terça-feira, 17 de julho de 2012

Torcidas Uniformizadas vs Violência.

Torcidas Uniformizadas x Violência Logo que começaram a surgir, a ideia da existência das torcidas uniformizadas não era má. Pelo contrário, ajudavam imensamente a colorir o espetáculo, com suas batucadas, bandinhas, charangas e aquele mar de bandeiras gigantescas com as cores de seus clubes. Pouco a pouco, contudo, esse panorama ingênuamente festivo foi mudando de figura. Brigas dentro dos estádios foram acontecendo e piorando cada vez mais. Já nos anos oitenta, ganhando ares de guerrilha urbana, passou a ser comum, as apreensões de armas (de fogo e brancas), artefatos explosivos e todo o tipo de material bélico, formando verdadeiros arsenais. Saindo do âmbito dos estádios, as estações de Metrô, trens de subúrbio e terminais de ônibus, passaram a ser locais de alta periculosidade, com hordas ensandecidas se degladiando e claro, gente inocente e alheia ao futebol, podendo ser vítima a qualquer instante, também. A primeira pergunta é : Será que esse ódio todo é decorrente de um suposto fanatismo só pelo futebol em si ? Pessoas se agridem e se matam pelo simples fato de não suportarem a existência de outras pessoas que torcem para times rivais do seu ? Se fosse assim, não existiria o futebol, pois pressupõe-se que para que possa existir, tem de haver adversário e no caso, mais de um para se ter um campeonato, torneio, copa ou seja que disputa for. Claro que acreditar só nesse fator, seria extremamente ingênuo. A análise tem de enveredar por outro caminho. Numa torcida uniformizada de um clube grande, existem milhares de sócios. Qual o critério para adesão ? Quando vão entrar, não preenchem uma ficha cadastral ? Ora, nome; endereço; identidade e CPF, seria o mínimo. Recomendável a existência de fotos recentes e datadas, quiçá a impressão digital, certo ? E quando surgem os distúrbios, cada cidadão detido não é enquadrado na delegacia ? Mediante essa responsabilização civil, em tese, o que tem a ver a torcida enquanto pessoa jurídica, com isso ? A não ser que se prove de forma contundente, que ações criminosas foram determinadas pela direção (caracterizando então a formação de quadrilha), parece mero foguetório das autoridades, as medidas sensacionalistas tomadas a cada tragédia, visando banir tais organizações. Curiosamente, tais medidas pirotécnicas são anunciadas geralmente em programas dominicais noturnos, as chamadas "mesas redondas", onde o público consumidor de futebol, assiste com grande interesse. São muitos murros na mesa, caras & bocas e também não é incomum que essas autoridades indignadas nunca cheguem ao cerne da questão, preferindo propor paliativos de impacto meramente demagógicos. De prático, as medidas adotadas são pouco eficientes. Banir uma torcida dos estádios, significa que não usarão a faixa de identificação, bandeiras, instrumentos de percussão e cada cidadão-membro é proibido de usar o "uniforme"da torcida. Então vão vestidos com a camisa do clube para quem torcem ou simplesmente à paisana, mas entrarão da mesma forma e sentarão nos mesmos lugares. O que mudou para a "segurança" ? O estado faz o mise-en-scené de que está tomando providências, dando uma resposta à sociedade, quando na verdade, é só um varrer de lixo para debaixo do tapete. O que precisaria ser feito, de fato ? Se cada bandido desses, que infiltra-se nas torcidas para aí sim, formar suas quadrilhas, for responsabilizado pessoalmente, não se apanharia as maçãs podres ao invés de querer banir os caixotes inteiros ? Outro ponto importante diz respeito ao estado enquanto mantenedor das funções básicas de uma sociedade realmente justa. Se trabalhar forte com o fomento à educação, saúde e cultura, não minimizaria os efeitos do descaso com as camadas mais simples da população, de onde sai a maioria desses torcedores uniformizados ? Uma tentativa dessas se deu com as "Cieps" no governo Brizola, no início dos anos 1980, no Estado do Rio de Janeiro. Esse conceito foi ampliado e muito melhorado com a criação dos "Céus", pela prefeitura de São Paulo, no início dos anos 2000. Com educação de qualidade e acesso à arte, cultura, esportes e lazer, os ânimos desarmam-se. Jovens sem perspectivas passam a cultivar outros valores. O futebol volta a ser lúdico e o adversário nunca mais seria encarado como inimigo. Por outro lado, torcidas uniformizadas formadas por pessoas interessadas apenas em futebol e não em praticar crimes, vandalismo e guerras campais, voltariam a colorir os estádios, sendo um ingrediente a mais para o engrandecimento do espetáculo, aliás, como era antigamente. Brigas e desentendimentos seriam tratados como meras manifestações isoladas e as pessoas detidas, enquadradas e punidas severamente com penas exemplares, desestimulando a proliferação de distúrbios dessa monta. Parece utópico, mas é perfeitamente possível, desde que o governo invista em inteligência policial e haja uma reforma do judiciário, com informatização total do sistema, inclusive penitenciário. Impossível ? Ora...não vão organizar uma Copa do Mundo daqui há dois anos ? Pensar nisso é tão vital quanto construir estádios, não é ? Caso contrário, ficaremos na mesma, com as autoridades tentando coibir a violência por atacado ou como se diz naquela velha piada popular : "O cara flagra a esposa com o seu melhor amigo no sofá e ao invés de separar-se da mulher e romper com o amigo, manda queimar o sofá"... Logo que começaram a surgir, a ideia da existência das torcidas uniformizadas não era má. Pelo contrário, ajudavam imensamente a colorir o espetáculo, com suas batucadas, bandinhas, charangas e aquele mar de bandeiras gigantescas com as cores de seus clubes. Pouco a pouco, contudo, esse panorama ingênuamente festivo foi mudando de figura. Brigas dentro dos estádios foram acontecendo e piorando cada vez mais. Já nos anos oitenta, ganhando ares de guerrilha urbana, passou a ser comum, as apreensões de armas (de fogo e brancas), artefatos explosivos e todo o tipo de material bélico, formando verdadeiros arsenais. Saindo do âmbito dos estádios, as estações de Metrô, trens de subúrbio e terminais de ônibus, passaram a ser locais de alta periculosidade, com hordas ensandecidas se degladiando e claro, gente inocente e alheia ao futebol, podendo ser vítima a qualquer instante, também. A primeira pergunta é : Será que esse ódio todo é decorrente de um suposto fanatismo só pelo futebol em si ? Pessoas se agridem e se matam pelo simples fato de não suportarem a existência de outras pessoas que torcem para times rivais do seu ? Se fosse assim, não existiria o futebol, pois pressupõe-se que para que possa existir, tem de haver adversário e no caso, mais de um para se ter um campeonato, torneio, copa ou seja que disputa for. Claro que acreditar só nesse fator, seria extremamente ingênuo. A análise tem de enveredar por outro caminho. Numa torcida uniformizada de um clube grande, existem milhares de sócios. Qual o critério para adesão ? Quando vão entrar, não preenchem uma ficha cadastral ? Ora, nome; endereço; identidade e CPF, seria o mínimo. Recomendável a existência de fotos recentes e datadas, quiçá a impressão digital, certo ? E quando surgem os distúrbios, cada cidadão detido não é enquadrado na delegacia ? Mediante essa responsabilização civil, em tese, o que tem a ver a torcida enquanto pessoa jurídica, com isso ? A não ser que se prove de forma contundente, que ações criminosas foram determinadas pela direção (caracterizando então a formação de quadrilha), parece mero foguetório das autoridades, as medidas sensacionalistas tomadas a cada tragédia, visando banir tais organizações. Curiosamente, tais medidas pirotécnicas são anunciadas geralmente em programas dominicais noturnos, as chamadas "mesas redondas", onde o público consumidor de futebol, assiste com grande interesse. São muitos murros na mesa, caras & bocas e também não é incomum que essas autoridades indignadas nunca cheguem ao cerne da questão, preferindo propor paliativos de impacto meramente demagógicos. De prático, as medidas adotadas são pouco eficientes. Banir uma torcida dos estádios, significa que não usarão a faixa de identificação, bandeiras, instrumentos de percussão e cada cidadão-membro é proibido de usar o "uniforme"da torcida. Então vão vestidos com a camisa do clube para quem torcem ou simplesmente à paisana, mas entrarão da mesma forma e sentarão nos mesmos lugares. O que mudou para a "segurança" ? O estado faz o mise-en-scené de que está tomando providências, dando uma resposta à sociedade, quando na verdade, é só um varrer de lixo para debaixo do tapete. O que precisaria ser feito, de fato ? Se cada bandido desses, que infiltra-se nas torcidas para aí sim, formar suas quadrilhas, for responsabilizado pessoalmente, não se apanharia as maçãs podres ao invés de querer banir os caixotes inteiros ? Outro ponto importante diz respeito ao estado enquanto mantenedor das funções básicas de uma sociedade realmente justa. Se trabalhar forte com o fomento à educação, saúde e cultura, não minimizaria os efeitos do descaso com as camadas mais simples da população, de onde sai a maioria desses torcedores uniformizados ? Uma tentativa dessas se deu com as "Cieps" no governo Brizola, no início dos anos 1980, no Estado do Rio de Janeiro. Esse conceito foi ampliado e muito melhorado com a criação dos "Céus", pela prefeitura de São Paulo, no início dos anos 2000. Com educação de qualidade e acesso à arte, cultura, esportes e lazer, os ânimos desarmam-se. Jovens sem perspectivas passam a cultivar outros valores. O futebol volta a ser lúdico e o adversário nunca mais seria encarado como inimigo. Por outro lado, torcidas uniformizadas formadas por pessoas interessadas apenas em futebol e não em praticar crimes, vandalismo e guerras campais, voltariam a colorir os estádios, sendo um ingrediente a mais para o engrandecimento do espetáculo, aliás, como era antigamente. Brigas e desentendimentos seriam tratados como meras manifestações isoladas e as pessoas detidas, enquadradas e punidas severamente com penas exemplares, desestimulando a proliferação de distúrbios dessa monta. Parece utópico, mas é perfeitamente possível, desde que o governo invista em inteligência policial e haja uma reforma do judiciário, com informatização total do sistema, inclusive penitenciário. Impossível ? Ora...não vão organizar uma Copa do Mundo daqui há dois anos ? Pensar nisso é tão vital quanto construir estádios, não é ? Caso contrário, ficaremos na mesma, com as autoridades tentando coibir a violência por atacado ou como se diz naquela velha piada popular : "O cara flagra a esposa com o seu melhor amigo no sofá e ao invés de separar-se da mulher e romper com o amigo, manda queimar o sofá"... Texto de Luiz Domingues.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Burocracia - O Balde de Água Fria.

Burocracia : O Balde D'água Fria Texto de Luiz Domingues. Comemoramos o fato do Brasil estar ascendendo econômicamente, sendo visto pelo mundo como algo além de emergente e de fato caminhando para fazer parte do seleto grupo de países desenvolvidos, o cobiçado "1° Mundo". Todavia, existem diversos gargalos a serem resolvidos ainda, para que possamos enfim ter a infraestrutura adequada para de fato estarmos nesse patamar. Obviamente que o vergonhoso posto que o Brasil ocupa no IDH é a preocupação principal. Mas não menos importante, é a falta absoluta de prioridade na educação; infra-estrutura de transportes (parece que só agora às vésperas de uma Copa do Mundo, perceberam que nossos aeroportos são ridículos em se comparando ao de nações desenvolvidas, por exemplo); habitação; saúde pública etc etc. E entre tantos problemas cruciais a serem resolvidos, existe também uma questão emblemática em nossa cultura : O excesso de burocracia. Em qualquer compêndio básico de sociologia, a burocracia é descrita como um triunfo da civilização. E no âmbito geral, é mesmo um sistema regulamentar onde normas sociais são garantidas, visando dar padrão às relações sociais e econômicas, evidentemente coadunadas com as necessárias questões fiscais da res pública. Mas convenhamos, no Brasil, essa questão extrapola o bom senso em diversos aspectos e dessa forma torna-se um verdadeiro monstrengo com a irritante missão de dificultar ao máximo a resolução dessas relações, trazendo atraso, desânimo e irritação. Em recente dossiê publicado na Revista "SãoPaulo" , suplemento dominical do jornal "Folha de São Paulo", a reportagem mostrou passo-a-passo o "Calvário" de um pretendente a abrir um restaurante na cidade de São Paulo. A quantidade de exigências é tão grande (e às vezes contraditórias entre si), que o empreendedor acaba desistindo de seu intento, irritado com a morosidade e o trabalho insano que é visitar repartições públicas em busca desses documentos. Segundo li, escritórios contábeis costumam orientar seus clientes a abrir o negócio com alvarás provisórios, pois se ficarem esperando o definitivo, correm o risco de passar meses, quiçá anos, aguardando para conseguirem abrir seus estabelecimentos e enfim, trabalhar. Quem aguenta uma estrutura dessas, que só atrapalha o empreendedorismo ? Sem esmiuçar muito, acrescento que em países como os Estados Unidos, por exemplo, a mentalidade é oposta. Se você tem um dinheiro para investir num negócio, o governo apoia com a contrapartida da minimização da burocracia e diminuição do pagamento de taxas, pois tem interesse em que você produza, ganhe, invista, faça circular o dinheiro, gere empregos, trabalhe com fornecedores, faça propaganda de seu negócio, enfim, faça o capitalismo girar em torno de si próprio. Isso não é o óbvio ? Então por que o Brasil ainda não promoveu a sua reforma burocrática ? Há muitos anos atrás, houve até a criação de um "Ministério da Desburocratização" , cujo Ministro era Hélio Beltrão. A iniciativa era ótima, mas por que não foi até o fim ? Por que não extinguiu a burocracia massacrante brasileira ? A única explicação plausível é : Porque talvez a complicação interesse a alguém... Mas aí é um terreno arenoso, movediço até e qualquer tentativa de explicar o fenômeno, esbarraria na reles "teoria da conspiração" e não se chega a nenhuma conclusão definitiva, apenas patinação no campo das especulações. Alguém aí se habilita a me responder ?

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Trote na Polícia: O Desserviço do Mau Cidadão

Trote na Polícia: O Desserviço do Mau Cidadão Texto de Luiz Domingues. Numa sociedade cada vez mais violenta, onde a insegurança grassa, não há nada que você deseje mais num momento angustiante, do que ver chegar uma viatura policial e lhe tirar da mira de bandidos sanguinários. Com uma arma apontada para a sua cabeça ou na de um ente querido, cada segundo equivale há uma década, tamanho o pavor. Contudo, concomitante ao seu momento aterrorizante de espera, milhares de viaturas policiais, ambulâncias e carros de bombeiros são desviados para ocorrências inexistentes e até que se perceba o engano, pode ser o final da linha para você e sua família. Tudo isso graças à inacreditável quantidade de telefonemas falsos que a Polícia Militar de São Paulo, Corpo de Bombeiros e serviço de ambulância dos hospitais, recebem diáriamente. Segundo estatísticas que acessei, só em São Paulo, a média de ligações fraudulentas bate na casa de 35 mil/dia. No Rio, os números são praticamente iguais e em diversas outras capitais, o mesmo fenômeno se repete. Recentemente uma mulher foi pêga na cidade de São José do Rio Preto, interior de SP, onde num curto espaço de tempo, deu quase 500 telefonemas à PM, comunicando falsas ocorrências. Ligando de orelhões diferentes e alternando com celulares, foi despistando a polícia que demorou para localizá-la e prendê-la. O que leva uma pessoa a ligar para um orgão público de segurança ou saúde e fazer um trote ? O prazer em cometer um ato fraudulento ? O escárnio de achar que engana tais profissionais ? Ou simplesmente a mais ignóbil vontade de atrapalhar o serviço público ? Naturalmente , por mais energúmeno que seja, será que essa criatura idiota se julga imune aos problemas de saúde ? E mesmo que pensasse dessa forma bizarra, acha que um ente querido seu jamais poderá precisar da agilidade de uma ajuda desse porte ? Está bem, vamos admitir que existam pessoas que não raciocinam dessa forma. Nesse caso, como evitar que as linhas de emergência de tais orgãos não estejam obstruídas por esses imbecis ? O governador de SP, Geraldo Alckmim acabou de instituir uma pesada multa pecuniária para quem for flagrado cometendo esse ato. Na verdade, já existia no código penal, punição por reclusão para esse delito. Talvez amedronte alguns, mas duvido que zere a estatística. Eu só vejo um meio de mudar esse quadro : Investimento maciço em educação. Sendo um paradigma, precisa ser quebrado na sua raiz e imediatamente substituído por outro, desde a tenra infância, onde a consciência seja trabalhada em prol da construção dos valores de cidadania básica. Hora de repensar urgentemente os curriculuns escolares. Aulas de cidadania, com noções básicas de comportamento no trânsito; gentileza; respeito; limpeza pública; reciclagem do lixo e outras tantas questões de convívio social, deveriam entrar na formação das crianças. E abolir a ideia de que dar trote na polícia, bombeiros ou hospitais, é "engraçado", certamente se trata de um desses pontos a serem trabalhados.

sábado, 26 de maio de 2012

Gol da Especulação Imobiliária F.C.

Gol da Especulação Imobiliária F.C. Texto de Luiz Domingues.   Com a proximidade do início da Copa Mundo no Brasil em 2014, não são apenas as falcatruas envolvendo licitações suspeitas em estádios faraônicos que assombram o bolso do cidadão brasileiro. Verifica-se uma alta absurda nos preços dos imóveis, tanto para locação, quanto vendas. Qual o motivo dessa escalada sem precedentes ? Primeiro devemos levar em conta a ingerência arrogante da FIFA, com seu caderno de encargos, que geralmente atropela a soberania nacional de qualquer país, pisando em suas respectivas constituições. Outro ponto importante, é a questão dos patrocinadores que vem juntos com essa instituição antipática. Com tanto rabo preso, fica difícil imaginar que não hajam manipulações, vide a polêmica em torno da venda de bebidas alcoólicas nos estádios. Sem a menor cerimônia, assistiremos a desmoralização da Lei Seca no Trânsito e também em relação às medidas de segurança no tocante às brigas entre torcedores. Afinal de contas, a FIFA tem como seu braço direito, uma cervejaria americana poderosa... Em relação às obras públicas, inicialmente são atribuidas à rede de serviços e locomoção aos estádios onde se disputarão as partidas, mas a verdade é que causam um estrago ao ambiente social, em detrimento da maquiagem prometida. Grandes áreas são desapropriadas para a criação de avenidas. Num primeiro instante, parece algo que seria positivamente agregado ao espaço urbano, portanto um benefício para a população que ali reside. Contudo, relatos vindos de todas as cidades onde estão sendo feitas obras, dão conta de que as pessoas estão perdendo seus imóveis por preços inaceitáveis e "convidadas" a se virar, com sua própria sorte lançada. Recentemente, uma pessoa ligada ao comitê de organização da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, veio à São Paulo lançar um livro onde faz pesadas denúncias sobre esses fatores e alerta o povo brasileiro sobre o perigo que essa ilusão de Copa do Mundo pode nos proporcionar. Receio que seja tarde demais e o estrago já esteja em curso... Há relatos por exemplo, de que milhares de pessoas pobres foram desalojadas de suas casas no centro da cidade de Cape Town, e colocadas em habitações desumanas, feitas de latão (um inferno no verão e um gêlo no inverno), denominadas "Blikkiesdorp". Nada mais apropriado para entitular, pois parece campo de concentração nazista. Acompanhando todas essas anomalias, temos outro ponto cruel : A especulação imobiliária. Recentes pesquisas deram conta que o efeito "Copa" triplicou os preços dos imóveis no Brasil inteiro. E não importa se você mora numa aprazível cidade interiorana, distante milhares de KMs de uma cidade-sede onde acontecerão os jogos. Aquela casa que você sonhava adquirir para morar com sua família e que valia 50 mil reais, agora vale 150 mil e fim de papo para o monstrengo especulador. Claro, o apetite do monstrinho é insaciável e à medida que 2014 se aproxima, vai subir muito mais. Portanto, por conta de sediarmos jogos como Zambia x Emirados Árabes ou Honduras x Nova Zelândia, esses grandes "clássicos" do futebol mundial, veremos bilhões de reais voarem dos cofres públicos, diversas intervenções urbanas gerando transtôrnos para milhares de pessoas e a especulação imobiliária se tornando de fato, a grande campeã mundial do oportunismo.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Lixo nas Ruas, Reflexo de um Povo.

Lixo nas Ruas, Reflexo de um Povo. Texto de Luiz Domingues. Um dos piores costumes que assolam o Brasil, praticamente desde a sua fundação é a mentalidade inacreditável das pessoas em jogar lixo nas ruas. Sempre que vejo um cidadão se livrar de qualquer objeto que tenha à mão, simplesmente jogando-o sobre a calçada ou na rua, fico me perguntando como pode achar normal uma barbaridade desse porte ? Muitos usam a cômoda desculpa de que o poder público não providencia lixeiras suficientes ou simplesmente não cuida das poucas disponíveis, que estão quase sempre transbordando, imundas e com o lixo excedente espalhado pelo chão. Sim, muitas vezes isso acontece e acrescento o fato de que a varrição das vias públicas deixa muito a desejar, pelas autoridades municipais. Todavia, ainda penso que se o cidadão não encontra uma lixeira próxima para depositar seu lixo, em algum momento vai encontrar uma disponível ou mesmo utilizar esse serviço num estabelecimento comercial ou mesmo carregar até à sua própria residência (por que não ?), dispensando-o no seu lixo doméstico. A desculpa esfarrapada de que um papelzinho de bala, por menor que seja, não está causando um dano ambiental, é inadmissível, claro. No Brasil, é comum jogar de tudo nas ruas. E eu questiono : Essas pessoas que agem dessa forma, fazem o mesmo dentro de suas residências ? A resposta é : Difícilmente, por mais relapsas que sejam, duvido que consigam conviver num ambiente desse nível (claro, existem as excessões, casos patológicos que vemos em reportagens sobre pessoas que acumulam lixo etc). Fora desse patamar de distúrbio sócio-mental, só posso atribuir esse comportamente à absoluta falta de educação. E dentro desse parâmetro, é óbvia a relação de descaso das pessoas com as cidades em que vivem, estabelecendo uma relação antissocial depreciativa da Res publica. O cidadão que adota tal conduta certamente considera a cidade como um território de ninguém, onde se exime de qualquer responsabilidade perante ela, considerando que não faz parte de sua moradia. Ledo engano ! Num país de primeiro mundo, o cidadão aprende desde pequeno que sua cidade é sua casa, como extensão viva do seu Lar e portanto, adquire uma relação de amor, respeito, e zelo para com ela. No início dos anos setenta , houve uma tentativa de campanha educacional nesse sentido. Publicitários criaram o personagem de desenho animado, "Sugismundo". Com peças divertidas na TV e em tiras de quadrinhos, estimulavam as pessoas a mudarem esse paradigma de descaso. Mas como foi efêmera a abordagem, caiu no esquecimento e os brasileiros de uma forma geral continuaram pautando suas vidas por esse patamar de absoluto descaso com a higiene pública. Particularmente sou contra medidas arbitrárias e ditatoriais por parte das autoridades. Mas alguém tem alguma ideia melhor para mudar a mentalidade desse povo, a não ser pelo caminho árduo das proibições, penalizações e outras medidas invasivas e antipáticas ?

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Ong's : Méritos e Deméritos.

Ong's : Méritos e Deméritos Postagem de Luiz Domingues. Em sociologia básica, a denominação "terceiro Setor" é empregada para designar iniciativas organizadas pela sociedade civil em prol da utilidade pública. O segundo setor é o dos meios de produção (privado, o mercado) e o primeiro setor diz respeito ao poder público. Nesse sentido, a chamada "organização não-governamental", ong, teóricamente é um suporte e tanto para a sociedade, chegando onde o poder público não alcança. Essas organizações atuam em diversos campos, tais como : Meio ambiente, assistência social, saúde, educação & cultura, combate à miséria, direitos humanos, contra arbitrariedades, defesa da fauna & flora etc. É evidente que a maioria das centenas de ong's que existem espalhadas pelo planeta, cumprem suas metas com grande determinação, idealismo e boa vontade, mas esse tipo de expediente também abre brecha para aproveitadores e oportunistas em geral. Aqui no Brasil por exemplo, a presidente Dilma recentemente mandou suspender todos os contratos de locação de verbas para ongs, lhes dando um prazo até o dia 29 de janeiro, último, para que comprovassem cabalmente como estavam empregando a verba cedida do erário público, mostrando realizações concretas de benefícios sociais. Como resultado, 181 contratos foram cancelados sumáriamente. Ou seja, Essa quantidade enorme de ongs estavam recebendo verbas oficiais e simplesmente não as empregando nos seus projetos sociais. Se a ideia é melhorar a sociedade fazendo coisas que os governos deveriam fazer e não fazem, nesse caso, somos duplamente lesados, como cidadãos. Dos 1403 casos analisados na malha fina do governo, ainda 305 não justificaram suas contas e ações, portanto, o número de gatunos surpreendidos tende a aumentar. E estamos falando apenas de verbas oficiais. Não nos esqueçamos que ongs podem captar recursos de empresas privadas e doações livres, incluso de pessoas físicas. Portanto, se existe má fé, a tentação é grande em explorar esse filão. E mais uma coisa : É preciso ter cuidado para se engajar em causas promovidas por ongs, pois nem sempre há uma certeza cristalina de suas intenções. Muitas vezes, podem estar manipulando a boa vontade de pessoas de boa fé, em prol de interesses escusos. É muito bonito ver artistas engajados numa causa ambiental contra a construção de uma usina hidrelétrica supostamente nociva; indústria poluidora; uma mudança de curso de um rio etc etc. Mas você sai cegamente marchando pelas ruas por uma causa que não conhece direito ? Cuidado ! Muitas vezes, o suposto bom mocismo ecológico apenas mascara outros interesses, tão ruins ou piores do que aqueles que você fervorosamente foi às ruas para protestar.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Na Mira do Toureiro.

Texto de Luiz Domingues.

Na Mira do Toureiro

Tornou-se corriqueira a notícia de brasileiros chegando ao aeroporto de Barajas em Madri e serem impedidos de entrar na Espanha.

Pior que isso, geralmente são vítimas de todo o tipo de constrangimentos, maus tratos, humilhações etc.

Alegando que os brasileiros são atualmente o grupo que mais tenta entrar para viver clandestinamente naquele país, entraram na mira das autoridades da imigração daquele país.

Até aí, é compreensível que queiram se resguardar da entrada indiscriminada de imigrantes ilegais e naturalmente evitar um transtôrno social, ainda mais em tempos de vacas magras com a crise assolando a Europa.

Mas muitos abusos foram cometidos em nome dessa prerrogativa legítima.

Há casos de pessoas munidas de todas as exigências mínimas necessárias, convencionadas pela Lei espanhola e barradas de forma arbitrária.
Não faz muito tempo, um grupo de professores indo àquele país ibérico para um congresso, foi impedido de entrar.

Outro dia, uma brasileira foi impedida de fazer uma conexão, perdendo toda a planificação de sua viagem à outro país europeu. Ela nem ficaria na Espanha, só estava de passagem !

Causou comoção o caso de uma senhora idosa que ficou sete dias detida, se alimentando mal, pois estava indo visitar uma filha que está lá ilegalmente.

Baseando-se na Lei que obriga o visitante indesejado, voltar ao seu país de origem pela mesma companhia aérea pela qual chegou, não é raro o caso de pessoas serem obrigadas a ficar dias esperando pela volta, confinadas em saletas insalubres de uso da polícia no aeroporto de Barajas.

E o que eles exigem ?
Passaporte em vigor, 500 euros em dinheiro vivo, seguro de saúde, passagem de volta ao Brasil marcada e comprovante de reserva num hotel.

Não é nenhum bicho de sete cabeças e convenhamos, outros países são muito mais invasivos, como por exemplo os Estados Unidos, onde a obtenção de visto nos consulados, chega à constrangimentos que nem a receita federal exige dos contribuintes.

Agora, o que justifica a não admissão do visitante, se tem em mãos todos os documentos e o dinheiro mínimo exigido ? O critério é a "cara" do cliente, como geralmente ocorre nas famigeradas portas anti-metal dos bancos que travam mesmo quando uma pessoa não tem nem um objeto metálico no corpo ?

Em represália, o Brasil passou a adotar o mesmo critério em relação aos visitantes espanhóis. Se por um lado está respaldado pela legitimidade, por outro, arriscou-se a cometer o mesmo erro, que evidentemente só pode ser interpretado como ferramenta de coação diplomática.

Todavia, como sempre, quem sofre é o cidadão comum. Se o cidadão tem em mãos todos os documentos necessários, não há porque impedi-lo de entrar e se constatado de fato que não tem condições de fazê-lo, nada justifica o tratamento aviltante que temos visto, relatados pelas pessoas.