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terça-feira, 28 de agosto de 2012
Trotes Estudantis, Até Quando ?
Trotes Estudantis, Até Quando ?
Na sociedade em que vivemos, a obsessão pelo dinheiro é o normal. Esse paradigma está tão solidificado, que todo o sistema educacional é centrado nesse valor básico.
Dessa forma, a pressão para que se tenha a melhor educação, tem como objetivo primordial a preparação para o mercado de trabalho e numa segunda ou terceira instância, o saber, razão nobre pela qual surgiram as academias na antiguidade e as universidades na idade média.
Posto isso, traço o paralelo dessa pressão por melhores colocações e certamente seria um dos fatores que explicam o porque da existência desse jogo de dominação, subjugação, sadismo, arrogância, prepotência etc etc.
Segundo dizem, a palavra "trote" seria mesmo uma alusão à relação homem-eqüino e nesse caso denotaria o "montar em cima", literalmente, como exercício de humilhação e dominação.
Alguns estudiosos sustentam a tese de que a palavra "Bixo", escrito com o "X" propositalmente, teria uma dupla função depreciativa : 1) Chamar alguém de bicho, animal, como forma de depreciação e 2) O "X" revelaria o estigma com o qual marcam os novatos para persegui-los até que uma nova turma entre na universidade e o ciclo se repita.
A manutenção desse status quo de bullying socialmente aceito, se perpetua, pois o oprimido de hoje, sente-se compelido a repetir o padrão, "descontando" no próximo novato e não passa na cabeça de ninguém, quebrar esse padrão idiota que ninguém nem sabe onde começou.
O circo romano de gladiadores um dia acabou, as rinhas de galos e as touradas hão de acabar um dia e por que essa imbecilidade do trote estudantil precisa existir ainda ?
Vejo defesa inflamada por parte de entusiastas dessa prática e a argumentação parece pífia, esbarrando no surrado argumento de que tal prática "integra" o novato à instituição e principalmente ao convívio com os veteranos.
Desculpe, mas não aceito tal argumentação pois mais parece uma mera manutenção de um padrão adquirido sem que haja nenhum sentido prático realmente plausível.
Por que ? Ora, não é possível receber a nova turma com um padrão diferente, com gentileza, respeito, boa educação ?
Se uma pessoa vem pela primeira vez à minha casa, devo-lhe aplicar um trote, com práticas humilhantes e quiçá sádicas, para que ela se sinta bem recebida, "integrada" ?
O que se vê na maioria dos casos, não tem nada de "integração". Vemos apenas cenas de extremo sadismo, humilhação, exploração etc. Isso sem contar as oportunidades que se abrem para constrangimentos de conotação sexual, principalmente com as meninas.
Acho desnecessário arrolar casos extremos de tragédias perpetradas pelos famigerados trotes. São públicos e notórios e estão nos noticiários policiais.
Só acrescento que há maneiras mais civilizadas de se recepcionar os calouros. Ou podem ser recebidos com festas e atividades culturais, ou mesmo com um caderno de encargos sociais a serem cumpridos, tais como, ajudar na limpeza pública, auxiliar pessoas carentes, doar sangue em hospitais etc.
E quem sabe, as duas coisas, numa semana inicial de atividades edificantes, coordenadas pelos veteranos.
Em suma, é um andar para a frente e deixar as práticas medievais para trás...
Texto de Luiz Domingues.
terça-feira, 14 de agosto de 2012
O Paradoxo do Desperdício.
O Paradoxo do Desperdício
O Planeta Terra ultrapassou a marca de sete bilhões de seres humanos e um dos maiores desafios das autoridades de todos os governos é sem dúvida alimentar e hidratar todas essas pessoas.
Considerando que o número de animais e vegetais que também precisam de víveres é igual ou maior, pode-se afirmar que o desafio é dobrado ou mais que isso.
Por desequilíbrios da economia, políticas equivocadas e completa desarmonia social, o fato é que muitas nações passam por situação de penúria, com fome absoluta.
Claro, recebem muita ajuda internacional, Ong's abnegadas trabalham com afinco e sempre artistas com sensibilidade aguçada, estão promovendo campanhas beneficentes para minimizar tais efeitos etc e tal.
Contudo, mesmo com esses esforços, vemos pessoas morrendo dramáticamente por falta de alimentos e água.
Portanto, alguém poderia me dar alguma explicação plausível para o desperdício colossal de alimentos que existe no Brasil ?
Questão de meses atrás, tive um problema sério de doença em minha família e por cerca de 20 dias, frequentei diáriamente um hospital. Não pude deixar de reparar no desperdício inacreditável de comida que havia ali. Refeições intactas recusadas pelos enfermos, eram jogadas literalmente no lixo, mesmo embaladas herméticamente por empresas terceirizadas de fornecimento de alimentação.
Isso é apenas a ponta do iceberg.
Basta você ir à feira livre de qualquer cidade brasileira e verificar a quantidade absurda de frutas e verduras descartadas e jogadas no chão.
Outro dia vi um documentário de um canal de notícias da TV a cabo, onde um repórter levou um imigrante angolano radicado em São Paulo para um passeio numa feira livre.
O rapaz ficou atônito com a quantidade de comida descartada e não parava de dizer que não se conformava com a fartura e o descaso que via por aqui, acostumado à escassez de recursos em seu país de origem.
Numa rápida pesquisa de internet, os dados são alarmantes !
Segundo dados da Embrapa, o Brasil é o quarto maior produtor de alimentos do mundo. Acrescento que tem potencial para ser o número um, se tantas distorções não ocorressem na nossa legislação rural, com normas de cultivo e posse de terra, muito falhas; reservas indígenas absurdas; latifúndios improdutivos etc etc.
Nesse contexto, cerca de 26,3 milhões de toneladas de alimentos são desperdiçados por ano, o que resulta numa média diária de 39 mil toneladas.
Segundo vi numa pesquisa do Instituto Akatu, aproximadamente 64% do que se planta no Brasil, é jogado no lixo.
20% estraga na própria colheita; 8% no transporte e armazenamento; 15% na indústria de processamento; 1% no varejo e 20% no processo culinário e por maus hábitos culturais.
Isso daria para alimentar 500 mil famílias. Preciso falar mais ?
Texto de Luiz Domingues.
terça-feira, 31 de julho de 2012
Carro Elétrico, Falta Interesse.
Carro Elétrico, Falta Interesse
Popularizando-se em muitos países, os carros elétricos tem enfrentado barreiras para entrarem com força no Brasil.
Na ponta do lápis, parece ser o advento ideal para o atual panorama de preocupação com os aspectos sustentáveis do planeta, como um pilar ao lado do investimento em Metrô & trens de subúbrio e o incentivo maciço ao uso de bicicletas.
Em números, não há contra-argumentação para desabonar o incremento dos carros elétricos.
Rodar 160 KM no trânsito de São Paulo, por exemplo, custaria ao consumidor, a quantia de R$ 5,28. A mesma kilometragem num carro a álcool, sairia por R$ 28,80.
No quesito ecologia então, não tem como um detrator argumentar, pois a não existência de monóxido de carbono, dióxido de carbono e óxido de nitrogênio, três dos piores gases poluentes que os carros comuns produzem, simplesmente não existirem num carro elétrico, desarma qualquer contrariador.
Um dia a injeção eletrônica acabou com o carburador e dessa forma, pode-se contar os dias para a extinção do escapamento, pelo menos em tese.
Outro aspecto incontestável é o da completa ausência de ruídos. Sem o método tradicional de combustão, são carros silenciosos ao extremo.
No tocante à rede de abastecimento, começam os problemas, lógicamente relacionados à questão do choque de interesses.
Isso porque em teoria, qualquer tomada caseira pode reabastecer as baterias do carro. Sendo assim, como fica a colossal indústria petrolífera e suas inúmeras ramificações ?
O uso do combustível, seja fóssil, seja de outra fonte, é o primeiro empecilho mas a seguir nessa pirâmide de interesses, vem as distribuidoras, as redes de postos, indústria de óleos, tudo o que é relacionado à retífica etc.
Já vi pessoas falando que se criaria outro gargalo de consumo, tão nocivo quanto, pois só no Brasil, estima-se que precisaríamos de uma nova Usina de Itaipu, só para suprir o consumo dos carros elétricos. Será ?
Reclamações corporativistas sempre existiram ao longo da história. Quando os carros começaram a se popularizar na América, houve manifestações organizadas por ferreiros, antevendo a decadência de seu ofício, com cada vez menos pessoas usando cavalos, carroças e carruagens no seu cotidiano.
A maior barreira no Brasil é teoricamente a altíssima taxação imposta pelo governo. Não é preciso fazer uma complexa elocubração para descobrirmos qual o motivo dessa taxação absurda.
Desde o governo JK, sabemos que o governo brasileiro e a indústria automobilística vivem um casamento praticamente indissolúvel. E no bojo dessa relação, tem toda uma gama de interesses análogos, onde a indústria petrolífera tem seu peso e interesse, sempre levado em conta.
Portanto, enquanto os tubarões desse mar revolto não adequarem-se para não deixar de explorar esse mercado com a mesma volúpia de sempre, só veremos dificuldades criadas para os carros elétricos popularizarem-se.
Texto de Luiz Domingues.
terça-feira, 17 de julho de 2012
Torcidas Uniformizadas vs Violência.
Torcidas Uniformizadas x Violência
Logo que começaram a surgir, a ideia da existência das torcidas uniformizadas não era má. Pelo contrário, ajudavam imensamente a colorir o espetáculo, com suas batucadas, bandinhas, charangas e aquele mar de bandeiras gigantescas com as cores de seus clubes.
Pouco a pouco, contudo, esse panorama ingênuamente festivo foi mudando de figura. Brigas dentro dos estádios foram acontecendo e piorando cada vez mais.
Já nos anos oitenta, ganhando ares de guerrilha urbana, passou a ser comum, as apreensões de armas (de fogo e brancas), artefatos explosivos e todo o tipo de material bélico, formando verdadeiros arsenais.
Saindo do âmbito dos estádios, as estações de Metrô, trens de subúrbio e terminais de ônibus, passaram a ser locais de alta periculosidade, com hordas ensandecidas se degladiando e claro, gente inocente e alheia ao futebol, podendo ser vítima a qualquer instante, também.
A primeira pergunta é : Será que esse ódio todo é decorrente de um suposto fanatismo só pelo futebol em si ?
Pessoas se agridem e se matam pelo simples fato de não suportarem a existência de outras pessoas que torcem para times rivais do seu ?
Se fosse assim, não existiria o futebol, pois pressupõe-se que para que possa existir, tem de haver adversário e no caso, mais de um para se ter um campeonato, torneio, copa ou seja que disputa for.
Claro que acreditar só nesse fator, seria extremamente ingênuo. A análise tem de enveredar por outro caminho.
Numa torcida uniformizada de um clube grande, existem milhares de sócios. Qual o critério para adesão ? Quando vão entrar, não preenchem uma ficha cadastral ? Ora, nome; endereço; identidade e CPF, seria o mínimo. Recomendável a existência de fotos recentes e datadas, quiçá a impressão digital, certo ?
E quando surgem os distúrbios, cada cidadão detido não é enquadrado na delegacia ? Mediante essa responsabilização civil, em tese, o que tem a ver a torcida enquanto pessoa jurídica, com isso ?
A não ser que se prove de forma contundente, que ações criminosas foram determinadas pela direção (caracterizando então a formação de quadrilha), parece mero foguetório das autoridades, as medidas sensacionalistas tomadas a cada tragédia, visando banir tais organizações.
Curiosamente, tais medidas pirotécnicas são anunciadas geralmente em programas dominicais noturnos, as chamadas "mesas redondas", onde o público consumidor de futebol, assiste com grande interesse.
São muitos murros na mesa, caras & bocas e também não é incomum que essas autoridades indignadas nunca cheguem ao cerne da questão, preferindo propor paliativos de impacto meramente demagógicos.
De prático, as medidas adotadas são pouco eficientes.
Banir uma torcida dos estádios, significa que não usarão a faixa de identificação, bandeiras, instrumentos de percussão e cada cidadão-membro é proibido de usar o "uniforme"da torcida. Então vão vestidos com a camisa do clube para quem torcem ou simplesmente à paisana, mas entrarão da mesma forma e sentarão nos mesmos lugares. O que mudou para a "segurança" ?
O estado faz o mise-en-scené de que está tomando providências, dando uma resposta à sociedade, quando na verdade, é só um varrer de lixo para debaixo do tapete.
O que precisaria ser feito, de fato ? Se cada bandido desses, que infiltra-se nas torcidas para aí sim, formar suas quadrilhas, for responsabilizado pessoalmente, não se apanharia as maçãs podres ao invés de querer banir os caixotes inteiros ?
Outro ponto importante diz respeito ao estado enquanto mantenedor das funções básicas de uma sociedade realmente justa. Se trabalhar forte com o fomento à educação, saúde e cultura, não minimizaria os efeitos do descaso com as camadas mais simples da população, de onde sai a maioria desses torcedores uniformizados ?
Uma tentativa dessas se deu com as "Cieps" no governo Brizola, no início dos anos 1980, no Estado do Rio de Janeiro.
Esse conceito foi ampliado e muito melhorado com a criação dos "Céus", pela prefeitura de São Paulo, no início dos anos 2000.
Com educação de qualidade e acesso à arte, cultura, esportes e lazer, os ânimos desarmam-se. Jovens sem perspectivas passam a cultivar outros valores.
O futebol volta a ser lúdico e o adversário nunca mais seria encarado como inimigo.
Por outro lado, torcidas uniformizadas formadas por pessoas interessadas apenas em futebol e não em praticar crimes, vandalismo e guerras campais, voltariam a colorir os estádios, sendo um ingrediente a mais para o engrandecimento do espetáculo, aliás, como era antigamente.
Brigas e desentendimentos seriam tratados como meras manifestações isoladas e as pessoas detidas, enquadradas e punidas severamente com penas exemplares, desestimulando a proliferação de distúrbios dessa monta.
Parece utópico, mas é perfeitamente possível, desde que o governo invista em inteligência policial e haja uma reforma do judiciário, com informatização total do sistema, inclusive penitenciário.
Impossível ? Ora...não vão organizar uma Copa do Mundo daqui há dois anos ? Pensar nisso é tão vital quanto construir estádios, não é ?
Caso contrário, ficaremos na mesma, com as autoridades tentando coibir a violência por atacado ou como se diz naquela velha piada popular : "O cara flagra a esposa com o seu melhor amigo no sofá e ao invés de separar-se da mulher e romper com o amigo, manda queimar o sofá"...
Logo que começaram a surgir, a ideia da existência das torcidas uniformizadas não era má. Pelo contrário, ajudavam imensamente a colorir o espetáculo, com suas batucadas, bandinhas, charangas e aquele mar de bandeiras gigantescas com as cores de seus clubes.
Pouco a pouco, contudo, esse panorama ingênuamente festivo foi mudando de figura. Brigas dentro dos estádios foram acontecendo e piorando cada vez mais.
Já nos anos oitenta, ganhando ares de guerrilha urbana, passou a ser comum, as apreensões de armas (de fogo e brancas), artefatos explosivos e todo o tipo de material bélico, formando verdadeiros arsenais.
Saindo do âmbito dos estádios, as estações de Metrô, trens de subúrbio e terminais de ônibus, passaram a ser locais de alta periculosidade, com hordas ensandecidas se degladiando e claro, gente inocente e alheia ao futebol, podendo ser vítima a qualquer instante, também.
A primeira pergunta é : Será que esse ódio todo é decorrente de um suposto fanatismo só pelo futebol em si ?
Pessoas se agridem e se matam pelo simples fato de não suportarem a existência de outras pessoas que torcem para times rivais do seu ?
Se fosse assim, não existiria o futebol, pois pressupõe-se que para que possa existir, tem de haver adversário e no caso, mais de um para se ter um campeonato, torneio, copa ou seja que disputa for.
Claro que acreditar só nesse fator, seria extremamente ingênuo. A análise tem de enveredar por outro caminho.
Numa torcida uniformizada de um clube grande, existem milhares de sócios. Qual o critério para adesão ? Quando vão entrar, não preenchem uma ficha cadastral ? Ora, nome; endereço; identidade e CPF, seria o mínimo. Recomendável a existência de fotos recentes e datadas, quiçá a impressão digital, certo ?
E quando surgem os distúrbios, cada cidadão detido não é enquadrado na delegacia ? Mediante essa responsabilização civil, em tese, o que tem a ver a torcida enquanto pessoa jurídica, com isso ?
A não ser que se prove de forma contundente, que ações criminosas foram determinadas pela direção (caracterizando então a formação de quadrilha), parece mero foguetório das autoridades, as medidas sensacionalistas tomadas a cada tragédia, visando banir tais organizações.
Curiosamente, tais medidas pirotécnicas são anunciadas geralmente em programas dominicais noturnos, as chamadas "mesas redondas", onde o público consumidor de futebol, assiste com grande interesse.
São muitos murros na mesa, caras & bocas e também não é incomum que essas autoridades indignadas nunca cheguem ao cerne da questão, preferindo propor paliativos de impacto meramente demagógicos.
De prático, as medidas adotadas são pouco eficientes.
Banir uma torcida dos estádios, significa que não usarão a faixa de identificação, bandeiras, instrumentos de percussão e cada cidadão-membro é proibido de usar o "uniforme"da torcida. Então vão vestidos com a camisa do clube para quem torcem ou simplesmente à paisana, mas entrarão da mesma forma e sentarão nos mesmos lugares. O que mudou para a "segurança" ?
O estado faz o mise-en-scené de que está tomando providências, dando uma resposta à sociedade, quando na verdade, é só um varrer de lixo para debaixo do tapete.
O que precisaria ser feito, de fato ? Se cada bandido desses, que infiltra-se nas torcidas para aí sim, formar suas quadrilhas, for responsabilizado pessoalmente, não se apanharia as maçãs podres ao invés de querer banir os caixotes inteiros ?
Outro ponto importante diz respeito ao estado enquanto mantenedor das funções básicas de uma sociedade realmente justa. Se trabalhar forte com o fomento à educação, saúde e cultura, não minimizaria os efeitos do descaso com as camadas mais simples da população, de onde sai a maioria desses torcedores uniformizados ?
Uma tentativa dessas se deu com as "Cieps" no governo Brizola, no início dos anos 1980, no Estado do Rio de Janeiro.
Esse conceito foi ampliado e muito melhorado com a criação dos "Céus", pela prefeitura de São Paulo, no início dos anos 2000.
Com educação de qualidade e acesso à arte, cultura, esportes e lazer, os ânimos desarmam-se. Jovens sem perspectivas passam a cultivar outros valores.
O futebol volta a ser lúdico e o adversário nunca mais seria encarado como inimigo.
Por outro lado, torcidas uniformizadas formadas por pessoas interessadas apenas em futebol e não em praticar crimes, vandalismo e guerras campais, voltariam a colorir os estádios, sendo um ingrediente a mais para o engrandecimento do espetáculo, aliás, como era antigamente.
Brigas e desentendimentos seriam tratados como meras manifestações isoladas e as pessoas detidas, enquadradas e punidas severamente com penas exemplares, desestimulando a proliferação de distúrbios dessa monta.
Parece utópico, mas é perfeitamente possível, desde que o governo invista em inteligência policial e haja uma reforma do judiciário, com informatização total do sistema, inclusive penitenciário.
Impossível ? Ora...não vão organizar uma Copa do Mundo daqui há dois anos ? Pensar nisso é tão vital quanto construir estádios, não é ?
Caso contrário, ficaremos na mesma, com as autoridades tentando coibir a violência por atacado ou como se diz naquela velha piada popular : "O cara flagra a esposa com o seu melhor amigo no sofá e ao invés de separar-se da mulher e romper com o amigo, manda queimar o sofá"...
Texto de Luiz Domingues.
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Burocracia - O Balde de Água Fria.
Burocracia : O Balde D'água Fria
Texto de Luiz Domingues.
Comemoramos o fato do Brasil estar ascendendo econômicamente, sendo visto pelo mundo como algo além de emergente e de fato caminhando para fazer parte do seleto grupo de países desenvolvidos, o cobiçado "1° Mundo".
Todavia, existem diversos gargalos a serem resolvidos ainda, para que possamos enfim ter a infraestrutura adequada para de fato estarmos nesse patamar.
Obviamente que o vergonhoso posto que o Brasil ocupa no IDH é a preocupação principal. Mas não menos importante, é a falta absoluta de prioridade na educação; infra-estrutura de transportes (parece que só agora às vésperas de uma Copa do Mundo, perceberam que nossos aeroportos são ridículos em se comparando ao de nações desenvolvidas, por exemplo); habitação; saúde pública etc etc.
E entre tantos problemas cruciais a serem resolvidos, existe também uma questão emblemática em nossa cultura : O excesso de burocracia.
Em qualquer compêndio básico de sociologia, a burocracia é descrita como um triunfo da civilização. E no âmbito geral, é mesmo um sistema regulamentar onde normas sociais são garantidas, visando dar padrão às relações sociais e econômicas, evidentemente coadunadas com as necessárias questões fiscais da res pública.
Mas convenhamos, no Brasil, essa questão extrapola o bom senso em diversos aspectos e dessa forma torna-se um verdadeiro monstrengo com a irritante missão de dificultar ao máximo a resolução dessas relações, trazendo atraso, desânimo e irritação.
Em recente dossiê publicado na Revista "SãoPaulo" , suplemento dominical do jornal "Folha de São Paulo", a reportagem mostrou passo-a-passo o "Calvário" de um pretendente a abrir um restaurante na cidade de São Paulo.
A quantidade de exigências é tão grande (e às vezes contraditórias entre si), que o empreendedor acaba desistindo de seu intento, irritado com a morosidade e o trabalho insano que é visitar repartições públicas em busca desses documentos.
Segundo li, escritórios contábeis costumam orientar seus clientes a abrir o negócio com alvarás provisórios, pois se ficarem esperando o definitivo, correm o risco de passar meses, quiçá anos, aguardando para conseguirem abrir seus estabelecimentos e enfim, trabalhar.
Quem aguenta uma estrutura dessas, que só atrapalha o empreendedorismo ?
Sem esmiuçar muito, acrescento que em países como os Estados Unidos, por exemplo, a mentalidade é oposta. Se você tem um dinheiro para investir num negócio, o governo apoia com a contrapartida da minimização da burocracia e diminuição do pagamento de taxas, pois tem interesse em que você produza, ganhe, invista, faça circular o dinheiro, gere empregos, trabalhe com fornecedores, faça propaganda de seu negócio, enfim, faça o capitalismo girar em torno de si próprio.
Isso não é o óbvio ?
Então por que o Brasil ainda não promoveu a sua reforma burocrática ? Há muitos anos atrás, houve até a criação de um "Ministério da Desburocratização" , cujo Ministro era Hélio Beltrão. A iniciativa era ótima, mas por que não foi até o fim ? Por que não extinguiu a burocracia massacrante brasileira ?
A única explicação plausível é : Porque talvez a complicação interesse a alguém...
Mas aí é um terreno arenoso, movediço até e qualquer tentativa de explicar o fenômeno, esbarraria na reles "teoria da conspiração" e não se chega a nenhuma conclusão definitiva, apenas patinação no campo das especulações.
Alguém aí se habilita a me responder ?
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Trote na Polícia: O Desserviço do Mau Cidadão
Trote na Polícia: O Desserviço do Mau Cidadão
Texto de Luiz Domingues.
Numa sociedade cada vez mais violenta, onde a insegurança grassa, não há nada que você deseje mais num momento angustiante, do que ver chegar uma viatura policial e lhe tirar da mira de bandidos sanguinários.
Com uma arma apontada para a sua cabeça ou na de um ente querido, cada segundo equivale há uma década, tamanho o pavor.
Contudo, concomitante ao seu momento aterrorizante de espera, milhares de viaturas policiais, ambulâncias e carros de bombeiros são desviados para ocorrências inexistentes e até que se perceba o engano, pode ser o final da linha para você e sua família.
Tudo isso graças à inacreditável quantidade de telefonemas falsos que a Polícia Militar de São Paulo, Corpo de Bombeiros e serviço de ambulância dos hospitais, recebem diáriamente.
Segundo estatísticas que acessei, só em São Paulo, a média de ligações fraudulentas bate na casa de 35 mil/dia.
No Rio, os números são praticamente iguais e em diversas outras capitais, o mesmo fenômeno se repete.
Recentemente uma mulher foi pêga na cidade de São José do Rio Preto, interior de SP, onde num curto espaço de tempo, deu quase 500 telefonemas à PM, comunicando falsas ocorrências. Ligando de orelhões diferentes e alternando com celulares, foi despistando a polícia que demorou para localizá-la e prendê-la.
O que leva uma pessoa a ligar para um orgão público de segurança ou saúde e fazer um trote ?
O prazer em cometer um ato fraudulento ? O escárnio de achar que engana tais profissionais ? Ou simplesmente a mais ignóbil vontade de atrapalhar o serviço público ?
Naturalmente , por mais energúmeno que seja, será que essa criatura idiota se julga imune aos problemas de saúde ? E mesmo que pensasse dessa forma bizarra, acha que um ente querido seu jamais poderá precisar da agilidade de uma ajuda desse porte ?
Está bem, vamos admitir que existam pessoas que não raciocinam dessa forma. Nesse caso, como evitar que as linhas de emergência de tais orgãos não estejam obstruídas por esses imbecis ?
O governador de SP, Geraldo Alckmim acabou de instituir uma pesada multa pecuniária para quem for flagrado cometendo esse ato. Na verdade, já existia no código penal, punição por reclusão para esse delito.
Talvez amedronte alguns, mas duvido que zere a estatística. Eu só vejo um meio de mudar esse quadro : Investimento maciço em educação.
Sendo um paradigma, precisa ser quebrado na sua raiz e imediatamente substituído por outro, desde a tenra infância, onde a consciência seja trabalhada em prol da construção dos valores de cidadania básica.
Hora de repensar urgentemente os curriculuns escolares. Aulas de cidadania, com noções básicas de comportamento no trânsito; gentileza; respeito; limpeza pública; reciclagem do lixo e outras tantas questões de convívio social, deveriam entrar na formação das crianças.
E abolir a ideia de que dar trote na polícia, bombeiros ou hospitais, é "engraçado", certamente se trata de um desses pontos a serem trabalhados.
sábado, 26 de maio de 2012
Gol da Especulação Imobiliária F.C.
Gol da Especulação Imobiliária F.C.
Texto de Luiz Domingues.
Com a proximidade do início da Copa Mundo no Brasil em 2014, não são apenas as falcatruas envolvendo licitações suspeitas em estádios faraônicos que assombram o bolso do cidadão brasileiro.
Verifica-se uma alta absurda nos preços dos imóveis, tanto para locação, quanto vendas.
Qual o motivo dessa escalada sem precedentes ?
Primeiro devemos levar em conta a ingerência arrogante da FIFA, com seu caderno de encargos, que geralmente atropela a soberania nacional de qualquer país, pisando em suas respectivas constituições.
Outro ponto importante, é a questão dos patrocinadores que vem juntos com essa instituição antipática. Com tanto rabo preso, fica difícil imaginar que não hajam manipulações, vide a polêmica em torno da venda de bebidas alcoólicas nos estádios.
Sem a menor cerimônia, assistiremos a desmoralização da Lei Seca no Trânsito e também em relação às medidas de segurança no tocante às brigas entre torcedores. Afinal de contas, a FIFA tem como seu braço direito, uma cervejaria americana poderosa...
Em relação às obras públicas, inicialmente são atribuidas à rede de serviços e locomoção aos estádios onde se disputarão as partidas, mas a verdade é que causam um estrago ao ambiente social, em detrimento da maquiagem prometida.
Grandes áreas são desapropriadas para a criação de avenidas. Num primeiro instante, parece algo que seria positivamente agregado ao espaço urbano, portanto um benefício para a população que ali reside. Contudo, relatos vindos de todas as cidades onde estão sendo feitas obras, dão conta de que as pessoas estão perdendo seus imóveis por preços inaceitáveis e "convidadas" a se virar, com sua própria sorte lançada.
Recentemente, uma pessoa ligada ao comitê de organização da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, veio à São Paulo lançar um livro onde faz pesadas denúncias sobre esses fatores e alerta o povo brasileiro sobre o perigo que essa ilusão de Copa do Mundo pode nos proporcionar.
Receio que seja tarde demais e o estrago já esteja em curso...
Há relatos por exemplo, de que milhares de pessoas pobres foram desalojadas de suas casas no centro da cidade de Cape Town, e colocadas em habitações desumanas, feitas de latão (um inferno no verão e um gêlo no inverno), denominadas "Blikkiesdorp". Nada mais apropriado para entitular, pois parece campo de concentração nazista.
Acompanhando todas essas anomalias, temos outro ponto cruel : A especulação imobiliária. Recentes pesquisas deram conta que o efeito "Copa" triplicou os preços dos imóveis no Brasil inteiro. E não importa se você mora numa aprazível cidade interiorana, distante milhares de KMs de uma cidade-sede onde acontecerão os jogos. Aquela casa que você sonhava adquirir para morar com sua família e que valia 50 mil reais, agora vale 150 mil e fim de papo para o monstrengo especulador.
Claro, o apetite do monstrinho é insaciável e à medida que 2014 se aproxima, vai subir muito mais.
Portanto, por conta de sediarmos jogos como Zambia x Emirados Árabes ou Honduras x Nova Zelândia, esses grandes "clássicos" do futebol mundial, veremos bilhões de reais voarem dos cofres públicos, diversas intervenções urbanas gerando transtôrnos para milhares de pessoas e a especulação imobiliária se tornando de fato, a grande campeã mundial do oportunismo.
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