terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A Perda da Identidade.

Texto de Luiz Domingues.


A perda da identidade
 
Um dos primeiros atos de hostilidade dentro da polarização entre as frentes ideológicas de direita e esquerda, foi sem dúvida a Guerra Civil Espanhola.

Milhares de idealistas, oriundos de 54 países diferentes, se alinharam nas Brigadas Internacionais para enfrentar as forças do general Francisco Franco, que por sua vez tinha apoio de Adolph Hitler, inclusive com colaboração militar.

Batalhas duríssimas foram travadas nos fronts de Madrid, Jarama, Guadalajara, Brunete, Teruel, Ebro, Albacete, Valencia etc.

Com a força militar nazista apoiando, ficou mesmo difícil para os brigadistas, e Franco triunfou, deixando a Espanha por décadas estagnada numa ditadura que lhe custou permanecer na retaguarda, relegada à um patamar de inferioridade em relação à outras nações européias, assim como Portugal, com o poder de Salazar.

E o que aconteceu com esses brigadistas que lutaram movidos por seus ideais socialistas ?
Fora os que tombaram nos campos de batalha, os que foram capturados, foram levados para campos de concentração na própria Espanha em princípio e também na França.

Com o início da II Guerra Mundial, muitos foram deslocados para a Alemanha e redistribuidos para os campos de concentração nazistas, onde evidentemente foram exterminados.

Mas, uma situação inusitada se criou, pois muitos deles que escaparam, perderam sua condição de cidadãos e foram condenados a viverem na clandestinidade, assumindo falsas identidades, pois tornaram-se apátridas e personas não gratas em diversos países do mundo.

Óbviamente não era possível viver na Espanha, Alemanha, Itália, Áustria e na Checoslováquia, dominada por nazifascistas.

Mas por incrível que pareça, não encontraram apoio em países alinhados com o bloco soviético. Eram recusados na Romênia, Bulgária, Iugoslávia, Hungria e na própria União Soviética, onde passaram a ser considerados como pessoas "não confiáveis".
O mesmo conceito lhes era imputado nos Estados Unidos, França, Inglaterra e Irlanda.

Restava-lhes alternativas de segundo e terceiro escalão, mas mesmo assim, ficou difícil. O Brasil de Vargas flertava com Hitler e Mussolini e só alinhou-se aos aliados na parte final da Guerra, praticamente. A Argentina também tinha simpatia pelo Eixo.

Muitos acabaram se aliando enfim à resistência francesa e sua experiência foi fundamental para minar os nazistas.

Mas muitos perderam a identidade, tornando-se apátridas, rejeitados e considerados "mercenários", acusação esta, ultrajante, por sinal.

A coragem desses idealistas em se alistarem numa causa que só lhes dizia respeito sob o ponto de vista teórico, é admirável. Mas fica também uma dúvida pairando no ar : Valeu mesmo a pena ter se engajado numa luta desse porte, numa terra estrangeira e ter como resultado prático toda essa perda pessoal ?

Venceu a direita, perdeu a esquerda...alguns anos depois Franco morreu sem deixar saudade a não ser para seus correligionários e a Espanha voltou a crescer e tirar o atraso cultural. Do outro lado, todo esse sacrifício para manter e impor os ideais de Karl Marx aos vizinhos, esvaneceu-se, culminando num muro derrubado, escancarando o fracasso dessa "igualdade" forjada à forceps.http://www.blogger.com/img/blank.gif

Na falta de um sistema político e sócio-econômico realmente justo e bem organizado, visando o bem estar e com oportunidades para todos, nem o capitalismo, tampouco o comunismo deram respostas aceitáveis à humanidade.

Sendo assim, qual a luta que realmente merece ser travada ?

Graham Nash , com a musica "Military Madness", um comovente hino contra o militarismo.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Drogas, Questão Dúbia.

Texto de Luiz Domingues.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tomou uma corajosa posição ao se engajar num documentário que abertamente levanta a questão da liberalização das drogas ("Quebrando o Tabu", de Fernando Grostein Andrade).

Particularmente, fiquei surpreendido , pois não esperaria uma atitude dessas do ex-presidente, que nas últimas décadas nem lembrava o combativo político idealista e anti-ditadura, ao seguir a tendência tucana de se aliar à direita, tornando-o um aparente conservador, que certamente destoa de sua biografia pregressa.

Contudo, está explicado porque o seu partido praticamente o marginalizou nas últimas eleições presidenciais, quase explicitando uma vergonha interna, quando na verdade, sua figura como presidente vitorioso com dois mandatos, deveria ser o principal trunfo do partido.

Saindo da política e falando do tema do documentário, só os realmente retrógados, não entenderam a intenção de FHC. Não há nenhuma intenção de fazer apologia às drogas. A questão é o completo fracasso da política de repressão montada para coibir o consumo, que só fez fomentar a indústria do tráfico, com um aparato bélico digno de exércitos, para que esses bandidos aterrorizem a sociedade.

Que as drogas fazem um estrago na saúde física, mental, espiritual e social das pessoas, eu não tenho nenhuma dúvida. O que questiono, assim como o ex-presidente muito bem coloca no documentário, é a política repressora e encriminatória, que revelou-se um completo fracasso nas últimas décadas e foi praticamente imposta pela visão norte-americana do problema.

Há os que argumentam que o controle do Estado deva ser absoluto e se afrouxasse , seria ainda pior.

Discordo desse ponto de vista por vários fatores:

1) Reprimir criminalizando os consumidores, diminuiu o consumo ? É claro que não ! E pelo contrário, só fortaleceu os traficantes que montaram verdadeiros exércitos para defender seu negócio.

2) A sobrecarga de trabalho às forças policiais é brutal, por travarem uma luta insana. Enquanto se preocupam em enfrentar traficantes e reprimir usuários, ficam longe de suas verdadeiras atribuições, evitando assaltos, estupros, violência, vandalismo, golpes, furtos, roubos etc.

3) O Estado não pode "mandar" no livre arbítrio das pessoas em relação aos seus próprios corpos. Pessoas adultas tem o direito de cuidarem de suas vidas, fazendo suas escolhas pessoais sobre o que ingerem. Se não prejudicam outras pessoas ou o patrimônio alheio, devem ser livres para fazerem suas escolhas pessoais.

4) A questão gritante da hipocrisia e preconceito é fator execrável a ser abolido. Por que os mesmos reacionários que defendem a manutenção do atual Status Quo da política repressora em relação às drogas ditas ilícitas, não defendem a proibição sumária das bebidas alcoólicas e do tabaco ?
Pois é amigos...é sabido desde sempre, que estas drogas "lícitas" e vendidas em todas as esquinas legalmente, produzem os piores viciados, matam, criam embaraços multiplos (A sociedade não aguenta mais esses famigerados bêbados matando pessoas todos os dias no trânsito, não é verdade ?). Contudo, as mesmas vozes que execram outras drogas, não acham que essas "lícitas" sejam tão prejudiciais...

5) Os danos causados ao organismo físico e à psiquê humana, são sistemáticos para todas as drogas, mas é muito discutível a questão do efeito estimulador das drogas no comportamento, a grosso modo. A droga potencializa o que é o estrato de cada pessoa. Se um garoto de baixo nível sócio-cultural, pouca instrução e criado num ambiente agressivo se drogar, é muito provável que tenha uma tendência a envolver-se com o crime, praticar delitos etc. Um outro garoto, de formação mais avantajada socialmente falando, pode fazer uso da mesma substância e sentir-se estimulado apenas a ouvir música, dançar e flertar numa "balada".

6) A contrapartida de uma eventual liberalização, seria o investimento maciço no aparato de saúde pública e na educação. Campanhas bem estruturadas esclarecendo com correção os malefícios do uso dessas substâncias, incluso álcool e tabaco e pronta assistência médica, com instalações, equipamentos e profissionais bem capacitados e remunerados. E ainda assim, o governo gastaria muito menos, do que gasta atualmente mantendo a repressão, mais sobrecarga no sistema jurídico e penitenciário.

7) Outra contrapartida, seria um equilíbrio de forças na balança da justiça. Da mesma forma que as pessoas seriam livres conforme a sua consciência para consumirem livremente o que desejassem, assumiriam integralmente seus atos mediante um código penal duríssimo. Cometeu um crime alcoolizado ou drogado ? Uma pena muito dura e sem a atual escala de abrandamentos que o sistema brasileiro oferece. Bom comportamento ? Mera obrigação para não postergar o cumprimento da pena. 30 anos de reclusão ? Nenhum minuto a menos e assim por diante. E claro, trabalhando...precisamos de muita força bruta na manutenção das péssimas estradas federais, construção de casas populares etc.

8) Evidentemente que isso quebraria as organizações criminosas. Os pessimistas de plantão vão argumentar que eles apenas mudariam de modalidade criminosa. Mas até que isso acontecesse, será que o governo não teria tempo, capacidade e dinheiro economizado para investir em tecnologia e inteligência policial ?

Não estou fazendo apologia às drogas. Que fique bem claro ! Questiono, assim como o ex-presidente FHC, a manutenção da atual política repressora, que revelou-se completamente ineficaz e com este texto, abro uma discussão, colhendo opiniões, apenas isso.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Só os Cães Merecem Compaixão ?

Só os cães merecem compaixão ?

Texto de Luiz Domingues.

Recentemente as redes sociais da internet alardearam o caso de uma mulher no interior de Goiás, que torturou e matou bárbaramente um cachorro da raça Yorkshire.

Flagrada em delito por um cinegrafista amador que filmou as cenas terríveis de crueldade, foi execrada com um linchamento virtual sem precedentes.
Seu ato foi de uma perversidade incrível.

É claro que deve ser responsabilizada, julgada e condenada pela justiça. E que uma punição dura sirva de exemplo a tantos sádicos que andam por aí, torturando cães, gatos e aves domésticas, mais costumeiramente.

Até aí estou de acordo com a comoção toda, ainda que com reservas, pois linchar não é o caminho. Mas quero enfocar algo que parece passar ao largo da discussão toda em torno do pobre cãozinho.

O ponto é : Só cachorrinhos maltratados causam essa indignação toda ? Um pouco para os gatos, um pouco aos passarinhos e nenhuma espécie mais ?

Enquanto o cãozinho de Goiás era torturado e morto, milhares de bovinos, galináceos, peixes, suínos, aves e outras tantas espécies, eram brutalmente assassinados para servirerm de matéria prima para toda sorte de ações extrativistas, numa prática diária.

As mesmas pessoas que se indignaram nos "Facebooks" por aí, não movem um milímetro de suas sobrancelhas para se revoltarem com tal realidade.

Pelo contrário, acham normal essa matança, tortura e humilhação. Talvez por considerarem que uma espécie merece todo o carinho dos humanos e outras, só prestam para lhes arrancarmos o couro, comermos sua carne e usarmos outros pedaços como insumos para cosméticos, sapatos e roupas, sei lá...deve ser assim que pensam esses milhões de indignados com o caso do cãozinho Yorkshire.

É possível que numa outra cultura diferente da ocidental, onde a carne canina seja apreciada como gastronomia, não houvesse um único "curti", nenhum compartilhamento etc.

Não vejo uma mobilização tão grande assim contra a indústria petrolífera que recentemente causou um estrago no mar territorial brasileiro. Certamente o dano ambiental causado vai matar milhões de peixes e outras espécies marinhas, mas só vejo lamentos pelo prejuízo financeiro decorrente disso.

Que se danem aqueles peixinhos, não é mesmo ? Afinal de contas, eles não são os melhores amigos do homem...

Experiências com camundongos, mutilando-os e expondo-os a terríveis doenças em laboratórios, não tiram o sono de quase ninguém, mas bastou um E-Mail circular na internet mostrando cães da raça Beagle, nessa situação de cobaias de laboratórios e outra comoção pública foi instaurada...

Então, a questão é a seguinte : Está na hora das pessoas pesarem na balança os seus conceitos e pararem com essa hipocrisia barata. Se é para se indignarem, que sigam o exemplo de São Francisco de Assis, que nos ensinou a amar os animais, de forma integral e não discriminatória.

Todas as espécies merecem o nosso respeito e tem o direito de viver seu ciclo de vida e morte nos trâmites da natureza e sem maus tratos perpetrados pelos humanos.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Vivendo Melhor.

Vivendo melhor.

Texto de Luiz Domingues.

Em recente relatório divulgado, o IBGE mostrou dados animadores sobre o aumento da expectativa de vida para o povo brasileiro.

Decorrente da recente fase de prosperidade que o Brasil alcançou, mas que também coincide com dados internacionais mais fechados no âmbito da medicina.

Segundo o bioquímico britânico Nick Lane, pesquisas estão avançadas no sentido de criar uma medicação que iniba a demência, cardiopatia e diversas manifestações cancerígenas, de uma só vez, evitando assim o envelhecimento humano. Lane afirma que dessa forma a pesquisa anda bem mais rápidamente, além dos recursos para subsidiar os cientistas, que são minimizados.

Tais pesquisas são baseadas no conceito bioquímico da gerontogene, onde os cientistas apostam suas fichas, com contundência. Numa única mutação desse gene, seria possível quase dobrar a expectativa de vida de um ser humano, com excelente qualidade. Segundo Lane, daqui há vinte anos, poderemos com tal metodologia, esticarmos a vida com 120 a 130 anos de idade em média, minimizando o envelhecimento em níveis que hoje seriam considerados apenas como fantasia de filmes e seriados de Sci-Fi.

Por enquanto, devemos comemorar nossos dados domésticos, pois se uma pessoa nascida em 1960, meu caso por exemplo, tinha naquele ano uma expectativa de vida de 65 anos/média, hoje está com 73.9 anos. É um aumento significativo, elevando o IDH do Brasil, que realmente precisa centrar esforços para usar com muito critério essa prosperidade financeira que o alavanca, principalmente quando o país se tornar um grande produtor petrolífero, realidade da qual se aproxima.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Nova Terra ?

Nova Terra ?
 
A Nasa divulgou recentemente novidades alvissareiras no tocante às suas novas descobertas.

São novos planetas com forte indício de conter água entre seus componentes, além de novas estrelas com potencial igual ou maior que o nosso Sol, que foram descobertos e anunciados em pronunciamentos oficiais.

Foram descobertos mais de 500 planetas nessas condições nos últimos tempos e o que mais chamou a atenção dos cientistas, foi batizado como "Kepler 22-B". Ele tem o seu raio 2,4 vezes o tamanho da nossa Terra e está distante de nós, em 600 anos-luz.

Já a agência européia ESO (Observatório Austral Europeu), anunciou mais 55 planetas com esse potencial, sendo que um, batizado como HD85512B, tem 3,6 vezes o tamanho do nosso planeta Terra e temperatura média entre 30 e 50 graus centígrados (para quem gosta de um calorzinho...).

Óbviamente que se existe água, potencialmente pode-se esperar a existência de vida, nem que seja de forma unicelular.

Isso por si só, já denota um extraordinário avanço nas relações públicas entre os cientistas e o cidadão comum, haja vista a monolítica predisposição adotada até hoje pela ciência, de comum acordo com os governos e suas respectivas representações militares, de esconder a todo custo, toda a informação sobre essas descobertas, sob o desgastado conceito de que assim evitariam agitações sociais, pânico e outras consequências.

Isso não é novidade na história da humanidade. Basta recordarmos de um passado não muito distante, ou seja, o final da Idade Média, onde a Igreja conduzia o monopólio da informação com mão de ferro, através da famigerada "Santa Inquisição" e na blindagem de seu Index.

Entre outras ocorrências, custou para admitirem que o nosso planeta era redondo, que girava em torno do Sol e não o contrário etc.

A negação veemente de vida inteligente em outros planetas é outro paradigma que está no limiar de seus estertores. Isso, naturalmente, balançará paradigmas dogmáticos principalmente das grandes religiões monoteístas do planeta e portanto, existem grupos que resistem com todas as suas forças para que tais novidades não venham à tona.

Contudo, tal como uma represa hidrelétrica que está prestes a desmoronar corroída por vazamentos, está ficando insuportável conter essa pressão.

Saída mais razoável para quem raciocina obtusamente coadunado com velhas doutrinas é enxergar essa possibilidade, não como uma negação de suas convicções sobre uma entidade onipresente e criadora de tudo, mas muito pelo contrário, perceber que isso potencializa esse conceito.

Texto de Luiz Domingues.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Compre, Compre, Compre... Carros.

Compre, compre, compre...carros
 
Em qualquer turbulência econômica que esboce uma crise à vista, o governo corre para socorrer os bancos e a indústria automobilística à frente de qualquer outro setor da sociedade.

Se você for dono de uma escola, cinema ou de um mercado de bairro, é melhor que tenha suas reservas pessoais, pois não receberá ajuda para se levantar e salvar o seu empreendimento.

Dos bancos, é bem óbvio o comprometimento que políticos tem, basta pensar nas suas vultuosas campanhas eleitorais etc. Posso incluir um terceiro setor, o das grandes empreiteiras e sua assanha por obras públicas (Copa e Olímpiada à vista e tem muita obra "boa" para se pensar, não é mesmo ?).

Mas e a indústria automobilística ? A desculpa na ponta da lingua de todo governante, é a questão social que se desequilibraria. Se param de fabricar, quantos empregos diretos e indiretos podem ser comprometidos ?

Quantas centenas de milhares de famílias entrariam em apuros se não se fabricassem mais automóveis ?
Isso sem contar o setor de autopeças, a colossal indústria petrolífera, os gigantes dos pneumáticos etc etc.

Será que uma redução dessa loucura de produção em massa, realmente causaria esse desequilíbrio social sempre usado como desculpa ?

E a contrapartida dessa produção absurda ? Segundo dados que li na mídia recentemente (Fonte : O Estado de São Paulo), a expectativa da indústria é vender 3,7 milhões de carros até o final de 2011.

Ora, é sabido que o trânsito está completamente caótico nas grandes e médias cidades. Os índices de poluição cada vez piores, o aumento de violência em torno dos roubos aos automóveis são alarmantes, acidentes perpetrados pelos bêbados irresponsáveis cada vez mais acentuados etc etc.

Os preços deveriam ser muito menores, proporcionais ao incentivo consumista, mas pelo contrário, são extorsivos, a começar pela absurda carga tributária.

Para manter um carro, é preciso preparar o bolso para pagar em dia as taxas. Para se manter a documentação em dia, é preciso ter uma carteira recheada.

Fora o verdadeiro gargalo de restrições : Para estacionar é preciso pagar uma fortuna, pois as prefeituras transformaram as ruas em seu estacionamento particular, com zona azul e outros dispositivos. A cada esquina, um agente de trânsito trabalha o dia inteiro com um grosso talão de multas, que preenche com uma volúpia sem igual. E como a ação policial deixa a desejar na questão dos assaltos, não dá para ficar sem o caríssimo seguro, não é ?

O país vai se consolidando como potência petrolífera, mas nem se cogita um repasse à população, pois o preço dos combustíveis é dos mais caros do planeta, como se não houvesse uma só gota de petróleo saída de nosso território.

E mais um dado visível e triste nessa equação viciada : Investimentos em transporte público feitos a passos de tartaruga, desestimulam as pessoas a deixar de usarem seus carros particulares, não é ? A pessoa entra num ônibus ou vagão de metrô ultralotado, chega morta no seu local de trabalho e realmente raciocina que é melhor ficar presa no trânsito infernal, mas sentada no seu carrinho com ar condicionado e ouvindo musiquinha, a ficar espremida como uma sardinha e parada no mesmo trânsito engarrafado...

Resumo da ópera : Está do jeito que eles querem ! Compre um carro, compre um carro e compre um carro...

Texto de Luiz Domingues.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Sete Bilhões de Bocas Famintas.

Sete bilhões de bocas famintas,

Por Luiz Domingues.

 
Recentemente a mídia alardeou o nascimento de um bebê que foi arrolado como o ser humano de número sete bilhões, no planeta.

É fato concreto que a aceleração no processo demográfico, iniciou-se principalmente a partir do incremento da revolução industrial, em meados do século XVIII.

O economista britânico Thomas Malthus, desenvolveu sua famosa teoria nessa época, dando conta do crescimento geométrico da população, não acompanhar o crescimento aritmético dos recursos materiais para supri-la , em termos de comida e água potável.

Isso é o básico, claro, mas numa análise mais realista e adaptada ao século XXI, sabemos que só a comida e a bebida não suprem as necessidades de sete bilhões de pessoas.

A questão do equilíbrio econômico é muito preocupante, haja vista as convulsões sociais que temos observado (aqui mesmo no Planet Polêmica, já foi abordado o fenômeno do "ocupe Wall Street").

A insatisfação pelo colapso do capitalismo está chegando no seu limite máximo de tolerância, mas a perspectiva em torno de sua eventual derrocada, é sombria, pois não se trata de derrotar Wall Street como se derrubou o comunismo simbólicamente através do muro de Berlim em 1989. Não é tão simples assim.

A grande questão é : Como alimentar e hidratar sete bilhões de pessoas ? Como cuidar para que hajam meios de subsistência, empregos, sustentabilidade para esse contingente absurdo ?

Isso sem contar no bojo de necessidades a serem supridas. Além da comida e da água potável, existem as questões da moradia digna, saneamento básico, serviços públicos eficientes, diminuição dos indices poluentes, reciclagem, coibição de desperdício, saúde pública, erradicação de doenças e epidemias, lazer para não enlouquecer essa gente toda, esportes para gastarem sadiamente a energia e claro, educação, arte & cultura asseguradas...

Como garantir isso para sete bilhões de pessoas, se nunca na história da humanidade isso foi possível de ser provido e com um contingente humano muito menor (em 1959, haviam três bilhões de seres humanos respirando neste planeta...) ?

Em tempos de tantas tomadas de consciência em torno da ecologia, reciclagem e processos de sustentabilidade (sem contar na luta contra a poluição), será que ninguém coloca na pauta do dia a questão do controle da fertilidade ?

Ou seria algo políticamente incorreto de se ventilar ?