhadores do mesmo bairro, deveria ser plano de governo, como prioridade.
Deveria ser tratada como meta de incentivo às indústrias, comércio, rede de serviços e outros empreendedores, no sentido de priorizarem a contratação de profissionais do mesmo bairro de suas sedes.
Se muitas pessoas passarem a trabalhar perto de suas residências, não é só o trânsito que melhora.
É óbvio o benefício humano, com o aumento significativo da qualidade de vida.
Tirando as pessoas do sufoco da "hora do rush", sobra tempo para lazer, cultura, tempo com suas famílias, prática de esportes etc.
Não consigo imaginar o caos do trânsito melhorar, sem que os governantes trabalhem todas essas ações conjuntamente.
Todavia, uma das mais importantes sem dúvida, é acabar com esse conceito de "cidade dormitório", onde o cidadão é massacrado por uma rotina de deslocamentos que lhe antecipa a velhice em muitos anos, numa subtração desumana.
Vivemos tempos difíceis no quesito mobilidade urbana. Com as cidades cada vez mais inchadas, o trânsito caótico piora, transformando a rotina dos trabalhadores, um inferno cotidiano.
Ações são discutidas por técnicos para melhorar o deslocamento das pessoas nas cidades, mas a complexidade de tal engenharia de trânsito, torna-se muito difícil de ser equalizada, quando a realidade nos mostra que na cidade de São Paulo, por exemplo, cerca de 800 novos carros são emplacados pelo Detran, diariamente...
Vi uma estatística dando conta de que uma cidade do porte de Araçatuba (cerca de 300 mil habitantes), se desloca diariamente para São Paulo, vindo de cidades vizinhas, para trabalhar na capital.
No Estado do Rio, é clássico o exemplo da cidade de Duque de Caxias, onde quase 90 % de sua população precisa trabalhar na cidade do Rio, por falta de melhores opções de empregos.
Como se não bastassem todos os problemas, a questão política é um fator desanimador para quem sonha com dias melhores no trânsito.
Interesses obscuros fazem com que as ações dos governantes não afunilem-se em torno de uma meta, e isso só gera mais frustração.
Claro que o ideal é que cidades de mais de 500 mil habitantes tenham uma rede de metrô eficiente. Mas o que observamos é uma ação de tartarugas para construir metrô em poucas cidades e para piorar, de forma totalmente insatisfatória.
Corredor exclusivo para ônibus, é um outro exemplo de necessidade para lá de urgente, com a possibilidade desses coletivos andarem mais rápido, deslocando um número maior de pessoas, e tirando carros particulares das ruas.
Intregração con trens de subúrbio e incentivo ao uso de bicicletas, também são importantes, com a ressalva de que no caso das bicicletas, a criação de ciclovias seguras, se faz mister.
Repensar a questão tributária dos taxistas, dando-lhes a oportunidade de minimizar custos e por conseguinte, trabalhar com uma tarifa reduzida ao passageiro, é outra medida importante. Nesse caso, até a criação de uma tarifa especial de combustíveis, seria bem vinda e com a perspectiva do Pré-Sal, por que não ?
Tudo isso é discutido em profusão por vários setores da sociedade civil, ainda que o governo muitas vezes desconverse...
Mas existe um outro elemento nessa equação, que seria vital para desatar esse nó cruel que atormenta milhões de pessoas : a questão da cidade dormitório.
A vida é cara e para poder arcar com a despesa de moradia, muitas vezes as pessoas precisam submeter-se à morar muito longe de seus locais de trabalho.
Qual a lógica de se morar num determinado bairro e ter que deslocar-se com enorme sacrifício, para trabalhar num outro bairro longínquo ?
E o caso de pessoas que trabalham diariamente em outras cidades ?
Numa estrutura social caótica como a do Brasil, tudo parece responder à fatores aleatórios.
A pessoa mora longe, por que não tem como manter-se num bairro mais próximo do centro de sua cidade, e a questão do emprego é vista como um eterno "pegar ou largar", sem dar opção de escolha ao cidadão.
Dessa forma, criou-se essa caótica forma de deslocamentos, onde o que deveria ser o padrão, é tido como um golpe de sorte, para poucos e equivalente a tirar a sorte grande de um jogo de loteria.
Trabalhar e morar no mesmo bairro, passou a ser um privilégio de afortunados.
Pois os governantes deveriam consultar os urbanistas com maior atenção e repensar.
A geração de empregos privilegiando trabalhadores do mesmo bairro, deveria ser plano de governo, como prioridade.
Deveria ser tratada como meta de incentivo às indústrias, comércio, rede de serviços e outros empreendedores, no sentido de priorizarem a contratação de profissionais do mesmo bairro de suas sedes.
Se muitas pessoas passarem a trabalhar perto de suas residências, não é só o trânsito que melhora.
É óbvio o benefício humano, com o aumento significativo da qualidade de vida.
Tirando as pessoas do sufoco da "hora do rush", sobra tempo para lazer, cultura, tempo com suas famílias, prática de esportes etc.
Não consigo imaginar o caos do trânsito melhorar, sem que os governantes trabalhem todas essas ações conjuntamente.
Todavia, uma das mais importantes sem dúvida, é acabar com esse conceito de "cidade dormitório", onde o cidadão é massacrado por uma rotina de deslocamentos que lhe antecipa a velhice em muitos anos, numa subtração desumana.
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Greves, Protestos & Manifestações.
Greves, Protestos & Manifestações, um texto de Luiz Domingues.
Parto do pressuposto de que não existe um regime sócio-político perfeito e que portanto, atenda à todas as necessidades, desejos e interesses de todos os cidadãos, simultaneamente.
E isso é óbvio sinal de que a diversidade humana é enorme, e nessa complexidade, é praticamente impossível haver um modo de gerenciamento público, que contente a todos os interesses.
Posta essa colocação, que soa óbvia, mas nem todo mundo leva em consideração quando quer expôr seus motivos pessoais, sigo em frente, para falar sobre algo que reputo um direito sagrado do cidadão : reivindicar.
É muito natural e salutar dentro de um regime democrático de direito, que o cidadão seja ouvido em suas reivindicações.
Onde o poder público pode gerenciar, e isso interfere na vida do cidadão comum, é claro que se trata de um direito deste, reclamar de algo que o afeta negativamente, e reivindicar melhorias e providências sobre aspectos que estão ruins e carecem de melhorias.
Portanto, o cidadão tem o direito de reclamar, de querer ser ouvido, de reivindicar.
Disso não tenho dúvida e de forma alguma quero ser mal interpretado, deixando claro que sou absolutamente contra medidas proibitivas de tais manifestações populares; contra o cerceamento do livre arbítrio; dos abusos contra os direitos civis e sendo assim, denotando atitudes ditatoriais abomináveis da parte de quem detém o poder público.
Contudo, na questão das greves, passeatas, manifestações e protestos públicos, por exemplo, temos observado uma profusão de equívocos, nesse sentido.
No caso das greves de categorias profissionais, por exemplo, é inacreditável que em pleno século XXI, tenhamos práticas truculentas e muito equivocadas, no sentido de não exercer pressão à quem deveria ser exercida.
Um exemplo ?
Se funcionários do transporte público, entram em greve, o objetivo é pressionar o prefeito e/ou o governador, mandatários responsáveis por tal serviço público.
Porém, quem na prática, é que se prejudica, quando ônibus, trens de subúrbio ou metrô paralisam, por seus funcionários cruzarem os braços ?
O transtôrno causado quando uma só categoria dessas para, é enorme e muitas vezes, tais greves se multiplicam, numa ação viral que estrangula as cidades, notadamente os grandes centros, causando um sofrimento gigantesco para milhões de pessoas.
Nesse caso, a pergunta é : Não existe uma maneira mais civilizada de se pressionar quem de fato querem pressionar, para que atendam suas reivindicações ?
É necessário prejudicar milhões de pessoas para de uma forma muito indireta, isso gere um certo prejuízo à imagem de tal mandatário ?
A existência da "greve branca", onde por exemplo se abririam as catracas sem cobrança de bilhetes, daria um efeito forte sobre o governo, sem no entanto prejudicar as pessoas comuns. O transporte seria feito normalmente, sem incomodar ninguém, a não ser os políticos governantes.
Sei que nesse caso, existem mecanismos jurídicos e marotos (ah...as brechas da Lei..."), onde esse tipo de greve é coibida com a ameaça de exoneração sumária, daí o medo de fazer tal tipo de protesto.
Nesse caso, onde está a visão dessa gente, que não briga por mudanças jurídicas ? Infelizmente, optam por fazer greves antipáticas, que mais atingem o cidadão comum.
Em relação à passeatas, tornou-se lugar comum tomar as pistas da Av. Paulista, em São Paulo (uso São Paulo como exemplo, por ser minha cidade, mas vale para qualquer cidade, incluso interioranas).
Se toda a categoria profissional e defensores de causas, as mais diversas, se sentem no direito de paralisar a avenida todo dia, pergunto-me : e o meu direito de ir e vir?
Devo agrupar pessoas incomodadas com as passeatas diárias, que fecham o caminho, e organizar uma passeata para protestar contra as passeatas ?
Fico pensando em como se sente uma pessoa infartada dentro de uma ambulância, a caminho de um hospital (e na região da Av. Paulista existem mais de dez, importantes e enormes), quando a ambulância para, porque os defensores de uma causa qualquer, estão bloqueando-a.
Não dá para fazer a manifestação numa pista só, deixando as demais para o trânsito fluir, ainda que já prejudicado ? É tudo ou nada para essa gente ?
Outra questão : Muitas vezes, independente do protesto ser válido ou não (acredite, tem muita gente que se engaja em causas não fidedignas, sem checar fontes e comprando ideologias vazias como uma bexiga furada), existem as inevitáveis infiltrações.
Vamos supor que a causa seja nobre e o comando da organização do protesto esteja imbuído dos mais sérios propósitos nesse sentido. Eles mobilizam os militantes da causa, preparam seus cartazes, faixas, flyers, levam megafone e instrumentos de percussão, ensaiam palavras de ordem e instruem os participantes a não provocarem pessoas comuns, não causarem nenhum ato de vandalismo etc etc.
Mas aí, tudo sai de controle, quando um bando de maus intencionados se infiltra e começam a vandalizar, arrumarem brigas, provocar pessoas comuns, praticarem saques no comércio e afrontar autoridades.
Para onde vai a imagem do seu protesto, outrora autodenominado "pacífico" ?
Tudo foge ao controle e nossa polícia, que ainda tem fortes ranços da ditadura militar (até quando, hein ??), reage com a sua costumeira truculência e prepotência.
É o que temos observado nessa recente onda de protestos que tem acontecido em diversas cidades, com São Paulo e Rio, chamando mais a atenção da mídia pelo seu gigantismo (mas não se enganem, pois tem acontecido em cidades interioranas e com grande truculência).
Reinvindicar melhores condições de transporte e tarifas mais baixas, acho legítimo, mas nesse caso, todo esse barulho com muita gente ferida gravemente, fora as depredações inadmissíveis, perde muito de seu sentido cívico, quando é manipulado por forças obscuras que só querem "causar" ou desgastar a imagem do partido A ou B.
Não seria o caso de promover um protesto branco, sem truculência, mas contundente, agindo fortemente nas redes sociais e por exemplo, confrontando os números apresentados pelos governantes e empresários do setor de transportes ?
Algum desses vândalos que vão às ruas munidos de coquetéis Molotov e usam máscaras para não serem reconhecidos, teve acesso às planilhas de custos do transporte público ?
Mas mesmo assim, salta-me aos olhos o oportunismo dessas manifestações truculentas, deixando claro que são motivadas por outros interesses e com o objetivo de "causar", para usar uma gíria moderna.
O mesmo em relação aos protestos contra as falcatruas perpetradas por governantes em relação à realização da Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil.
Ora, claro que os absurdos cometidos com o dinheiro público e ações correlatas, prejudicando pessoas humildes (recomendo assistir o documentário "A Caminho da Copa", disponível no You Tube), são abomináveis e precisam ser denunciados com veemência, mas fica a pergunta : desde 2007, sabemos que o Brasil sediaria a Copa e que falcatruas seriam cometidas, portanto, qual o sentido de promover uma manifestação na porta do Estádio Mané Garrincha, em Brasília, no dia do jogo inaugural da Copa das Confederações, em pleno 2013 ??
Ora, que adianta apavorar pessoas inocentes que estavam ali para assistir a cerimônia e o jogo da seleção brasileira ?
Isso é forma inteligente de protestar ?
E outra, agora ? Esperaram sete anos para reagir contra a roubalheira que esses eventos propiciam nos cofres públicos ?
Sei que não é só pelos 20 centavos, como virou moda dizer. O saco do povo estourou e revelou a insatisfação acumulada por décadas e por inúmeras razões, mas ainda penso que a mobilização para reivindicar tem que ter inteligência, foco e logística.
Sou totalmente favorável à uma reforma ampla. Urge a reforma tributária, que é a meu ver, o foco número um na pauta.
Acabar com esse vilipêndio à carne do povo, que é cruelmente esfacelada por impostos insuportáveis e com a infame contrapartida do retorno insignificante de benefícios públicos, se faz mister.
A vergonhosa política oficial de não investimentos em transportes públicos de qualidade, para satisfazer a sanha da indústria automobilística e petrolífera, é outra prioridade urgentíssima.
A radical mudança do planejamento, onde saúde, infraestrutura e educação, sejam prioritárias, como única maneira de catalputar o país ao primeiro mundo, sem dúvida.
A reforma política coibindo a infame mordomia que os parlamentares e membros do executivo gozam, ás custas do cofre público.
Sou a favor da extinção da "Voz do Brasil" obrigatória nas estações de rádio.
Qual o sentido de ser obrigatório em pleno século XXI, com internet, TV a cabo e telefonia móvel ?
Quem quiser acompanhar os trabalhos do executivo, legislativo e judiciário, tem plenos canais para fazê-lo, sem a necessidade desse antipático e ditatorial programinha dos anos trinta.
Pela ampla reforma da Lei eleitoral, com a extinção do voto obrigatório.
Pelo fim do serviço militar obrigatório, imediatamente, pois servir as forças armadas tem que ser um direito e nunca uma obrigação.
Pela reforma do código civil e criminal, acabando com as abomináveis "brechas jurídicas".
Reforma total do sistema penitenciário, uma falida e insalubre forma de lidar com os condenados da justiça, onde não se recupera ninguém para a sociedade.
Fim da militarização da polícia. A polícia tem que ser o braço amigo da sociedade e este modelo que temos é de uma polícia mal preparada, carrancuda e com ranços da ditadura, insuportáveis.
Pelo investimento maciço na infraestrutura, acabando com o atraso colonial que ainda persiste.
Pela simplificação total da burocracia, que esmaga o cidadão comum e inibe o empreendedorismo dos empresários, do micro ao mega empresário.
Pela sustentabilidade, pela ecologia, pela cidadania...
Pela limpeza, pelo respeito mútuo, pela pacificação no trânsito...
Pela cultura, pela arte...
Enfim, sou a favor da reforma total do país, mas ainda assim, penso que há maneiras e maneiras de se protestar.
Em suma : Protestar, reivindicar e reclamar, são direitos do cidadão, mas há formas de se fazer ouvir, sem prejudicar as pessoas erradas, que invariavelmente pagam o pato...
Parto do pressuposto de que não existe um regime sócio-político perfeito e que portanto, atenda à todas as necessidades, desejos e interesses de todos os cidadãos, simultaneamente.
E isso é óbvio sinal de que a diversidade humana é enorme, e nessa complexidade, é praticamente impossível haver um modo de gerenciamento público, que contente a todos os interesses.
Posta essa colocação, que soa óbvia, mas nem todo mundo leva em consideração quando quer expôr seus motivos pessoais, sigo em frente, para falar sobre algo que reputo um direito sagrado do cidadão : reivindicar.
É muito natural e salutar dentro de um regime democrático de direito, que o cidadão seja ouvido em suas reivindicações.
Onde o poder público pode gerenciar, e isso interfere na vida do cidadão comum, é claro que se trata de um direito deste, reclamar de algo que o afeta negativamente, e reivindicar melhorias e providências sobre aspectos que estão ruins e carecem de melhorias.
Portanto, o cidadão tem o direito de reclamar, de querer ser ouvido, de reivindicar.
Disso não tenho dúvida e de forma alguma quero ser mal interpretado, deixando claro que sou absolutamente contra medidas proibitivas de tais manifestações populares; contra o cerceamento do livre arbítrio; dos abusos contra os direitos civis e sendo assim, denotando atitudes ditatoriais abomináveis da parte de quem detém o poder público.
Contudo, na questão das greves, passeatas, manifestações e protestos públicos, por exemplo, temos observado uma profusão de equívocos, nesse sentido.
No caso das greves de categorias profissionais, por exemplo, é inacreditável que em pleno século XXI, tenhamos práticas truculentas e muito equivocadas, no sentido de não exercer pressão à quem deveria ser exercida.
Um exemplo ?
Se funcionários do transporte público, entram em greve, o objetivo é pressionar o prefeito e/ou o governador, mandatários responsáveis por tal serviço público.
Porém, quem na prática, é que se prejudica, quando ônibus, trens de subúrbio ou metrô paralisam, por seus funcionários cruzarem os braços ?
O transtôrno causado quando uma só categoria dessas para, é enorme e muitas vezes, tais greves se multiplicam, numa ação viral que estrangula as cidades, notadamente os grandes centros, causando um sofrimento gigantesco para milhões de pessoas.
Nesse caso, a pergunta é : Não existe uma maneira mais civilizada de se pressionar quem de fato querem pressionar, para que atendam suas reivindicações ?
É necessário prejudicar milhões de pessoas para de uma forma muito indireta, isso gere um certo prejuízo à imagem de tal mandatário ?
A existência da "greve branca", onde por exemplo se abririam as catracas sem cobrança de bilhetes, daria um efeito forte sobre o governo, sem no entanto prejudicar as pessoas comuns. O transporte seria feito normalmente, sem incomodar ninguém, a não ser os políticos governantes.
Sei que nesse caso, existem mecanismos jurídicos e marotos (ah...as brechas da Lei..."), onde esse tipo de greve é coibida com a ameaça de exoneração sumária, daí o medo de fazer tal tipo de protesto.
Nesse caso, onde está a visão dessa gente, que não briga por mudanças jurídicas ? Infelizmente, optam por fazer greves antipáticas, que mais atingem o cidadão comum.
Em relação à passeatas, tornou-se lugar comum tomar as pistas da Av. Paulista, em São Paulo (uso São Paulo como exemplo, por ser minha cidade, mas vale para qualquer cidade, incluso interioranas).
Se toda a categoria profissional e defensores de causas, as mais diversas, se sentem no direito de paralisar a avenida todo dia, pergunto-me : e o meu direito de ir e vir?
Devo agrupar pessoas incomodadas com as passeatas diárias, que fecham o caminho, e organizar uma passeata para protestar contra as passeatas ?
Fico pensando em como se sente uma pessoa infartada dentro de uma ambulância, a caminho de um hospital (e na região da Av. Paulista existem mais de dez, importantes e enormes), quando a ambulância para, porque os defensores de uma causa qualquer, estão bloqueando-a.
Não dá para fazer a manifestação numa pista só, deixando as demais para o trânsito fluir, ainda que já prejudicado ? É tudo ou nada para essa gente ?
Outra questão : Muitas vezes, independente do protesto ser válido ou não (acredite, tem muita gente que se engaja em causas não fidedignas, sem checar fontes e comprando ideologias vazias como uma bexiga furada), existem as inevitáveis infiltrações.
Vamos supor que a causa seja nobre e o comando da organização do protesto esteja imbuído dos mais sérios propósitos nesse sentido. Eles mobilizam os militantes da causa, preparam seus cartazes, faixas, flyers, levam megafone e instrumentos de percussão, ensaiam palavras de ordem e instruem os participantes a não provocarem pessoas comuns, não causarem nenhum ato de vandalismo etc etc.
Mas aí, tudo sai de controle, quando um bando de maus intencionados se infiltra e começam a vandalizar, arrumarem brigas, provocar pessoas comuns, praticarem saques no comércio e afrontar autoridades.
Para onde vai a imagem do seu protesto, outrora autodenominado "pacífico" ?
Tudo foge ao controle e nossa polícia, que ainda tem fortes ranços da ditadura militar (até quando, hein ??), reage com a sua costumeira truculência e prepotência.
É o que temos observado nessa recente onda de protestos que tem acontecido em diversas cidades, com São Paulo e Rio, chamando mais a atenção da mídia pelo seu gigantismo (mas não se enganem, pois tem acontecido em cidades interioranas e com grande truculência).
Reinvindicar melhores condições de transporte e tarifas mais baixas, acho legítimo, mas nesse caso, todo esse barulho com muita gente ferida gravemente, fora as depredações inadmissíveis, perde muito de seu sentido cívico, quando é manipulado por forças obscuras que só querem "causar" ou desgastar a imagem do partido A ou B.
Não seria o caso de promover um protesto branco, sem truculência, mas contundente, agindo fortemente nas redes sociais e por exemplo, confrontando os números apresentados pelos governantes e empresários do setor de transportes ?
Algum desses vândalos que vão às ruas munidos de coquetéis Molotov e usam máscaras para não serem reconhecidos, teve acesso às planilhas de custos do transporte público ?
Mas mesmo assim, salta-me aos olhos o oportunismo dessas manifestações truculentas, deixando claro que são motivadas por outros interesses e com o objetivo de "causar", para usar uma gíria moderna.
O mesmo em relação aos protestos contra as falcatruas perpetradas por governantes em relação à realização da Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil.
Ora, claro que os absurdos cometidos com o dinheiro público e ações correlatas, prejudicando pessoas humildes (recomendo assistir o documentário "A Caminho da Copa", disponível no You Tube), são abomináveis e precisam ser denunciados com veemência, mas fica a pergunta : desde 2007, sabemos que o Brasil sediaria a Copa e que falcatruas seriam cometidas, portanto, qual o sentido de promover uma manifestação na porta do Estádio Mané Garrincha, em Brasília, no dia do jogo inaugural da Copa das Confederações, em pleno 2013 ??
Ora, que adianta apavorar pessoas inocentes que estavam ali para assistir a cerimônia e o jogo da seleção brasileira ?
Isso é forma inteligente de protestar ?
E outra, agora ? Esperaram sete anos para reagir contra a roubalheira que esses eventos propiciam nos cofres públicos ?
Sei que não é só pelos 20 centavos, como virou moda dizer. O saco do povo estourou e revelou a insatisfação acumulada por décadas e por inúmeras razões, mas ainda penso que a mobilização para reivindicar tem que ter inteligência, foco e logística.
Sou totalmente favorável à uma reforma ampla. Urge a reforma tributária, que é a meu ver, o foco número um na pauta.
Acabar com esse vilipêndio à carne do povo, que é cruelmente esfacelada por impostos insuportáveis e com a infame contrapartida do retorno insignificante de benefícios públicos, se faz mister.
A vergonhosa política oficial de não investimentos em transportes públicos de qualidade, para satisfazer a sanha da indústria automobilística e petrolífera, é outra prioridade urgentíssima.
A radical mudança do planejamento, onde saúde, infraestrutura e educação, sejam prioritárias, como única maneira de catalputar o país ao primeiro mundo, sem dúvida.
A reforma política coibindo a infame mordomia que os parlamentares e membros do executivo gozam, ás custas do cofre público.
Sou a favor da extinção da "Voz do Brasil" obrigatória nas estações de rádio.
Qual o sentido de ser obrigatório em pleno século XXI, com internet, TV a cabo e telefonia móvel ?
Quem quiser acompanhar os trabalhos do executivo, legislativo e judiciário, tem plenos canais para fazê-lo, sem a necessidade desse antipático e ditatorial programinha dos anos trinta.
Pela ampla reforma da Lei eleitoral, com a extinção do voto obrigatório.
Pelo fim do serviço militar obrigatório, imediatamente, pois servir as forças armadas tem que ser um direito e nunca uma obrigação.
Pela reforma do código civil e criminal, acabando com as abomináveis "brechas jurídicas".
Reforma total do sistema penitenciário, uma falida e insalubre forma de lidar com os condenados da justiça, onde não se recupera ninguém para a sociedade.
Fim da militarização da polícia. A polícia tem que ser o braço amigo da sociedade e este modelo que temos é de uma polícia mal preparada, carrancuda e com ranços da ditadura, insuportáveis.
Pelo investimento maciço na infraestrutura, acabando com o atraso colonial que ainda persiste.
Pela simplificação total da burocracia, que esmaga o cidadão comum e inibe o empreendedorismo dos empresários, do micro ao mega empresário.
Pela sustentabilidade, pela ecologia, pela cidadania...
Pela limpeza, pelo respeito mútuo, pela pacificação no trânsito...
Pela cultura, pela arte...
Enfim, sou a favor da reforma total do país, mas ainda assim, penso que há maneiras e maneiras de se protestar.
Em suma : Protestar, reivindicar e reclamar, são direitos do cidadão, mas há formas de se fazer ouvir, sem prejudicar as pessoas erradas, que invariavelmente pagam o pato...
terça-feira, 2 de julho de 2013
Caos Portuário.
Caos Portuário, texto de Luiz Domingues.
O Brasil entrou numa fase de prosperidade sem precedentes em sua história, quando deu seu primeiro passo nesse sentido ainda nos anos noventa, controlando a infame inflação que o assolava há décadas.
Claro, não podemos deixar de considerar que aspectos políticos contribuiram nesse sentido. O simples fato de voltar a promover eleições presidenciais livres, fora importante cinco anos antes, apesar do povo ter se deixado levar por falsa propaganda e ter eleito um candidato inadequado.
Ok, democracia é assim mesmo, demora muito para maturar e segue a toada da tentativa e erro.
Mas sem dúvida que esses fatores foram importantes para que já na segunda metade dos anos 2000, sinais animadores deixassem o país visível aos olhos do mundo.
Atravessando a grande crise de 2008, "quase" incólume, o Brasil virou a "bola da vez" em muitos aspectos, da política sócio-financeira aos índices de progresso, em vários níveis.
Só que nos seus meandros, o Brasil progressista que passou a encantar o mundo pelo seu salto rumo ao primeiro mundo, escondia de si mesmo, outra realidade.
A absoluta falta de infraestrutura em setores vitais da economia, revelava-se diametralmente oposta à euforia gerada pelos observadores internacionais.
Só quando a proximidade de grandes eventos de âmbito mundiais avistaram-se, foi que perceberam que portos e aeroportos brasileiros, são de quinta categoria, entre outras coisas.
No tocante aos portos em específico, a situação é dramática e faz tempo.
O assunto só veio à baila neste momento, por dois motivos :
1) A proximidade da Copa do Mundo e Olimpíadas e;
2) A visão estarrecedora da gigantesca fila de caminhões parados no porto de Santos, revelando a falta de organização e por conseguinte, a enorme quantidade de dinheiro jogado no lixo, e outra montanha que se deixa de ganhar, por tal ineficiência.
Qual a razão, ou razões para essa situação ter chegado nesse ponto vergonhoso ?
Bem, são muitas as razões, mas o fator burocrático, é um dos maiores vilões nesse sentido.
Um exemplo ?
Quando um contêiner chega ao porto para exportação, contendo commodities, por exemplo, não consegue embarcar rumo ao seu destino, em menos de 13 dias.
O motivo ? Burocracia massacrante, onde é preciso apresentar cerca de 200 documentos (pasmem !!), para a liberação e alguns desses, são conflitantes entre si, deixando o exportador completamente louco.
Em Cingapura, esse trâmite burocrático leva um dia e nos Estados Unidos, dois...
Então, some-se à esse fato, que o processo inverso também é infernal, ou seja, navios estrangeiros que aqui chegam, podem ficar até 15 dias esperando autorização para atracar...
Isso espelha bem o caos que essa logística ou antilogística, causa ao país.
Fora essa questão, observa-se também a falta de investimentos na modernização dos portos. Com espaço físico reduzido, ineficiente conexão ferroviária e páteos de estacionamentos minúsculos, não é de se estranhar que filas inacreditáveis de caminhões fechem, literalmente, as estradas que dão acesso ao cais.
Outro fator surpreendente e inadmissível num mundo moderno e informatizado, é que 90% dessa burocracia ou "burrocracia", como queiram, esbarra na falta de comunicação "on line" entre orgãos reguladores e fiscalizadores.
Como aspirar estar no primeiro mundo, sem repartições públicas 100% informatizadas e com funcionários bem treinados e motivados ?
Não é óbvio que a morosidade seja medieval, sem tais providências ?
A lição é muito clara : Estar entre as maiores potências econômicas do planeta é motivo de orgulho, mas investir em infraestrutura é vital para que de fato possamos ser considerados um país de 1° Mundo.
E por enquanto, o Brasil parece ainda estar no tempo do Império, em muitos aspectos.
O Brasil entrou numa fase de prosperidade sem precedentes em sua história, quando deu seu primeiro passo nesse sentido ainda nos anos noventa, controlando a infame inflação que o assolava há décadas.
Claro, não podemos deixar de considerar que aspectos políticos contribuiram nesse sentido. O simples fato de voltar a promover eleições presidenciais livres, fora importante cinco anos antes, apesar do povo ter se deixado levar por falsa propaganda e ter eleito um candidato inadequado.
Ok, democracia é assim mesmo, demora muito para maturar e segue a toada da tentativa e erro.
Mas sem dúvida que esses fatores foram importantes para que já na segunda metade dos anos 2000, sinais animadores deixassem o país visível aos olhos do mundo.
Atravessando a grande crise de 2008, "quase" incólume, o Brasil virou a "bola da vez" em muitos aspectos, da política sócio-financeira aos índices de progresso, em vários níveis.
Só que nos seus meandros, o Brasil progressista que passou a encantar o mundo pelo seu salto rumo ao primeiro mundo, escondia de si mesmo, outra realidade.
A absoluta falta de infraestrutura em setores vitais da economia, revelava-se diametralmente oposta à euforia gerada pelos observadores internacionais.
Só quando a proximidade de grandes eventos de âmbito mundiais avistaram-se, foi que perceberam que portos e aeroportos brasileiros, são de quinta categoria, entre outras coisas.
No tocante aos portos em específico, a situação é dramática e faz tempo.
O assunto só veio à baila neste momento, por dois motivos :
1) A proximidade da Copa do Mundo e Olimpíadas e;
2) A visão estarrecedora da gigantesca fila de caminhões parados no porto de Santos, revelando a falta de organização e por conseguinte, a enorme quantidade de dinheiro jogado no lixo, e outra montanha que se deixa de ganhar, por tal ineficiência.
Qual a razão, ou razões para essa situação ter chegado nesse ponto vergonhoso ?
Bem, são muitas as razões, mas o fator burocrático, é um dos maiores vilões nesse sentido.
Um exemplo ?
Quando um contêiner chega ao porto para exportação, contendo commodities, por exemplo, não consegue embarcar rumo ao seu destino, em menos de 13 dias.
O motivo ? Burocracia massacrante, onde é preciso apresentar cerca de 200 documentos (pasmem !!), para a liberação e alguns desses, são conflitantes entre si, deixando o exportador completamente louco.
Em Cingapura, esse trâmite burocrático leva um dia e nos Estados Unidos, dois...
Então, some-se à esse fato, que o processo inverso também é infernal, ou seja, navios estrangeiros que aqui chegam, podem ficar até 15 dias esperando autorização para atracar...
Isso espelha bem o caos que essa logística ou antilogística, causa ao país.
Fora essa questão, observa-se também a falta de investimentos na modernização dos portos. Com espaço físico reduzido, ineficiente conexão ferroviária e páteos de estacionamentos minúsculos, não é de se estranhar que filas inacreditáveis de caminhões fechem, literalmente, as estradas que dão acesso ao cais.
Outro fator surpreendente e inadmissível num mundo moderno e informatizado, é que 90% dessa burocracia ou "burrocracia", como queiram, esbarra na falta de comunicação "on line" entre orgãos reguladores e fiscalizadores.
Como aspirar estar no primeiro mundo, sem repartições públicas 100% informatizadas e com funcionários bem treinados e motivados ?
Não é óbvio que a morosidade seja medieval, sem tais providências ?
A lição é muito clara : Estar entre as maiores potências econômicas do planeta é motivo de orgulho, mas investir em infraestrutura é vital para que de fato possamos ser considerados um país de 1° Mundo.
E por enquanto, o Brasil parece ainda estar no tempo do Império, em muitos aspectos.
terça-feira, 18 de junho de 2013
Campeão Mundial do Improviso.
Campeão Mundial do Improviso, texto de Luiz Domingues.
Quando o Brasil foi escolhido pela FIFA, como o país sede da Copa do Mundo de 2014, tal data parecia longínqua na ocasião.
Era o ano de 2007, e sete anos parecia ser uma eternidade para promover tantas mudanças estruturais necessárias para cumprir o exigente caderno de adequações da FIFA.
E já naquele ano, o Brasil despontava como emergente "bola da vez", recebendo elogios da mídia internacional e sendo enfim notado pelas nações do 1° mundo, coisa rara até então.
Mas os problemas que se sucederiam, eram absolutamente previsíveis...
Enraizado na alma do Brasil, existem signos absolutamente vergonhosos que enquanto não forem erradicados do imaginário popular, difícilmente farão com que a riqueza material conquistada pela economia do país, reflitam-se como real grandeza digna de nos colocar de fato, no 1° mundo.
Por exemplo, a vergonhosa mania de se orgulhar de ser um povo que dá "jeitinho" em tudo.
Esse estigma é terrível, pois nos leva a crer que fazer as coisas de qualquer maneira, sem critério de qualidade, é uma virtude, quando na verdade, é uma prática lamentável.
Ligado intimamente à esse fator, existe outro estigma horrível, que é o do atraso.
Brasileiro acha bonito atrasar-se, entregar coisas ou tomar providências no último momento possível e muitas vezes, além do prazo final estipulado.
A questão do "jeitinho", tem a conotação do improviso, da "gambiarra", do "gato". Nessa mentalidade, nada é seguro, pois do pequeno reparo caseiro com a fita isolante, aos grandes empreendimentos arquitetônicos, paira no ar esse artíficio que a qualquer momento se descortina, algumas vezes em tragédias.
Outro estigma horrível e típico do Brasil é o orgulho da "malandragem". Se desde crianças, somos bombardeados com esse conceito, realmente fica muito difícil ter outra visão.
Se somos todos "malandros" e sempre dispostos a levar vantagem em tudo (certo ? ), chocamos os estrangeiros do 1° mundo, não habituados à tal prática abusiva/extorsiva inaceitável, e faz de nós, estelionatários em potencial.
Quando Mário de Andrade criou o personagem "Macunaíma" e Monteiro Lobato criou o "Jeca Tatu", os criaram a ambos, com a característica da "preguiça', como traço de personalidade dominante.
Ora, se ambos são personificações típicas do brasileiro, obviamente que os respectivos autores os criaram com forte fator de denúncia sóciocultural, mas parece que o povo absorveu a ideia de preguiça, como algo para se orgulhar...
Outro aspecto lamentável e típico do Brasil é a exaltação da sensualidade. Após décadas de propaganda maciça nesse sentido para atrair turistas, não é contraditório que o brasileiro sinta-se ofendido quando vê estrangeiros referindo-se às nossas mulheres de forma desrespeitosa ?
Sete anos se passaram e nada foi feito para atenuar essas questões. E como poderia mudar algo formatado há séculos, e com a agravante de ninguém nem discutir o assunto ?
A preocupação foi apenas construir novas "arenas", mas deixando em segundo plano uma série de outros fatores estruturais.
Arenas estão sendo inauguradas, todas embonecadas de cair o queixo, mas o entorno ainda é caótico; os meios de transporte, precários.
Aeroportos, portos, estações rodoviárias de terceira categoria; nenhum preparo para atender e informar bem os turistas...
Nem vou falar sobre segurança pública, para não fazer ninguém perder o sono.
E vou falar mais uma : disse acima que as arenas estão deslumbrantes. Isso é verdade, mas problemas estruturais inadmissíveis estão acontecendo em tempo recorde.
Na Fonte Nova, por exemplo, logo no primeiro dia da inauguração, verificava-se que a distância entre uma cadeira e outra, era inadequada para uma pessoa acomodar-se; no Castelão, há relatos de pessoas que demoraram horas (eu disse horas !) para sair do centro de Fortaleza e chegarem ao estádio, para o show do Paul McCartney.
O entorno do Maracanã está impraticável por conta das obras viárias. No Mineirão, logo nos primeiros jogos pós-inauguração, foi um horror a venda de ingressos, com uma bagunça generalizada.
Outra Arena que nem revelarei o nome, tinha um "probleminha" no dia da inauguração : jornalistas atônitos, descobriram não haver tomadas nas cabines de imprensa..."só" isso...
Isso sem contar toda a manobra política para tirar o Morumbi do evento.
Ora, está na ponta do lápis : Seria necessário uma rápida reforma para adequar o Morumbi às exigências da FIFA.
Isso custaria cerca de 350 milhões de reais, nos quais o São Paulo Futebol Clube pagaria quase toda a despesa, de seus cofres.
Mas "curiosamente", a FIFA criou todo tipo de empecilhos, preferindo ameaçar a cidade de São Paulo, de ficar fora do evento.
Daí, surgiu a "oportunidade" de construir o estádio do Corinthians, numa previsão inicial de "apenas" 800 milhões de reais, mas que agora já passou de 1 bilhão, é claro.
E o Maracanã ? Acaba de ser reformado, mas o governo anunciou que o reformará novamente para as Olimpíadas de 2016. Brasileiro adora reforma, licitação, concorrência pública...
Na ponta do lápis, parece coisa de louco, é o é, certamente. Mas aqui é o país do "jeitinho", da "malandragem", não é mesmo ?
Em tempo : recomendo assistir o seguinte documentário postado no You Tube : "A Caminho da Copa".
http://www.youtube.com/watch? v=nFcA2PKIcfQ
Quando o Brasil foi escolhido pela FIFA, como o país sede da Copa do Mundo de 2014, tal data parecia longínqua na ocasião.
Era o ano de 2007, e sete anos parecia ser uma eternidade para promover tantas mudanças estruturais necessárias para cumprir o exigente caderno de adequações da FIFA.
E já naquele ano, o Brasil despontava como emergente "bola da vez", recebendo elogios da mídia internacional e sendo enfim notado pelas nações do 1° mundo, coisa rara até então.
Mas os problemas que se sucederiam, eram absolutamente previsíveis...
Enraizado na alma do Brasil, existem signos absolutamente vergonhosos que enquanto não forem erradicados do imaginário popular, difícilmente farão com que a riqueza material conquistada pela economia do país, reflitam-se como real grandeza digna de nos colocar de fato, no 1° mundo.
Por exemplo, a vergonhosa mania de se orgulhar de ser um povo que dá "jeitinho" em tudo.
Esse estigma é terrível, pois nos leva a crer que fazer as coisas de qualquer maneira, sem critério de qualidade, é uma virtude, quando na verdade, é uma prática lamentável.
Ligado intimamente à esse fator, existe outro estigma horrível, que é o do atraso.
Brasileiro acha bonito atrasar-se, entregar coisas ou tomar providências no último momento possível e muitas vezes, além do prazo final estipulado.
A questão do "jeitinho", tem a conotação do improviso, da "gambiarra", do "gato". Nessa mentalidade, nada é seguro, pois do pequeno reparo caseiro com a fita isolante, aos grandes empreendimentos arquitetônicos, paira no ar esse artíficio que a qualquer momento se descortina, algumas vezes em tragédias.
Outro estigma horrível e típico do Brasil é o orgulho da "malandragem". Se desde crianças, somos bombardeados com esse conceito, realmente fica muito difícil ter outra visão.
Se somos todos "malandros" e sempre dispostos a levar vantagem em tudo (certo ? ), chocamos os estrangeiros do 1° mundo, não habituados à tal prática abusiva/extorsiva inaceitável, e faz de nós, estelionatários em potencial.
Quando Mário de Andrade criou o personagem "Macunaíma" e Monteiro Lobato criou o "Jeca Tatu", os criaram a ambos, com a característica da "preguiça', como traço de personalidade dominante.
Ora, se ambos são personificações típicas do brasileiro, obviamente que os respectivos autores os criaram com forte fator de denúncia sóciocultural, mas parece que o povo absorveu a ideia de preguiça, como algo para se orgulhar...
Outro aspecto lamentável e típico do Brasil é a exaltação da sensualidade. Após décadas de propaganda maciça nesse sentido para atrair turistas, não é contraditório que o brasileiro sinta-se ofendido quando vê estrangeiros referindo-se às nossas mulheres de forma desrespeitosa ?
Sete anos se passaram e nada foi feito para atenuar essas questões. E como poderia mudar algo formatado há séculos, e com a agravante de ninguém nem discutir o assunto ?
A preocupação foi apenas construir novas "arenas", mas deixando em segundo plano uma série de outros fatores estruturais.
Arenas estão sendo inauguradas, todas embonecadas de cair o queixo, mas o entorno ainda é caótico; os meios de transporte, precários.
Aeroportos, portos, estações rodoviárias de terceira categoria; nenhum preparo para atender e informar bem os turistas...
Nem vou falar sobre segurança pública, para não fazer ninguém perder o sono.
E vou falar mais uma : disse acima que as arenas estão deslumbrantes. Isso é verdade, mas problemas estruturais inadmissíveis estão acontecendo em tempo recorde.
Na Fonte Nova, por exemplo, logo no primeiro dia da inauguração, verificava-se que a distância entre uma cadeira e outra, era inadequada para uma pessoa acomodar-se; no Castelão, há relatos de pessoas que demoraram horas (eu disse horas !) para sair do centro de Fortaleza e chegarem ao estádio, para o show do Paul McCartney.
O entorno do Maracanã está impraticável por conta das obras viárias. No Mineirão, logo nos primeiros jogos pós-inauguração, foi um horror a venda de ingressos, com uma bagunça generalizada.
Outra Arena que nem revelarei o nome, tinha um "probleminha" no dia da inauguração : jornalistas atônitos, descobriram não haver tomadas nas cabines de imprensa..."só" isso...
Isso sem contar toda a manobra política para tirar o Morumbi do evento.
Ora, está na ponta do lápis : Seria necessário uma rápida reforma para adequar o Morumbi às exigências da FIFA.
Isso custaria cerca de 350 milhões de reais, nos quais o São Paulo Futebol Clube pagaria quase toda a despesa, de seus cofres.
Mas "curiosamente", a FIFA criou todo tipo de empecilhos, preferindo ameaçar a cidade de São Paulo, de ficar fora do evento.
Daí, surgiu a "oportunidade" de construir o estádio do Corinthians, numa previsão inicial de "apenas" 800 milhões de reais, mas que agora já passou de 1 bilhão, é claro.
E o Maracanã ? Acaba de ser reformado, mas o governo anunciou que o reformará novamente para as Olimpíadas de 2016. Brasileiro adora reforma, licitação, concorrência pública...
Na ponta do lápis, parece coisa de louco, é o é, certamente. Mas aqui é o país do "jeitinho", da "malandragem", não é mesmo ?
Em tempo : recomendo assistir o seguinte documentário postado no You Tube : "A Caminho da Copa".
http://www.youtube.com/watch?
terça-feira, 4 de junho de 2013
Monteiro Lobato Preocupado com o Petróleo.
Monteiro Lobato Preocupado com o Petróleo, Luiz Domingues "ruleiando" no blog. Vivemos uma Era de euforia em decorrência da descoberta do Pré-Sal.
Segundo estimativas, o Brasil entrará para a OPEP (Organização Mundial dos Países Produtores de Petróleo), superando a perspectiva da autosuficiência (que por si só, já seria excelente), para alçar-se à condição de exportador.
Porém, até chegarmos nesse ponto, muitas coisas ocorreram antes e a questão petrolífera no Brasil gerou muita controvérsia.
Os primeiros registros de exploração por aqui, datam do século XIX. O Marquês de Olinda autorizou um pequeno empreendedor chamado José Barros de Pimentel, a fazer pequenas prospecções às margens do rio Marau, na Bahia.
Nas três primeiras décadas do século XX, os registros oficiais dão conta de que pessoas comuns do povo, exploravam essa extração de forma precária, sem nenhuma regulamentação oficial ou ação empresarial constituída.
Foi então que o governo Vargas, na década de trinta, entrou de sola nessa questão, criando restrições oficiais à essa prática, mas ao mesmo tempo não criando mecanismos claros sobre a exploração, gerando assim, muita insatisfação por parte de muitas pessoas politizadas, sobretudo.
E um desses intelectuais insatisfeitos, e que mais bateu públicamente no governo Vargas, foi o escritor Monteiro Lobato.
Lobato era muito famoso por ter criado o personagem Jeca Tatu, onde criticava o atraso do país, e veladamente o atribuía (também, mas não tão somente, pois deixou claro que Jeca Tatu não era assim, mas "estava assim", cutucando o governo), à preguiça como marca registrada da índole do povo brasileiro (há certamente uma similaridade entre Jeca Tatu e o Macunaíma de Mário de Andrade, nesse aspecto).
Lobato também era famoso por ter criado o "Sítio do Pica-Pau Amarelo", sua literatura infantil que atravessaria décadas, mas havia um lado seu sóciopolítico que era forte e expressou-se em vários livros.
No caso da exploração do petróleo no Brasil, a questão principal que o indignou, residia no fato de que o governo Vargas criara restrições, mas não apontava soluções.
Se a riqueza natural era de todos, ou o governo criava mecanismos para a exploração, repassando os lucros à população, ou permitia a livre exploração por parte de qualquer interessado, ainda que tributando os lucros, logicamente.
Nesse impasse, Lobato passou a protestar públicamente através de artigos na imprensa, mas foi em 1936, que sua contundência chegou ao clímax, quando lançou o livro : "O Escândalo do Petróleo".
O livro esgotou sua primeira edição muito rapidamente e incomodou o poder ditatorial de Vargas.
Tornou-se um slogan a expressão "não perfurar, nem deixar que se perfure", uma clara alusão à inércia de Vargas nessa questão.
Em 1937, a repressão oficial censurou o livro e mandou recolher suas cópias disponíveis nas livrarias. Mas no mesmo ano, Lobato lançou mais um livro do seu "Sítio" e usou o seu fantástico personagem, o "Visconde de Sabugosa", uma espiga de milho humanizada e intelectual, para dar mais pauladas no governo Vargas.
No livro "O Poço do Visconde", Lobato usou a voz do simpático Visconde de Sabugosa para ser veemente : "Ninguém acreditava na existência de petróleo nesta enorme área de 8.5 milhões de KM quadrados, toda ela circundada pelos poços de petróleo das repúblicas vizinhas..."
Duas correntes políticas se posicionaram frontalmente nessa questão, a partir daí. Os nacionalistas queriam a criação de uma empresa estatal para monopolizar o controle da extração e os chamados "entreguistas" (pejorativamente assim conhecidos, é claro), que defendiam a tese da exploração ser aberta também à empresas estrangeiras estatais ou particulares.
Em 1941, Lobato foi preso por um general do exército, que curiosamente envolvería-se anos depois, com a campanha "O Petróleo é nosso", nos anos quarenta.
Foi criada a Petrobrás em 1953 e só recentemente o governo mudou as regras e abriu espaço para empresas estrangeiras particulares atuarem em parceria.
Qual seria a opinião de Monteiro Lobato sobre o atual panorama petrolífero do Brasil ?
Se por um lado, possivelmente estaria feliz por constatar esse potencial produtor, que na sua época era inimaginável, por outro, estaria perplexo por constatar que tal riqueza não se reflete na economia popular como era de se esperar.
Os economistas, tributaristas e técnicos do governo falam, falam, mas não explicam com clareza o porque do preço dos combustíveis ao consumidor final, serem tão tão caros.
E numa economia onde esse fator é o principal motivador da alta de todos os produtos e serviços possíveis e imagináveis, realmente causa espanto que uma riqueza assim não seja distribuída equânimamente para o seu verdadeiro dono, o povo.
Vai demorar um pouco, mas quando os primeiros barris extraídos da safra do Pré-Sal começarem a render lucros, qual vai ser a desculpa governamental ?
Tomara que não, mas se essa riqueza não for repassada corretamente, só nos restará torcer para que o Visconde de Sabugosa use de sua sabedoria enciclopédica e seja o nosso porta-voz indignado.
Segundo estimativas, o Brasil entrará para a OPEP (Organização Mundial dos Países Produtores de Petróleo), superando a perspectiva da autosuficiência (que por si só, já seria excelente), para alçar-se à condição de exportador.
Porém, até chegarmos nesse ponto, muitas coisas ocorreram antes e a questão petrolífera no Brasil gerou muita controvérsia.
Os primeiros registros de exploração por aqui, datam do século XIX. O Marquês de Olinda autorizou um pequeno empreendedor chamado José Barros de Pimentel, a fazer pequenas prospecções às margens do rio Marau, na Bahia.
Nas três primeiras décadas do século XX, os registros oficiais dão conta de que pessoas comuns do povo, exploravam essa extração de forma precária, sem nenhuma regulamentação oficial ou ação empresarial constituída.
Foi então que o governo Vargas, na década de trinta, entrou de sola nessa questão, criando restrições oficiais à essa prática, mas ao mesmo tempo não criando mecanismos claros sobre a exploração, gerando assim, muita insatisfação por parte de muitas pessoas politizadas, sobretudo.
E um desses intelectuais insatisfeitos, e que mais bateu públicamente no governo Vargas, foi o escritor Monteiro Lobato.
Lobato era muito famoso por ter criado o personagem Jeca Tatu, onde criticava o atraso do país, e veladamente o atribuía (também, mas não tão somente, pois deixou claro que Jeca Tatu não era assim, mas "estava assim", cutucando o governo), à preguiça como marca registrada da índole do povo brasileiro (há certamente uma similaridade entre Jeca Tatu e o Macunaíma de Mário de Andrade, nesse aspecto).
Lobato também era famoso por ter criado o "Sítio do Pica-Pau Amarelo", sua literatura infantil que atravessaria décadas, mas havia um lado seu sóciopolítico que era forte e expressou-se em vários livros.
No caso da exploração do petróleo no Brasil, a questão principal que o indignou, residia no fato de que o governo Vargas criara restrições, mas não apontava soluções.
Se a riqueza natural era de todos, ou o governo criava mecanismos para a exploração, repassando os lucros à população, ou permitia a livre exploração por parte de qualquer interessado, ainda que tributando os lucros, logicamente.
Nesse impasse, Lobato passou a protestar públicamente através de artigos na imprensa, mas foi em 1936, que sua contundência chegou ao clímax, quando lançou o livro : "O Escândalo do Petróleo".
O livro esgotou sua primeira edição muito rapidamente e incomodou o poder ditatorial de Vargas.
Tornou-se um slogan a expressão "não perfurar, nem deixar que se perfure", uma clara alusão à inércia de Vargas nessa questão.
Em 1937, a repressão oficial censurou o livro e mandou recolher suas cópias disponíveis nas livrarias. Mas no mesmo ano, Lobato lançou mais um livro do seu "Sítio" e usou o seu fantástico personagem, o "Visconde de Sabugosa", uma espiga de milho humanizada e intelectual, para dar mais pauladas no governo Vargas.
No livro "O Poço do Visconde", Lobato usou a voz do simpático Visconde de Sabugosa para ser veemente : "Ninguém acreditava na existência de petróleo nesta enorme área de 8.5 milhões de KM quadrados, toda ela circundada pelos poços de petróleo das repúblicas vizinhas..."
Duas correntes políticas se posicionaram frontalmente nessa questão, a partir daí. Os nacionalistas queriam a criação de uma empresa estatal para monopolizar o controle da extração e os chamados "entreguistas" (pejorativamente assim conhecidos, é claro), que defendiam a tese da exploração ser aberta também à empresas estrangeiras estatais ou particulares.
Em 1941, Lobato foi preso por um general do exército, que curiosamente envolvería-se anos depois, com a campanha "O Petróleo é nosso", nos anos quarenta.
Foi criada a Petrobrás em 1953 e só recentemente o governo mudou as regras e abriu espaço para empresas estrangeiras particulares atuarem em parceria.
Qual seria a opinião de Monteiro Lobato sobre o atual panorama petrolífero do Brasil ?
Se por um lado, possivelmente estaria feliz por constatar esse potencial produtor, que na sua época era inimaginável, por outro, estaria perplexo por constatar que tal riqueza não se reflete na economia popular como era de se esperar.
Os economistas, tributaristas e técnicos do governo falam, falam, mas não explicam com clareza o porque do preço dos combustíveis ao consumidor final, serem tão tão caros.
E numa economia onde esse fator é o principal motivador da alta de todos os produtos e serviços possíveis e imagináveis, realmente causa espanto que uma riqueza assim não seja distribuída equânimamente para o seu verdadeiro dono, o povo.
Vai demorar um pouco, mas quando os primeiros barris extraídos da safra do Pré-Sal começarem a render lucros, qual vai ser a desculpa governamental ?
Tomara que não, mas se essa riqueza não for repassada corretamente, só nos restará torcer para que o Visconde de Sabugosa use de sua sabedoria enciclopédica e seja o nosso porta-voz indignado.
terça-feira, 21 de maio de 2013
História Reescrita.
História Reescrita
Os fenícios realmente chegaram ao continente americano antes dos colonizadores portugueses e espanhóis ?
Uma esquadra chinesa deu a volta ao mundo e pisou no solo sul americano em 1421 ?
O massacre de um milhão de armênios, no início do século passado, é uma fantasia ?
Não foi golpe, mas sim "revolução", o que ocorreu no Brasil em 1964...
São inúmeros os erros registrados em livros de história e muito deles por pura manipulação e atendendo a interesses escusos de poderosos.
Stalin e Hitler mandaram adulterar fotos, excluindo desafetos e apagando o nome de várias pessoas dos registros oficiais.
Páginas vergonhosas da verdadeira História foram adocicadas e papéis invertidos em muitas circunstâncias.
Heróis transformados em bandidos, e vice-versa.
Nos livros didáticos, por gerações, a História oficial foi ensinada nesses parâmetros repletos de distorções.
Os historiadadores frustram-se com seu trabalho sendo constantemente pressionado pelos poderosos e seus interesses.
De fato, grande parte do material do qual dispõem para elaborar o seu trabalho, é oriundo de documentação oficial fornecida.
E com esse tipo de fonte não confiável, ficava difícil a precisão histórica.
Na atualidade, existem movimentos concretos entre historiadores, dispostos a reescrever tudo, apurando ao máximo a verdade e colocando "os pingos nos i's".
Na França, por exemplo, historiadores trabalham nesse sentido e questões pertinentes ao período revolucionário de 1789 e posterior Era napoleônica, passarão por rigorosa revisão, mediante documentação e descoberta de fatos novos.
Há de se observar contudo, que numa época onde a mentalidade do "políticamente correto" passou dos limites, tal parâmetro não pode contaminar tal movimento de reestruturação da História.
Usar de eufemismos tolos para não "chocar", é irrelevante. É preciso encarar a História com veracidade, mostrando a verdade, doa a quem doer.
Encarar o fato de que a jornada da humanidade em seu processo civilizatório, teve etapas tristíssimas, faz parte do aprendizado, e deixar de contar tais passagens, é um atentado à verdade.
E convenhamos, segunda década do século XXI em curso, não cabe mais manipular a História oficial, para privilegiar interesses particulares.
Texto de Luiz "Show" Domingues.
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