terça-feira, 7 de maio de 2013

Celulares, Tablets & Afins : As Estrelas do Show.

Celulares, Tablets & Afins : As estrelas do Show, texto de Luiz Domingues.   À medida que os telefones celulares foram sofisticando-se, funções extras e agregadas, passaram a fascinar os seus usuários. Jogos em primeira instância, mas logo a seguir a possibilidade de fotografar, filmar e interagir com a internet, transformaram tais aparelhos em peças indispensáveis no cotidiano de quase todo mundo. Então, tornou-se rotina fotografar e filmar shows musicais; peças teatrais; palestras; exposições & vernissages; tarde de autógrafos de escritores, jogos de futebol e outros esportes etc etc. Até aí, não haveria nada a reclamar. Qual o mal dessa moderna forma de registrar momentos agradáveis em tais eventos ? Mas o tempo passou e a febre por essa mania só aumentou, protagonizando exageros, naturalmente. Com a chegada dos tablets, isso exacerbou-se ainda mais. E o que verificamos hoje em dia ? Apagam-se as luzes num show de Rock, por exemplo, e ao contrário de épocas passadas, o frenesi pela entrada em cena de seu artista predileto, é atenuado pela excessiva preocupação em filmar. Ninguém mais presta atenção no espetáculo, parecendo que todo mundo virou documentarista, tamanha a profusão de aparelhos mirados para o palco. Na perspectiva do artista em cima do palco, tornou-se algo até bizarro notar que a maioria das pessoas se preocupam mais com isso, fazendo com que a emoção de ver/ouvir o artista ao vivo, se dilua, pois o vê numa telinha, na maior parte da duração do show. Vi recentemente uma reportagem no jornal Folha de São Paulo, falando sobre isso e impressionei-me com o depoimento de diversos atores. No caso dos espetáculos teatrais, tal hábito é mais deselegante por parte das pessoas, é evidente. Alguns atores reclamam (com razão), que tal ocorrência os desconcentra do texto e marcações. Fora o fato desagradável que muitos não estão filmando, mas muito pior, checando e-mails ou postando asneiras nas redes sociais... Coibir tal prática parece medida arbitrária, coisa de fascista demodèe que adora controlar a vida das pessoas. Deixar do jeito que está, provoca mal estar, principalmente para os artistas em cena. O que fazer ? Se por um lado, um espetáculo acaba sendo incensado por tal prática espontânea do público, que gera videos no You Tube; fotos no Instagram e postagens nas redes sociais, por outro, denota mais o modismo da tecnologia em si e a consequente mania do ser humano, de exibir-se. Vi na reportagem que os artistas se dividem nessa questão. Um dono de um pocket-teatro, disse que expulsa sumáriamente quem usa um aparelho desses dentro de um espetáculo. Outro, de um outro espaço teatral, incentiva o uso, apostando na propaganda espontânea das pessoas como chamariz de suas temporadas. Como músico, eu tenho também observado o crescente número de pessoas que filmam/fotografam todos os shows. É engraçado ver um monte de gente com a face azulada, olhando para seus aparelhos fixamente e vendo o show nessas telinhas. Mas particularmente, não vejo mal algum e pelo contrário, nos meus shows, estão todos autorizados a filmarem e fotografarem à vontade. Conheço até algumas pessoas que filmam com sofisticação e são verdadeiros documentaristas. Nesse caso, com apuro e bom propósito, eu acho positiva tal ação, pois mal chego em casa e na madrugada pós-show, já vejo fotos e filmagens na internet, sem dúvida um apoio importante para o trabalho. E você ? O que pensa sobre isso ?

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Ciclistas x Bicicleteiros.

Ciclistas x Bicicleteiros, texto de Luiz Domingues. Sei que já abordei esse tema anteriormente e particularmente não gosto de voltar ao mesmo assunto nas minhas matérias, privilegiando sempre temas novos. Todavia, sou obrigado a voltar neste assunto, pois está ficando muito mais perigosa a vida do mais desprestigiado elemento dentro do universo do trânsito: o pedestre... A mídia já vem há meses enaltecendo a bicicleta como a alternativa mais festejada para combater o caos no trânsito. Não tenho nada contra a bicicleta, e certamente que reconheço a sua viabilidade no processo, embora ainda ache que não seja o principal agente a ser incentivado. Ou seja, acredito que a solução para uma melhora significativa, passa por um conjunto de ações integradas. É bastante ingênuo, a meu ver, achar que incentivar só o uso de bicicletas, resolverá o problema do trânsito. Eu prefiro pensar que a bicicleta só funcionará adequadamente em paralelo com investimentos pesados na ampliação do Metrô, trens de subúrbio, corredores expressos para ônibus, subsídios para os taxis terem uma tarifa mais razoável e incentivo à criação de empregos para pessoas que morem no mesmo bairro, evitando assim que se desloquem de forma insana, diariamente. Posto isso, é claro que acho um absurdo o perigo que os ciclistas passam com a selvageria do trânsito. Como não se revoltar com o caso da moça barbaramente assassinada no Rio de Janeiro, ou o rapaz que teve um braço decepado por um playboy arrogante em São Paulo, e que além de não socorrê-lo, teve a crueldade de jogar o braço do rapaz num córrego, Kms distante do acidente (e o braço poderia ser enxertado, segundo os médicos...) ? A mídia bate firme nessas tragédias e enaltece a "causa" dos ciclistas, sem levar em conta o incrível contraponto que eu não vejo ninguém citar... Responda-me sem pensar : Quem tem a estrutura mais frágil dentro do trânsito ? Pois é...o ser humano e seu corpinho de carne e ossos, só tem a calçada para se locomover e ter um mínimo de segurança dentro desse esquema selvagem. Contudo, ignorando o fato de que a bicicleta é um veículo como outro qualquer e portanto a sua condução adequada requer respeito às Leis do trânsito, ciclistas, ou melhor, "bicicleteiros" irresponsáveis, trafegam pelas calçadas em alta velocidade, tirando "finas" das pessoas, o tempo todo. Está cada vez mais difícil atravessar uma rua, pois esses energúmenos simplesmente não obedecem o sinal vermelho dos semáforos, ignoram a faixa de segurança, trafegam na contramão, dobram esquinas sobre as calçadas em alta velocidade, enfim... Não vejo na mídia ou nas redes sociais ninguém condenando tal selvageria, pelo contrário, a bicicleta é a bola da vez e os ciclistas gozam do "hype" midiático, que os enaltece, glamouriza, torna-os "cool". Nas ruas, os atropelamentos são constantes, as brigas perpetradas por jovens impetuosos e arrogantes contra idosos, viraram rotina, porque além de cometerem tal arbitrariedade, arvoram-se de estarem "certos" e consideram os pedestres como empecilhos ás suas manobras radicais pelas calçadas... Não tem um dia que não flagro uma barbaridade dessas pelas ruas do meu bairro. Se eu me sinto inseguro andando pelas calçadas, o que dizer dos idosos, deficientes físicos, crianças, bebês em carrinhos e gestantes ? Está cada dia mais difícil ser pedestre. A bicicleta parece ter mais valor que o ser humano...será esse o conceito de ecologia sustentável que pretende nos dar mais "qualidade de vida" ? Socorro !! Prefiro morrer asfixiado pela poluição a ser atropelado por esses moleques irresponsáveis ! É preciso disciplinar o uso de tal veículo, urgentemente. Não falo sobre criação de Leis, pois os direitos e deveres dos ciclistas estão muito claros no Código Brasileiro de Trânsito. Falo sobre uma campanha de educação maciça, com o apoio da mídia. E está mais do que na hora da mídia acordar para essa realidade e parar de empurrar a sujeira para debaixo do tapete. No afã de glorificar o ciclismo, estão ignorando os abusos perpetrados pelos maus ciclistas. Acho oportuno que você leia esses tópicos do Código Brasileiro de Trânsito :   Bicicleta na calçada, só com autorização da autoridade de trânsito e sinalização adequada na calçada: Art. 59. Desde que autorizado e devidamente sinalizado pelo órgão ou entidade com circunscrição sobre a via, será permitida a circulação de bicicletas nos passeios. Calçada é para pedestres, bicicleta só circula nela em casos excepcionais: PASSEIO – parte da calçada ou da pista de rolamento, neste último caso, separada por pintura ou elemento físico separador, livre de interferências, destinada à circulação exclusiva de pedestres e, excepcionalmente, de ciclistas. Quer passar pela calçada ou atravessar com a bike na faixa? O CTB manda desmontar: Art. 68. É assegurada ao pedestre a utilização dos passeios (…) § 1º O ciclista desmontado empurrando a bicicleta equipara-se ao pedestre em direitos e deveres.   Acrescento que bicicleta tem que parar no semáforo vermelho, sim senhor ! O pedestre tem o direito de atravessar a via em segurança e não ser ameaçado por um atropelamento !!   Espero que os verdadeiros ciclistas me entendam e se solidarizem com esta matéria. Fora da bike, você é um ser humano também e da mesma maneira que teme a selvageria dos veículos motorizados nas ruas, pense que andar sobre a calçada é uma barbaridade igual ou pior, em relação ao pedestre.   E o apêlo óbvio : Ninguém nasce de geração espontânea, portanto, sua querida mãezinha; seu adorável vovô velhinho e frágil; aquele seu amigo deficiente físico; ou sua esposinha grávida, são pedestres, também. E você não aceitaria que um moleque irresponsável viesse voando sobre a calçada com uma bike, arriscando a integridade física desses seus entes queridos, não é ?

terça-feira, 9 de abril de 2013

Escuridão Vergonhosa.

Escuridão Vergonhosa, texto de Luiz Domingues.   Sabemos que um dos fatores básicos da cidadania, é a iluminação pública de qualidade. Fator primordial de segurança, uma boa iluminação inibe as ações de criminosos; propicia melhor orientação no trânsito; auxilia pessoas a buscarem endereços com clareza e dá aspecto de ordem à urbe. Num país de dimensões continentais como é o Brasil, considerando o potencial energético natural, via hidroelétricas ou pela captação por fontes mais modernas e ecológicas, tais como energia solar e eólica, é inadmissível que hajam "apagões" por via de regra. Fora esses Black-outs, é notória a precariedade do serviço de iluminação pública adequada nas cidades brasileiras. Se olharmos o mapa mundi noturno pelo Google, verificamos que nos Estados Unidos, a visão noturna vista do espaço, mostra um país quase completamente inteiro iluminado, com um brilho incrível. Na Europa, o mesmo fenômeno ocorre nos países do oeste, com diferença significativa em relação aos países do leste. Na Ásia, o Japão impressiona pelo brilho intenso enquanto China e Coréia do Sul começam a ter o mesmo padrão, diferenciando-se de outros países mais pobres. No Oriente Médio, dá para ver um ponto de luz mais forte, onde supõe-se ser Dubai e outros , demonstrando outras cidades ricas, fora Israel , naturalmente. Na Oceania, a Austrália destaca-se, certamente. Na África, e nas Américas Central e do Sul, infelizmente o panorama é inverso. São pequenos pontos de luz, em meio às trevas quase predominantes... No caso específico do Brasil, somente São Paulo e Rio de Janeiro apresentam manchas iluminadas significativas. Em segunda instância, vê-se claramente as principais capitais estaduais, mas bem mais apagadas e no continente, só Buenos Aires tem aspecto semelhante, fora a Cidade do México (embora na América do Norte), e vizinha do super iluminado Estados Unidos da América. São Paulo é considerada uma das maiores manchas de luz do planeta, mais pelo seu tamanho descomunal, fazendo com que essa extensão territorial urbana imensa, gere luz suficiente para ser vista do espaço. Contudo, fora os bairros nobres e as grandes avenidas que os servem, a iluminação paulistana deixa muito a desejar. Se na Av. Paulista, verifica-se iluminação de primeiro mundo e isso ocorra em outras avenidas tais como a Rebouças, Faria Lima, Luiz Carlos Berrini e outras poucas, na periferia, a situação é muito diferente, com absoluta precariedade. O mesmo ocorre no Rio, com poucas vias realmente iluminadas, como deve ser, relegando os bairros suburbanos, à escuridão. Infelizmente, o mesmo padrão segue nas outras capitais e cidades interioranas de grande, médio e pequeno porte. Descaso, má vontade política, corrupção...bem, estamos cansados de saber as razões. Tornar esse serviço público essencial, padronizado, é viável, técnicamente falando. Colocar toda a fiação no subterrâneo, é caro, mas o custo-benefício dessa operação vale a pena, na ponta do lápis. Trocar as velhas lâmpadas de vapor de mercúrio, pelas de sódio ou mesmo de vapor metálico, em toda a parte e não só nos bairros nobres, se faz mister. Um serviço rápido de manutenção, não deixando pontos escuros por mais de um dia, quando danificadas, é obviamente um direito do cidadão e obrigação do estado. O uso de baterias nos semáforos, evitando o caos no trânsito em momentos de interrupção de energia, é uma medida óbvia. Enfim, investir em iluminação pública de alto padrão, é muito importante para o crescimento da qualidade de vida do cidadão. Está na hora dos senhores prefeitos (iluminação pública é atribuição municipal, portanto, cobre de seu prefeito !), mudarem seu discurso carcomido e apresentarem metas nesse setor. E também não adianta ficar com raiva dos argentinos, quando ironizam nossas cidades, apelidando-as de "boites", de tão escuras que são, pois eles falam mal com razão, infelizmente...

sábado, 30 de março de 2013

Paul Robeson, um Homem Notável, Todavia Esquecido.

Paul Robeson, um Homem Notável, Todavia Esquecido   Texto de Luiz Domingues. Não resta dúvida de que na cultura norte-americana dos anos cinquenta e sessenta, surgiram grandes ícones negros, principalmente nos esportes e nas artes. Para que houvesse um Cassius Clay, muitos pugilistas brilharam antes e na mesma proporção, quando talentos dramatúrgicos como Harry Belafonte e Sidney Poitier explodiram nas telas de cinema, certamente foi fundamental que houvesse existido antes, Paul Robeson. Quem ? Pois é, se nem na América, onde a cultura popular costuma preservar seus ídolos, ele é muito lembrado, imagine se no Brasil alguém ouviu falar desse cidadão ? Quem foi Paul Robeson , afinal de contas ? Nascido em 1898, Paul LeRoy Bustill Robeson era descendente de Igbos, uma tribo nigeriana. Sim, seus antepassados chegaram na América como escravos. Seu pai, era um pastor presbiteriano e sua mãe falecera quando ele tinha apenas seis anos de idade. Contrariando o script social de extremo segregacionismo desses primeiros anos de século XX, Paul conseguiu concluir seu estudos da High Scholl (o ensino médio, no padrão americano) e foi aceito numa grande universidade, sendo registrado como o terceiro negro na história a frequentar e concluir um curso universitário. Formou-se advogado pela Universidade de Columbia, uma das maiores universidades americanas e do mundo. Paralelamente, destacava-se também nos esportes e rapidamente tornou-se o destaque do time de futebol americano da Universidade. Esse destaque foi tão grande que após formado, tornou-se um jogador de futebol americano profissional, disputando a principal liga do país, e com o destaque de ser um grande craque nesse esporte. Jogou nas equipes do Akron Pros e Milwaukee Badgers. Não satisfeito em ser craque no futebol americano profissional, também jogou basquete e foi técnico desse esporte... Mas havia também a verve artística dentro dele... Cantor, ator e escritor de enorme talento nas três atividades, Paul Robeson destacou-se por ser um ator extraordinário que rapidamente saltou das montagens amadoras para os palcos da Broadway. Atuando em diversas montagens, chamou a atenção a sua interpretação de Otelo, de Shakespeare. Com atuação muito elogiada, foi parar na Inglaterra onde impressionou nos palcos de Londres, interpretando Shakespeare para o público da terra desse autor genial. E logo a sua voz extraordinária foi explorada e atuando em montagens musicais, seu potencial vocal foi exaltado. Com voz de barítono, afinação perfeita e emissão estrondosa, Paul Robeson brilhou em musicais como por exemlpo, Porgy e Bess, de Ira Gershwin. Não demorou e o cinema o convocou, primeiramente atuando em "O Imperador Jones", onde gerou muita polêmica o fato de seu personagem matar um homem branco na história. Já em "Magnolia - Barco das Ilusões", uma adaptação do musical encenado com sucesso nos palcos da Broadway, sua interpretação visceral do clássico do Blues, "Old Man River", arrebatou multidões nas salas de cinema. Voltando à Inglaterra, viveu por lá alguns anos e protagonizou mais de 10 filmes de produção britânica. Voltando aos Estados Unidos, aproveitando sua fama como artista e ex-atleta bem sucedido, percebeu que poderia ser mais incisivo ao expressar suas opiniões políticas e protestar contra o vergonhoso segregacionismo contra os negros na sociedade. Contudo, num ambiente de final de anos quarenta e início dos cinquenta, ainda não havia nenhum indício de que as coisas mudariam no país, trazendo o fim de tais diferenças sociais, tornando igualitários os direitos civis para as pessoas negras. Concomitantemente, foi nessa época que floresceu o famigerado "Macartismo", liderado pelo reacionário e arbitrário senador Joseph McCarthy. Com métodos inspirados certamente em seus ídolos do Tribunal da Inquisição e da SS Nazista, McCarthy passava por cima ds direitos civis, ignorando a constituição e dessa forma, exercendo toda a pressão para forjar falsas confissões e afins. Perseguindo artistas e intelectuais, principalmente, McCarthy viu em Paul Robeson, um prato suculento para a sua voracidade brutal. Homem negro, artista e intelectualizado, culto e cultuado, falando em direitos iguais entre brancos e negros, virou um dos alvos de sua particular caça às bruxas. Bastante atacado e perseguido, Paul Robeson viu sua carreira declinar, graças à perseguição e num momento onde a carreira musical havia virado o carro chefe de suas atividades, emendando sucessos e grande vendagem de discos. Contudo, só em 1958 pode retomar sua carreira, livrando-se da perseguição do reacionário Mccarthy, mas nessa altura, havia perdido terreno artístico e já estava em fase de debilidade devido à problemas de saúde. Sua última aparição pública ocorreu em 1965 e nos seus últimos tempos, preferiu aposentar-se, vindo a falecer em 1976. Paul Robeson foi um artista de uma versatilidade incrível; atleta profissional de alto nível; um advogado culto e um ativista político de muita coragem, numa época onde defender ideais de igualdade, era muito perigoso na América. Abriu caminho para que muitos outros talentos pudessem brilhar depois dele e caiu num inacreditável esquecimento, descabido a meu ver.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Mente Humana Sem Limites.

Mente Humana Sem Limites, texto de Luiz Domingues. Há muito tempo a ciência vem empreendendo estudos sobre o funcionamento da mente humana. Seja nos aspectos cerebrais e neurológicos, seja através do campo da paranormalidade, o fato é que avanços significativos são alcançados nas mais diversas pesquisas em curso, em inúmeras universidades importantes do mundo. Não faz muito tempo, a USP, Universidade de São Paulo, anunciou avanços significativos no campo da comunicação telepática, envolvendo macacos. Uma experiência incrível nesse sentido, foi feita em conjunto com uma universidade chinesa. Mais recentemente, a Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, anunciou avanços nessa área, com a possibilidade de revolucionar o uso de próteses para pessoas com dificuldades de locomoção e manipulação de objetos pelo uso dos membros superiores. Usando a força do pensamento, uma mulher tetraplégica conseguiu comandar braços mecânicos, desenvolvendo uma série de tarefas manuais, com um aproveitamento espetacular. Segundo os resultados de tal pesquisa, a mulher conseguiu usar seus braços mecânicos com a desenvoltura de membros naturais, com articulações perfeitas, mexendo braços, punhos e dedos e dessa forma, podendo agarrar e manipular diversos objetos. Para que tal ação se concretizasse, os neurocientistas realizaram uma cirurgia para a implantação de eletrodos, conectados ao córtex. Após essa fase cirúrgica, houve um período de treinamento de 13 semanas, mas segundo os cientistas, após dois dias apenas, a voluntária já conseguiu movimentar o braço mecânico. Outra incrível constatação, deu-se quando perceberam que o braço mecânico não precisava estar acoplado ao corpo da voluntária, necessáriamente. Mesmo à distância, a voluntária conseguia dar comandos mentais e o braço mecânico obedecê-la prontamente. O grande diferencial, segundo os cientistas, se deve ao fato de se usar o algoritmo de um computador tradicional, mas mimetizando-o ao padrão cerebral humano. Essa pesquisa revoluciona a questão do uso de próteses muito eficientemente para as pessoas com dificuldades motoras, sem dúvida, mas os cientistas querem mais e agora estão buscando meios dessas próteses terem a sensibilidade ao calor e frio, aproximando-os ao máximo da natureza humana. Enquanto as pesquisas com células-tronco ainda sofrem com a burocracia e os preconceitos de pessoas comprometidas com paradigmas pseudo-éticos, ao menos nesse campo das próteses, avança, dando esperança de dias melhores para as pessoas que necessitam desse tipo de apoio. E comemoramos sobretudo esse tipo de progresso no estudo da potencialidade mental do ser humano, pois sabemos que esse potencial é ilimitado e trata-se de mera questão de tempo para avanços ainda maiores virem à tona, com a comprovação científica de sua realidade.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Impondo Seu Gosto Musical.

Impondo seu gosto musical, texto de Luiz Domingues.   Sempre existiu gente que exagerou no volume do Hi-Fi caseiro, causando incômodo na vizinhança. Claro, não era uma regra geral, mas mesmo em proporção muito menor, sempre houve a figura do vizinho petulante que pouco se importando com os demais, gostava de colocar o volume num patamar acima do aceitável e obrigar todos a ouvir suas músicas prediletas. Numa segunda fase dessa mobilidade de tecnologia de audio, virou febre entre os norte-americanos, andar com rádio-gravadores mastodônticos alojados nos ombros, cena usual em filmes americanos policiais da década de setenta, principalmente os da onda do "Bloxpoitation". Na década de oitenta, o Walk-Man virou companheiro dos yuppies e cocotas em geral, durante as caminhadas pelas ruas, porém com a devida discreção de serem usados com fones e não incomodarem ninguém. Com a entrada da telefonia celular e consequente e rápida sofisticação de tais aparelhos, outra possibilidade abriu-se, com o advento dos aplicativos e daí, começou a Era de fotografar, filmar e ouvir música, o tempo todo pelas ruas. O que era para ser uma distração bacana, acabou se tornando um tormento generalizado em lugares públicos. Em lugares públicos fechados, meios de transporte e praticamente em toda a parte, o silêncio tornou-se raro e a mistura de sons e essa zoeira provocada por muitas pessoas abusarem do volume, tornaram o ato de sair às ruas, um momento neurotizante a mais, no ambiente urbano já para lá de poluido e tenso. Em recente pesquisa realizada pelo Metrô de São Paulo, os números são alarmantes, pois a somatória de centenas de pessoas ouvindo música alto, chega num patamar de decibéis absurdo, causando danos à audição, fora o elemento psicológico altamente nocivo. Segundo relatos, há ocorrências de discussões entre passageiros, por conta do volume abusivo e até "batalhas sonoras", perpetradas por gangues, pasmem... O que há de concreto, é que o Metrô abriu marcação pesada sobre pessoas que abusam desse artifício, o mesmo acontecendo em diversos estabelecimentos comerciais, que buscam coibir tal abuso. Uma coisa é certa : Numa sociedade plural como a que vivemos, existem pessoas de diversas camadas sociais e com estrato cultural diferenciado, vivendo juntas. Nesse caso, o bom senso aconselha a observar a regra de estabelecermos nossa liberdade, até o limite onde começa a do vizinho. Isso vale para todas as circunstâncias da vida, não só para a emissão de ruídos. Portanto, para quem não abre mão de ouvir sua música predileta num volume ensurdecedor, é de bom alvitre, que se use o bom e velho fone de ouvido...

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Kircher, o Inquieto Experimentador.

Kircher, o inquieto experimentador Acaba de ser lançado um interessante livro chamado : "A Man of Misconceptions : The Life of an eccentric in an age of change" ("Um homem de equívocos : A vida de um excêntrico em uma Era de mudanças"). Trata-se da biografia de um homem chamado Athanasius Kircher, um padre jesuita de origem alemã, que viveu no século XVII. Desde criança, Athanasius Kircher demonstrava ter interesse por diversos assuntos e assim enveredou por estudos sobre matemática, filosofia, biologia, acústica, magnetismo, astronomia e outras matérias. Mesmo depois de ordenado padre, seus estudos prosseguiram com muito entusiasmo e ainda muito jovem, já tinha diversos trabalhos concluídos sobre assuntos variados e mais que isso, revelando-se um autêntico cientista, fazia experimentos e criava inventos. Nessa biografia, são inúmeras as curiosidades por ele inventadas. Muitas são absolutamente geniais; outras são surpreendentes pois anteciparam os rudimentos de outras que seriam inventadas definitivamente depois, por outros inventores e algumas são exóticas ao extremo. Por conta das invenções absurdas, Kircher acabou sendo injustiçado por muito tempo, porque foi ridicularizado e claro, ganhou fama de lunático incorrigível. Kircher fez muitos estudos por exemplo, sobre o aperfeiçoamento de microscópios e telescópios, que influenciaram outros pesquisadores, decisivamente. Nesse campo, criou um objeto que denominou como "lanterna mágica". Nele, conseguia de forma ainda que primitiva, criar a ilusão de movimentos em ilustrações. Esse invento rudimentar foi sem dúvida o precursor remoto do projetor cinematográfico que só viria a ser criado no final do século XIX, de fato. Portanto, é inacreditável que Kircher tenha pensado em algo assim, em pleno século XVII. No campo do magnetismo, Kircher fez muitos estudos. Obcecado por conhecer a fonte de magnetismo do planeta, chegou a aventurar-se num perigosíssimo rapel, dentro do vulcão Vesúvio. Um invento seu entrou para o anedotário e hoje em dia causa repulsa aos defensores de animais (aliás, com toda a razão) : Kircher concebeu um piano que não possuia cordas. O músico usaria um teclado normalmente, mas o som obtido pelo bater das teclas, seria produzido pelo gemido de gatos vivos, cujos respectivos rabos eram puxados, conforme a tecla acionada. Mas não só com excentricidades Kircher contribuiu com a música. Ele fez também estudos de acústica e amplificação de sons, que muito ajudaram a desenvolver a engenharia, desenvolvendo e muito a música, naturalmente. No campo da biologia, fez inúmeros estudos e relacionou a peste bubônica à micro-organismos encontrados em cadáveres. Estudou linguas do extremo oriente, fazendo estudos morfológicos comparativos. Segundo consta em sua biografia, Kircher teria deixado 44 livros com seus estudos. No livro recém lançado, com sua biografia, uma observação final chamou-me a atenção : o autor, John Glassie, declarou que a despeito dos acertos, as inúmeras experiências fracassadas, também deram enorme contribuição à ciência. Sim, grande verdade da ciência, o princípio de tentativa e erro é ainda o melhor método, desde o tempo da invenção da roda. Admirável a vida e obra de Athanasius Kircher, apesar da pisada de bola que deu com os amigos felinos...