segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

O País do Futuro, Segundo Stefan Zweig.

O País do Futuro, Segundo Stefan Zweig, texto de "Mr". Luiz Domingues. A expressão : "O Brasil é o país do futuro", vem sido usada há décadas. Usada de todas as formas e sob todas as circunstâncias, pode ser encarada de várias formas, num enorme leque de conotações, que vão da ironia ao extremo otimismo. Atribui-se a criação dessa expressão à um intelectual austríaco de origem judaica, chamado Stefan Zweig, que passou seus últimos dias aqui, encantado com o potencial que enxergou, há mais de 70 anos atrás. Stefan Zweig nasceu em Viena, no ano de 1881, filho e neto de ricos banqueiros da Boêmia. Nesses termos, teve uma educação refinada e desde cedo foi preparado para assumir as instituiçõs financeiras da família ao lado de seu irmão, mas a vida intelectual o cooptou antes. Mesmo sendo uma família judia, segundo Zweig, a religião não era seguida à risca das tradições e ele mesmo chegou a afirmar que ser judeu era algo meramente ocasional em seu Lar. Estudou filosofia na Universidade de Viena e obteve seu doutorado em 1904, defendo a tese "A Filosofia de Hyppolyte Taine". Mas mesmo antes da graduação e doutorado, já havia publicado seu primeiro livro de poemas ("Silbern Saiten", "Cordas de Prata" em português), em 1902. Especializando-se em literatura inglesa e francesa, traduziu vários autores para o alemão (Keats, Baudelaire, Morris, Yeats, Verlaine, entre outros). Era amigo pessoal de artistas e intelectuais tais como Rimbaud, Romain Rolland, Rainer Maria Rilke, Thomas Mann e Sigmund Freud, entre outros. Em 1912, duas peças teatrais de sua autoria fizerem sucesso ("A Metamorfose da Comédia" e "A Mansão à Beira-Mar"), com encenações concorridas em Viena. Começa então a se interessar pelo cinema com muito entusiasmo, também. Chega a escrever muitos roteiros e até Roberto Rossellini chegou a filmar um roteiro seu ("O Medo", de 1954, anos após sua morte). Começa a primeira guerra mundial e inflamado pelo sentimento nacionalista que assolou a Alemanha e a Austria, apoiou o estado germânico, mas logo a seguir passou a ter outra visão da guerra, tornando-se um pacifista ferrenho, doravante. Casou-se em 1915 com a escritora Friderick Von Winsternitz a após o término da I Guerra, viveu momento de intensa produção literária, lançando livros de poesias, traduções de outros autores e muitas biografias de personalidades como Maria Antonieta, Fouché, Dostoievski, Dickens, Balzac, Nietzsche, Tolstoi, Stendhal etc. Passa a lançar também romances e ensaios, a partir dos anos vinte. São famosas as obras como : "Amok" (1922), "Angústia" (1925) e "Confusão de Sentimentos" (1927), influenciadas pela psicanálise, que seu amigo Sigmund Freud, tanto conversou a respeito, certamente. Separado de sua primeira esposa, une-se desta feita com sua secretária, Charlotte Elizabeth Altmann, apelidada de "Lotte" entre seus familiares. Com a ascensão do partido nacional socialista ao poder na Alemanha, Zweig sentiu-se inseguro para continuar vivendo na Austria e às pressas, mesmo antes das primeiras hostilidades antissemitas terem início, mudou-se com "Lotte" para a Inglaterra, no ano de 1934. Sua ideia era viver numa pacata cidadezinha medieval, chamada Bath, mas suas atividades intelectuais faziam com que passasse o maior tempo em Londres. Quando a II Guerra eclodiu, percebeu que mesmo tendo a Inglaterra, a mais poderosa força armada para enfrentar os nazistas na Europa, havia perigo iminente e dessa maneira, fogem para Nova York, onde sentiriam-se mais seguros. Em 1940, vem pela primeira vez ao Brasil. Sua visita é para palestar em universidades. Fica encantado com a Bahia, onde vislumbra um paraíso alheio à guerra e lhe impressiona como as pessoas nativas são felizes com tão poucos recursos. E nessa primeira viagem, conclui com entusiasmo um ensaio, onde coloca o título de "Brasil, o País do Futuro". Sua presença é celebrada pelos intelectuais brasileiros, mas setores do governo mal disfarçam a insatisfação pela presença de um intelectual judeu e antinazista. Fato, o governo Vargas flertava com simpatia pelo Eixo e só mudou a orientação por outros fatores e interesses, unindo-se aos Aliados nos estertores do conflito. Cada vez mais impressionado com os avanços dos nazistas, inflamava-se em discursos antinazistas, onde questionava abertamente as intenções racistas de Hitler e fazendo o contraponto, achava que o Brasil era o exemplo da nova civilização a ser seguido, via miscigenação total de raças e não a aniquilação de raças ditas inferiores, num falso esforço de apuro genético, que era a proposta dos nazistas. Encantado com essa perspectiva, resolve estabelecer residência no Brasil, comprando uma casa na cidade de Petrópolis, região serrana do estado do Rio. Morando em Petrópolis, Stefan Zweig escreve mais algumas obras ("O Jogador de Xadrez"; "O Mundo de Ontem", que ficou inacabado e "O Mundo que eu Vivi", onde descreve suas impressões sobre a I Guerra Mundial). Mas as notícias vindas da Europa não eram nada boas em 1942, e Zweig entrou num processo de depressão acentuado, perdendo as esperanças diante dos avanços nazi-fascistas. E sendo assim, decide dar cabo à própria vida, de comum acordo com sua companheira, "Lotte". Deixa uma carta explicando os seus motivos :   Antes de deixar a vida por vontade própria e livre, com minha mente lúcida, imponho-me última obrigação; dar um carinhoso agradecimento a este maravilhoso país que é o Brasil, que me propiciou, a mim e a meu trabalho, tão gentil e hospitaleira guarida. A cada dia aprendi a amar este país mais e mais e em parte alguma poderia eu reconstruir minha vida, agora que o mundo de minha língua está perdido e o meu lar espiritual, a Europa, autodestruído. Depois de 60 anos são necessárias forças incomuns para começar tudo de novo. Aquelas que possuo foram exauridas nestes longos anos de desamparadas peregrinações. Assim, em boa hora e conduta ereta, achei melhor concluir uma vida na qual o labor intelectual foi a mais pura alegria e a liberdade pessoal o mais precioso bem sobre a Terra. Saúdo todos os meus amigos. Que lhes seja dado ver a aurora desta longa noite. Eu, demasiadamente impaciente, vou-me antes. Stefan Zweig   O casal foi enterrado no cemitério Municipal de Petrópolis e sua residência hoje em dia é um Centro Cultural com seu nome, Stefan Zweig. Décadas após, em 2002, o cineasta paranaense, Sylvio Back, realizou um filme, chamado "Lost Zweig", baseado na biografia de Stefan Zweig, escrita por Alberto Dines, denominada "A Morte no Paraíso". O próprio Sylvio Back já havia lançado um documentário sobre o casal Zweig anteriormente e que lhe serviu de base, além do livro de Alberto Dines, naturalmente. Uso político à parte, a expressão cunhada por Stefan Zweig, "O Brasil é o País do Futuro", finalmente mostra-se como uma perspectiva concreta nos dias atuais e não como uma utopia e alvo de escárnio para os pessimistas de plantão.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Aproveitando o Lixo.

Aproveitando o Lixo, Texto de Luiz Domingues. Vivemos uma época onde cada vez mais pessoas se conscientizam de que num planeta de mais de sete bilhões de pessoas, é inviável conviver com o desperdício. Novas formas de reciclagem, obtenção de energia e economia dos recursos naturais surgem a cada dia, dando-nos novas perspectivas aceitáveis de sustentabilidade. E uma que vem chamando a atenção pela criatividade e sobretudo pela simplicidade, veio do interior de São Paulo, específicamente Barretos, no norte do estado. Um pequeno empresário local, chamado Flaustino de Paula, criou um método eficiente de utilizar o lixo orgânico doméstico e proveniente de bares, restaurantes e lanchonetes, transformando-o em tijolos e/ou fertilizantes agrícolas. Nesse método, todo o lixo coletado é esmagado numa espécie de reator até virar uma massa. Após ser secado, é triturada e vira pó. Após esse processo, toma um banho com dois reagentes químicos que lhes eliminam todos os agentes contaminadores, bactérias etc. Esses reagentes tem fórmulas registradas e atestadas em sua eficácia pela UNESP, Universidade estadual de São Paulo. Flaustino as mantém secretas, por segurança contra a espionagem industrial. Usado para a agricultura, o pó tem cálcio e também um corretivo para controlar a acidez do solo, comprovada por estudos agrônomos. E como tijolo, tem a consistência necessária para formar tijolos mais firmes do que os tradicionais, segundo estudos realizados. Por enquanto, a empresa está atendendo particulares, mas a meta de Flaustino é ter como clientela, o maior número de prefeituras, interessadas em estabelecer parcerias no processo de coleta de lixo, com seu método de reciclagem. Essa ideia é sensacional, pois abre um caminho para resolver a questão dos aterros sanitários, verdadeiros depósitos de lixo insalubres, como criadouro de insetos, ratos e urubús, fora a contaminação do lençol freatico, contaminação do solo, vegetação e proliferação de doenças. Com um pouco de vontade política, essa importante parceria pode revolucionar a questão da coleta e destinação do lixo orgânico, promovendo higiene, bem-estar e gerando lucros, fora a eliminação do desperdício

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

O Comprimido do Vestibular.

O Comprimido do Vestibular, texto de Luiz Domingues.   Uma lenda urbana começa geralmente de forma sorrateira. Nem todas vingam, mas uma ou outra acaba espalhando-se e ganhando notoriedade. Não se sabe quem foi o autor, mas o fato é que espalhou-se o boato de que um medicamento vendido normalmente em farmácias, embora tenha função medicinal completamente diferente, auxiliava na concentração mental, estimulando o foco e a memória e indo além, potencializava a inteligência. Dessa forma, virou coqueluche entre vestibulandos e concurseiros, o seu uso indiscriminado, sem critério científico e evidentemente assumindo-se os riscos de efeitos colaterais indesejáveis. O Metilfenidato, cuja finalidade medicinal é coibir o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, nada ajuda pessoas a terem desempenhos melhor nos estudos. Mas como tal prática começou a sair do controle, as autoridades de saúde preocuparam-se e assim, um estudo mais aprofundado precisou ser feito. Para comprovar ou não, essa lenda urbana, a psicóloga Silmara Batistela da Universidade Federal de São Paulo, empreendeu uma série de experiências e chegou à conclusão de que o medicamento não promove nenhuma melhora cognitiva. A questão do foco, relatado por estudantes impressionados com seus supostos resultados, segundo os estudos, era pela coibição do sono. Efeito esse evidentemente promovido pela anfetamina e não muito diferente dos efeitos de drogas usadas com objetivos recreativos. Claro, o perigo assumido pelo consumidor é grande, pois o medicamento pode desencadear problemas cardíacos graves, arritmia, por exemplo. Por ser um medicamento de uso psiquiátrico, faz-se necessária a apresentação de uma receita. Fora o famoso e execrável "jeitinho brasileiro", tem se ouvido relatos de jovens procurando consultas psiquiátricas e simulando sintomas de TDAH ( Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade), perante os doutores, com o objetivo torpe de obter uma receita. Nesse caso, não dá para deixar de lamentar que tenha gente com talento para a dramaturgia, desperdiçando sua vocação por uma causa tão pobre... Também é alarmante como saúde pública, quando dados revelados pelo sindicato das indústrias farmacêuticas, indicam que tal medicamento teve acréscimo de 50% em sua vendagem, nos últimos quatro anos. Encerrando, não existe remédio para aumentar a inteligência...o jeito é estudar mais...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Orelhões Revigorados pela Internet.

Orelhões Revigorados pela Internet, texto de Luiz Domingues.   Uma grande ideia já está sendo viabilizada para salvar um ícone urbano das cidades brasileiras. Já em testes avançados na cidade do Rio de Janeiro, os antigos orelhões, cabines telefônicas típicas do Brasil, poderão ter sobrevida, modernizando-se. A ideia é que sejam agora postos de acesso à internet wireless, deixando de lado a velha função da telefonia que entrou em franca decadência, com a mega popularização dos telefones celulares. Claro que ainda tem pessoas que utilizam as velhas e combalidas cabines de telefonia pública, mas numa conta generalizada, esse número de usuários caiu drásticamente nos últimos anos e as operadoras de telefonia só as mantém nas ruas por respeito às decisões governamentais. Mesmo assim, com uma fonte de prejuízo gigantesco pelo pouco uso e também pelos problemas decorrentes do contumaz vandalismo perpetrado pelo povo brasileiro (lamentável isso...), as operadoras pressionavam o governo para aliviar as sanções e retirar os orelhões das ruas. Agora, não só ganham sobrevida, como adequam-se aos novos tempos, ganhando outra utilidade. A ideia seria o usuário comprar um cartão contendo uma senha e determinando um tempo de uso, parecido com o dos cartões telefônicos atuais, netos das velhas fichas de antigamente (a super usada expressão "caiu a ficha" para designar uma lembrança de algum fato ou tomada de posição, veio daí). Lembrando um pouco a história, os primeiros telefones públicos surgiram no Brasil nos anos vinte do século passado. Os primeiros foram instalados na cidade de Santos, no litoral paulista. Em princípio eram instalados em repartições públicas, e a seguir aparecerem em restaurantes, bares, farmácias, padarias etc. Por incrível que pareça, só no início dos anos setenta, é que as autoridades passaram a instalar cabines nas ruas, como já era comum há décadas nos países europeus e nos Estados Unidos. A ideia original foi a de instalar cabines semelhantes às de Londres, nas calçadas do São Paulo e do Rio, mas a incrível falta de educação do povo, inviabilizou o projeto, devido às depredações e também pelo uso das cabines para atos obscenos e esconderijo de bandidos. Dessa forma, por volta de 1972, surgiu a ideia da cabine oval e aberta, criada por uma engenheira sino-brasileira, chamada Chu Ming Silveira, que era funcionária da CTB, a velha Companhia Telefônica Brasileira. Segundo a criadora, a cabine aberta ocupava menos espaço nas calçadas e por ser aberta, inibia atos de vandalismo ou ações obscuras feitas por pessoas mal intencionadas. Logo o formato ovalado caiu nas graças do povo e recebeu o apelido de "orelhão", uma alusão ao seu formato e sua função de servir à telefonia. Em São Paulo, havia também um outro tipo de orelhão, de mesmo formato, porém menor e feito de acrílico cor de abóbora transparente, que era usado em terminais de ônibus e na antiga rodoviária da estação da Luz. Era chamado "orelhinha" e também era outra criação de Chu Ming Silveira. Mas ela teve problemas com a patente de seu invento, culminando em processo na justiça que levou anos para reconhecer sua invenção e a devida protocolação no INPI. E um fato curiosíssimo ocorreu que se o dramaturgo Dias Gomes soubesse, renderia uma novela tão surreal como "O Bem Amado" e "Saramandaia", suas geniais criações de realismo fantástico. Foi o seguinte : Numa declaração da engenheira Chu Ming Silveira publicada num jornal, ela afirmou que "inspirou-se na forma ovalada, por ser um círculo e essa forma era perfeita". Uma juíza indignou-se com tal declaração e processou Chu Ming Silveira, afirmando que só Deus era perfeito. Nos autos, questionava-se se a engenheira com tal pensamento teria tido a ousadia de querer ter "inventado" Deus, entre outras asneiras. E como suposto argumento "sério", alegava que os orelhões seriam máquinas de engolir fichas, lesando os consumidores. Pasmem, tamanha discussão durou 20 longos anos nos tribunais, entrando para o rol do folclore jurídico brasileiro. Mesmo sendo duramente maltratado pelos vândalos, os orelhões salvaram vidas, chamando ambulâncias, bombeiros e polícia nas situações de emergência. Ajudaram milhões de pessoas nas mais diversas situações e agora ganham a sobrevida pós-massificação dos celulares. E fora a nova função como ponto de inclusão digital, os orelhões ganharam recentemente o caráter de tornarem-se verdadeiras instalações de artes plásticas. Aqui em São Paulo e já espalhando-se por diversas outras cidades, os orelhões tornaram-se atrativo para turistas, graças às intervenções criativas de diversos artistas plásticos. É muito comum ver turistas filmando-os e fotografando-os devido à essa repaginação criativa, que os tornou objetos de arte. E que assim permaneçam, como simpáticos e úteis equipamentos urbanos.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Energia Eólica, Outra Alternativa.

Energia Eólica, Outra Alternativa, texto de Luiz Domingues. A mitologia grega é uma das mais ricas, sem dúvida alguma, por trazer no seu bojo, todas as explicações da cosmogênese que a rica imaginação de seu povo pôde conceber. E nessa disposição, o seu panteismo explicava a ação dos ventos, como a vontade de um Deus específico dessa manifestação da natureza, que era conhecido pelo nome de Éolo. Entendida a morfologia da palavra, sabemos que a energia eólica é uma das mais importantes neste momento no planeta, por todas as razões ambientalistas que nem cabem mais serem repetidas. E não se trata de nada moderno que tenha surgido graças aos avanços da tecnologia, como muitos podem pensar. Basta pensar que a impulsão mediante velas, é usada desde a antiguidade, nas navegações. E no campo da agricultura, os moinhos de vento fazem esse trabalho com eficácia e economia, desde a Idade Média, certamente. No mundo moderno, o princípio dos moinhos continua valendo e os campos eólicos trabalham nesse sentido, gerando energia elétrica limpa, de alta ou baixa tensão. O Brasil vem empreendendo esforços de ampliação desse tipo de geração de energia, contudo, ainda tímidamente. Em 2008, por exemplo, produziu 341 MGW. Vem aumentando o desempenho ano a ano, mas ainda aquém de seu potencial, com a geografia privilegiada que possui. Para se ter uma ideia, o consumo interno de energia elétrica do país, beira a casa dos 70 gigawatts. A China é atualmente o país que mais investe nesse tipo de geração de energia, seguido da Alemanha. Dinamarca e Portugal também vem crescendo nesse setor. Mesmo ainda insuficiente, a produção brasileira responde por mais da metade da soma de nossos vizinhos sulamericanos, que apresentam resultado insignificante nesse sentido. Está construído o complexo de Caetité, no interior da Bahia, que será o maior da América Latina. Contudo, por questões burocráticas de editais e quetais, está parada neste instante, sem gerar energia nem para alimentar um liquidificador doméstico, em busca de uma vitamina matinal... Já falei sobre o monstro burocrático e o quanto ele nos atrasa, mas parece que as autoridades não pensam como nós, pobres mortais... Segundo o governo federal, a usina deverá começar a produzir em julho de 2013 e assim esperamos que se cumpra. E acreditando nessa perspectiva, uma fábrica de componentes para usinas eólicas, funciona a todo vapor em Pernambuco. Tomara que arrebentem de tanto trabalhar e lucrar, alimentando outras tantas usinas espalhadas por todo o país. E outra alternativa muito interessante está em curso, prometendo gerar energia limpa e barata, igualmente. Trata-se do uso da força das ondas do mar, como impulso para gerar energia. Ainda em caráter experimental, esse tipo de geração de energia está instalado no porto de Pecém, a 60 KM de Fortaleza, no Ceará. Em princípio, essa mini usina alimentará de energia o porto e as residências de 60 famílias de funcionários que lá trabalham. Mas os engenheiros estão muito otimistas em relação ao sucesso desse tipo de geração de energia, abrindo possibilidade para a larga escala, num futuro não muito distante. E convenhamos, com 8 milhões de KM quadrados, o Brasil tem um potencial inacreditável para tal perspectiva de geração de energia limpa. O que não falta aqui é solo, vento e costa marítima com ondas abundantes. E voltando à mitologia grega, como poderíamos nos referir à essa energia gerada pelas ondas do mar ? Talvez "poseidônica", em referência ao Deus dos mares, Poseidon ? Irrelevante questão...o importante é que funcione, sendo barata e limpa para o ecossistema.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Chip nos Carros : George Orwell Tinha razão ?

Texto de Luiz Domingues. Chip nos Carros : George Orwell Tinha razão ?   Em 1948, o escritor George Orwell lançou um impressionante livro denominado "1984", onde num exercício futurista mezzo Sci-Fi, mezzo sócio-política extremista, imaginou uma sociedade completamente dominada por um poder central e abolutamente controlador, vigiando de forma implacável todos os cidadãos. Era o olho controlador do "Big Brother", que reduzia a privacidade à zero, tornando as pessoas escravizadas por um sistema opressor. Claro, metáfora de sistemas políticos totalitários, onde o ser humano seria reduzido à uma mera peça de uma engrenagem. O livro teve sucesso retumbante, abrindo caminho para muitas teses, tratados acadêmicos, filmes, peças teatrais etc. E infelizmente também para distorções, como a criação de um ridículo "reality show" de TV, banalizando o conceito original da obra de Orwell. Partindo para o campo realista das realizações oficiais, estamos prestes a nos depararmos com mais uma velada forma de controle, inibindo a nossa cada vez menor privacidade. Segundo uma nova resolução, já aprovada e confirmada para entrar em vigor a partir de julho de 2013, todos os carros zero KM deverão sair com um sistema de monitoramento mediante chip e até 2014, todos os carros usados deverão se adequar à nova norma. Sem dúvida que existe toda uma justificativa por parte das autoridades para que tal medida ser aprovada. A ideia é aumentar o grau de segurança para os proprietários no tocante à questão de furtos e roubos. A reboque, seria uma maneira de ajudar a inteligência policial também, pois seria um controle interessante para detectar a ação de criminosos. Claro, que cidadão de bem não concorda com esse tipo de dispositivo de forte efeito colaborativo ? Só que existem outras implicações que são invasivas e opressivas, também. Mediante os chips, os orgãos responsáveis pelo trânsito, teriam o controle absoluto sobre as condições de cada carro. É lógico que com esse tipo de dispositivo, irregularidades na documentação dos veículos e infrações cometidas, ficariam expostas de maneira irrefutável, dispensando até a existência dos agentes de trânsito e seus indefectíveis bloquinhos de multas, pelas esquinas. Até aí, o cidadão de bem que respeita as leis do trânsito e mantém seus tributos em dia, nada tem a temer, contudo, a pergunta é : Até que ponto é ético ter esse tipo de monitoramento ? Não é assustador ser vigiado o tempo todo ? Que garantias o cidadão terá de que esses dados estarão seguros e serão exclusivamente usados de forma técnica, visando apenas a segurança no trânsito e no resguardo do patrimônio, num esforço anti-criminalidade ? Saber onde vou, quanto tempo fico em cada lugar, onde estaciono, por quais vias circulo... Será que é por aí que a sociedade deve caminhar ?

terça-feira, 6 de novembro de 2012

O Legado Bom de Schwarzenegger.

O Legado Bom de Schwarzenegger. Texto de Luiz Domingues.   Quem não conhece Arnold Schwarzenegger ? O truculento ator de tantos filmes de ação, ex-fisiculturista e com carreira também na política, tem um séquito de fãs ardorosos e também muitos detratores. Como ator, seu desempenho faz o nariz de um crítico mais sensível torcer de forma negativa, mas também faz com que os produtores do cinema Blockbuster de entretenimento de massa, esfreguem as mãos de euforia diante dos lucros colossais que seus filmes proporcionam. Há de se destacar que ele tem senso de humor e brincando com sua fama de ator canastrão, também protagonizou comédias absurdas, rindo de si próprio ao ridicularizar seu porte físico exposto à situações antagônicas à natureza, como por exemplo ficar "grávido", ou ter um irmão gêmeo anão e até ir parar numa escola de educação infantil e ser atormentado por crianças pequenas. Mas o que causou mais espanto, foi quando enveredou pela política e num salto astronômico que só pensávamos existir no Brasil, tornou-se governador do mais rico estado americano, a Califórnia. Equivaleria dizer que um belo dia, acordássemos com a notícia que o Tiririca se tornou governador de São Paulo, o que aliás, pensando bem no comportamento padrão do eleitor brasileiro, não seria tão surpreendente assim... Em princípio, o governador Arnold Schwarzenegger iniciou seu mandato com medidas truculentas, bem ao estilo de seus personagens clássicos do cinema, o que lhe rendeu o apelido de "Governator", um trocadilho que brincava com um de seus personagens mais famosos, o andróide assassino do filme "Terminator". Republicano de carteirinha (apesar de ser casado na época com uma fervorosa democrata e sobrinha do ex-presidente John F. Kennedy), Schwarzenegger gostava de fazer comícios empunhando uma vassoura (será que o Conan conheceu Janio Quadros ??), onde dizia estar varrendo os democratas da Califórnia... Brincadeiras à parte (com a ressalva de que a estória da vassoura é verdadeira), o musculoso governador fez uma ação digna de aplausos e que não beneficiará apenas o estado da Califórnia, mas certamente todo o planeta. No ano de 2004, o "governator" lançou um plebiscito popular, visando a aprovação de uma verba estadual bilionária a ser gasta com pesquisas das células-tronco. O montante foi de 3 bilhões de dólares e convenhamos, é muito dinheiro até para os padrões de um país de primeiro mundo. O povo respondeu favorável à ideia e dessa forma, foi criado na Califórnia , o CIRM (California Institute for Regenerative Medicine). Em recente visita à São Paulo, o presidente do CIRM, Dr. Alan Trouston discursou no Congresso Brasileiro de Células-tronco e Terapia Celular, trazendo perspectivas fantásticas das pesquisas realizadas. Segundo o Dr. Trouston, o CIRM já está em fase de testes clínicos realizados em seres humanos, avançando decisivamente para resultados positivos em termos de cura de doenças degenerativas, autoimunes, genéticas, Aids e cegueira. Segundo suas palavras : "O que está por vir, é fantástico !" Um dos objetivos do Dr. Trouston em São Paulo, foi convidar cientistas brasileiros a compartilhar suas pesquisas e decobertas com o CIRM, meta que tem buscado em diversos outros países do mundo. Portanto, estamos diante de um momento histórico para a humanidade, onde o avanço científico da medicina será extraordinário. Mais que Conan, Terminator e tantos outros personagens de ação que imortalizou no cinema, Arnold Schwarzenegger nos deixa um legado inesquecível, com essa iniciativa humanitária sem precedentes.